segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A Guerra dos Blogs, A GAZETA e o Anonimato.




Ontem recebi a A GAZETA, órgão noticioso da imprensa escrita da nossa terra. Há outras coisas boas para ler nesta edição 277, porém, ater-me-ei uma espécie de editorial escrito na coluna do Luis Clério, cujo título é “A Guerra de Blogs”, ou seria a matéria de capa?

Eu já havia tocado na questão aqui, quando apareceu aquela história da retroescavadeira, portanto, não há novidade em minha posição. Quem quiser ler todo o texto, use o link anterior. Aqui apenas citarei três parágrafos para começar a discutir o texto tão bem escrito pelo Clério:

“Entretanto, eu não tenho tanto interesse na máquina[a retroescavadeira] quanto tenho no que a prefeita diz que vai fazer se o Mister M não parar de mentir. Ela vai revelar publicamente o segredo de suas mágicas. Eu como escrevo com pseudônimo, e se descobrirem o meu segredo eu estou frito, acharei uma crueldade se ela assim o fizer. Não é porque eu tenha medo de ir para cadeia, ou ser chicoteado em praça pública, eu já me preparei para isto. O meu medo é que eu tenha que revelar o meu nome, que é horrível, e serei motivo de riso para todos. Mas a culpa é dos meus pais, que me registraram com tal aberração identificativa. Pelo menos este é o segredo da minha mágica. Eu digo, Shazam!!! E me transformo no Diretor Presidente. Se ele for descoberta nem saberei mais escrever.

Ora, senhora prefeita, se, como a senhora diz que muita gente já conhece a mágica do Mister M, se ela ferir alguém, processe-o, justiça existe para isto. Eu digo isto de mim mesmo, se ferir alguém de morte, bem dolorida, hoje, qualquer menino com um computador na mão saberá de onde partiram minhas letras. Eu sempre digo a Lucinha que esta história de está falando mal do Coronel Zezé, e ás vezes eu também o faço é um perigo. Pois ele diria imediatamente: “A verdade, meu caro é que eu não tenho medo de VOCÊ, nem muito menos das suas críticas. Oh, menino dá um jeito aqui neste cabra safado.” E no outro dia eu, a Lucinha, a prefeita ou Mister M, poderíamos ser encontrados lá na Serra das Pias, igual a Cleo Pires em Araguaia. Se o coronel voltasse, eu só ficaria com meu pseudônimo se fosse para falar bem de sua administração, e o Mister M, não teria o seu Blog. Espero que o coronel não tenha voltado.

Só para terminar, tendo sido doada ou conquistada, tem uma pergunta que não quer calar: “Onde estará essa retroescavadeira?”

O primeiro parágrafo é apenas para colocar o meu medo de descobrirem quem eu sou. Eu disse, que no meu caso, é pelo meu nome feio. Mas, esta explicação em si não tem importância. Poderia ser porque eu sou muito tímido. Porque estou sendo perseguido. Porque sou uma grande autoridade, como D. Pedro I, e não posso aparecer. Pode ser até para dizer a verdade, porque ela, às vezes dói, e ficamos com medo de como aqueles que sentem a dor reagirão. Ou, além disto pode ser por covardia e medo em relação a outras coisas. O que importa, portanto, não é o meu motivo para escrever sob pseudônimo, e sim o que eu escrevo usando este recurso.

Eu, linhas atrás citei o Luís Clério como autor do seguinte texto, na sua coluna, que também foi publicado na seção de Notícias da A Gazeta Digital:

“Por diversas vezes já tratamos desse assunto e sempre que voltamos a ele fazemos constrangidos e com o intuito único de dizer: Não merece importância, esqueça, despreze, ignore. Estamos nos referindo ao anonimato. Cartas, telefonemas e agora e-mails e blogs. A denúncia anônima em nossa Bom Conselho é cultural, há anos passados cartas anônimas foram responsáveis por separação de casais. A GAZETA já recebeu várias correspondências com as mais variadas denúncias e destino era o lixeiro, hoje quando recebemos e-mails comprovadamente falsos teclamos delete. Não tem responsável não merece nenhuma atenção.

Nestes últimos dias de novembro, lamentavelmente temos assistido uma guerra de blogs. Se, se tratasse apenas de troca de amabilidades(?) entre blogueiros com CPF e CI tudo bem, vivemos num regime democrático, graças a Deus, e as pessoas têm o direito de expor o que pensa assumindo a responsabilidade. Mas, a nossa prefeita Judith Valéria Alapenha de Lira reativou o seu blog, sem postagem desde 20 de outubro, para responder as críticas de um blog sem identidade, sem DNA, sem CPF, anônimo. A prefeita deixou de lado a sua condição de Prefeita do município de Boom Conselho outorgado por 9.331 eleitores para troca de farpas com um desconhecido, inclusive, chegando a dizer: “não tenho medo de você”. Ele ou ela colocou uma casca de banana e a prefeita caiu e não uma só vez. Inicialmente foi por conta da retroescavadeira, depois a denúncia anônima de uma funcionária (?) do Nasf – Núcleo de apoio a Saúde da Família. Judith Valéria Alapenha de Lira, prefeita constituída do município de Bom Conselho. A sua chegada ao Palácio Municipal Cel. José Abílio de Albuquerque Ávila, contrariou e ainda contraria, muitos daqueles que perderam o poder, que chegando ao poder não alcançaram os seus objetivos. Os seus munícipes sabem o quanto lhe custa as demissões que já fez e terá que fazer; os seus munícipes sabem quantas noites de sono já perdeu porque não tem realizado as obras que a cidade de Bom Conselho reclama; os seus munícipes a conhecem e sabem da forte e correta mulher bonconselhense que você é; e sabe que a administração municipal tem uma excelente gestora que enfrenta as dificuldades de todas as prefeituras brasileiras.

Prefeita Judith Valéria Alapenha de Lira, não saia da sua condição de mandatária, para “brigar” com um fantasma. Dialogue, debata, preste esclarecimento a quem se identifica, a quem mostra a cara, a quem tem DNA.”

A primeira pergunta, antes de entrar no mérito do texto, é: Quem me garante que o texto foi escrito por Luis Clério? Eu penso que não foi ele. Foi o Mister M que se infiltrou no jornal e usou apenas o nome dele (do Clério, como um pseudônimo). Explico porque. Seria difícil para alguém que admira tanto a prefeita e seu trabalho, fazer um favor tão grande à oposição.

Vejamos. Ele começa espinafrando o anonimato. Para ele toda opinião anônima deve ser esquecida, desprezada, ignorada e deve ser considerada sem importância. O que vai de encontro ao que pensa a Judith, como comprovado pelas suas respostas aos blogs. Cita o fato de que a denúncia anônima é um fato cultural em nossa terra, o que leva a crer que a prefeita ao invés de tentar acabar com este hábito, o incentiva respondendo. No caso concreto, não causou nenhuma separação de casais, mas, houve algum efeito, pela reação dela, em dar uma resposta à altura da denúncia. O que teria acontecido se ela não tivesse respondido como propõe o amigo Luis Clério ou quem escreveu o texto?

A crítica mais direta à prefeita, o Luís faz no segundo parágrafo. O que ele diz, no popular, foi que a prefeita se rebaixou ao responder aos ataques de um blog, sem identidade, etc. etc. Eu já penso que foi correta a decisão dela em responder. Por duas razões. O que foi dito no BBC era uma denúncia contra um órgão público e ao seu dirigente. O prefeito é um servidor público, o que quer dizer que é um “servidor do público”. A autoridade, liturgia, importância no cargo, não vêm do cargo em si, mas da forma como ele é usado. E uma das coisas mais importantes para qualquer cargo, obtido pelas urnas, podendo ser por 9.000 eleitores, ou por 90.000.000, é a transparência em seus atos, principalmente, seu dever de dar explicações sobre eles, em qualquer situação de dúvida. O que o Míster M fez foi levantar dúvidas, ou mesmo colocar seu blog a disposição de outras pessoas para levantar dúvidas. A prefeita devia explicação, e as deu, sem que eu ache, que ao fazer isto ela se rebaixou. Muito pelo contrário, neste caso ela mostrou que está ciente dos deveres do seu cargo, o que é razoável e salutar. E, se parou outra vez de ler o BBC, o bom seria voltar a lê-lo. Não me lembro de quem mas, houve um governante que só lia os jornais da oposição, para ficar atento mais atentos quanto ao desempenho de seus funcionários. A imprensa brasileira pode nem ter feito um bem à candidatura da Dilma Roussef, levantando o caso da Erenice Guerra, mas prestou um grande serviço ao povo brasileiro. Se não tivesse publicado o que obteve de suas fontes, mesmo que anônimas, mas, checadas e conferidas, a Erenice estaria nos próximos quatro anos na Esplanada dos Ministérios.

Pelo que li nas respostas da prefeita, muito bem escritas por sinal, ela não concorda muito com a opinião do Luis Clerio, de que o Míster M seja tão anônimo assim. Ela diz que todos já sabiam quem era ele, dando tanto detalhes que me fez medo, se ela usar os mesmos métodos para descobrir quem sou eu. O erro da prefeita, e aqui já aviso que não vai nenhum desrespeito a ela, pois prefeito também erra, foi, em sua primeira resposta não ter dito logo quem era o Míster M. Como eu disse, isto me deixa tremendo, mas, era o que ela deveria ter feito. Mas, este erro já foi causado pelo erro anterior de responder a um anônimo, sendo contra o anonimato. Quem é contra, tem que fazer como o Luís Clério, esquecer, ignorar, etc. A única diferença são os cargos que eles ocupam. O Luís é dono de um jornal enquanto a Judith é um servidora pública eleita pelo povo. Enquanto um, pode até deixar de dar notícias importantes para comunidade, porque joga as denúncias anônimas no lixeiro, a outra não pode jogar no lixo opiniões sobre seus atos e responsabilidades. Respondendo ao Mister M, a Judith, apenas justificou as palavras finais do Luis, ao dizer que “os seus munícipes a conhecem e sabem da forte e correta mulher bonconselhense que você é; e sabe que a administração municipal tem uma excelente gestora que enfrenta as dificuldades de todas as prefeituras brasileiras.”

Eu não tenho tanto conhecimento da administração da Judith Alapenha, estou me informando, porém, a estaria julgando muito pior se ela não tivesse respondido ao Míster M. Não é preciso ele se identificar para que ela ou seus eleitores nele acreditem. Se houver necessidade de coibir algum exagero que se configure crime do Míster M, a Judith, como ela mesmo disse, já sabe quem ele é, recorra ao judiciário, que é a única coisa que os cidadãos devem levar em conta, em termos de ameaças.

Para concluir por hoje, eu repito o texto enxuto do grande jornalista e amigo, embora tenha certeza de irei para lata do lixo por usar um pseudônimo: Prefeita Judith Valéria Alapenha de Lira, não saia da sua condição de mandatária, para “brigar” com um fantasma, pois fantasmas não escrevem. Dialogue, debata, preste esclarecimento a quem se identifica ou não, a quem mostra a cara ou não, a quem tem DNA ou não, pois quando votamos na senhora, o fizemos secretamente, mesmo assim a elegemos para administrar o município, podemos então, sem nos identificar, mostrar as nossas dúvidas em relação à eficiência do seu governo.



Aproveitando o ensejo: Ninguém me respondeu ainda onde está a retroescavadeira.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

Nenhum comentário: