quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Preconceito contra o Nordestino




Ontem vi nos jornais, mas, não tive tempo de escrever sobre, um zunzunzum sobre preconceitos contra os nordestino na internet. E isto é novidade? Desde que me entendo por gente e que via conterrâneos ilustres emigrarem de Bom Conselho para vencerem na vida construindo São Paulo, que ouço falar de preconceito, não só de paulistas, mas de sulistas, sobre o nordeste.

Tudo se passa como a relação entre os portugueses e brasileiros. Vocês se lembram das piadas de português. Vejam esta:

“Notícia encontrada no Diário Lisboeta: EXTRA! EXTRA! AVIÃO CAI EM LISBOA. LISBOA - Ontem por volta das 7 da manhã caiu um boeing 737 nos arredores de Lisboa, mais precisamente sobre o cemitério Nossa Sra de Coimbra. Não se sabe ao certo o número de mortos mas já foram encontrados os corpos de mais de 2500 vítimas!!!”

Esta talvez fosse um prato cheio para aqueles que defendiam nossa separação do domínio português, para difundir seu princípios. Mas, os portugueses viraram o jogo. Vejam uma piada de brasileiro:

“Uma brasileira vai visitar uma amiga portuguesa e, quando as duas estão passeando pelas ruas, um turista as aborda:
— Entschuldigung, koennen sie deutsch sprechen? — pergunta ele.
As duas garotas se entreolham e o sujeito tenta novamente:
— Excusez-moi, parlez vous Français?
As duas continuaram sem entender nada.
— Parlare italiano?
Elas permaneceram caladas.
— Hablan ustedes Español?
Nada.
Angustiado, o turista poliglota desiste e vai embora.
Então a brasileira vira-se para a portuguesa e diz:
— Amiga... Acho que a gente devia aprender uma língua estrangeira, hein!
— Pra quê? — perguntou a portuguesa — Aquele gajo ali sabia falar cinco línguas e não adiantou nada!”

Outra que citei em artigo anterior (veja aqui), que é mais atual:

“- Manuel, tu sabes que, no Brasil, o único documento com que não se pode votar é o Título de Eleitor!?”

Se fôssemos nos importar com isto voltaríamos às guerras pela independência. Nós nordestinos, cientes de nosso valor, e de nossa contribuição a este Brasil, não devíamos nos rebaixar em está dando atenção a coisinhas do twitter, facebook, Orkut, blogs, sites, ou da imprensa em geral, e confirmarmos o complexo de vira-lata que o brasileiro possui, quando acha que tudo que vem dos países desenvolvidos é bom ou ruim. Temos nossa vida, nossa cultura, nosso país nossa região e não devemos ficar com medo dos paulistas, nem fazendo ilações sobre as causas de simples comentários, relacionando-as a candidados e a processos eleitorais.

Nem é mesmo óbvio que tenha sido o Nordeste que deu a vitória Dilma Roussef, mas que a região contribuiu, ah, isso sim, contribuiu. Talvez tenhamos a culpa de sermos ainda pobres, necessitando da esmola do governo federal, em forma do Bolsa Família, para permitir que um candidato se aposse dos votos dos nossos pobres, simplesmente, porque são pobres.

Muita mais degradante para nós nordestinos, é, ao ler ontem o Diário de Pernambuco, mostrar como se vangloriava o prefeito de Calumbi, por este município ter dado, proporcionalmente a Dilma, a maior votação no Brasil. Não por eles terem votado nela mas pelos motivos que o levaram a tal, dentro de sua ingenuidade famélica. Mais de 60% da população do município vive do Bolsa Família. Está aí um caso onde Bolsa Família não transferiu todos os seus votos para Dilma, pois ela, teve 96,5% deles. Os outros foram transferido pelo prefeito, que agora aguarda a retribuição, ou pela líder da situação na câmara de vereadores, que é do PSB, quando diz: “Somos agradecidos. Para a frente, o que a gente espera é que Dilma faça por nós o mesmo que Lula ou mais” e continua “Dilma pode adotar o slogan de Eduardo: Calumbi, é daqui para melhor”. Na reportagem é citado o caso do seu Zacarias da Silva, de 70 anos, que mudou seu voto do primeiro para o segundo turno, de Serra para Dilma “por causa de Lula”, e completa, “meu voto aparece lá no resultado e por isso, eu me acho importante.”

Assim caminha a humanidade, assim caminha o Brasil, assim caminha o Nordeste e assim caminha Calumbi. E agora entre os petistas surge o maior ti-ti-ti porque uma estudante paulista diz que “nordestino bom é nordestino morto, afogado”. Colocaram outras asneiras também, mas este caso é representativo. Os petistas vêem nisso uma visão de preconceito contra a região, e uma tendência separatista, como representando o candidato derrotado nas urnas. Caros petistas ou similares, vocês ganharam, não adianta agora ficar justificando a vitória. Estão com a consciência pesada pelo comportamento do apedeuta-mor na campanha? Paciência vocês votaram nele. Mas, não venham procurar chifres em cabeça de cavalo.

Vamos diminuir nosso complexo de inferioridade em relação aos sulistas, sem argumentos bobos de preconceitos esporádicos, trabalhando duro para que ao invés de viver do Bolsa Família, ou das migalhas do governo federal, possamos soerguer esta região que já foi a mais desenvolvida do Brasil. No entanto, isto não será feito através da adoração do novo santo, São Lula da Bolsa, que apesar de ter nascido no nordeste, nunca foi nordestino. Sua dedicação, ao seu Estado foi só uma maneira não republicana, mais uma, para alavancar votos e se perpetuar no poder.

Se os sulistas contam piadas de nordestinos, porque não contamos as nossas sobre eles, como fizeram o português sobre nós, agora que Lisboa é o paraíso da nova classe média brasileira, um problema, que todos os petistas e similares pensam que é bom, e que a Dilma, coitada, vai ter que resolver: Hoje é mais barato passar 5 dias em Lisboa, do que nós nordestino passarmos no Rio de Janeiro. Quando será que teremos um bom estoque de piadas para lançar nas redes sociais? Breve, breve se o programa do Bolsa Família for usado para dignificar o homem e não como uma esmola, que se ele tivesse consciência disto lhe mataria de vergonha, pois é um vício pior do que o "crack". Vejam esta letra de uma música do Zé Dantas e Luis Gonzaga, que ouvi quase toda a minha vida, sem me incomodar com o complexo de inferioridade que ela nos passa.

"Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mãos "

Nós hoje ainda votamos por gratidão, e não numa proposta de futuro, e quando o fazemos é apenas para manter o que os sulistas nos deram com se fosse auxílio. Pedimos proteção ao Lula como o prefeito de Calumbi, como se não fosse obrigação do apedeuta-mor acabar com a miséria do município. Ainda pensamos que o Lula nos vai dar comida a preço bom e fará as obras de transposição do Rio São Francisco, como um favor. E as elites ao invés de melhorar a percepção política do seu povo para mostrar que ele pode morrer de vergonha, se votar por esmola, ou por açudes, barragens, comida, etc., pois isto é seu direito, pensam apenas em manter seus feudos eleitorais, fazendo parques D. Lindu, por mais que ela mereça, pois talvez fosse a única nordestina da família Silva, e sendo tão xenófobos quantos alguns mequetrefes sulistas.

Eu gostaria de saber quem eram os 150 herois do Calumbi, que não votaram por gratidão ao Lula. É deste que, deveremos esperar a rendenção do nordeste, em direção de suas pontencialidades. Mas isto não se faz com subserviência, lançando culpa de preconceitos de pessoas idiotas em quem não os tem. Sejamos mais confiantes em nós mesmos. E lembrem-se a Dilma não nasceu no Nordeste.

Vejam a bela música dos nossos grandes compositores, que tomaram o sul de assalto, mostrando que nós podemos, pelo menos se não adotarmos o paternalismo político como estilo de vida, como a letra apregoa. Afinal de contas, nem xenofobia, nem xenofilia e mais verdades, é a receita correta para o Nordeste e para o Brasil.




Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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