segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Na "Ilha de Pal", Reencarnação Quântica




Após o primeiro turno da última eleição, frustrado por ver minha candidata Marina do Brasil ir para o beleléu, procurei refúgio na minha adorável “Ilha de Pala” onde senti uma experiência de quase morte devido à referida frustração. Procurando uma salvação para minha combalida alma, fui me socorrer com o físico quântico Amit Goswami, lendo seu livro A Física da Alma: A explicação científica para a reencarnação, a imortalidade e experiências de quase morte. Como reencarnacionista, cheio de dúvidas sobre essa crença, avalio que o novo paradigma apresentado pelo ativista quântico neste livro é animador, para aqueles que almejam fortalecer essa crença.

Nos últimos dias, afastado dessa barafunda que se tornou as polêmicas entre eleitores simpatizantes dos candidatos a presidente que disputaram o segundo turno das eleições, pude continuar refletindo sobre os novos conceitos apresentados pelo livro em pauta. Por vezes, pensei em escrever algo sobre esta recente leitura, mas não tenho encontrado o fio da meada para abordar esse velho tema, agora apresentado com uma nova roupagem conceitual. Penso que essa recorrente impedição para a tarefa de escrevinhar sobre os novos conceitos, pode ser atribuída à inibição que sinto pela pouca familiaridade com a linguagem da física quântica. Mas, é necessário reconhecer que o autor apresenta os complexos conceitos científicos numa linguagem didática e simples. Para não fugir ao desafio de compartilhar essa minha curiosidade pela metafísica, que no caso envolve a questão da reencarnação, passo a dividir com os leitores algumas compreensões superficiais extraídas do livro.

A ciência nos três últimos séculos nos ensinou que todos os fenômenos são coisas formadas por matéria. Nesse paradigma, a metafísica materialista vinha dominando a ciência — partículas elementares formam átomos, estes formam moléculas, que formam células como os neurônios, que formam o cérebro e este forma a consciência. Essa teoria é chamada de causação ascendente (a causa vai das partículas elementares até o cérebro e a consciência). Este é um monismo (concepção segundo a qual a realidade é constituída por um princípio único) materialista, fundamentado na idéia de que a matéria está na base de tudo o que existe.

O novo paradigma, com postulados da física quântica, propõe um monismo baseado no primado da consciência. Essa Consciência – chamada de Espírito, Deus, Mente de Deus, Brahman, Tao, etc., nas tradições populares e espirituais é, para a nova teoria, a base de tudo o que existe, e não a matéria. Ou seja, todos os fenômenos, o mundo da experiência, inclusive a matéria, é a manifestação material de formas transcendentais de consciência. Essa teoria é chamada de causação descendente (a causa vai da consciência até as partículas elementares).

Nenhum paradigma materialista conseguiu, até o momento, desenvolver modelos satisfatórios para o surgimento da vida, tampouco para a mente ou para a consciência. Como já vimos, a ciência convencional fundamenta seus conceitos tendo a matéria como o tijolo constitutivo de todas as coisas. Assim, a vida, a mente e a consciência sob esse prisma são meros epifenômenos (fenômenos secundários) da matéria. Desse modo, a morte põe fim a todos os epifenômenos que, de algum modo, manifestam-se nos seres vivos. Obviamente, sob essa ótica, a reencarnação não faz sentido.

Será que a reencarnação é científica? Existe mesmo uma alma que sobrevive à morte e transmigra de um corpo para outro? Como a alma não material interage com o corpo físico? Frente a essas e outras questões, o autor procura demonstrar que ao incluir as idéias quânticas no modelo de consciência, no contexto da ciência idealista, uma entidade semelhante à alma que ele chama de "mônada* quântica" age como mediador da reencarnação. Para desenvolver uma física da imortalidade, Amit Goswami, além de alguns postulados da física quântica, utiliza evidências baseadas nas experiências de quase morte – relatos de visões no leito de morte; informações de reencarnações obtidas de recordações de outras vidas, por meio de regressão hipnótica; e dados sobre pessoas desencarnadas obtidos com manifestações mediúnicas.

* [Rubrica filosófica no Houaiss – mônada: no leibnizianismo, átomo inextenso com atividade espiritual, componente básico de toda e qualquer realidade física ou anímica, e que apresenta as características de imaterialidade, indivisibilidade e eternidade.]

Como a proposta deste texto foi fazer apenas uma rápida menção às muitas questões que sustentam essa nova teoria da reencarnação e para não deixar a ver navios aqueles que possam ter interesse em aprofundar o assunto, o referido livro está disponível para leitura na biblioteca da CIT. Fico na expectativa que os possíveis leitores ao apreciarem esses novos conceitos oportunizem futuros diálogos.


Roberto Lira - rjtlira@yahoo.com.br

P.S.: Como não sei quando minha consciência individual vai se fundir na Consciência coletiva e depois voltar a ser uma consciência individual (pelo que entendi esse é o processo da minha próxima reencarnação), vou aproveitar um salto quântico, ou melhor, um “pulo TAMtico” e “reencarnar” em nosso (Ah!)Recife na próxima semana. Fuuuiiii!!! Ou melhor, tô iiinnndo!!!

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