quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Luiz Inácio Nordestino da Silva





Estou aqui no marasmo de final de ano, no qual todas atividades, mesmo existindo, funcionam “a meia bomba”. Não há como não nos proteger empanturrando-nos com as mídias que nos chegam através do LCD dos lap-tops. Vejo ali, vejo acolá mas não consigo me distanciar muito de Pernambuco, da mesma forma que o apedeuta-mor, Lula. Ele já estava ontem por lá outra vez.

Hoje, dou a vez a uma jornalista do Rio de Janeiro, a Miriam Leitão, que escreveu em sua coluna de ontem, o seguinte artigo, com o título de “Não, obrigada”. Leiam e eu voltarei lá em baixo.

“Não faz sentido agradecer a um governante pelo respeito às regras democráticas. É obrigação. Portanto, não estou entre os que exaltam o presidente Lula pelo fato de ele não ter tentado permanecer. Até ele vê assim. ´Se você pede o terceiro mandato, quer o quarto, se pode pedir o quarto e por que não o quinto? Aí você está criando uma ditadurazinha`, disse ontem Lula aos jornalistas.

Houve artigos nesses dias de balanço que ressaltaram, como um dos grandes méritos do presidente Lula, o de ter respeitado as regras democráticas e de não ter pleiteado um terceiro mandato. Como se tivesse dependido unicamente de sua vontade. Teria que ser feita uma emenda à Constituição e isso, certamente, detonaria uma reação forte da sociedade.

O Brasil não é a Venezuela. Passamos por caminhos diferentes. Com todos os defeitos que tem o sistema político brasileiro, a democracia aqui foi uma dolorosa conquista. Minha convicção é que mesmo sendo um governante popular, ao fim do mandato, Lula poderia ter sido derrotado em sua tentativa de mais um mandato.

Uma reeleição é comum em inúmeras democracias, um terceiro mandato já é um continuísmo intolerável. O presidente Hugo Chávez manipulou as instituições e minou a democracia, por isso tem conseguido a reeleição perpétua, a ´ditadurazinha`.

Outro mérito de Lula teria sido o de ter mantido a política econômica do governo anterior. Foi de fato importante: para o país, para a estabilidade econômica, mas principalmente para ele mesmo. Dificilmente Lula teria conseguido mais um mandato em 2006 se a inflação tivesse voltado a subir. Se o escândalo do Mensalão tivesse encontrado o país com patamares altos de inflação, certamente a história teria sido outra.

As tentativas de confundir o que foi o caso de corrupção foram tantas, que é preciso lembrar. O Mensalão não foi o único escândalo no governo do partido que, durante 20 anos, se apresentou como sendo o guardião da ética na política, mas sem dúvida foi o pior. A corrupção foi confirmada na CPI, na investigação do Ministério Público, no voto do ministro Joaquim Barbosa e na aceitação do voto pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

Dinheiro sem origem comprovada era distribuído a deputados da base governamental, num esquema alimentado por um publicitário que prestava serviços ao governo, e o denunciante foi um deputado da base parlamentar. Até o publicitário da campanha de Lula em 2002, Duda Mendonça, admitiu no Congresso ter recebido em dinheiro vivo ou em contas no exterior. Lula se debate contra os fatos mudando as versões há cinco anos. Primeiro, disse que foi um fato banal. Depois, se disse traído. Distanciou-se do PT. Mais recentemente, alegou que foi uma tentativa de golpe da oposição, e depois, que foi um caso de erro da imprensa como o da Escola Base.

A verdade é que foi um caso espantosamente grave de corrupção. Se ele tivesse explodido no meio de uma economia desorganizada pela volta da inflação, certamente, Lula não teria tido condições políticas de conquistar mais um mandato.

Não ter apoiado emenda constitucional por mais um mandatopresidencial fortalece a sua biografia, mas ao mesmo tempo foi o que o permitiu eleger sua sucessora, e agora estar pensando em voltar em 2014, ou reeleger Dilma. Com um ou outro será a realização de um projeto de poder de 16 anos, dentro das regras democráticas. Muito cedo para pensar em 2014, mas até agora, o PT já colocou dois candidatos. O secretário Gilberto Carvalho falou no próprio Lula, e o Lula falou em reeleição de Dilma. Provavelmente, um projeto de trieleição teria provocado convulsão no Parlamento e reação da sociedade. É fazer pouco do Brasil e da sua consciência democrática agradecer a Lula por não ter sido o Chávez. Estou convencida de que o Brasil não aceitaria ter um Chávez, nem na política, nem na economia.

A Venezuela está encerrando o segundo ano recessivo, e a expectativa dos empresários, numa pesquisa feita recentemente, é de um crescimento de menos de meio por cento em 2011 e de uma inflação de 35%. Chávez perdeu a eleição, mas ficou com uma maioria no Congresso pela mudança de regrasde contagens de votos que introduziu. No entanto, não terá no ano que vem o número de votos necessário para mudanças constitucionais. Seu último golpe foi o de aproveitar as enchentes e pedir ao congresso moribundo o direito de governar por decreto.

O Brasil não aceitaria uma situação assim, não por ser superior à Venezuela, mas por ter tido uma história diferente. Enquanto as elites dos velhos AD e Copei desmoralizavam a democracia representativa com eleições diretas fajutas, os brasileiros lutavam contra a ditadura escancarada no Brasil. Na economia, o Brasil foi profundamente marcado pela luta contra a hiperinflação. Um presidente - ou uma presidente - que deixar a inflação subir pagará um alto preço em queda de popularidade.

A alternância de poder e a manutenção da estabilidade foram boas para o país, e boas para o grupo que está no poder. Não foram concessões de Lula. Foram as escolhas certas. Lula não colheria os louros que colhe hoje se tivesse escolhido outros caminhos na economia e na política.”

Esta é a grande imprensa que muitos odeiam. Não explicam porque. Mas, eu sei. Ora, se até hoje o Lula diz que o “mensalão” não existiu, e todos os áulicos acreditam, mesmo que na época do malfeito acreditassem, quando surge alguém que diz o contrário, tem que se arranjar um epíteto qualquer e, “grande imprensa” soa bem, e pode ser mudada a qualquer hora. Daqui a pouco, graças a Deus, o Blog da CIT será da “grande imprensa”. Quem sabe se o Diretor Presidente não resolve aumentar meu salário?

O que me chama a atenção no artigo anterior é o seu sentido mais amplo, em dizer que as atitudes que temos de tomar como dever de cada cidadão, são obrigações nossas, e o agradecimento por elas é voluntário. Vivemos em um país, muito diferente daquele em que vivi em Bom Conselho, onde não elogiávamos ninguém por ele ser honesto e cumpridores de suas obrigações, e sim quando ele passava dos limites, e se tornava tão bom para o convívio social, que dizíamos que ele merecia ir para o céu, ou ser prefeito da cidade. Foi assim que vários dos nossos prefeitos foram eleitos, e cito o Dr. Raul como exemplo. Atualmente, ser um cidadão cumpridor dos seus deveres não mais importa. O “marketing” pessoal nivelou a todos, sem o respaldo de suas atitudes. Antigamente dizíamos “rir melhor quem rir por último”, hoje dizemos “mente melhor quem mente por último”.

E o nosso, Luiz Inácio Nordestino da Silva, como um jornal de minha terra chama o Lula, além de está rindo está mentindo muito, nesta sua despedida do cargo, que está se estendendo mais do que a de Pelé do futebol. Todo dia tem uma, que dizem ser a última. E ontem, dizem que foi mesmo a última. No Marco Zero, onde, ano passado eu vi o Baile do Menino Deus, as pessoas viram o Lula bancando o menino deus. Mesmo que alguém não tenha ido ao comício é fácil deduzir o que ele disse, além de chorar. Lembrei da Clara de "Passione". "Uma coisa que admiro no povo é que o povo chora para fora, o povo 'cafunga', lacrimeja e político chora para dentro com vergonha", disse ele 'cafungando' junto com o povo. Não deu nos jornais que me chegam aqui no Sul, mas pode ter havido até milagres deste novo deus. Não se surpreendam que algum cego tenha recuperado a visão durante o evento. Os vídeos me lembram o Fidel Castro ou o Hitler falando para aquela multidão de cubanose alemães hipinotizados pelo carisma do apedeuta-mor, afinal de contas, ele é o 'mor'.

Como não poderia deixar de ser prometeu que continuaria na política e que estará sempre no meio do povo, igual ao que Jesus prometeu aos seus apóstolos. Se esta comparação for blasfêmia que me perdoe o Padre Nelson, pois não sei escrever Jesus com letra minúscula. E por aí foi, suando e chorando e seguindo a canção, somos todos hipócritas, braços dados ou não, mentindo pela pátria e, quem sabe, sem nenhuma razão.

Ele fez o último comício do ano, e o primeiro comício para as a eleições de 2014. Não se enganem com sua conversa de que a Dilma só não será candidata se não quiser. Pois ele já sabe que ela não quer. “Mente melhor, quem mente por último”.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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