segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

E a oposição, onde está?




Uns e outros já acharam aqui mesmo neste blog, que fazer oposição é massacrar o adversário político. Estou agora num estado da federação, que deixará de ser governado por um governador do PSDB, para ser governado por um do PT. Começo perguntando, tendo em visto o texto do Augusto Nunes (leia aqui), que abaixo transcrevemos, se a frase que o governador de Alogoas diz: “Um Estado como Alagoas, que concentra os piores indicadores sociais do país, não pode se dar ao luxo de brigar com o governo federal”, seria dita aqui pelo governador do PT se o Serra tivesse sido eleito. Eu “duvido-deodó”.

A tucanada que se elegeu está como medo de que a Dilma corte-lhes as penas, e talvez corte seu bico grande. E um tucano é um tucano. No Brasil, em Pernambuco e mesmo em Bom Conselho, assim como um petista o é em todos os estados. Aí em Pernambuco, ainda não vi o Sérgio Guerra abrir o bico. E os prefeitos tucanos já estão todos nos braços do governador. Se eu não tivesse ideologia e princípios, que ainda batem como os do PV, eu já teria mudado meu rumo. Mas, ainda tenho uma esperança, que está tão molinha coitadinha. Espero que ela só morra mesmo por último, muito, muito de pois de minha paciência. Leiam o Augusto Nunes enquanto esfrio a cabeça nas praças de Gramado.

“Quem se elege pela oposição e se rende ao Planalto é só mais um colaboracionista

A falta que faz um Mário Covas, lamenta a oposição real sempre que a oposição oficial tira o governo para dançar. Nesse minueto à brasileira, repetido há oito anos, apenas um dos parceiros se curva diante do outro, que retribui as reverências com manifestações de arrogância e para a música para berrar insultos quando lhe dá na telha. Desde a ascensão de Lula ao poder, cabe ao PSDB o papel subalterno e ao PT o comando dos movimentos na pista. Assim será pelos próximos anos, avisou nesta semana a Carta de Maceió, redigida pelos oito governadores tucanos eleitos ou reeleitos em outubro.

Nessa versão 2010 do espetáculo da covardia, como observou Reinaldo Azevedo, não há um único parágrafo, uma só sílaba, sequer uma vírgula que impeça um Tarso Genro de subscrevê-lo. O palavrório nem procura camuflar a rendição sem luta, a traição aos eleitores que souberam só agora que a relação com o governo de Dilma Rousseff, se depender dos tucanos, será regida pelo signo do servilismo. “Um Estado como Alagoas, que concentra os piores indicadores sociais do país, não pode se dar ao luxo de brigar com o governo federal”, subordinou-se o anfitrião Teotônio Vilela Filho. “Nós dependemos, e muito, dos repasses de verbas e programas federais”.

Os convivas do sarau em Alagoas ainda não aprenderam que, segundo a Constituição, o Brasil é uma república federativa. Um governador não precisa prestar vassalagem ao poder central para receber o que lhe é devido, nem pode ser discriminado por critérios partidários. Um presidente da República que trata igualmente aliados e adversários não faz mais que a obrigação.

“Devemos buscar sempre o entendimento e a cooperação, na relação tanto com o governo federal como com os governos municipais”, recitaram em coro ─ e em nome de todos ─ o paulista Geraldo Alckmin e o paranaense Beto Richa. Previsivelmente, foram abençoados por outra frase equivocada do presidente do PSDB, Sérgio Guerra: “Fazer oposição não é papel dos governadores”.

Claro que é. Mais que isso: é um dever. Os eleitores que garantiram a vitória de cada um dos oito signatários da Carta de Maceió não escolheram um gerente regional, mas políticos incumbidos de administrar com altivez Estados cuja população é majoritariamente oposicionista. Se dessem maior importância à afinação com o Planalto, teriam optado por candidatos do PT. O convívio entre governantes filiados a partidos diferentes é regulamentado por normas constitucionais, regras protocolares e manuais de boas maneiras. Isso basta.

É natural que governantes de distintos partidos colaborem na lida com problemas comuns. Outra coisa é a capitulação antecipada e desonrosa. Quem se elege pela oposição e se oferece ao inimigo como colaborador voluntário é apenas colaboracionista. Os franceses sabem o que é isso desde a Segunda Guerra Mundial. Os governadores tucanos que já se ajoelham diante de Dilma Rousseff logo saberão.”


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

P.S.: Pelo que li, parece que a oposição de Bom Conselho ajoelhou e rezou. Mas, isto é assunto para depois.

LP

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