quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Bolsa Família não morreu, portanto, muito cuidado...





Ontem levantei cedinho e dei uma passado na minha fonte informativa, que é um laboratório aqui perto de casa que assina dois jornais. O seu administrador até já me pediu para citar o nome do laboratório aqui no blog, e eu o respondi, como faço sempre. Apesar de nossa grande audiência a CIT Ltda não permite fazer propaganda, a não ser de negócios enquistados em Bom Conselho. Como reclamei, por não ser de lá, eles ampliaram um pouco o leque e já permitem menções a atividades do Agreste Meridional, inclusive, minha linda Caetés, que produziu o único presidente da república desta região na história deste país.

O pessoal aqui da CIT fica com ciúme e diz que o Lula já é paulista há muito tempo, e Bom Conselho já teve até governador, o Dantas Barreto, e eu rebato. Mas, nunca mais lembrou da terra e saiu batendo as botas para tirar a terra local de sua vida, isto dito por alguém de lá, enquanto o Lula, apesar de hoje sermos adversários políticos, sempre volta a Caetés. Mas, deixa esta querela bairrista prá lá e vamos ao que interessa.

Nunca mais havia falado do Bolsa Família, tão discutido, usado, e mal usado na campanha passada. O bom e ruim da Democracia, dependendo das ideologias de quem a vê, é que as eleições sempre se repetem. Tentando parafrasear, não há nada como uma eleição depois da outra, com uma campanha no meio, pelo menos se tivermos uma oposição forte e organizada e republicana (li a entrevista do príncipe aqui no Blog). Em 2012 teremos tudo outra vez. Lucinha já está com armars e bagagem prontas para a guerra que vai ser em Bom Conselho. Ela me disse que pretende conversar com todos os líderes partidários, que tenham simpatia pelo movimento verde e que não sejam do PT. Ela ainda acha que na cabine indevassável, a prefeita e a vice, sufragaram o nome de Marina, no segundo turno votaram em branco. Sei lá... Mas, voltando ao Bolsa Família, tenho certeza que ele voltará também, nas próximas eleições.

Ninguém, em sã consciência pode ser contra um programa como este. A fome ainda existe neste país, e com o que se espera da economia, nos próximos anos, para a pobre da Dilma (começo a ter peninha dela), haverá muito mais. Pois, já se cogita seguir o José Serra, no que ele propunha de pior para o país, dar reajustes aos beneficiados pelo programa e, quem sabe, vão também dar o décimo terceiro. Ao invés de tentar melhorar o desempenho do programa, para torná-lo um fator de inclusão social e de aumento da dignidade do povo mais carente, tentam aumentar a esmola. E o que é pior, o que tudo indica é que ele será aperfeiçoado naquilo que ele tem de pior ainda, ser um chamariz de votos para os governantes de plantão.

Nunca é demais relembrar o bom senso. Na época em que o Frei Betto o tinha, ele dizia:

“Na verdade, o governo Lula estabeleceu uma série de programas sociais que estavam atrelados ao Fome Zero. Depois de dois anos essa marca foi, a meu ver, irresponsavelmente, mudada para o Bolsa Família. O Bolsa Família era um dos 60 programas do leque Fome Zero. Quando nós elaboramos o Fome Zero, a proposta era que cada família permanecesse na dependência do governo federal, no máximo, por dois anos. Fim dos dois anos, a família teria condições de produzir a sua própria renda. Era um programa emancipatório. Aí, alguns setores do governo descobriram que o Bolsa Família era um grande manancial de votos. Ou seja, melhor manter as famílias dependentes permanentemente do governo, que elas vão retribuir em votos. Daí se matou o Fome Zero e se valorizou o Bolsa Família, que eu não sou contra, mas é incompleto, imperfeito, insuficiente e assistencialista. Perdeu-se o caráter emancipatório para o caráter compensatório, em função de um projeto político, que não é a emancipação brasileira. Mas é a permanência no poder, na medida em que esses beneficiários do Bolsa Família trazem em contrapartida votos.”

Este trecho foi publicado por mim (veja aqui), junto com outras coisas ditas por ele e com alguns comentários meus. Hoje não pretendo me estender sobre o tema. Só aproveito minha fonte de informação laboratorial, para comentar um texto publicado no Diário de Pernambuco, do José de Andrade Caldeira que tem como título Programa Bolsa Família precisa ser repensado. Anotei alguns pontos, todos concordantes com minha opinião e com a do Frei Betto, acima citada. Diz ele:

“O “Bolsa Família” é um equívoco. Um programa que começou errado a partir da proposta. Não deveria ser um programa, sem metas, regras e perspectivas e sim um projeto social, com começo meio e fim. O governo deve repensar o modelo ‘assistencialista e eleitoreiro’ e estruturar um projeto de política afirmativa que venha a beneficiar, num primeiro momento, a população situada abaixo da linha de pobreza.
....
O modelo atual do bolsa família é humilhante e indigno. As regiões Norte e Nordeste, materialmente pobres, a partir das condições geológicas e climáticas, são as mais assistidas pelo programa. Os efeitos colaterais deste assistencialismo são péssimos.”

Entre estes efeitos colaterais o articulista cita a imagem que fica de nossas regiões mais pobres para os demais cidadãos deste Brasil, com se fossem os nordestinos culpados pelo ‘óbolo’ que recebem dos sulistas, e que muitas vezes, em arroubos eleitoreiros são chamados de paulistas. Em relação a este movimento quase separatista que foi tão badalado nos últimos dias por causa de xingamentos feitos aos nordestinos ele diz, ao mesmo tempo que condena as agressões deste tipo, com eu o faço:

“A chamar os norte/nordestinos beneficiados com o bolsa família de acomodados e preguiçosos estas pessoas não estão longe da verdade. Antes, muitas pessoas procuravam pequenos serviços como diaristas fazendo faxinas, lavando roupas, limpando e capinando terrenos, pintando casas, e outros tipos de tarefas. Atualmente, ninguém quer fazer esses tipos de serviços afirmando que não precisam ‘porque o governo paga para eles ficarem em casa’.
......
É assim que um governo populista cria ferramentas de ganhar votos e manter-se no poder. Portanto, irmãos sulistas, os seus irmãos que estão na parte de cima do mapa do Brasil não têm culpa de serem, historicamente, massa de manobra política.”

Eu acrescentaria, antes que os petistas de plantão me tachem de “reacionário” e me mandem capinar mato na fazenda do Seu Zuza, lá em Caetés, que todos os serviços citados são humanos e dignos num sistema capitalista moderno onde se valoriza a mão de obra. Infelizmente, não temos este capitalismo aqui no Brasil, e queremos fazer socialismo através de esmolas aos invés de fazê-lo com educação e tecnologia. Mas, é um fato o que diz o articulista: muitos dos nossos ‘bolsistas familiares’ preferem o ócio remunerado do programa aos pequenos serviços. A pergunta é: De quem é a culpa?

Seria insensato e cruel ter a terrível atitude petista de culpar as vítimas pelos malfeitos. A população pobre não tem culpa de viver melhor com o dinheiro do Bolsa Família do que sem ele. Ele descobriu, que este dinheirinho não lhe mata de vergonha nem o vicia e quer continuar com ele. O que não sabem é que isto pode ter um fim, hoje, amanhã ou depois, se o programa não se transformar na direção correta de que ele é apenas uma ajuda momentânea para que ele possa ganhar a vida com seu próprio esforço. A não compreensão deste fato por parte do povo pobre, não é culpa dele, e sim nossa e dos nossos políticos, que ao invés de tentar mudá-lo para a forma correta querem sua ampliação em busca dos votos.

E 2012 vem aí. Fiquemos de olho e vejamos bem como o programa será usado pelos candidatos municipais, inclusive nossa Lucinha 2012. Espero que ela não chegue em Bom Conselho, se cognominando a mãe dos pobres, e dizendo que a Sopa da Prefeita, foi ideia dela. Por favor não azede sua sopa, minha amiga. E para reforçar o meu desejo eu cito alguém que você citou num seu texto aqui no Blog (veja aqui)

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.

Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Se eu tivesse que corrigir o Adrian Rogers, autor desta citação, eu só diria que podemos até dividir a riqueza para superar alguma falta de oportunidade de alguns homens, o que não podemos é deixá-los pensar que podem dela usufruir sem contribuir com a parte deles.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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