segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O mau sinal do governo que nem começou (e o Museu do Lula)




Com o título acima (o parêntese é meu) o jornalista Elio Gaspari começa seu artigo de ontem no O Globo, onde tenta mostrar que, ou as maracutais são punidas na origem ou elas parecerão banais nas próximas eleições. Entretanto, suas consequências podem ser muito danosas para a história de quem detém o poder de punição.

Reproduzirei o artigo, logo abaixo, pois ao lê-lo, lembrei que hoje li na seção Deu nos Blogs, da nossa A Gazeta Digital (leia aqui) uma notícia que me deixou com os dedos coçando para teclar, dizendo quanta coisa falta para chegarmos a um nível ético, pelo menos razoável, quando se trata do uso do dinheiro público. A postagem repete, do Diário de Pernambuco, um notícia que diz já está reservada uma verba de 300 mil reais para construção de um Museu em homenagem a Lula.

Lembro ainda de uma proposta do Roberto Almeida para erguer um estátua de Lula na terra de Simoa Gomes. Depois que alguém disse que uma estátua, quando vivo, é mau agouro, o caso foi esquecido. Eu não me lembro do tipo de financiamento proposto pelo Roberto para erguer a estátua, mas agora o museu, antes de ser aprovado, já tem um monte de verba pública envolvida.

O artigo diz que a iniciativa é do deputado Fernando Ferro (PT), de uma sua emenda parlamentar. Vejam senhores a que ponto chegamos no trato do meu dinheirinho, ganho com os calos nos dedos e queimaduras nas panelas, para ajudar meu marido. O jornalista que escreve a matéria, fala do dinheiro que vem de uma emenda parlamentar como se ele pertencesse ao deputado. Talvez, se ele quisesse usar o dinheiro num motel, como o fez o futuro ministro do turismo, como mostra o texto abaixo, seria mais compreensível, pelos apelos eróticos da atividade. Mas, um museu para Lula?!

Eu nem sei se o apedeuta-mor está sabendo disto, porém, penso que quando souber não aceitará. Já querem mumificá-lo como imigrante pobre. É pior do que virar estátua. E o pior de tudo (principalmente, para o amigo Zezinho de Caetés, que ao invés de ter uma Academia de Letras em Caetés, vai ter um Museu de Cera em Garanhuns), o museu será em Garanhuns e não em Caetés, porque esta cidade não está com as contas em dia. Quem diria, o “cara”, que se julga melhor do que Getúlio, vai sair da vida pública, para entrar na privada de um Museu.

Em algum momento o texto fala que isto é uma prática comum nos Estados Unidos, com os seus ex-presidentes. Resta apenas saber, e eu faço minhas apostas, se a verba para fazer isto lá no Tio Sam é pública. Pode até ser, mas, aquele que é homenageado e o parlamentar que o homenageia, jamais serão eleitos. Quantos casebres do Minha Casa Minha Vida seriam construidos com 300 mil reias? Façam as contas senhores.

A matéria ainda chama atenção para a criação do museu de cera de Petrópolis, onde haveria um boneco de Lula em tamanho natural, com direito a terno, do Armani, e faixa presidencial. Não diz se o boneco vai ser financiado por outra emenda parlamentar, ou é um empreendimento de natureza privada. Se esta última hipótese se aplicasse tanto ao Museu de Petrópolis quanto ao de Garanhuns, eu não teria nada a dizer. Talves, até fosse viável do ponto de vista econômico, neste Brasil, onde a capacidade de “babar ovo” de autoridades só superada pela falta de ética na manipulação do dinheiro público.

A Secretária de Turismo de Garanhuns ainda pretende arranjar verbas do Ministério do Turismo, para o empreendimento. Leia o artigo abaixo, para descobrir, que com ministro que vai assumir o ministério da Dilma, nesta área, se nos fundos da casa que o Lula nasceu tiver um motel, mesmo que pequeno, ela não terá problema em conseguí-las. Com as teclas o Elio Gaspari:

“A permanência do deputado Pedro Novais (PMDB-MA) no Ministério do Turismo e da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) no da Pesca são um mau presságio para um governo que nem começou. Revelam ligeireza com o dinheiro da Viúva, onipotência e descaso pela opinião pública.

Novais recebeu da Câmara R$ 2.156 por conta de uma nota fiscal do motel Caribe, de São Luís, relacionada com despesas feitas no estabelecimento durante a noite de 28 de junho. A senadora, que recebe R$ 3.800 mensais para custear sua moradia na Capital, cobrou à Viúva R$ 4.606 referentes a diárias de hospedagens no hotel San Marco, de Brasília, entre janeiro e dezembro deste ano.

Descobertos, ambos atribuíram as cobranças a “erros” praticados por assessores e informaram que devolveriam o dinheiro. Pedir desculpas à patuleia, identificando publicamente os responsáveis, nem pensar.

Cobrança de parte da presidente eleita, que acabara de indicá-los para o Ministério, muito menos.

Preservou-se o padrão de casa-grande dos maganos de Brasília. Ao pessoal da senzala, restou o alívio da descoberta do avanço sobre seu dinheiro, feita pelos repórteres Leandro Colon, Matheus Leitão, Andreza Matais e José Ernesto Credencio.

O deputado Novais, um maranhense octogenário que vive no Rio de Janeiro e chegou ao Ministério do Turismo por indicação do senador José Sarney, do Amapá, foi imediatamente defendido pelo líder de seu partido, Henrique Eduardo Alves: “Ele está esclarecendo de forma competente”. Em seguida, pelo futuro ministro das Relações Institucionais, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ): “O Pedro Novais é um parlamentar experiente e, pela história dele, precisamos dar crédito à sua versão”.

Num primeiro instante, a reação de Novais foi típica dos senhores de escravos: “Pare de encher o saco. Faça o que você quiser”. Depois, apresentou uma explicação que tem muito de experiente e pouco de competente: “Indignei-me como parlamentar e homem público, mas, acima de tudo, como cidadão e marido. A acusação leviana tenta atingir minha moral e a firmeza de minha vida familiar. Sou casado há 35 anos. Na noite de 28 de junho, data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento, estava em casa, ao lado de minha mulher. Não posso aceitar que essa falha seja usada para acusações irresponsáveis à minha pessoa”.

Mesmo que na noite de 28 de junho o deputado estivesse na Igreja Evangélica Brasileira, que fica na Rua do Amor, nas cercanias do motel Caribe, isso não teria qualquer importância. Foi seu gabinete que apresentou à burocracia da Câmara a nota fiscal do motel. Ademais, uma funcionária do Caribe informou que houvera uma reserva em seu nome.

Admitindo-se que tudo não passou de um erro, Novais deveria ser grato ao repórter Leandro Colon, pois ele permitiu que expurgasse de sua longeva biografia e de seu firme matrimônio a sombra de uma despesa de R$ 2.156 num motel.

Em 2002, a nação petista sabia que o tesoureiro Delúbio Soares ia além de suas chinelas nas mágicas financeiras que fazia com o publicitário Marcos Valério. Acharam que dava para segurar. Em 2003, o poderoso José Dirceu sabia como operava seu assessor Waldomiro Diniz. Achou que dava para segurar.

Depois que as acrobacias confluíram no mensalão, Nosso Guia deu-se conta de que deveria ter substituído Dirceu logo depois do caso de Waldomiro. Em todos os episódios, o governo comprou o risco da crise porque tolerou malfeitos que lhe pareciam toleráveis.

Isso, supondo-se que Dilma Rousseff não fazia ideia das atividades da família Guerra quando patrocinou a ascensão da doutora Erenice à chefia da Casa Civil da Presidência.

A senadora Salvatti e o deputado Novais foram preliminarmente exonerados pela teoria do “erro”, sempre praticado por assessores jamais identificados e nunca disciplinados. Repetindo: nem desculpas pediram. Passou-se adiante o pior dos sinais: “Vamos em frente, não tem problema”.”


Lucinha Peixoto
lucinhapeixoto@citltda.com

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