quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O ENEM e as Rosas do Capibaribe






Nestes dias, sentindo-me poderosa como uma nova “twitteira”, depois da lambança do ENEM, citei algumas vezes em meus “tweets” o nosso apedeuta-mor. Ele disse que “É muito difícil lidar com seriedade quando se tem pessoas que não agem com seriedade.” E que o ENEM, é um “...sucesso extraordinário, com mais de 3 milhões de participantes.” E continua: “Não vai ser um ou outro caso que vai impedir o sucesso do ENEM”.

Já hoje, depois de “roer a corda”, pela decisão judicial de suspender o teste, e com as notícias de vazamento, que pasmem leitores, começou no Piauí, onde não tem nem ‘pingueiras’ porque não chove, ele voltou a atacar dizendo que “nenhum estudante será prejudicado pelo que aconteceu”. Eu não sei se lá pela Ásia tem 51, mas que ele parece ter bebido alguma coisa, parece. Ah, se o meu neto ou meus filhos tivessem feito o ENEM, este ano!? Um dos meus filhos fez, na época do Paulo Renato, e não teve lambança nenhuma. Eu agora entraria com uma ação judicial por perda dos e danos nos neurônios deles. Gente, o Lula pode não saber o que é isto, pois ele, talvez, o último teste que tenha feito foi prá se formar como Torneiro Mecânico, e tenho certeza não foi avaliado com louvor, pois logo sofreu um acidente de trabalho. Mas, eu acompanhei meus filhos nos vestibulares da vida, e sei quanto seria danoso, se ao chegar na hora da prova, eles soubessem que não haveria a prova, ou, pior, que vazaram as questões para seus competidores, na briga por uma universidade.

Quando, já um pouco tarde fui ver os meus blogs favoritos, passando pelo de Roberto Almeida, vi nos favoritos dele o blog Rosas do Capibaribe, da Nefertari (até hoje eu não sei o que ela e o Altamir se disseram) e lá estava uma postagem: “ENEM”. Como estava interessado no tema fugi da rotina e fui ver o que era. Ela reproduzia um texto do Paulo Henrique Amorim, onde ele fala um bando de obviedades, entre elas dizer que, exames tipo ENEM são adotados em todo mundo, e arremata com um acesso de complexo de vira-lata dizendo que o Obama também fez o ENEM para entrar em Harvard. Eu pensei que ele quisesse homenagear o Paulo Renato, Ministro da Educação do FHC e que criou o teste. Entretanto, este ainda não era o ponto. Então eu pensei, ele quer elogiar o Ministro Fernando Haddad, mas, quando ele disse, para minha supresa e prá dele, que este ministro criou uma norma, que, ao emprestar dinheiro para estudantes universitários fazerem seu curso, o aluno não precisa de fiador, e se ele for estudante de Medicina, ou se tornar professor de escola pública não paga o financiamento, o Estado paga tudo, eu comecei a desconfiar da capacidade deste ministro. E eu repito com o Paulo Henrique Amorim: “ Que horror!” Finalmente ele diz:

“Perguntei [ao Fernando Haddad] se ele concordaria com minha suposição de que o ENEM é a banda larga para o pobre chegar à faculdade. Ele disse que sim e acrescentou: “Eu costumo dizer que, assim como ‘saudade’, não tem tradução, ‘vestibular’, também não”.

Se esta é a banda larga de que o pobre dispõe para chegar à faculdade, coitado do pobre. Nem saudade nem vestibular, podem não ter tradução, mas incompetência, falta de seriedade no trato da Educação, tem em todas as línguas. É uma pena que o apedeuta-mor só fale um idioma, de um país que não pronuncia estas palavras, apenas produz as ações que elas, em todas as línguas significam.

Para finalizar transcrevo um dos muitos textos que falam hoje em lambança educacional, publicado no Blog do Ricardo Noblat, do Elio Gaspari com o título, “Os edutecas do Enem levaram bomba” (em azul). Leiam e, por favor Nefertari, não se arrependa de ter ido à festa da vitória da presidenta, parabéns por citar o Haddad, e que ele não nos deixe saudades.

“O presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, titular da lambança ocorrida com a prova do Enem, deveria ter pedido demissão no sábado, desculpando-se aos 3 milhões de jovens cuja vida atrapalhou. Não tendo-o feito, o ministro da Educação, Fernando Haddad, deveria tê-lo demitido na segunda-feira. Não tendo-o feito, Haddad deveria ter pedido demissão ontem.

Os educatecas do Inep e Haddad mostraram que um raio cai duas vezes no mesmo lugar. No ano passado, uma sucessão de prepotências e inépcias transformaram o projeto do Enem como substituto do vestibular num dos maiores fracassos do governo Lula. O ministro culpou a lei das licitações. Livrou-se dela e foi de Waterloo para Stalingrado.

O educateca pernóstico é o sujeito que inventa um teste de "linguagem, códigos e suas tecnologias" para designar aquilo que se chamava prova de português. É um chato, mas não faz mal a ninguém. Maligno é o educateca com alma de bedel. O doutor Soares Neto, por exemplo.

O Inep proibiu que os estudantes levassem lápis para a prova. Com isso tirou o direito da garotada de rabiscar cálculos e anotações à margem da prova. Na hora de aporrinhar, o educateca pode tudo. Na hora de fazer o seu serviço, pode nada.

O dia do Enem é uma jornada de tensão na vida de milhões de jovens e de suas famílias. A nota do teste habilita os estudantes para as bolsas do ProUni e em muitos casos determina-lhes o futuro. Nessa hora, em vez de o poder público aparecer com uma face benevolente, vem com os dentes de fora.

Em 2009 furtaram-se as provas; em 2010, inverteram-se os gabaritos e distribuíram-se exames com questões repetidas ou inexistentes.

Segundo o MEC, a responsabilidade é da gráfica. Segundo a gráfica, a lambança atingiu apenas 0,33% dos 10 milhões de cadernos. Conclusão: 100% da culpa é das vítimas.

Descobertos os erros, não ocorreu aos doutores tirar dos portais do Inep e do MEC uma autoglorificação do doutor Soares José Neto Joaquim: "O primeiro dia de provas do Enem transcorreu em normalidade". Segundo ele, a lambança "de forma alguma prejudica a credibilidade do Enem". Empulhação.

No dia seguinte, ameaçaram chamar a Polícia Federal para xeretar tuiteiros. (A propósito, inversões são um estorvo. O nome do educateca é Joaquim José Soares Neto.)

O ministro Fernando Haddad foi de Waterloo para Stalingrado porque acreditou nas próprias promessas. Quis fazer uma coisa, fez outra, deu errado em 2009 e voltou a dar errado em 2010.

Quando o Enem/ Vestibular foi lançado, a garotada poderia fazer a prova duas vezes por ano, talvez três. Desistiram, preservando a máquina de moer carne, obrigando o jovem a jogar seu futuro num só fim de semana.

Haddad e o Inep sabem que um similar americano do Enem, o SAT, é oferecido à garotada em sete ocasiões ao longo do ano. O teste é feito on-line e as questões são praticamente individuais, complicando-se conforme o desempenho do estudante.

Os educatecas não gostam desse exame, porque os obrigaria a trabalhar muito mais, expandindo seu acervo de questões e obrigando-os a conviver com uma cultura de provas eletrônicas, abandonando o método medieval do papel e caneta (lápis é proibido).

Burocrata gosta é de assinar contrato, de preferência sem licitação. Deu no que deu.”

Vejam o filme abaixo que mostra alguns aspectos jurídicos da lambança. (Este filme foi obtido no Estadão.com.br). Coloco-o também, porque, já tendo terminado este texto fui ao Blog do Roberto Almeida e lá estava outra postagem do Rosas do Capibaribe, ainda sobre o ENEM, com a argumentação de pura linhagem petista, isto é, quando não pode explicar com a razão o malfeito, penalize a vítima, no caso agora é, além dos estudantes, um procurador que denunciou a lambança no Ceará. Nefertari, sei que você foi a festa da Dilma, mas vamos festejar, direitinho, senão, o Capibaribe não terá mais rosas e sim espinhos, ou outra coisa qualquer.



Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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