terça-feira, 23 de novembro de 2010

Para onde irá o Lula?




Hoje começo transcrevendo um artigo do Merval Pereira, enviado por ele para o Blog do Noblat, que tem como título: “O futuro de Lula”, leiam em azul e eu só compareço no final, em preto e branco.

“O presidente Lula dá a cada dia mais sinais de que não convive bem com a idéia de largar o poder, a começar pela explícita interferência na montagem do primeiro ministério da presidente eleita Dilma Rousseff, sua criatura eleitoral que vai dando também demonstrações de uma insuspeitada habilidade para lidar com os constrangimentos que a sede de poder de Lula lhe causa publicamente.

Lula, apesar de toda popularidade, já está sentindo o gostinho ruim do poder que se esvai. Na recente reunião do G-20, não apenas não lhe prestaram as homenagens que provavelmente aguardava, por ser aquela a sua última participação no fórum hoje mais importante dos chefes de Estado do mundo, como teve que ver Dilma ser mais assediada do que ele pelos jornalistas, e não apenas do Brasil.

O sinal de que a realidade do “rei morto, rei posto” é mais dura do que sua simples enunciação da boca para fora, foi dado pelo magnata Ruppert Murdoch, que cancelou um pedido de audiência para esperar a posse de Dilma.

O fato de que a família Lula da Silva vai se mudar de São Bernardo do Campo para a capital paulista já é um indicativo de que a nova dimensão política de Lula não cabe na cidade que o viu crescer para as homenagens internacionais, mas até agora Lula tergiversa quanto ao que vai fazer no futuro.

O Brasil oficializou sua decisão de disputar a direção-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mas não antecipou o nome de seu candidato, procedimento inusual.

Atribuiu-se esse ineditismo à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vir a concorrer ao posto, que sem dúvida tem tudo a ver com sua disposição de se dedicar ao combate à fome no mundo depois de deixar o governo, através da criação de uma ONG.

Mas é improvável que Lula tente uma carreira em organismos internacionais, embora seja certo que será a mais nova estrela do circuito internacional de palestras, o que já faz com que assessores e amigos lhe sugiram que para cada palestra milionária – dizem que pode ganhar mais de U$ 100 mil por palestra no primeiro depois de deixar o cargo – faça duas de graça para movimentos sociais e ONGs.

Há também diversos títulos de doutor honoris-causa de universidades de todas as partes do mundo, que Lula deve receber assim que deixar o Palácio do Planalto.

Mas, para futuro desespero de Dilma, o interesse de Lula parece continuar sendo a política interna.

Lula já disse que pretende se empenhar para organizar a esquerda brasileira, apesar de já ter dito em diversas ocasiões que não é de esquerda.

Quer também ajudar a debater, dentro do PT, uma reforma política, para depois convencer os outros partidos.

Lula já deixou claro que não pretende se aposentar da política, mas é contraditório com relação a sua relação com o PT:

“Estou muito otimista. Eu tenho convicção de que nunca haverá tempo para uma pessoa que construiu a relação que eu construí, seja política, seja sindical, seja com o movimento social, seja com empresários, de ficar parado. Ou seja, eu vou ter muita tarefa. Agora, a única coisa que eu não quero é ter tarefa dentro do governo e também não dentro do partido que eu não quero voltar para dentro do partido".

De outra feita, Lula revelou que pretende voltar a viajar pelo Brasil. “Eu quero voltar a viajar o Brasil, porque tem muita coisa que a gente começou, tem muita coisa que foi concluída, muita coisa que não foi concluída, e eu não tenho como desaparecer da minha relação com a sociedade de uma hora para outra”, comentou.

Lula mesmo tem dúvidas se está preparado para ser um ex-presidente: “Eu espero que eu esteja preparado para o dia dois. Você levantar de manhã, não ter ninguém para eu xingar, tem só a Marisa, com muito mais poder do que eu”.

Numa sexta-feira, 29 de Outubro, na comemoração de seu último aniversário como presidente, pelo menos nos próximos quatro anos, Lula ficou com a voz embargada e desistiu de falar, deixando claro que ainda não está lidando bem com o fato de seu mandato estar terminando.

- Com toda a sinceridade, eu preferia que este dia nunca tivesse chegado - disse Lula, referindo-se ao último aniversário como presidente.

Antes, em várias ocasiões Lula havia feito referência ao fato de que não pode se candidatar a um terceiro mandato consecutivo.

Certa ocasião, em uma solenidade no Palácio do Planalto, brincou com o vice-presidente José de Alencar dizendo que por ele continuaria mais tempo na Presidência “mas o pessoal não quer, não é Zé, e democracia é isso mesmo, temos que respeitar”.

Outra dessas vezes foi em agosto, quando ele lamentou ironicamente não ter mandado ao Congresso uma emenda à Constituição que lhe permitisse aumentar o seu mandato na Presidência da República.

"Está certo que está no final do mandato, mas junto com esta lei complementar podia ter mandado uma emendinha para mais alguns anos de mandato", disse ele, ao sancionar alterações na Lei Complementar 97, que amplia os poderes do Ministro da Defesa.

Ele já havia explicitado essa dificuldade em meio à campanha eleitoral, quando ressaltou que essa seria a primeira eleição, “desde que voltou (sic) as eleições diretas para presidente, que o meu nome não vai estar na cédula. Vai haver um vazio naquela cédula”, disse Lula, que desde 1989 foi candidato à presidência da República.

Em novembro, Lula disse em Moçambique, com sinceridade, que vai sentir “falta dos microfones” quando deixar o poder, em janeiro do ano que vem.

Ou não.”

Muitos poderão interpretar a última frase do texto, tornada famosa pelo não menos famoso Caetano Veloso, em sua dúvidas existenciais, como sendo um prenúncio de um golpe de Estado que o meu conterrâneo está planejando neste últimos meses de 2010, ou com menos comoção, o “ou não” , significa aporrinhar cada vez mais o poste, cobrando justamente o seu esforço, para fazê-lo presidenta, metendo o bedelho em seu governo.

Embora eu pense numa probabilidade maior para esta última hipótese, pois não está descartada mesmo sua volta a Brasília como hóspede do Palácio da Alvorada, até passar a fase aguda de sua crise de abstinência, penso que esta não é a opção mais provável. Primeiro porque ele não teria a quem xingar pela manhã pois isto será o privilégio da presidenta, nem a Marisa poderá fazer sua meditação transcendental ao regar as flores vermelhas que fazem a estrela do PT no jardim do palácio, e mesmo a cachorrinha Michelle não poderia mais fazer suas necessidades com a liberdade que tinha.

Este "ou não" poderá significar uma grande alegria para mim e para o Zetinho, conterrâneo da Lucinha. O Lula deverá mesmo voltar para Caetés, para assumir sua cadeira número 13 em nossa Academia Caeteense de Letras, que fatalmente será criada pelo Zé da Luz, fazendo jus ao seu trabalho nas eleições próximas passadas. Neste movimento, outras cidades do Agreste Meridional podem se beneficiar, neste sentido, e com certeza Bom Conselho será uma delas. Afinal de contas nem só de retroescavadeira vive um município. Cultura também conta, e será muito fácil, com a vitória acachapante de Lula no município, que a prefeita Judith Alapenha, ajude o Zetinho a realizar o seu sonho, como o Lula realizará o meu.

Para quem leu o artigo acima, a crítica de Lucinha, que só chama meu conterrâneo de apedeuta-mor, o que é muito forte, pois o mor é um exagero, de que ele não teria condições técnicas de entrar numa Academia de Letras, não procederá. O meu conterrâneo será Doutor mais vezes do que o Fernando Henrique. Quando sair do governo ele, entre uma paletra e outro a 100 mil dólares cada uma, poderá escolher qual a Universidade pela qual ele pretende ser Doutor Honoris Causa. Tenho certeza que ele dirá: “Os meus títulos serão melhores do que o do Fernando Henrique, pois eles tem honra e causa, os dele não.” E aí teremos uma grande academia em nosso município, com a ajuda de uma pessoa que é o maior exemplo de inclusão social tão perseguido em seu governo.

Óbvio que, se ele não quer morar em São Bernardo, não irá morar em Caetés. Ele deve escolher outra cidade maior, para residir. Lucinha está me soprando aqui que ele poderia ir para Bom Conselho, e morar na casa do Coronel Zezé. Mas, ela mesma conclui:

- Estou brincando Zezinho, são apenas meus delírios, pois o Lula não iria aguentar a ciumeira da Telma Boca Suja!

Quase que fatalmente, ele deverá ir para Garanhuns, depois da primeira reunião da Academia, em suas discussões com outro membro, o Rafael Brasil. Como as reuniões serão anuais, ele não precisa ficar o tempo todo por lá.

E diante de tamanha crise de abstinência de poder, os possíveis candidatos a prefeito de Garanhuns que se cuidem. O homem virá com toda força.

O que sinto nisto tudo é não privar mais de sua amizade, por questões políticas. Mas, certamente devolverei a ele os 100 reais que ele mandou me dar para ajudar nos meus objetivos acadêmicos, para a nossa terra. Eu, coitado de mim, resta apenas fazer uma "campanhazinha básica" para ganhar a cadeira 12 na Academia, e poder dizer no ouvido de Lula: "Sou contra o bolsa família, não aceito esmolas. Aquela amizade verdadeira de infância, nunca mais."


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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