segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Revolução de Caetés, a Guerra do Rio e os "PANACAS"




Recebi hoje uma mensagem onde o professor José Fernandes, além do texto que abaixo citaremos, coloca um linque de uma mensagem anterior, de Valfrido Curvelo, que indica um texto da Mary Zaidan, escrito no Blog do Noblat, que reproduzo abaixo, antes mesmo do texto do professor, para que o leitor entenda melhor o que vou comentar em seguida. Eis o texto, em azul:

Muito longe da guerra do Rio

No quarto dia da guerra do Rio, enquanto ônibus, vans e vidas ardiam em chamas, a presidente eleita Dilma Rousseff discutia a conveniência de dividir o Ministério das Cidades em dois – Habitação e Saneamento - e assim fatiar melhor o bolo entre o PT e os partidos aliados, cada um mais guloso que o outro.

Também alheio às mortes e ao caos nas ruas da cidade maravilhosa, o presidente Lula dedicava-se ao convescote com blogueiros chapa branca que se auto-intitulam “progressistas”. Ali, Lula falou o que queria, e sem contestação: perseguições que sofre da ‘velha mídia’, relações com o Irã, “a farsa do mensalão”.

Tudo, menos do terror que se espalhou no estado que conferiu mais de 60% dos votos à sua pupila. Votos creditados, antes de tudo, ao sucesso das UPPs.

No mesmo dia, a Câmara dos Deputados cumpria mais um ponto do seu dever de casa: a aprovação, pelas comissões técnicas, da criação de 90 novos cargos sem concurso para a Presidência da República, com gastos anuais estimados em R$ 7,6 milhões.

Um contraponto frontal às garantias de austeridade fiscal que, simultaneamente, eram asseguradas pelo triunvirato que regerá a economia do país a partir de janeiro de 2011. O projeto é de iniciativa do presidente Lula, e está agora na Comissão de Constituição e Justiça. Se passar por lá, dispensará a votação em plenário.

Nem mesmo os bandidos descamisados e com metralhadoras nos ombros fugindo em direção ao Complexo do Alemão, cenas que na quinta-feira correram o mundo, foram capazes de desviar o foco daqueles que só pensam em si, em seu quinhão.

Enquanto gente de todos os cantos do país não desgrudava os olhos da telinha da TV, o Senado discutia a proibição de pesquisas eleitorais em um determinado prazo antes das eleições, a fim de não contaminar o pleito.

Enquanto os veículos de comunicação e as redes sociais alimentavam um círculo de solidariedade aos cariocas e até às autoridades do Rio, o que é raríssimo, voz alguma de Brasília dizia uma só palavra. Nem Lula, nem os presidentes do Senado, da Câmara, dos partidos. Nem governadores de outros estados.

Dilma telefonou para o governador Sérgio Cabral, ainda que no quinto dia de tiroteios, vandalismo e violência. Ponto para ela. Já Lula, só falou provocado por jornalistas que cobriam a reunião da Unasul, na Guiana, na sexta-feira.

A batalha do Rio é seriíssima. Desafia os mais renomados especialistas. Não tem solução única, muito menos em curto prazo.

O secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame tem demonstrado vigor, não se deixando abater diante do necessário confronto, por mais grave que ele possa ser. Conta ainda com o apoio das Forças Armadas que, como disse o ministro da Defesa Nelson Jobim, não fazem mais do que sua obrigação, até porque a segurança nacional está sob ameaça.

Mas há os que insistem na omissão ou na distância estratégica. Quer queiram, quer não, dão margem a todo tipo de elucubração, incluindo as menos republicanas.

No mínimo, denunciam oportunismos. Lula e Dilma fizeram da segurança do Rio cartão postal da eleição. Durante a campanha não saíam da cidade. Até por gratidão, deveriam estimular o povo que maciçamente lhes deu crédito e votos, devolvendo-lhe pelo menos presença e solidariedade. Deveriam vir a público, falar com o Rio e com o país.

Palavras, ditas nas horas certas, bem sabe o presidente Lula, têm mais força do que metralhadoras. A falta delas em certas horas pode derrotar um governante. Ainda que Lula se acredite invencível e eterno.”

O imeio do Valfrido não diz nada, apenas enviou o linque. Nem sei se ele enviou porque concorda ou porque não concorda com o texto da Mary. Portanto, não saberemos se o professor o inclui entre os que ele chama de “panacas” envergonhados e que nos envergonham, aqueles que são a favor da jornalistan mensagem. Para sermos menos abstratos, leiamos o imeio do professor, em vermelho:

“É TRISTE SABER QUE OS RECALCADOS AINDA NÃO digeriram a VITÓRIA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF!!

SERÁ QUE as zaydans, os mervais, os noblats, as globos etc., querem que a PRESIDENTA ELEITA VÁ AGIR COMO POLICIAL???
E O PRESIDENTE LULA, TAMBÉM, ASSIM AGIR???

COISAS DE "PANACAS" ENVERGONHADOS E QUE NOS ENVERGONHAM!!!

BASTA VOCÊS SABEREM QUE NENHUM GOVERNO FEZ O QUE FOI FEITO AGORA!!!! - ISTO É, AS POLÍCIAS DO RIO DE JANEIRO, A POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, A POLÍCIA FEDERAL, A MARINHA DO BRASIL, A AERONÁUTICA E O EXÉRCITO, TODOS TRABALHARAM E ESTÃO TRABALHANDO DURO E MUITO, PARA DESBARATAR ESSAS QUADRILHAS!!!

SOB AS ORDENS DE QUEM????

ISSO ESTÁ SENDO DESTAQUE NO MUNDO "CIVILIZADO": EUA, EUROPA ETC.

E É ISSO QUE INCOMODA VOCÊS, QUE SÃO DO CONTRA!!!

AINDA ME VÊM COM ESSAS BABAQUICES!!! - LEIAM OS COMENTÁRIOS NA coluna do sr. noblat!!!!

DEPOIS, POREI O MEU!!!”

Antes de começar a escrever eu cito um trecho de um artigo do próprio professor, publicado aqui no Blog (veja aqui) que ajudará a me levar ao ponto que quero chegar:

“Todavia, quando me dispus a fazer parte dessa discussão, disse: “As polêmicas em tom civilizado, dão resultados.” Assim, se a peleja sair do tom civilizado, não dá pra mim. Vide pequeno texto meu, que a CIT publicou em 20.11.2010. Dito isso, só participo dessas discordâncias, se o tom for cortês. Entretanto, essa troca de opiniões pode vir com um pouco de ironias respeitosas. Assim como os chistes acima, relativamente à fornicação, o que, para mim, é natural e benéfico.”

Eu não sei o que o professor José Fernandes entende por panacas entre aspas. Pois fui ver num dicionário velho que ainda possuo e vi lá, a sinonímia para a palavra panaca, sem aspas:

“abagualado, aboleimado, abroeirado, alambazado, alavradeirado, alavradorado, aldeão, alóbrogo, alpestre, asselvajado, avilanado, balordo, boçal, bordalengo, bordegão, broma, bruto, cafre, campesino, camponês, campônio, chambão, charro, chulo, cru, fragueiro, ignaro, ignorante, inculto, jalofo, labrego, labrosta, labroste, lanzudo, lapantana, lapão, laparoto, lapônio, lapuz, lorpa, maçarral, maçorral, mambira, mazorral, mazorrão, mazorreirão, mazorreiro, mazorro, montês, montesinho, montesino, muslemo, néscio, obtuso, panaca, parolo, parrana, parrano, pastrano, patego, peco, primitivo, provinciano, rude, rusticano, rústico, sáfaro, sáfio, saiaguês, saloio, simples, simplório, xucro; ver tb. sinonímia de caipira, malcriado e tolo”

Será que com aspas, muda o significado do termo e ele se enquadra em algumas destas palavras, em todos em nenhuma? Pelo sentido do texto, eu penso, só em algumas. Aquelas que são menos “corteses”. Eu, neste debate, nunca partirei para a descortesia, a não ser que o professor diga claramente, que panaca não é um termo descortês, e que com aspas eu até poderia tratá-lo assim. Enquanto isto continuo dentro da minha cortesia contra-revolucionária.

O professor não está correto em dizer que os “panacas” não digeriram a vitória da presidenta Dilma Roussef. Muito pelo contrário, pelo menos o texto da “panaca” Mary Zaidan é o que mais reconhece sua vitória, e por isso reclama sua ausência em acontecimentos importantes na cidade mais representativa do Brasil, fora Caetés é claro, seja de qual lado for que estejamos na história. O que ela faz simplesmente é cobrar mais atenção a um estado que deu a ela uma vitória com mais 60% do votos, num momento crucial para seus habitantes.

Ora, seria fácil de prever esta posição da presidenta eleita. Pois se ela só faz o que o Lula manda (ah, se isso fosse sempre uma verdade e continuasse!!!), e o Lula não está nem aí, ou pelo menos não estava, até ouvir críticas como a da jornalista, e quer é se mostrar na frente de blogueiro, porque é que a Dilma deveria vir no Rio, num arroubo de independência, sem ele? Para explicar o sucesso das UPP,s? Para pregar seu emprego em todo o país?

Não, professor, nós os “panacas” não queremos que a Lula e a Dilma ajam como policial. Queremos que eles ajam como Presidente e Presidenta eleita, respectivamente, há menos de um mês, inclusive pelo povo que acreditou num de seus mirabolantes projetos das UPP,s como uma política de segurança. Talvez o Lula tenha aprendido com o George Bush, que ao saber da tragédia causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, mandou os policiais resolverem a questão enquanto ele se refestelava na Casa Branca. Os maus exemplos ele segue e admira seus autores, mas não gosta de Obama, desde que o presidente americano, deixou de chamá-lo o “cara”, para chamá-lo de “descarado” logo após o episódio grotesco de sua política externa no Irã, que tanto prejuízo trouxe a este país. Enquanto ele se gaba de não ter se levantado quando o Bush chegou numa reunião porque os outros não se levantaram quando ele chegou. Isto é o que eu chamo em artigo, publicado mais cedo aqui, de fazer gentilezas com o chapéu alheio, pois pertence ao povo brasileiro.

Hoje mais tarde ainda ou amanhã, deverá sair outro artigo meu aqui neste Blog, se não me censurarem, continuando minha tarefa de desmistificar a chamada revolução de Caetés, ainda usando chapéus alheios. Tudo por uma boa causa. O presente texto foi, entre outras coisas, para dizer ao professor que jamais ele abandonará o debate por uma descortesia minha, se o fizer será por outros motivos. Nem de “panaca” eu seria capaz de chamá-lo, professor!


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Charge do Blog da Folha.

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