quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ao mestre com carinho




Antes de começar pensei num título que pudesse, logo de pronto, associar este com o que foi publicado pelo professor José Fernandes (leia aqui), cujo texto era de uma gentileza tão grande quanto aquela que foi descrita pelo Zetinho publicado ontem no horário matinal aqui no blog (leia aqui), como lema para se homenagear os deficientes físicos. E realmente, gentileza faz a diferença. Eu me senti com o gosto de morango e chantili na boca enquanto lia o texto do professor. Pensei também noutro título, que não sei se era mais adequado: “Ao professor José Fernandes, com açúcar e com afeto.” Preferi o anterior, combina mais comigo.

Pois é com carinho que agradeço o delicioso acepipe (na segunda acepção do Houaiss, de onde tirei toda sinonímia para panaca). Além disso, mais uma vez agradeço a correção da regência verbal que me fez quase me afogar no Rio. Por isso gosto deste debate, pois mesmo que o assunto possa não ser tão proveitoso, ele concorre para que se escreva melhor neste país, mesmo que eu ache que isto não seja tão relevante. Eu sempre preferi que, mesmo não sabendo escrever “de carreirinha”, o Lula fosse o presidente e não o José Sarney, que botou fogo até em maribondos. A pressa nestes artigos leva, muitas vezes a ir no Rio, querendo ir ao Rio, como também “mutilar” Sérgio Murilo, como o fez o professor. E só para que não haja engano nenhum por parte das pessoas, o nome correto é Sérgio Murilo e não “Sérgio Mutilo”, como escreveu numa troca de dedos o mestre José Fernandes, no afã de corrigir um erro anterior. Pois se alguém entendeu, como o professor, que a Dilma iria ser levada pela correnteza pode também pensar que ele queria “mutilar” o grande Sérgio Murilo, e que ele não teria sido absolvido, e sim “absorvido”.

Voltando ao início, é uma pena que o professor ainda não havia lido meu artigo “O Manto do Silêncio” (leia aqui) onde eu elogio o seu colega Sérgio Murilo, que viveu naqueles tempos de chumbo que a Miriam Leitão analisa tão bem. Quanto ao imeio que publiquei, eu sinto muito que tenha sido motivada por outro, vindo de pessoa mal educada e, como ele diz, o xinga escandalosamente. Entretanto, quem recebeu a resposta do professor, não tinha obrigação de saber destes xingamentos. Esta resposta deu a todos, que a receberam, uma impressão (inclusive à Lucinha Peixoto que me chamou a atenção para ele) de que o professor já estaria saindo das normas de conduta, por ele mesmo ditadas, e com as quais qualquer pessoa minimamente educada concordaria. Se, como ele diz, ela não faz parte do nosso debate fica o dito pelo não dito.

Quanto ao Valfrido Curvelo, nem o conheço, e não tinha a intenção de alertá-lo. Para logicar, igual ao professor, que interesse eu teria em fazer isto, e o que isto teria a ver com o meu objetivo único de desmistificar a ideia de que o Lula representou uma revolução para este país? Devo dizer apenas que não recebi nenhuma manifestação do Valfrido, como o fez o professor, portanto, não tenho nada a dizer para ele, e nem nada a ver com os lapsos de tempo tão detalhadamente expostos por ele, entre suas mensagens.

Em todo o texto do professor o que tem importância é ele dizer que a Mary Zaydan fala mal da Dilma. Ora, se dizer que não visitar pessoas em estado de calamidade pública, como foi a guerra no Rio de Janeiro, é um erro da presidenta entrante e do presidente sainte, é falar mal, então o panaca é o Obama que semana passada estava visitando seus soldados no Afeganistão. Mas ele sabe que lá nos Estados Unidos, não é qualquer bolsinha família, nem a viagem num pau de arara, nem um passado de guerrilheira que elege presidentes. Eles são eleitos com a demonstração de sua capacidade política e administrativa, mais aquela do que esta, que não esteve presente em nenhum ponto da campanha da Dilma Roussef, ela que foi apenas uma invenção do Lula. Há certas situações onde a delegação de poderes não é o bastante para resolver os problemas e é necessária a presença dos governantes mais graduados. E isto não se aplica somente à inauguração de obras. Garanto que a Dilma e o Lula iriam se fosse para inaugurar outra UPP. Aliás, o meu conterrâneo está inaugurando até formigueiro novo, mesmo não sendo convidado pela abelha rainha.

Diante das situações ridículas que o Lula está se colocando neste final de governo, seguindo o mote de seu desafeto, FHC, como ele nunca escreveu nada, passou a dizer esqueçam o que o eu disse, foi tudo mentira da grande imprensa. Mais cedo do que se pensa chego à conclusão de que vai ser muito difícil o professor defender a revolução de Caetés. Mas, como o professor ainda é fã da revolução cubana, não haverá logicação que o contenha, em sua defesa. (Vejam filme abaixo para mais uma saideira do Lula)

O professor julga sempre oportuno usar a lógica, ou fazer o uso do exercício de logicar, mas, quando se envolve com ideologias, sem ajuda de fatos, até logicar é impossível. Assim agem todos os Perfeitos Iludidos Sul-Americanos (PILA). E aí está a miséria de nossa política externa, que, ao contrário do que Lula diz, foi o maior fiasco, a não ser para o Chico Buarque, o sequestrador de Jabutis. Pelo menos a Dilma reconheceu que apedrejamento é crime aqui ou na China, em entrevista ao Washington Post quando disse que a decisão do Itamaraty de se abster em uma resolução na ONU, que condenava o apedrejamento, foi um erro. Ainda há esperanças para o Brasil, pelo menos na política externa, para o meu conterrâneo, não creio.

E como não poderia deixar de ser, transcrevo um artigo da “panaca” Mary Zaydan, mais um vez, coitadinha dela, o professor vai espinafrá-la outra vez, e eu dizer que tudo que ela escreve abaixo é a pura verdade, infelizmente.

“A desgraça da mentira (do Blog do Noblat), por Mary Zaidan

12 de agosto de 2005. Lula vestiu o semblante de vítima e foi à TV. Em rede nacional, no horário nobre, o presidente pediu desculpas pelo envolvimento do governo e dos seus no que o país apelidou de mensalão. “
Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos de pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas...”.

Um ato digno, raro, quiçá único, de reconhecimento de erros, que, agora, Lula joga no lixo. Quer transformar toda roubalheira e baixeza do mensalão em tentativa de golpe. Para tal, chega a conferir créditos à oposição. A mesma que, de tão frouxa, pouco ou nada fez.

Nem importa se à época ministros caíam como frutas podres, parlamentares da base aliada renunciavam no afã de evitar a exposição na lista de morte do publicitário Marco Valério, o mineiro operador da dinheirama, que continua solto por aí.

Muito menos se o presidente, secretário-geral e tesoureiro de seu partido fossem o próprio olho do furacão. Dane-se. Se há cinco anos agia-se pela sobrevivência, agora o que importa é purgar máculas de seu governo, ser consagrado.

As chances que Lula tem de reescrever a história do jeito que lhe convém são enormes. Até porque usa uma fórmula já testada e aprovada.

Em Paris, pouco mais de um mês depois do estouro do escândalo, Lula encenou uma patética entrevista no quintal da embaixada brasileira, em que uma repórter fantoche perguntava o que lhe fora instruído, e ele, que sempre fora rebelde, respondia conforme o ensaiado.

Ali, chancelou a armação que começara dias antes: a de que não havia mensalão e sim caixa 2 de campanha ou, nas palavras do tesoureiro petista Delúbio Soares, “
recursos não contabilizados”. Um crime comum, que todo mundo comete. “O que o PT fez é o que é feito sistematicamente por outros partidos”, explicou o presidente.

Por essa lógica torta – usada e abusada pelo governo Lula -, se todos roubam todo mundo pode roubar.

Confundir mensalão com caixa 2 foi uma saída de mestre. Atribuída ao então ministro da Justiça, Márcio Tomáz Bastos - um gênio nos meandros jurídicos, que aparece sempre em bastidores ou nas luzes de casos polêmicos, como o da estranha morte do prefeito de Celso Daniel, de Santo André, ou na quebra do sigilo do caseiro Francenildo -, a estratégia foi espetacular.

Chegou ao ponto de o marqueteiro Duda Mendonça oferecer-se à CPI instalada no Parlamento para confessar que seu pagamento da campanha de 2004 era fruto de caixa 2 e fora depositado no exterior. Dois crimes. E revelados de graça. Nem o mais ingênuo dos patinhos acreditaria nesse circo.

A oposição, fora a meia dúzia de sempre, fingia reagir. Por medo da balbúrdia popular - chantagem confessa do presidente Lula -, ou por ter contas no mesmo cartório ou por motivos inconfessos. Assim, o mensalão foi se confundindo com caixa 2, a CPI que o apurava nem mesmo foi concluída, os “40 ladrões” ainda aguardam julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

Com tudo parado, quase esquecido, nada deveria motivar o presidente a atiçar podridões de seu governo. Quer livrar os seus? Teme o julgamento, previsto para 2011 e 2012, quando suas possibilidades de intervenção estarão, obviamente, mais reduzidas?

São hipóteses possíveis, mas que não conseguem bater a idéia de que o que Lula quer mesmo é idolatria total. Quer bater no peito, ser glorificado.

Assim como o seu vizinho Hugo Chávez - que deve lhe causar um tanto de inveja pelas sucessivas reeleições que consegue aprovar -, quer dizer que venceu os que desejavam surrupiar-lhe o mandato; que venceu preconceitos, moveu montanhas, multiplicou peixes e, se ainda der tempo, andou sobre os mares.

Mas, verdade seja dita, Lula segue à risca o que disse na entrevista de Paris: “
A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou.”








Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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