sábado, 27 de novembro de 2010

Lula Top Top da Silva




Ontem escrevi aqui neste Blog sobre a entrevista do Lula aos blogueiros “camaradas” e disse que não tinha paciência de comentar tópico por tópico o quase monólogo do meu conterrâneo diante de algumas pessoas que estavam mais pensando na foto histórica no final, do que em retirar um milímetro de verdade que fosse do presidente, que está tomando a “saideira” todos os dias.

Houve momentos na entrevista onde se notava já instalada a síndrome de abstinência de poder em Lula. Quando ele disse que precisava “desencarnar” da presidência, seu semblante anuviou-se como se o desencarne fosse definitivo. Mas, ele sempre voltava, como sempre, na esperança de a ele voltar. E a campanha já começou. Vejam o que ele disse daquele episódio lamentável da “bolinha de papel”. É a cara dele. Apostar na dúvida para colher certeza da bajulação. Mas o trecho mais marcante ainda foi a imitação barata do Marcos Aurélio Garcia, quando do acidente da TAM em São Paulo. Vejam o vídeo que coloquei ontem aqui e vejam o filma abaixo, do original dos seus assessores. O Lula Top Top da Silva, desta vez se superou, quando se trata de praticar todas as vilanias para chegar ao poder. Eu só tenho agora pena do meu conterrâneo, virou um caso psquiátrico.

Para matar a fome dos meus leitores eu transcrevo abaixo o artigo da Dora Kramer no Estadão, sobre este tema, com o sujestivo título de "Militância digital". E não deixem de notar que o Lula foi o único presidente deste país em toda sua história, que deu entrevista a blogueiros. E eu pensei que o Marechal Deodora da Fonseca tivesse proclamado a república pela internete.

“O presidente Luiz Inácio da Silva convida quem quiser para suas entrevistas individuais ou coletivas. Do mesmo modo, vê, ouve ou lê o que é dito quem quer.

Portanto, o encontro que reuniu alguns autores de blogs para entrevistar o presidente da República não se pode dizer que tenha pecado pelo excesso de governismo. Inclusive porque ninguém é obrigado a ter senso crítico em relação a pessoas, objetos ou situações que lhe sabem bem ao paladar, à visão, ao tato e ao olfato.

O Palácio do Planalto e Lula resolveram retribuir os serviços prestados por um grupo de "blogueiros progressistas" (o pressuposto é que os demais sejam reacionários), ativistas da campanha de Dilma Rousseff e não seria de esperar outra atitude que não a da benevolência.

De todo modo, chamou atenção o entusiasmo. Na saudação ao "primeiro presidente do Brasil a receber representantes da blogosfera" - como se não fosse ele o primeiro a conviver com a modalidade -, no silêncio reverencial diante de respostas quilométricas e/ou incongruentes, nas gargalhadas cúmplices, na docilidade nas repetidas referências à "imprensa golpista" ou "velha mídia".

Nas entrevistas tradicionais, em que não há seleção ideológica, não se vê, por exemplo, o entrevistado precisar corrigir o entrevistador que estranha o fato de as indicações ao Supremo Tribunal Federal não terem deixado a Corte com "a cara do governo Lula".

"Graças a Deus o Supremo não ficou com a cara do governo", respondeu o presidente a um rapaz que se identificou como representantes de um "blog jurídico", ensinando-lhe, em seguida, algo sobre a independência dos poderes inerente à República.

Fora isso, os autodenominados "blogueiros progressistas" passaram batidos por repetidas afirmações de Lula de que não fazia ideia das realizações de seu governo em diversas áreas: comunicações, legislação trabalhista e direitos humanos.

O presidente, depois de oito anos de governo, disse que só teria a real noção de suas realizações depois que "desencarnasse" da Presidência. Pôde dizer sem ser contestado que o ex-diretor da ABIN, Paulo Lacerda, deixou o governo e a PF porque "estava na hora de sair". A ninguém ocorreu lembrar-lhe que Paulo Lacerda foi mandado para Portugal em meio ao escândalo dos grampos telefônicos ilegais, por sugestão do ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Quando afirmou que a sociedade ao controle social da mídia, defendendo iniciativas como a Ancinav e o Conselho Nacional de Jornalismo, não precisou explicar a razão de seu governo ter recuado de todas elas. Inclusive retirando propostas semelhantes do Plano Nacional de Direito Humanos 3.

Dissertou sobre enormes resistências à reforma política sem que lhe perguntassem quais são elas. Não foi questionado sobre a razão de ter aprofundado velhas práticas contra as quais agora promete lutar ao "desencarnar" da Presidência.

Esteve à vontade para ressaltar sua altivez em reuniões internacionais (permanecer sentado, enquanto os outros chefes de Estado se levantavam para receber George W. Bush), e relatar a amargura por ligações feitas entre o desastre da TAM e a crise aérea de 2006/2007.

Tão à vontade que, ao repetir que a agressão de petistas ao então candidato José Serra foi uma "farsa" - na abertura havia provocado muitos risos ao "ameaçar" os blogueiros com "bolinhas de papel" - deu-se ao desfrute do machismo consentido. Na ocasião, contou, resolveu responder no lugar de Dilma, comparando ao adversário ao goleiro chileno Rojas, "porque ela é mulher e não entende nada de futebol". _

Cada um fala com quem quer, mas respeito, inclusive aos fatos, é bom e todo mundo gosta.”

Como diz o Cardinot: “Durma-se com uma bronca dessas.”




Zezinho de Caetés – jad67@citltda.com

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