sábado, 20 de novembro de 2010

Vossa Rinocerôncia, o MEC




Está cada vez mais difícil me dedicar ao neto e outros familiares no final de semana. Imagine se o neto que está para chegar agora for um encapetado como o que já tenho. Basta ler algum jornal, ler um Blog e pronto. Acendem-se as fogueiras políticas onde meus dois neurônios assam suas espigas de milho, atualmente.

Comecei logo lendo o Zezinho de Caetés, e isto foi feito após ler um e-mail do amigo José Fernandes sobre seu “affaire” com ele. Não sei se este e-mail já terá sido publicado quando este texto o for. De qualquer forma, não tratarei dele aqui e sim do texto do, às vezes, “maluco” de Caetés. Este me aconselha a ter cuidado na vida, quando adentrar nas lutas pelo meu lugar na Casa de Dantas Barreto. Eu sei, caro Zezinho, que "em rio que tem piranha jacaré nada de costas", e eu já começo agora a me emborcar. Sei que o José Fernandes apoia a prefeita Judith Alapenha, declaro, eu não a desapoio. Já a apoiei mais até aquela quizumba da renúncia, quando ela não foi ao Pai Dantas para ouvir seus conselhos de falar toda a verdade sobre o episódio. Entretanto, isto é passado. Eu apenas gostaria que o nosso gênero continuasse nos representando. E lendo a A Gazeta, aquela do Editorial astrológico do Jodeval, que já comentei aqui (veja aqui), na coluna do Luis Clério, ele coloca no páreo a Eliane Ramos, que ainda não conheço, além da possível reeleição da Judith, que já conseguiu uma "retroescavadeira", segundo vi hoje num blog da cidade vizinha, e nesta terra, como se sabe, "cavando tudo dá". Neste sentido eu colocaria no páreo também, secretárias da própria atual prefeita, que pelo que sei seriam interessantes candidatas, como Isabel, Socorro Godoy e Paula. Um nome que não me sai da cabeça, ainda nesta linha de pensamento, é o da Jacilda Urquisa, ela própria. Penso que ela poderia voltar a Bom Conselho com a experiência que obteve em Olinda. Todas nós do sexo feminino estaríamos bem representadas. Eu, esqueçam, preciso ir aos poucos, preciso passar pela Casa de Dantas Barreto antes de entra na Casa do Coronel Zezé.

Em seguida fui aos outros blogs e encontrei um artigo excelente sobre a lambança do MEC, nosso baluarte do saber, de autoria da Helena Rubinato, com o título “Vossa Rinocerôncia perdeu um tempo precioso” e que transcrevo abaixo (em azul da cor do céu), e não há mais nada a acrescentar, por enquanto.

"Na ânsia de encontrar provas do racismo em Monteiro Lobato e varrer das prateleiras de nossas crianças esse escritor perigosíssimo que fez gerações e gerações aprenderem a gostar de ler e pensar, os que não têm mais nada a fazer no MEC se esqueceram do segundo capítulo de Caçadas de Pedrinho: "Um Rinoceronte Interna-se Nas Matas Brasileiras”.

É fácil de explicar. Muito mais contundente que o conjecturado racismo em Caçadas de Pedrinho, o que Monteiro Lobato ensina aos meninos, em uma crítica inteligente, irônica, precisa, é o quanto a burocracia cega é prejudicial à eficiência dos governos em geral. E acharam melhor não chamar a atenção sobre esse detalhe...

Como disse a Emília ao funcionário do “Departamento Nacional de Caça ao Rinoceronte”:

"- Mas por que não discutiu isso durante a semana em que o rinoceronte andou sumido e a passagem pela porteira esteve completamente franca? Acho que Vossa Rinocerôncia perdeu um tempo precioso", digo eu agora ao MEC: por que não se discutiu a fundo o significado e as intenções do Enem antes de aplicá-lo assim, a trouxe-mouxe, a milhões de jovens brasileiros, de norte a sul do país?

“A imposição obrigatória de um mesmo e único exame a todos os concluintes do Ensino Médio induz toda a Educação Básica do país a uma perspectiva cada vez mais padronizadora, inibindo inovações. A médio prazo, a tendência é uniformizante e empobrecedora para o sistema de ensino.

Essa investida centralizadora expõe o mesmo espírito de tutela que propõe mecanismos de ‘controle social da imprensa’. Ao mesmo tempo em que se restringe a liberdade de expressão, cerceia-se também a liberdade de ensino no país. É nessa perspectiva que deve se dar a discussão em torno do Enem. Afinal, quanto mais variado for o cenário na Educação Básica, mais ricas as possibilidades para todas as crianças, e mais bem atendida estará a sociedade.” (Liberdade, liberdade, artigo de Pedro Flexa Ribeiro, educador, em O Globo, 18/11/2010).

Alguém sabe explicar qual a vantagem real desse exame único? Feito em dois dias? Para milhões de alunos?

E alguém pode me explicar o que o ministro Haddad quis dizer ao comparar o Enem às eleições, ao dizer que da mesma forma que algumas poucas urnas dão problema, é natural que algumas provas apresentem erros na impressão?

Além desse verdadeiro enigma, há outro: será que nenhum desses burocratas é pai de jovens vestibulandos? Sei lá se ainda são assim chamados, enensandos é que não há de ser...

Mas parem e pensem na angústia, na insegurança, no medo de virem a sofrer uma injustiça, na falta de confiança na autoridade, na marca que isso vai deixar, em todo o mal que isso pode fazer aos nossos jovens. Fora o terror continuado, certamente um moderno teste psicológico:

Ora a prova vai ser cancelada, ora não vai. Ora só alguns vão poder fazer novas provas, ora todos farão; ora o presidente da República diz que o Enem foi um sucesso, ora diz que teremos um, dois, três Enem caso seja necessário; ora o MEC diz que não faz novo exame; ora o MEC diz que faz para quem reclamou na sala, na hora da prova; ora um juiz federal concede liminar; ora o presidente do TRF suspende a liminar!

Será que essa barafunda é porque esses senhores não tiveram a sorte de serem avaliados por um bom Enem?

Ou será que Suas Rinocerôncias estão perdendo um tempo precioso com essas tentativas e erros, em vez de se dedicar a implementar educação básica de qualidade em todo o Brasil, com bons e respeitados professores, que se dediquem a fornecer às novas gerações subsídios necessários para pensar e se expressar livremente?

Não posso deixar de agradecer ao excelente livro Monteiro Lobato: Livro a Livro. Recomendo vivamente a todos os professores esse belo trabalho editado pela Unesp onde cada capítulo é dedicado a uma das “nossas” apaixonantes histórias.

Aprende-se muito com ele e estamos cada dia mais necessitados de aprender mais e mais. Só assim sairemos do atoleiro.

Por minha conta e risco já criei vocabulário novo: batizei o Enem de Quindim. E o MEC de Departamento Nacional de Caça ao Rinoceronte."

Eu só tenho uma peninha danada dos meus netinhos. Se continuar esta farsa rinocerôntica, quando eles tiverem para entrar na universidade o currículo escolar vai ser somente a prova do ENEM. Que pobreza, para um país, que segundo o apedeuta-mor já é uma potência, para peitar qualquer um, como diz o Chico Jabuti Buarque, fala grosso com os Estados Unidos. Talvez tenha falado mesmo, através daquela voz de taquara rachado do Lula, a quem o Obama ainda afagou o ego, chamando de “o cara”.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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