quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Complexo de Vira-lata




Eu sentei hoje para escrever um pouco mais sobre a “grande” ofensa sulista ao Nordeste brasileiro. As queixas e notícias sobre isso pipocam nos vários meios de comunicação e agora até a OAB está querendo processar a estudante paulista que quer “afogar nordestino”. Eu comecei ontem a falar em complexo de inferioridade regional, este sim, que vem nos afogando há muito tempo.

Vejam bem brasileiros e brasileiras, os Blogs de nossa região se sentiram terrívelmente insultados com o fato. Inclusive, até o Mister M, comandante do BBC em Bom Conselho, já dedicou vários posts ao assunto. Uma coincidência cruel é que todos que entraram nesta batalha, ou nova guerra de secessão, são os blogs "dilmistas" de carteirinha. E aí não há gato escondido com o rabo de fora. O gato todo está de fora, na tentativa de dizer, através de meios transversos: “Eu não disse que não votasse em Serra!? Olha o que os paulistas pensam de nós!”

Em meu texto de ontem eu argumentava que isto era uma besteira sem tamanho. O povo paulista tem é orgulho de ser nordestino, até mais talvez do que nós próprios. Porque eles foram o nordeste que deu certo. Se hoje são paulistas isto é apenas um detalhe que mostra nossa capacidade para construir algo de bom, não quando pedimos a ajuda dos sulistas, mas quando temos lideranças fortes, que não ficam louvando a esmola que recebemos. Não temos juros nenhum a pagar ao apedeuta-mor pelas migalhas que ele nos deu, enquanto enchia o fundo dos banqueiros e bajulava ditadores.

Neste estado de espírito, sempre me vem à mente o “Complexo de Vira-lata”. Criação de um pernambucano que emigrou e foi construir nossa região no sul do país, o Nelson Rodrigues. O termo foi criado por ele a partir da derrota do Brasil para o Uruguai em 1950, na qual o país perdeu a auto-estima até ser campeão em 1958. O termo, não ficou limitado ao futebol e começou a ser usado como sinônimo de complexo de inferioridade com características geopolíticas.

Vou tentar explicar o que o termo significa, quando aplicado á região nordeste, isto é, abaixo onde se lê Nordeste leia-se Brasil, e onde se lê nordestino leia-se brasileiro e onde se lê Lucinha Peixoto leia-se Nelson Rodrigues. Segundo Lucinha Peixoto “por 'complexo de vira-lata' entendo eu a inferioridade em que o nordestino se coloca, voluntariamente, em face do resto do país”... “o nordestino é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima.” Não há um conceito melhor para nós, como este episódio da moça paulista, do que este para definir a posição que estamos tomando. Nisto o Zezinho está certo quando diz que nossa melhor reação seria dizer que “o que vem de baixo não me atinge”.

O que nos atinge e atingiu durante os últimos anos foi a falta de uma política regional sem paternalismos nem mitos envolvidos. Explorar nossas pontencialidades usando o exemplo que demos aos paulistas em São Paulo. Ou vocês pensam que existe algo de moderno naquela terra que não tenha nosso suor e inteligência, que foi por nós desperdiçada com a seca e com a nossa prostração diante das adversidades, esperando sempre o D. Sebastião, que pensamos que era o Lula, e em verdade, em verdade vos digo, não era, e não será a Dilma. E para ser justa e franca, nem seria a Serra nem a Marina.

Não precisamos de D. Sebastião, mas talvez de um D. Eduardo, se não se embevecer como está embevecido, pelo cheiro de poder que o apedeuta-mor lhe colocou nas ventas. Assim talvez pudesse liderar o Nordeste, não para obter favores de Brasília em forma de esmola e sim tentando reerguer o elefante branco que hoje é a SUDENE, dando-lhe força política. Eu penso que o único defeito do D. Eduardo é esta ligação com o apedeuta-mor, atrás de migalhas, quando o essencial para o Estado e para a Região não é conseguido. Quem sabe ele não acorda, deixa o projeto sulista da Dilma e parte prá briga, mostrando a Lula que se os governadores perdem se enfrentarem o governo federal, como ele disse, em sua outra cagada na saída, eles perdem ganhando. Ganhando independência e altivez para enfrentar o problema do Nordeste, curando-nos de uma vez do nosso complexo de vira-latas, tão bem representado pela nossa OAB, quando perde um precioso tempo, para processar uma moça, para servir de exemplo de nossa doença. Brevemente, como aquela que a Universidade expulsou por um vestido curto, e que agora é atriz e ficou rica, ela estará nas páginas da Playboy.

Como toda simplificação grosseira, esta poderá levar, pela emulação entre as regiões, deixar de lado o que o sul tem de bom, que em grande parte se deve aos nordestino que lá pousaram, além da ajuda de outros povos, e só nos ater a questõesinhas menores e esperando que elas cresçam para nos darem razão. “Eu não disse que não votasse em Serra?! “Figurati!, blogueiros da nossa região. Estamos perdendo nosso tempo.

Vocês vão ver que quem matou o Saulo em “Passione” foi o mordomo. Se alguma moça paulista disser que ele era nordestino, nem liguem. A OAB não precisa processá-la, mesmo que ela diga que o Artuzinho era do Agreste Meridional. Paremos com o nosso “Complexo de Vira-lata”. Aqui prá nós, quem matou o Saulo foi realmente um nordestino e pernambucano, mas não era mordomo, era operário e, segundo o autor, a suspeita é porque encontraram uma marca de mão suja de petróleo, na sala de defunto, e na mão havia um dedo faltando. Claro, o autor é paulista!


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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