terça-feira, 2 de novembro de 2010

O aborto, as mulheres e a audácia do Boff




No início do Blog da CIT, quando nossas visitas eram ainda de 10 ou 15 por dia, a questão do aborto, foi muito discutida. Houve um intenso e profundo debate sobre o tema e aprendemos que o “ibope” do blog era muito sensível a três temas: política, religião e futebol. Catástrofe veio logo depois, com o estouro do Açude da Nação. Hoje com a média de 250 páginas lidas por dia, estas preferências não mudaram muito.

Para mim isto não foi surpresa porque sou de Bom Conselho e o nosso Blog é dirigido à nossa comunidade pelo Brasil e pelo mundo. Hoje, nem a cidade, nem nós que somos filhos de lá, resiste a uma crítica ao Padre, ao Coronel ou ao time de futebol preferido, em qualquer meio de comunicação, sem lê-la. No futebol, me diz Jameson, no ouvido, antes era entre a ABA e o “sangue”, o Vera Cruz, de Pilão, Zezinho Macaxeira, Zé Dileu, Elisênio, Tonho de Raul, Trovão e tantos outros, que ele continua a me soprar aqui enquanto escrevo. Na política, O Norte tinha as maiores vendas quando publicava um ataque do Padre Alfredo ao Coronel Zé Abílio, ou vice-versa, ainda hoje acontecendo com a A Gazeta, embora ela hoje esteja muito oficial para meu gosto. Mas na religião, o aborto sempre foi um tema imbatível.

Fora da imprensa, em Bom Conselho, o aborto nunca foi considerado uma coisa natural, em minha época, a não ser por causas naturais, o que era pelos desígnios de Deus. Tivemos e temos uma grande influência da Igreja Católica. E eu diria um sonoro Graças a Deus, se a minha igreja tivesse evoluído em certos temas, e o aborto é um deles. Mas, não tem jeito, apesar de achar até agora que o Papa, bispos, padres e católicos em geral, tem, como pessoa, o direito de ter, e mesmo até o dever de ter, suas opiniões políticas, eu não tenho como concordar com a ideia de que o aborto não deve ser descriminalizado.

E aí, por mais força que fazemos para voltar à vida normal, temos que voltar a eleições, candidatos, presidente ou presidenta eleita e outras “cositas más”. E eu prezo muito uma frase que é atribuída a um grande historiador, o Arnold Toynbee , que diz o seguinte:

“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”.

Por isso todo o tempo devemos ficar ligados, como diz um filho meu, nas ideias daqueles que nos governam para não sermos castigados. Todos que me lêem sabem em quem votei, quem apoiei, a quem defendi durante a campanha passada e dei lá os meus motivos. Agora me fixo sobre um ponto, o aborto. Engraçado, é que se o único tema a ser discutido no Brasil, na campanha passada, fosse o aborto, eu votaria num candidato petista, que seguisse seus pontos programáticos, pelo menos de algum tempo atrás. Eu não sei hoje o que eles pensam, como não sei o que pensa a candidata eleita Dilma Roussef. Pois, por incrível que parecça, um dos pontos que me fez entrar com os dois pés na defesa do Serra, foi a gradação da mentira. E neste tema, a Dilma se superou. Mentiu o tempo todo, mais do que Serra.

Eu já escrevi aqui sobre o Frei Betto, o Leonardo Boff, D. José Cardoso Sobrinho, Igreja, cristianismo, hinduísmo, etc. ao tratar deste tema, o aborto. Ele me veio à cabeça outra vez hoje, por causa de um post no Blog do Roberto Almeida, sobre o Leonardo Boff, onde ele defende a descriminalização do aborto, e para quem o ler, pelo menos de vez em quando, não é novidade. Novidade mesmo, foi ele apoiar a Dilma Roussef e pousar de “good boy” da candidata, hoje “presidenta”, naquele encontro dos artistas.

Hoje o Zezinho escreveu aqui um artigo, usando, mesmo sem permissão porque elas são de domínio público desde que citada a fonte, minhas palavras “Pelas barbas de Boff”, para mostrar quanto ridículo alguém pode se tornar quando quer aparecer a qualquer custo. Lembro agora do Zé de Abreu no discurso de candidata eleita da Dilma, como papagaio de pirata, junto com a prefeita de Fortaleza. O indivíduo se esforçando para chorar igual a Dilma quando falou do Lula. Se o Boff estivesse lá, estaria com as barbas encharcadas de lágrimas.

É uma pena que pessoas como ele, que tem boas ideias sobre algo que nos afeta, diretamente, como mulheres, proceda desta maneira. Simplesmente, perde sua credibilidade. E o pior de tudo isto é que nossa “presidenta” embarcou nesta "furada" também, e até hoje eu não sei o que ela pensa desta questão. O amigo José Fernandes poderia me ajudar neste ponto. Espero que ela não vá perguntar ao Papa, quanto a este tema, mesmo sabendo que ele apenas repete o mantra secular de nosso Santa Igreja, do qual eu discordo. Se até eu morrer, os seus lúcidos dirigentes não mudarem o Código Canônico, eu irei para inferno, ou pelo menos para purgatório, pois eu tenho muitas virtudes para compensar, meu marido é que diz.

Eu já disse, estou doida para que nossa “presidenta” honre as saias que veste e não nos decepcione nesta questão voltando a pensar o que ela pensava antes. Não se consegue pensar num país em pleno século XXI, onde se deixe a mulher tão desprotegida nesta área. A ela eu diria, “presidenta” a campanha acabou, chega de mentir para o povo.

Termino citando uma mulher a quem li hoje, a Miriam Leitão, mesmo discordando se no caso de méritos da Dilma, ela exagerou mentalmente, mas vale a pena lê-la.

“Uma mulher no mais alto cargo da República é um grande avanço. E esse progresso ficou bem definido pela presidente eleita em seu primeiro discurso. Ela disse que é o fim de uma barreira, o entendimento de que esse mesmo movimento precisa ser feito em todos os campos, organizações, empresas.

O Brasil está atrasado no esforço por igualdade de gênero. O risco, no entanto, é a confirmação dos estereótipos. Ela chegou lá pela força política de um homem, que a escolheu e a defendeu contra tudo e contra todos, passando por cima dos mais elementares limites institucionais da Presidência da República.

Dilma tem méritos e terá que mostrá-los agora. Se ela se comportar como a segunda em seu próprio governo, por gratidão ou reverência ao seu criador, ela confirmará a ideia do papel subalterno da mulher. As mulheres que estão na política não entraram todas pela mesma porta: algumas constroem sua própria trajetória; outras são usadas para ampliarem o poder patriarcal de algum chefe político ou de um clã no poder. Está aí a família Roriz que não me deixa mentir.

Como Dilma tem conteúdo e força própria, ela pode se afastar do modelo paternalista com que foi ungida e deixar sua marca na História. Que assim seja. De retrocessos as mulheres não precisam mais. O país pode estar quebrando o monopólio da presidência para os homens e no início da era em que será "natural", como disse a presidente, uma mulher no cargo; ou pode ser mais um caso de paternalismo.”

Meu Deus, isto era para ser um comentário ao post do Blog do Roberto Almeida, infelizmente não coube lá, e eu vou ter que implorar ao Diretor Presidente, gritando para o alto do muro onde ele está, que publique. Por falar em muro, não sei onde está a Marina, espero que ela consiga descer do muro alto em que subiu, mas isto é assunto para depois.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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