sábado, 6 de novembro de 2010

PRESIDENTE OU PRESIDENTA?




Ontem, em minha ritual incursão nos nossos Blogs fui ao de Roberta Almeida. Lá chegando encontrei uma postagem (veja aqui) cujos comentários eram completamente alheios ao seu texto, mas, eram importantes. Então fiz um comentário aos comentários e o reproduzo aqui abaixo.

Como até o momento que escrevo não o vi publicado, vi que o Roberto poderia ter decidido não fazê-lo pela minha contumaz prolixidade. Por isso, para me treinar, resolvi fazer algo que já deveria ter feito antes: Me tornei uma “twitteira”. Lá, por força das regras, temos que falar coisas importantes com 140 tecladas. Os primeiros “tweets” foram tensos e o nervoso poderia ser visto, se alguém estivesse olhando prá mim.

Portanto, repito aqui o nosso Duque de Caxias (será que foi ele mesmo?): Aqueles que forem brasileiros, pernambucanos e bom-conselhenses, não necessariamente nesta ordem, sigam-me! Para fazer isto clique aqui .

Meu objetivo agora é ver todos os bom-conselhenses “twittando”, como já conseguimos que quase todos “blogassem”. Por enquanto só tenho dois seguidores, um deles é uma desconhecida e o outro é o amigo Roberto Almeida, a quem agradeço a perseguição “twitteira”.

Ainda estou aprendendo escrever pouco e dizer muito, então me desculpem por mais umas poucas tecladas. Onde vi o pronunciamento do apedeuta-mor, que fez jus ao epíteto. Ele disse: “Para mim, primeiro trabalhador eleito presidente da República, será motivo de grande satisfação transmitir a faixa presidencial, no próximo dia 1º de janeiro, à primeira mulher eleita presidente da República. Tenho perfeita consciência do imenso simbolismo desse ato.” Ora, se ele foi o primeiro trabalhador, o que eram os outros? Vagabundos? Só faltou ele dizer, explicitamente, que o poste foi a primeira mulher vagabunda a ser eleita presidenta. Figurati, Lula!

Agora vou treinar no Twitter. Como disse em um dos meus dois “tweets”, um dia eu aprendo.

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Caro Roberto Almeida,

Aqui vai um comentário, não à matéria mas aos comentários. Se você achar muito grande para publicar, a amizade é a mesma, pois tentarei publicá-lo aqui pelo nosso Blog.

Este é um caso com o qual sinto muito o Blog da CIT não permitir comentários (fui voto vencido, embora entenda as razões dos outros). Porque, os comentários neste post são mais importantes do que ele próprio. A questão se é “presidente” ou “presidenta”, o correto. O comentário do paulo portuga está certo. Os dois podem estar certos. Existem ambos no dicionário. Embora eu não seja especialista na área, consultei o Zezinho de Caetés, que o é, pelo menos fez um curso de Letras, e ele me orientou, um pouco neste comentário. Outro especialista, e já vi algo dele a respeito é o José Fernandes, nosso colaborador, cujo único defeito foi ter votado da Dilma.
Fomos pesquisar como o Zezinho mandou, o que ele sempre faz. E encontrei o seguinte, escrito pela Tatiana Notaro, da Folha de Pernambuco:

“Segundo a professora Neide Mendonça, do Departamento de Letras da Universidade Católica de Pernambuco, gramaticalmente, o feminino de “presidente” é “presidenta”. “Quem faz a língua é o povo. Eu acredito que vai haver uma rejeição em relação ao feminino do substantivo”, diz a professora. No caso da frase: “Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil”, onde o substantivo tem função morfológica de adjetivo no predicado, a regra é que a palavra fique no masculino para qualquer gênero do sujeito. Neide Mendonça explica que o Vocabulário Ortográfico da Lingua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, permite os dois usos.

Já a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Nelly Carvalho, explica que a norma canônica diz que “presidente” é um substantivo uniforme e, sendo assim, não tem variação de gênero. “Como em cliente. Ninguém fala clienta. Não existe a forma ‘presidenta’ dicionarizada”, analisa Nelly. Mas talvez a explicação mais elucidativa seja: como se trata de um cargo, não há variação de gênero. A professora da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire) e doutoranda em Linguística pela UFPE, Ângela Torres, também defende o uso do vocábulo “presidente”.

“A norma gramatical permite certas formações de femininos, mas um estudo recente da UFPE mostra que, quando falamos de cargos, não tem que haver variação. Diante disso, é esquisito chamar ‘soldada’, ‘sargenta’. A língua permite, mas pelo perfil da sociedade, melhor optar pelo formato masculino para não haver mudança brusca. Usar ‘a presidente’ vai soar menos mal”, explica. “Estamos em um momento de transição linguística, pode acontecer que haja uma adequação ao uso de ‘presidenta’, mas não podemos garantir”, finaliza Ângela Torres. Seguindo a orientação das especialistas, a Folha de Pernambuco usará a forma no masculino.”

Eu disse acima que o paulo portuga tinha razão porque eu fui ver no dicionário e lá também encontrei “presidenta”. Há gosto prá tudo. O que proponho aqui e já propus ao Blog da CIT, e a proposta está em análise pelo nosso Conselho Editorial, é uma solução salomônica. Deve-se usar “presidente” quando se tratar de qualquer outra mulher, exceto a Dilma, e quando a ela nos referirmos, usa-se “presidenta” como ela quer e os seus admiradores desejam. Então diremos, a presidente Cristina Kirchner ficou viúva. E diremos, a presidenta vai comer o pão que o diabo amassou para satisfazer os governadores. Diremos, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet perdeu as eleições. Diremos, a presidenta ganhou as eleições e virou santa, mesmo que o Papa tenha sido contra. E assim por diante. Eu mesma vou agora adotar este esquema linguístico-positivista-lógico para economizar letras, coisa em que não sou boa.

Lucinha Peixoto (Blog da CIT)


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Lucinha Peixotolucinhapeixonto@citltda.com

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