quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Montanha Pariu um Rato?




Desde muito tempo se sabia que a presidenta eleita, Dilma Roussef, teve um passado do qual ela mesmo se orgulha, como uma ativa combatente da ditadura militar. Eu também tive o meu passado nesta área. Não foi tão ativo quanto o da presidenta, pois não peguei ou fui guarda de armas, nem assaltei bancos, nem participei de sequestros ou outras coisas do gênero violento.

Quando falei antes e durante a campanha, e estou falando agora que a Dilma foi um grande erro de avaliação do meu conterrâneo Lula, não estava pensando neste passado que diante da situação política do Brasil, não seria tão condenável assim. A capacidade que temos de mudar de opinião é muito grande quando pensamos racionalmente e não com os preconceitos e ideologias que nos escravizam. Eu até admirava os mais corajosos que queria ir lutar por Cuba na África nas guerras chamadas de libertação. Acreditava piamente que a revolução do tipo marxista-leninista era a única solução possível para a humanidade e até tinha, com muito orgulho, uma camisa do Che Guevara.

Além disso, cantava melhor do que o Senador Suplicy a música do Geraldo Vandré, “Para não dizer que não falei de flores”, e quase sempre, em situações que me levava às lágrimas. Tinha absoluta certeza que os Estados Unidos eram o vilão do mundo, e gritei muito “Yankees, go home!”, além de sujar alguns muros com a mesma frase. O que mais odiava era ser julgado um “reacionário”. Era um xingamento, pior até do que ser “viado”, o que naquela época ainda se considerava uma coisa ruim. E por aí vai, sem eu tentar explicar isto a pessoas mais jovens, pois estes vão aprender na história, se o ENEM exigir, porque sei que os da minha idade sabem muito bem do que estou falando.

Hoje eu sou um “reacionário” de ontem. Não acredito mais no marxismo nem nos seus seguidores. Penso até que o mundo estaria melhor sem eles. Mas, isto é uma posição que exigiria mais elaboração para defender. O que quero colocar aqui é mais simples. É que acredito na capacidade que temos de mudar de opinião. Por isso penso também que a presidenta eleita possa ter mudado. O problema que vejo é que, pelas suas atitudes não tão longe no tempo ela não se converteu aos valores democráticos com tanta rapidez quanto se converteu ao catolicismo praticante, de mentirinha. O erro do qual falei acima, por parte do meu conterrâneo, vem mais da minha descrença numa mudança no pensamento da Dilma, pelo menos ao ponto de deixar-me tranquilo quanto a uma possível recaída. “Onde foi casa é tapera”. Eu penso ter construído uma casa em cima da minha tapera, que nem os arqueólogos do futuro encontrarão. Será que a casa atual da Dilma é tão sólida assim?

Vejamos um pouco da tapera, ou seja, o que ela pensava algum tempo atrás. Vejam o que ela declarou num processo da Justiça Militar, que foi tirado a fórceps pela imprensa de um cofre no Supremo Tribunal Militar, durante toda a campanha eleitoral:

"Que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude da riqueza de uns poucos que detêm o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileiro. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista".

Dependendo do que ela pensava de socialismo, eu diria a mesma coisa se preso estivesse. Além disso ela é mostrada como uma figura de expressão nos grupos em que atuou, que chefiou greves e assessorou assaltos a bancos e nunca se arrependeu.

Em maio de 2008, Dilma falou no Senado sobre o período em que foi torturada. Questionada pelo senador Agripino Maia, que relembrou uma entrevista em que ela dizia ter mentido na prisão, Dilma afirmou que foi "barbaramente torturada" e respondeu:

“Não é possível supor que se dialogue com pau de arara ou choque elétrico. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira - disse Dilma, que emocionou a plateia que a ouvia na ocasião. - Eu tinha 19 anos. Fiquei três anos na cadeia. E fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogador compromete a vida dos seus iguais. Entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador. Porque mentir na tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade. Na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira. E isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, de que tenho imenso orgulho. E completou: - Aguentar tortura é dificílimo. Todos nós somos muito frágeis, somos humanos, temos dor. A sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável, o senhor não imagina o quanto.”

Eu me lembro de ter assistido a esta audiência do Senado, e depois desta resposta o Senador Agripino Maia botou a viola no saco e se mandou com sua inabilidade. Todos sabem que vivemos uma fase, que ainda não passou, que qualquer pessoa que lutou contra a ditadura militar, passou a figurar como vítimas dos cruéis e fanáticos torturadores. E isto, em parte, tem um fundo de verdade. Muitos sofreram, inclusive a Dilma. Entretanto, uma coisa é mentir naquela situação, e outra coisa é continuar mentindo pelo resto da vida. Se Dilma realmente é tão competente como pregam os seus áulicos de plantão, ela deve saber que, nos últimos anos do governo Lula, o que já vinha acontecendo à economia brasileira. A campanha que ela escolheu, ou a foi imposta por outros, vai terminar sendo um grande estelionato eleitoral. E se o que outros pensam que é verdade, que até em seu comportamento de menina educada e cumpridora de ordens do Lula, é também uma fraude, então esperemos pelo pior. Teremos nossa guerrilheira de volta, para tornar na lei ou na marra este país uma república socialista do tipo que está se tentando aqui pela “esquerda carnívora” da América Latina, Hugo Chaves com a bandeira.

Hoje leio nas folhas algumas notícias que vem corroborar minha opinião de que a Dilma não mudou. Suas primeiras nomeações para a equipe econômica mostram quanto ela se distanciará de Lula, enquanto continua dizendo o contrário, para continuar surfando nas ondas da “marolinha” deixadas pelo seu companheiro. Pessoas ligadas ao setor, já desconfiavam disso com a manutenção do Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Ele é um gastador incontrolável, e foi quem levou este país à desordem fiscal em que ele se encontra. Agora tira o Meirelles, com aquela história de que ele queria dar ordens nela, o que ele mesmo desmentiu, e coloca um pau mandado de carreira, o Alexandre Tombini. O “Tombinho” vai dar um tombo imenso na taxa de juros, como quer a presidenta, e dentro de poucos meses, voltaremos aos tempos do Collor e seus confiscos e do Sarney e seus fiscais, para tentar mitigar as conseqüências da inflação. Como se não bastasse teremos a Miriam Belchior que é chefe do PAC atualmente, e ao invés de ser demitida por fazer tão pouco, eleva-se o PAC ao status de Ministério do Planejamento. Deus queira que eu esteja errado, embora os fatos indiquem o contrário.

Quanto ao que foi revelado no processo da guerrilheira Dilma, a montanha pariu um rato, mas se tudo que a vi fazer e dizer na campanha, se foi ela que comandou, então a montanha parirá um vulcão jogando cinzas sobre nossas cabeças. Espero que o meu conterrâneo, de direita, o Lula, não venha para Caetés e continue dando as cartas, pois sentiremos saudade dele. Ou não vai ter jeito, voltarão o Pedro Malan e o Armínio Fraga, com outro Plano Real para nos salvar.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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