sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SÁBADO A NOITE




Todo ou quase todo sábado ouço as músicas do passado, quando não vou merendar em algum restaurante na orla de Olinda. Quando não faço esta façanha, ligo o pequeno radio de pilha me aboleto em minha poltrona do “papai” e fico a escutar as músicas que o Radialista Geraldo Leal, transmite pela Radio Capibaribe, a NOITE DE SAUDADE, seu e meu programa favorito das dez até a meia noite.

São lindas músicas de outrora, que recorda os momentos de nossa juventude, apreciando as belas canções, modinhas, frevos, baião, tango, tudo o que faz bem para um belo seresteiro.

Fico sentado no meu terraço, olhando para o firmamento onde a lua com a sua luz prateada iluminam a noite da SAUDADE, e as estrelas brilham e cintilam no céu azulado. O Geraldo Leal sabe por vocação escolher a cada sábado um cantor para lhe fazer homenagem, tocando para as pessoas de bom gosto, a melodia mais radiante que consome o nosso desejo de voltar a aqueles tempos memoráveis das serestas pelas ruas e parando de quando em vez em uma janela aberta, para ouvir o toque do violão, bandolim, do cavaquinho e muitas vezes do violino.

As musicas apresentadas no programa NOITE DE SAUDADE, são as melhores possíveis e de interpretes do porte de Francisco Alves, Vicente Celestino, Ermilha Borba, Araci de Almeida, Dalva de Oliveira, Núbia Lafaiete, Ângela Maria, Francisco Petrônio, Anízio Silva, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Silvio Caldas, Moacir Franco, Silvinho, Lupicínio Rodrigues, Dicinha Batista, Mario Reis, Ivon Cury, Cauby Peixoto Isaurinha Garcia, Maysa Matarazzo e tantos outros memoráveis nomes da época da Era de Ouro do Radio.

Tomo minha dose de uísque com gelo em água de coco e alguns petiscos trazidos pela minha mulher e quando não eu mesmo me disponho a fazer o que é muito raro.

É uma noite calma de um sonhador. Fico ali sentado saboreando a brisa da noite, e no aconchego escuto com saudades a belas musicas que outrora vivenciamos com mais ardor e hoje vivemos mais da lembrança deste tempo que não volta.

Lembro-me de Bom Conselho, da minha mãe querida na minha querida Rua do Caborje na cozinha cantando, e do meu tio Expedito Vieira Belo, com o seu violão junto com outros memoráveis mestres da seresta em Bom Conselho.

Em Garanhuns, quando fui ali residir em 1957, as nossas serestas eram nas noites e madrugadas frias colhendo o orvalho em nossas faces, na Praça Dom Moura em frente à Estação Ferroviária, hoje, Teatro Alfredo Leite, ali, nos reuníamos, tomava algum aperitivo quente, como o Dreher ou mesmo Alcatrão de São João da Barra, para poder desenferrujar as molas das mãos cricriladas pelo frio e descongelar a garganta para cantar em plenos pulmões com doses alcoólicas, a música:

Noite alta céu risonho / quietude é quase um sonho / o luar cai sobre a mata / qual uma chuva de prata / de raríssimo esplendor / só tu dormes não escutas / o teu cantor /revelando a lua airosa / a historia dolorosa / deste amor / Lua! / com tua luz prateada / Despertar a minha amada / quero matar os meus desejos / sufocá-la com meus beijos / Canto / E a mulher que eu amo tanto / Não me escuta, esta dormindo / Canto, por fim / Nem a lua tem pena de mim / pois ao ver que tem chama, sou eu / Entre a neblina se esconde / Lá no alto a lua esquiva / está no céu tão pensativa / as estrelas tão serenas / qual dilúvio de falena / andas tontas ao luar / todo astral ficou silente / para escutar / o eu nome entre as endeixas / as dolorosas queixas ao luar.

Saímos, lá pela meia noite pelas ruas do Bairro de São José, subindo pela Rua Nova, descendo pela Rua Souto Filho encerrando na praça, por volta das três da manhã já com o galo cantando, mesmo nas noites frias da Suíça Pernambucana.

Aqui no Recife, quando cheguei em 1966 à cantoria era somente nas sextas e sábados, sempre em ambientes fechados, nos bares e restaurantes que freqüentava. Era no Bar do Espanhol, na Cruz Cabuga, aos sábados à tarde; Cantinho da Dalva de Oliveira, em Poço da Panela/Beberibe; nos mercados públicos da Encruzilhada e Boa Vista à tarde dos sábados.

Portanto o dia de sábado é importante para as nossas recordações dos tempos idos e vividos com muita alegria. Os camaradas daquela época deve se lembrar destes momentos que se realizaram na vida de cada um “a saudade” daqueles bons momentos.

No último sábado ouvindo o programa a NOITE DE SAUDADE, foi encerrado com a musica SERTANEJA, de Cesar Monoti que reproduzo para nos lembrar e cantar: cantemos,

Sertaneja se eu pudesse
Se papai do céu me desse
Um espaço prá voar
Eu corria a natureza
Acabava com a tristeza
Só prá não te ver chorar

Na ilusão deste poema
Eu pegava um diadema
Lá no céu prá te enfeitar
E onde a fonte rumoreja
Eu fazia uma Igreja
Dentro dela o teu altar

Sertaneja
Por que choras quando eu canto?
Sertaneja
Se este canto é todo teu
Sertaneja
Prá secar os teus olhinhos
Vai ouvir os passarinhos
Que cantam mais do que eu

A tristeza do meu pranto
É mais triste quando eu canto
A canção que lhe escrevi
E os teus olhos neste instante
Brilhou mais que a brilhante
Das estrelas que eu já vi

Sertaneja eu vou-me embora
A saudade vem agora
Alegria vem depois
Vou subir por estas serras
Construí-la noutras terras
Um ranchinho prá nós dois
.

Sertaneja... continua, cantem comigo no próximo sábado.



José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

Uma contribuição do Blog da CIT ao belo artigo do Zetinho, vejam os filmes:



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