quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BELINHA





Belinha era uma mulher bonita e charmosa que servia as mesas do bar do Canhoto no bairro da Guabiraba em Recife. Tinha um corpo envolvente e encantador, que se dizia a Canhoto, o dono do bar, que a freguesia fazia ponto no seu bar, não pela bebida e, sim pela presença da Belinha, cheia de charme que chamava a atenção dos fregueses. Canhoto ria, com esta afirmação e dizia, “deixa prá lá” a “moça é bem dotada”, e ria novamente, enxugando com uma toalha vermelha o rosto suado.

Este local foi descoberto por Afrânio, um boêmio que vivia nas imediações do Bar Canhoto e muita das vezes estavam conosco no Bar Savoy. Chegou sorridente, certa vez, e disse - tenho que mostrar para vocês um avião, um mulherão, uma mulher que tira o fôlego de todos com a sua beleza e seu gingado entre as mesas do bar do Canhoto.

Marcamos um dia e lá se fomos para matar a curiosidade. O bar do Canhoto ficava em uma casa cercada por um pequeno alpendre, as margens da BR-101, Norte, com mais ou menos doze mesas no alpendre e no salão arejado e algumas outras mesas, embaixo de um pé de manga no terreiro.

Chegamos por volta, das duas horas da tarde e ali aportamos, e sentamos embaixo da mangueira pela sombra e o vento brando soprando em nossos rostos.

Uma bela moça, e não era exagero do Afrânio, o qual estava conosco sorridente e contente de ter agradado a todos, principalmente a Zé Carlos, que se apaixonou a primeira vista pela bela garçonete. A pele morena, cor de jambo, os olhos castanhos com grandes cílios e uma boca maravilhosamente pintados com um baton vermelho. Vestia um suéter vermelha, mostrando a todos os seios presos por um sutiã preto e uma saia tipo godê, branca, que ao vento de vez em quando soprava dava para admirar as belas pernas de Belinha, que gostava e olhava para trás com um sorriso malicioso. O sorriso estampado na face maquiada e sempre servindo os fregueses com aquele charme desfilando entre as mesas.

O Zé Carlos não se contentou e ficou todo tempo elogiando esta criatura.

- Nós, dizíamos tem cuidado Zé Carlos, mulher de bar sempre tem alguém ou algum amante na “parada”.
- Ele dizia vou concorrer com este,
- E assim se foi
.
De todos os sábados que ia, passou também freqüentar o bar do Canhoto, nos dias de semanas. Sempre dizia a gente quando se reunia, ainda, vou ficar com aquela mulher é o meu sonho e é um capricho meu mais cedo ou mais tarde a terei em meus braços.

Passou-se o tempo e Zé Carlos, realmente, conseguiu convencer a Belinha de namorá-lo. A paixão durou pouco tempo, apenas alguns meses já estavam separados.

Zé Carlos já não falava nela, a Belinha. A paixão a primeira vista, se esgotou em poucos meses. Aquilo que parecia ser serio, passou apenas um jogo de tempo.

- Todos nós ficamos de orelha em pé.
- O que aconteceu?
- O homem que parecia tão apaixonado, esmoreceu, acabou.
- O que foi que houve?

Zé Carlos desapareceu de repente e até nos bares e dias que nós nos encontrávamos para tomar a cervejinha gelada servida pelo garçom Careca, no bar Savoy.

- Mas o tempo passa e nada fica escondido neste mundo de meu Deus.

Assim, sem esperar aparece o Zé Carlos.

Sem meias palavras foi logo dizendo, não pergunte pela Belinha, pois, sei que todos vocês estão ansiosos para saber o que aconteceu.

- Sentou-se.

Tomou um copo de cerveja gelada, pois o calor o burburinho do bar era grande. Recostou-se na cadeira e começou dizendo:

- Vocês sabem como me apaixonei a primeira vista pela Belinha, não sabe?
- Claro que sabemos, respondemos.
- Pois vocês tinham razão, a Belinha tinha um amante que era uma “casca grossa’ conhecido por Durval. Dizia que não era boa “peça” era um arruaceiro e já tinha passagem pela policia, por agressões. Quando soube deste meu enxerimento veio ao meu encontro com um sorriso sarcástico e disse, sem meia palavras;

- Afasta-te desta bonitona que ela já tem dono, ok mano?
- Fiquei branco e tremulo sentado à mesa entre duas cervejas, pois ele estava com um trabuco reluzindo na cintura.
- E rindo, disse:
- Não te quero ver mais rondando este “pedaço”, mano.
- Caso insistires podes desaparecer na BR- em um acidente, compreendeu mano.
- Sei todos os teus passos. Onde tu pisas todos os sábados e o horário que tu vens para aqui. Até os dias de semana. Sei onde tu moras. Tu és casado e eu posso dar um susto em tua mulher, que achas? Então sai desta que não dá pra tu. E um aviso. Outro não virá.

Sai dali como um cachorro enxotado, com o rabo entre as pernas.
Foi por isso que desapareci. Não quero mais saber da Belinha, agora pra mim é homem.

Todos nós rimos com o desabafo do Zé Carlos, que agora tomava um copo da cerveja bem geladinha.

Olhamos uns para outro e ficamos calados, pois o exemplo de Zé Carlos podia servir para qualquer um.


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

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