segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CONVERSA DE INTERIOR





Dona Umbelina e Dona Quitéria, eram duas amigas inseparáveis. Moravam vizinhas há mais de 40 anos na Rua Jacaré. Todos os dias, no final da tarde, colocavam cadeiras na calçada a sombra e se deliciava com a brisa, enquanto o sol se vai desaparecendo entre as torres da igreja matriz.

Ali, naquele recanto sagrado, elas comentam toda noticia que ocorre naquele lugarejo, longe do burburinho da cidade grande. Gostava das novelas e repórteres da televisão. Não tinha preferência por nenhum canal. Vasculhava todos os que mais lhe agradava ficava assistia e depois comentava na mesa do café ou na conversa na sala de visita o ocorrido. Via todas as pessoas passarem para irem ao centro, cumprimentando uma a uma com uma “Boa Tarde”.

Os seus netos as crianças da vizinhança brincavam de roda, as meninas, enquanto os meninos de “pega” De vez em quando uma delas gritava:

Cuidado meninos para não cair e se ferir.

Aí, os meninos sorrindo corria ainda mais.

Caçote era uma pequena cidade que abrigava mais ou menos dez mil pessoas. Todos se conheciam, do mais rico ao mais pobre. As conversas eram as mais variadas desde, os acontecimentos na igreja, no comércio e na política, ali elas compartilhavam e às vezes com algumas pessoas que passavam e ali permanecia ouvindo e participando da conversa e ao mesmo tempo informando às novidades que Dona Umbelina e Dona Quitéria não sabiam.

Numa destas tardes, estavam sentadas, na calçada quando passou o sapateiro, morador no final da mesma rua, para comercio, para comprar cola de sapato, o Seu Alfredo, reconhecido pelo seu belo trabalho na recuperação dos sapatos de cavalheiros e senhoras da localidade.

- Seu Alfredo venha até aqui, chamou uma das senhoras.
- Seu Alfredo, parou, olhou para as duas que estavam tricotando.
- Boas tarde.
- Viu o que aconteceu?

Não sei não, respondeu o Seu Alfredo

Eu já tinha falado para a comadre aqui, que o mundo é das mulheres e ninguém tira isto.

Seu Alfredo coçou a orelha e tirou um papelote branco colocou fumo tirado de uma latinha de rapé, e enrolou fechando com a língua molhada e acendeu.

Deu um trago. Olhou para o relógio e conferiu o horário e respondeu.

- Parece que sim. As mulheres hoje estão em alta, com certeza.
- É tanto que hoje temos uma mulher na presidência da Republica do Brasil, coisa nunca vista, mas o que fazer, acrescentou o sapateiro.

No meu tempo, disse Dona Umbelina, o homem era por cima, hoje, é a mulher que está por cima, riu.

É uma verdade, acrescentou olhando para o cigarro

Sentou-se no meio fio, e disse nos dias atuais minhas queridas senhoras, o homem deseja ser mulher e as mulheres desejam serem homens. Não vê Dona Umbelina e Dona Quitéria a safadeza que existe na televisão. A Senhora viu um desfile de homens vestidos de mulheres, com trejeitos femininos desfilando pelas ruas de São Paulo? Até o Governador e o Prefeito estão no meio destes desavergonhados rindo. E estes desfiles estão tomando conta de todas as cidades.

É uma pouca vergonha, não é?

Nestes dias aqui também em Caçote.

Deus me livre duma desgraça desta, disse Dona Quitéria. O meu falecido marido, o Joaquim, que Deus o tenha, os seus ossos vão se remexer no Cemitério de Santa Paula.

E se benzeu.

Olhando para a comadre, disse: Eu acredito que teu falecido marido, o João também não aprovaria esta pouca vergonha, não é?

E continuou, falando para o seu Alfredo:

Pois, é o mundo é das mulheres. Elas estão em todos os postos, até na Presidência, viu Seu Alfredo. Todos de cabeça baixa, até os grandalhões do Exercito, da Marinha e da Aeronáutica batem continência para ela, onde já se viu isto?

É muito constrangedor um homem se rebaixar a isto. No nosso tempo isto não acontecia, era o homem que era Prefeito, Governador e Presidente do Brasil. Mas, eu acredito que as coisas vão melhorar, pois, a mulher tem tino melhor do que o homem. Não é me gabando, não, mas muitas vezes aconselhei a Joaquim a tomar certas decisões. E ele tomando o meu conselho acertava em cheio.

Seu Alfredo viu como as filhas do Seu Arnóbio vivem? Vivem por ai bebendo nos barzinhos daqui, como se fossem homens e, os homens é que gostam, pois soltam lorotas a todo instante, uns olhando para o outro e rindo. Os vestidos são muitos curtos. Quando se reclama, elas dizem aos pais, quem quiser que veja, mas ninguém toca até eu deixar. Não é pouca vergonha, onde já se viu, no meu tempo, a mulher andar de andanças pelos recantos onde somente tem homens e se vestindo deste jeito?

Pois é, Dona Umbelina e Dona Quitéria, os tempos mudaram e ninguém segura mais o ímpeto das mulheres, elas estão soltas por ai. Quando se dá uma desgraça na cidade, todos falam isso e aquilo, os pais não dão educação, não freia o impulso destas jovens e assim por diante.

Seu Alfredo se despediu e se dirigiu para o comércio com o anoitecer, com a lua cheia no céu estrelado, enquanto das duas vizinhas entravam para casa carregando as cadeiras a fim de rezar o terço e após o café ir para igreja para a novena que estava acontecendo em louvor ao padroeiro São Benedito.



José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

sábado, 29 de janeiro de 2011

Despedida do TREMA




"Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüiféros, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos.

Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...

O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.

Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K, o W "kkk" pra cá, "www" pra lá.

Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...

Nos vemos nos livros antigos. saio da língua para entrar na história.

Adeus,
Trema."

Recebi a alguns dias a mensagem acima, através da amiga Maria Caliel, mostrei ao Zezinho e ele disse que tinha visto também e que achava a mensagem muito criativa e que poderia ter sido escrita pelo José Fernandes, seu desafeto em matéria de Reforma Ortográfica, pois ele é que sente saudade do trema. Eu não quero me meter nesta questão, mas, também sinto saudade do trema.

No entanto, o de que sinto mais saudade é o acento de idéia. Como meu processador de texto ainda é “das antigas”, sempre que conserto o acento de minha idéias, fica um risco vermelho em baixo. E, como vocês sabem, fora o encarnado do pastoril, o que é vermelho é um risco, a bandeira do PT que o comprove. Vai ver, o José Fernandes tem razão quando diz que esta reforma foi só para encher as burras de dinheiro das editoras e para complicar a vida da estudantada. São os ossos do capitalismo. Se todos queremos ser desenvolvidos, temos que passar por ele. Não adianta vir com discurso de Socialismo de Suape, tão bem adotado pelo D. Eduardo, pois teremos que passar por esta etapa, antes de qualquer sonho de um socialismo autêntico.

Hoje o PV está no governo, com acento e com “trema”, isto é, tremendo de medo que o Daniel Coelho esteja certo ao pedir pelo menos alguma evidência de que o governo não destruirá ainda mais nossa costa do que o que já foi feito. Eu também acho que a promessa dos 15 pontos verdes não vale um “trema”, ou um acento na boléia, vai acabar em menos de quatro anos.

Já tem alguém perguntando se estou maluca, e o que tem a ver isto com a Despedida do Trema. Eu direi: Vejam homens e mulheres de pouca fé! Bem que o texto acima pudesse se transformar em:


Despedida do PT

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o PT. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, no Mensalão, nos Sanguessugas, nos Delúbios, nos Zé Dirceus e seus apaniguados por mais 8 anos.

Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma democracia e liberdade de imprensa e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do Brasil. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de políticos grandiloqüentes!...

O resto dos partidos e o povo não me deram o menor apoio... A Dilma se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O Lula disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.

Até o PMDB foi a favor da minha expulsão, aquele cagão que fica se passando por democrata e nunca tem coragem de iniciar uma reforma. E também tem aquele obeso do Jefferson e o anoréxico do Marco Maciel. Desesperado, tentei chamar os militares pra trabalharmos juntos, fazendo um bico no Ministério da Defesa com o Genoíno, mas o Jobim negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se eu virar PT-do-B posso me passar democrata?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são outros, O PMDB incoloiado com Dilma, o PSB chafurdando com o Eduardo, e até o DEM paquerando qualquer sobra.

Até o jogo de empurra, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar PTwitter. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora do Brasil. Foi bom enquanto durou. Vou para o Senegal, lá eles adoram o Lula e PT. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...

Nos vemos nos livros antigos. saio do Brasil para entrar no Senegal.

Adeus,
PT

Depois deste esforço todo eu fiquei me perguntando: Por que não fiz a Despedida do Lula? Cansei. Façam vocês.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

JOSÉ ANÔNIMO DE ALENCAR




TELEFONES DEPREDADOS, BANCOS ESCOLARES QUEBRADOS,
MERENDA ESCOLAR EM OUTRAS BARRIGAS, LIVROS ACHADOS NO LIXO,
BENEFÍCIOS INDEVIDOS, DINHEIRO DESVIADO.
MAIS DINHEIRO DESVIADO.
PENSÕES, APOSENTADORIAS. PRIVILÉGIOS.
MAIS DINHEIRO DESVIADO. DE NOVO? MAIS?
HOSPITAIS LOTADOS, MORTES NO SAGUÃO.
SEM MACAS. SEM MÉDICOS. SEM REMÉDIOS.
QUE REMÉDIO!!
GRÁVIDA ESPERA SENTADA NO CHÃO.... ESPERA DUPLA....
ÔNIBUS COMO LATAS DE SARDINHA.
TRENS SUPER LOTADOS.
TRÂNSITO. VIOLÊNCIA.
ENCHENTES. MORTES. DESCASO.
CADA VEZ QUE VEJO A LUTA DO EX VICE JOSÉ DE ALENCAR PELA VIDA, ALGO MEXE COMIGO. ACIMA DA COMPREENSÃO.
ACIMA DE JULGAMENTOS.
NÃO APENAS A LUTA DELE, MAS TAMBÉM O INVERSO.
SE JOSÉ DE ALENCAR MORASSE NA PERIFERIA E DEPENDESSE DE HOSPITAL PÚBLICO, ESTARIA AINDA LUTANDO?
COM TODA A ATENÇÃO QUE MERECE, CONSIDERAÇÃO,
MEUS RESPEITOS, JOSÉ DE ALENCAR. PELA LUTA.
PORÉM, MEUS RESPEITOS TAMBÉM A TODOS OS JOSÉS E JOSEFAS QUE MORRERAM SEM ATENDIMENTO, SEM MÉDICO, SEM APARELHOS, SEM REMÉDIOS, SEM DIGNIDADE.
MEUS RESPEITOS, SR. LUTADOR ANÔNIMO!
A SAÚDE ESTÁ À MÍNGUA!
A SEGURANÇA ESTÁ À MÍNGA!
A EDUCAÇÃO MINGOU......
NÃO PROTESTO, APENAS DESABAFO O NOTÓRIO.
DINHEIRO DESVIADO. O LALAU DEVOLVEU O DINHEIRO?
A JORGINA DE FREITAS DEVOLVEU OS MILHÕES?
É... DINHEIRO DESVIADO.
AQUI, ALI, CÁ ACOLÁ....
A FARRA DO DINHEIRO PÚBLICO ESTÁ MAIS QUE NUNCA NA MODA.
2011 COMEÇOU COM TUDO!
QUEM PODE METER A MÃO, O FAZ SEM VERGONHA NA CARA.
VERGONHA? O QUE É ISSO MESMO?
QUE OS HOMENS SEJAM REALMENTE DE BOA VONTADE.
QUE A LUTA SEJA IGUAL.
QUE CONSIGAMOS TER RICOS. MUITO RICOS TAMBÉM.
MAS QUE TODOS TENHAM DIGNIDADE.
CASA, COMIDA, TRABALHO, EDUCAÇÃO.
SER. APENAS
SER. HUMANO.
QUE O BRASILEIRO POSSA SERVIR `À PÁTRIA E SER RESPEITADO PELA PÁTRIA, AMADA, SALVE! SALVE!
BRASIL!!!!

Ana Luna - anammluna@yahoo.com.br

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Nobreza na Política


Passando a vista nos Blogs recomendados pela A Gazeta Digital, deparei-me como artigo do Blog do Kotscho, cujo título era “Quando a política pode ser nobre” e que transcrevo abaixo:

“Quem teve a felicidade de participar da homenagem prestada neste 25 de janeiro pela cidade de São Paulo ao mineiro José Alencar foi testemunha de que, depois das baixarias da recente campanha eleitoral e em meio às bandalheiras generalizadas denunciadas nos últimos dias, a política também pode ser nobre.

Ao final da cerimônia, pareciam todos felizes com o que tinham acabado de assistir no improvisado auditório montado no saguão da sede da Prefeitura no Viaduto do Chá. Enquanto Alencar era rapidamente retirado em sua cadeira de rodas por médicos e enfermeiros, políticos de todas as tendências conversavam como se fossem todos do mesmo partido.

“Este é o nosso Brasil, olha aí, hoje veio todo mundo, tem de tudo”, resumia com alegria o tucano histórico José Gregori, na garagem do prédio, no momento em que o ex-vice-presidente se despedia dos convidados para voltar ao hospital.

Foi um encontro ecumênico que emocionou a todos, deixando uma brava lição de coragem de alguém que luta para continuar vivendo e é capaz de sorrir mesmo nos momentos mais difíceis, reunindo à sua volta adversários políticos de todos os partidos.

A presidente Dilma, o ex-presidente Lula, o governador Alckmin, o vice Temer, o prefeito Kassab, petistas, tucanos, democratas e peemedebistas, ali eram todos apenas amigos de José Alencar, um raro exemplo de nobreza na vida política brasileira. Durou só uma hora, mas valeu o dia. Vida que segue.”

Volto, dando os parabéns atrasados para São Paulo, o local das atitudes políticas que o Ricardo Kotscho achou um verdadeiro gesto de nobreza. Quando se trata do nosso ex-vice presidente, tudo é nobre. Sempre um lutador pela vida e um exemplo para os brasileiros. O engano do jornalista é supor que a política deixa de ser nobre quando, agimos como os mineiros, de quem o Nelson Rodrigues dizia que só eram solidários no câncer. Eu digo que a política pode ser uma nobre arte mesmo, com diz o Blog Acerto de Contas (leia aqui) quando agimos como o PT de Pernambuco, que não é solidário nem no câncer.

A nobreza vai depender sempre do objetivo que se tem quando se aplica uma rasteira no adversário. No ato de homenagem ao José de Alencar o objetivo de cada político que lá se encontrava era apenas evitar que o outro passasse por nobre sozinho, e assim todos se tornaram nobres. As rasteiras vieram uma hora depois e continuarão até a próxima homenagem. Mas a política continua nobre, se o que se tenta obter vale a pena.

Parece até que isto é uma defesa do princípio de que “os fins justificam os meios”. Não é uma defesa e sim uma constatação dentro de uma democracia representativa, em cujo sistema os políticos se tornam profissionais do poder. Nobre é o poder. E a nobreza vem da capacidade que o poder confere de influenciar a vida dos cidadãos, tanto quanto como qualquer profissional. Um médico não é menos nobre quando segue os procedimentos cirúrgicos que os ensinaram, mesmo quando o doente morre. Isto faz parte de sua atividade profissional. O político não se torna menos nobre por não ter ido a uma solenidade em homenagem ao seu adversário, se isto envolve os seus objetivos de alcançar o poder. Esta é a sua arte.

Quando se diz que a política é para profissionais, isto significa a mesma coisa que dizer que a engenharia, a medicina a advocacia é para profissionais. Não há nada mais pernicioso para uma sociedade do que a falta de políticos qualificados, e cientes dos seus deveres. Muitas vezes isto envolve atitudes com aparência antiéticas, como muitas vezes um médico tem que escolher entre quem deve morrer, em casos de calamidades.

Então vem a pergunta óbvia. Quando a política pode se tornar não nobre? Basta olharmos para outras profissões e a resposta é encontrada com facilidade. O profissional da política deve estar sempre orientado para o bem da comunidade que o elegeu. Isto é o que dá legitimidade ao seu poder, e seu ar de nobreza. Muitas vezes os sentimentos chamados “nobres”, como chorar em solenidades, fazer discursos emocionados em cemitérios, abraçar beijar as criancinhas, não são sinais de nobreza da atividade política, mas apenas acessórios da profissão, como a de vendedor que não pode começar sua atividade dizendo que o produto oferecido causou danos materiais. A nobreza disto está no fato de tanto o vendedor quanto o político, ter sua visão voltada para o mal que pode está causando em seu público alvo. Isto é individual e intransferível como a adoção de qualquer princípio moral.

Eu penso que na referida solenidade o único nobre era o próprio José de Alencar, com seu humor e simpatia diante do seu quadro de saúde. E ele nem precisou chorar para ver a sua sinceridade e nobreza. Espero que ele supere mais esta fase, e volte a ser nobre na política outra vez.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AS DIVERGÊNCIAS




As noticias que nos trazem o site de Bom Conselho não são de bons prenúncios, sinto que começa haver divergências no acontecimento da grandeza que é o ENCONTRO DE PAPACACEIROS.

Criado para reunir os conterrâneos de plagas diversas, que querem visitar a cidade que amam e deseja rever os amigos da infância, em um breve tempo, começa haver disputas quanto à comemoração.

Os conterrâneos não estão se entendendo. Começa uma batalha aparentemente sobre o destino do ENCONTRO DE PAPACACEIROS.

Lembro que participei dos cinco primeiros encontros de papacaceiros, realizados em Bom Conselho e senti que a cada ano o encontro tomava rumo diferente para que foi fosse criado.

Naquele momento, comecei a pensar que os próximos ENCONTROS DE PAPACACEIROS iriam tomar rumos diferentes, e, é o que esta acontecendo no momento, com a realização do ENCONTRO DOS AMIGOS DE BOM CONSELHO.

E o ENCONTRO DE PAPACACEIROS que é realizado nesta época? Pela noticias que se tem sido divulgada foi adiada para outra data, por causa de divergências entre o conterrâneo José Quirino e outros amigos da nossa boa terra.

É certa esta atitude?

Vamos ter dois encontros agora em nossa querida cidade de Bom Conselho, uma denominada de ENCONTRO DE AMIGOS DE BOM CONSELHO e o outro ENCONTRO DE PAPACACEIROS?

Não sei não, as coisas desandaram o que vem trazendo para seio das famílias bom-conselhense uma desavença gratuita por motivos que podem ser superado através de um dialogo aberto e sincero.

Vamos colocar os nossos pontos de vista na mesa da negociação. Não podemos “rachar” este belo projeto lançado há onze anos para congregar os amigos que vem de diferentes partes do nosso País, a fim de desfrutar, além das amizades, do companheirismo que de ano a ano se renovam e vem pisar no torrão natal e beber da água que nutriu nossos primeiros anos de nossa infância. Muitos atravessam o Brasil viajam muitas léguas, para ver de perto a cidade e suspirar o ar puro que atravessa as colinas.

Tudo isto pode ser jogado no ”ralo” como nada existisse nos encontros dos anos anteriores? Claro que não.

Vamos deixar de lado o nosso orgulho do “eu”. Eu “faço” tudo, eu “sei” de tudo, eu “mando” em tudo e assim vai à vaidade das vaidades tomando conta do ser humano que é fadado para este estilo de vida.

A gente que está de longe fica triste com este acontecimento que somente trazem dissabores e revolta e, quando deveria ser tempo de “união”, surge a “desunião” gratuita que não poderia haver de forma nenhuma, pois, esta festa foi criada para aglutinar as emoções, os abraços, os sorrisos, a descontração e tudo mais que beneficie os participantes.

Não sei, não, mas acho que da forma “artesanal” que foi o primeiro ENCONTRO DE PAPACACEIROS, deveria primar por este modelo, pois, acalentou nestes tempos muitos Papacaceiros que desistiram de participar quando os Encontros passaram a ser mais “burocráticos”.

Hoje, li no Mural de Recados, do site de Bom Conselho, a divulgação da programação do II ENCONTRO DOS BOM-CONSELHENSES, para o ano 2012, o que me leva a pensar e concluir que a divergência está instalada.

Aí, eu pergunto, e perguntar não ofende, e os ENCONTROS DOS PAPACACEIROS depois de dez anos desaparecem para aparecer o II ENCONTRO DO BOM CONSELHENSES?

Concordo plenamente com nosso conterrâneo Edjasme/Di, que no mesmo Mural sugere que permaneça o nome ENCONTRO DE PAPACACEIROS, pois, a nossa cidade não comporta dois encontros iguais.

Vamos levantar a bandeira da paz a fim de conciliar este pequeno “incidente” e amadurecer novas idéias durante este ano de 2011, para que possamos ter um REENCONTRO DOS PAPACACEIROS no inicio do ano de 2012, cheio de harmonia e de uma alegria contagiante, como sempre foi.

Vamos dar as mãos. Paz e Bem!


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

OS AVISOS DO CÉU




As moradias equilibradas em morros sem confiança. Pobres construções de barros e de vidas. As águas volumosas se esparramam pelas encostas que servem de tobogã para a descida, soterrando vidas de crianças a idosos, sem consideração alguma para com os sonhos que morrem com eles.

A enxurrada e as chuvas em exagero multiplicam gritos de horror, lágrimas em rostos, olhares diminuídos, sofrimentos em fraturas expostas nas almas que não sabem se sobem ou descem.

As pessoas sem tranqüilidade, as autoridades tardiamente procurando nos escombros de si mesmas as providências soterradas com o lixo. O lixo apodrecido, enegrecido, embalado em sacos pretos puxados pelos dentes caninos das escavadoras dos morros, em busca de esperanças. A esperança é encontrar, pelo menos, os corpos inertes daqueles que conviveram por ali, numa escalada dolorosa de quem procura um céu que se engana.

Nem se conta mais os vitimados da tempestade ensandecida. Alude-se que tudo depende do homem que não sabe lidar com a prevenção, nem atende aos apelos de quem entende de previsões contra as calamidades naturais. Correto. Só que os evadidos da pobreza de outros rincões desta Pátria-Continente, ao deixarem os torrões de origem, principalmente o nordeste, não têm escolha para se estabelecer, a não ser nas paisagens dos morros já superlotados de gente que luta pela sobrevivência.

Esse mito de encontrar o milagre no sul-sudeste é antigo. O êxodo atualizado de gente sem nada, catando a terra prometida sem nunca encontrá-la, simboliza coragem de fugir dos pastos escassos em direção a empregos, a negócios e outras ofertas que assegurem, pelo menos, o pão de cada dia.

A realidade é cruel com seus sinais de morte imprevisível, de ribanceiras tidas como incólumes a despencarem. Crateras vulcânicas se abrindo em pleno asfalto. Órfãos, viúvos e viúvas. Famílias sepultadas vivas. O luto de quem luta.

Os fios de lágrimas escorridos nos rostos atônitos nunca secarão a dor que se abre nos corações despedaçados. Fendas que jamais serão fechadas. A queda do ser humano. O Rio de Janeiro vira um mar revolto e cruel. As montanhas desabaram. A terra dissolveu-se e transformou-se em lama

Todos nós terráqueos vivemos em estado de alerta ao que pode acontecer no planeta terra. Há tempos que o Céu envia-nos sinais claríssimos de possíveis tragédias. Nós é que fechamos os olhos para o óbvio: o perigo iminente que nos espreita, portador de outra desgraça a cair lá do firmamento.

As causas propulsoras dessas conseqüências são oriundas da insensatez dos que se dizem donos do mundo e do destino da pobre humanidade. Que Deus nos salve.



Maria Caliel Siqueira - mcaliel@hotmail.com

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Voltei Recife




Sempre seria uma alegria renovada voltar para o Recife, se o PT do João da Costa não estivesse enquistado em sua prefeitura. Oh! cidadezinha suja está esta, meu Deus! É o jeito petista de governar. Quanto mais sujeira, mais doenças, menos educação, mais miséria para combater para o discurso não perder a validade.

O poste eleito, agora, está lançando a imagem de presidenta “gerentona”. Segundo o Alexandre Marinho, a quem cumprimento pela sua volta à atividade blogueira, a presidenta deve copiar o D. Eduardo em sua forma de gestão. Tenho que dizer que ele só consegue isto porque traz o PT na rédea curta aqui no Estado, e não tanto na prefeitura. Governa com o único Partido Socialista do mundo, que é mais capitalista do que o DEM. O poste não pode colocar rédeas curtas no PT em nível nacional. O Lula teve a ajuda do PMDB prá fazer isto, mesmo assim vejam a herança que ele deixou para o poste, que ele carregou por muito tempo. Dentro de quatro anos o Brasil será um grande ENEM.

Li no Blog do Poeta, lá de Bom Conselho, que ele está organizando um Encontro de Blogueiros. Deixou a jumentinha de lado e agora quer juntar os blogueiros e faz uma relação deles sem citar o nosso Blog da CIT. É como se fizesse uma reunião de ex-presidentes e não chamassem o FHC, ou o Lula, ou mesmo o Fernando Collor. Podemos ter alguma diferenças e antipatias por eles, mas não podemos negar o que eles são. Tenho certeza que foi um lapso do poeta. Deve ter feito a lista enquanto estava poetando para o nosso deleite. Mas, pegou mal. Quero ver se o Diretor Presidente vai aguentar esta calado.

Mesmo diante de tantos problemas, estou na minha segunda “pátria”, o Recife. Terra quente, úmida, suarenta, mas, bonita e hospitaleira. Vim num vôo internacional, destes que fazem aqui escala para gringo cair no frevo e dentro de 15 minutos seguir viagem, sem ver o lixo. Logo ali tive contacto com o frevo. Aquelas meninas que parecem ter corpo de borracha, segurando suas sombrinhas coloridas e o maior frevo no pé. Todos sabem que elas estão ali para ganhar a vida e que, quando vão para casa sua realidade é outra, mas, pior se não pudessem exercer esta atividade, tão digna como outra qualquer.

Sempre que retorno lembro do frevo do Luiz Bandeira, que já foi tema de campanha de tantos políticos, que fica difícil não lembrar do Joaquim Francisco, agora mais um socialista de fancaria. Nem sei se ele ganhou ou perdeu. Já havia perdido quando mudou tanto de cor. Mas o frevo diz: (Vejam o vídeo também).

Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo

Cadê "Toureiros"?
Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores"
O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir
A embriaguez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo
E acaba no pé

Eu, nesta altura da vida não tenho mais pé para o frevo acabar nele, mas que ainda dou uma sacudinha ainda, isto eu dou. Ninguém fica parado. Aliás, hoje, como sempre, que está parado é o poste, nenhuma luz até agora, só jogo de cintura ensinado pelo “carregante”, que vai para o Senegal. Deus o tenha por lá.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

A PRESIDENTA - III







domingo, 23 de janeiro de 2011

CAMPO SANTO





Recentemente estive em Garanhuns e aproveitei o tempo para visitar os meus pais Antonio Taveira Zuza e Nedi Taveira Belo, na morada eterna.

Comprei um molho de flores brancas na Ceasa e fui à companhia da minha esposa fazer esta visita sentimental, que inclusive também ela visitaria os seus pais. Chegamos por volta das 10h30min, no Campo Santo São Miguel sob um forte sol, estacionando aonde quatro crianças vieram desabaladas carreira em direção ao automóvel, dizendo:

Vô vou tomar conta do seu carro. Vou olhar. Sentaram-se no meio fio e ficaram os quatros a discutirem quem iria receber a recompensa desta guarda.

Entrei, no Cemitério São Miguel, segui diretamente para o tumulo dos meus inesquecíveis pais, e dos meus queridos sogros, visinhos até no cemitério. O tumulo branco cercado de algumas flores, aguada recentemente pela zeladora. Coloquei água no jarro e ali colocamos as flores, e nos pusemos a rezar algumas orações para aqueles que deram a sua vida para eu viver. Viveram para o aconselhamento aos seus filhos, dando-lhes educação, afeto e muito amor. Ali estava os restos de um corpo que até bem pouco tempo se fazia presente em nossa vida, hoje, ali esta somente a lembrança através das placas pregadas no mausoléu.

Fiquei ali algum tempo meditando. Olhei as quatros placas, ali cravadas, a dos meus pais, a da minha Tia Carlinda Silveira Belo que tanto nos fez carinho quando da meninice em Bom Conselho, morando na Rua do Caborje, nas noites sentada em um sofá contando historia da carochinha para que fossemos dormir. Não se casou, ficou solteira toda a vida. Veio morar em Garanhuns, na casa da sua irmã Inácia na Rua Sargento Silvano Macedo, onde faleceu em 1992. Não gostava muito do meu pai, pois, ele muitas das vezes chamava “nomes”, como “peste” e “bubônica”, nas suas horas de descontentamento e ela saia imediatamente atordoada quando ouvia estes nomes. A outra, do meu querido sobrinho Tiago Correia, morrendo de um acidente automobilístico na estrada que ia para cidade de Caetés, quando ia realizar um trabalho da difusora e capotou, com o nosso veículo, vindo a falecer, no auge dos seus 23 anos de idade, com mais ou menos cinco meses no Hospital Monte Sinai e no Hospital Português em Recife. Quanta saudade deste seres humanos que conviveram conosco.

Desci um pouco, na mesma alameda, ali estava o tumulo que abrigava os meus queridos sogros, Maria Correia da Silva e José Cordeiro da Silva, conhecido em toda região do agreste como Zé Gago, pessoas queridas que marcaram muito a minha vida.

Olhei para o relógio marcava 11h30min. Sai devargazinho pelas alamedas sombreada pelas arvores cercadas por túmulos, e encontrei o de Carlos Alberto, o “Beto” na intimidade das pensões em Recife. Formou-se em Agronomia. Morreu cedo. Adiante o tumulo em mármore do meu Avô Chico Zuza, Tio Plínio e de sua filha Serafina, com fotografias estampadas guardadas em capelinha de vidro; ao lado o tumulo do meu amigo irmão Ednaldo Rodrigues. Amigão, morava na minha rua em Garanhuns e fizemos uma grande amizade que somente se desfez com a sua morte em Recife. Dei uma olhadela, no tumulo de Agnaldo de Barros e Silva, meu patrão na década dos anos 60 quando trabalhei na Loja São Jorge de sua propriedade. Ainda, guardo um grande favor desta pessoa amigo, que me forneceu alguns documentos para que me aposentasse. Mais na frente, o de um grande contador, Manoel Teles, que me ensinou um pouco de contabilidade quando trabalhei na Loja Jóia Magazine, por dois anos. Era um profissional exigente no trabalho. Sai olhando os demais túmulos, cada um com a sua epigrafe e já na saída, parei em frente ao tumulo da Congregação das Damas Cristãs, onde se encontra sepultado o corpo virgem da minha Tia Irmã Dionísia, que dedicou a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja, de acordo com o seu desejo, servir nos mais humildes trabalho do convento, trabalhando na lavanderia, na cozinha, no dormitório. Morreu aos 96 anos, bem cuidada com carinho e amor dedicado pelas suas irmãs da Congregação no Colégio Santa Sofia em Garanhuns, dedicando ao seu apostolado 78 anos de vida religiosa. Antes de sair do Cemitério, olhei para o lado e observei alguns túmulos de algumas autoridades do Município que fizeram algo pela sua terra. Vi, então, o tumulo do grande cantor Augusto Calheiros, representado por um violão, todo branco, com o seguinte epitáfio


AUGUSTO CALHEIROS
“Se eu morrer nesta terra vejam
no peito a ferida, queiram levar para o norte,
os restos mortais da minha vida”


Abaixo a Prefeitura Municipal de Garanhuns, homenageia o Augusto Calheiros:


“Esta feita a tua vontade Calheiros, aqui repousais
eternamente na tua Garanhuns Hospitaleira”
Homenagem póstuma da Prefeitura Municipal
* 05/03/1891
+ 11/01/1956



Lembrei-me na saída do Campo Santo São Miguel, da seguinte musica do Calheiros, cantada muitas das vezes por minha mãe Nedi, em Bom Conselho, quando cuidava da nossa casa na minha querida Rua do Caborje, 120, onde nasci.

Adeus meu Norte querido / Garanhuns e Boa Vista / terra onde me criei / Recife cidade da esperança / guardo sempre na lembrança / que um dia voltarei / Mas quem espera / quem espera sempre alcança / guardo sempre na lembrança / do meu Garanhuns voltar / lá no alto e das serras / lá do Alto do Magano / dá vontade de chorar / .....



José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*)O Blog da CIT relembra com Zetinho:

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Tragédia do Rio e o Cachorrinho




Continuo escrevendo sobre minhas viagens mas não tem nada ainda publicável. Foram me dar “muita corda”, como se diz, dizendo que estava escrevendo bem e coisa e tal, e agora eu virei uma perfeccionista. Também, com a função de secretária de dois blogs, o tempo me é curto para realizar tudo que quero, entre um e outro pedido de Lucinha, que pensa que agora é gaúcha. Odeio quando ela, no Skype diz: “Entendes, tchê!?”

Hoje me deu vontade de escrever sobre um fato triste que vi na TV. Na tragédia do Rio, uma senhora aparece tentando salvar um cachorrinho junto com ela enquanto segurava um corda. Quando foi sendo puxada, não conseguiu manter o animal debaixo do braço e o pobrezinho caiu dentro daquela enxurrada forte ao ponto de levar até carros. Para mim aquele momento é representativo de toda a tragédia. Vi o episódio retratado em um desenho do Chico Caruso num blog que não me lembro de quem e salvei a imagem que ilustra este texto.

Todos já comentaram o fato, cujas imagens correram o mundo. A mulher foi entrevistada e chorava ao pensar no seu animalzinho. Os que salvaram ela também falaram sobre o fato e a dor que o envolve. Porém, do meu ponto de vista ficou faltando falar mais do cachorrinho. Será que ele morreu? Será que ele não foi encontrado alguns quilômetros depois como aconteceu com um menino, e foi salvo por alguma alma caridosa?

Eu fico me colocando na posição do cachorrinho. Estou lá dormindo, em meu chão, tendo roído meu ossinho diário, ou não, e de repente, começa a entrar água em casa. Quero correr e me ver livre daquilo, sou um exímio nadador. Minha dona não deixa porque gosta muito de mim e eu quero fugir porque cachorro não entende os sentimentos humanos. Ela me pega me agarra quase me sufoca e o que vejo? Alguém lá em cima jogando uma corda para nos ajudar. Nem sei se é para me ajudar mesmo pois minhas patas não pegam corda. Minha dona leva-me com ela, estou eu lá em cima, em seus braços, vendo que ela iria cair por causa do meu peso, eu a empurro e caio na água fria e rápida. Saio a trancos e barrancos sem mais nada ver e vou descendo rebolando mais do que pitomba em boca de velho. Meu pensamento é só um: será que hoje roí o meu último osso?

Depois daquele turbilhão, consegui abrir os olhos e me vejo deitado em terra firme cercado por um bando de crianças. Um com um vara cutucava meu traseiro, e outro gritava, levanta! Um mais esperto e corajoso botou a mão na minha barriga e disse, ele está respirando. Mãe, mãe o cachorro tá vivo! E eu lá me fingindo de morto. Achei que naquela situação era o melhor a fazer, descobri porque em algumas situações os humanos também se fingem de morto. Veio a mãe e constatou, eu estava vivo. Aí não teve jeito tive que abrir os olhos e notar o ar de felicidade dos garotos por terem salvo alguém. Estou sendo bem tratado até agora mas ainda não apareceu nenhum repórter para me entrevistar, e eu dizer quanto sinto por não ter salvo também a minha dona. Será que ela morreu? Estou com saudade dela, e assim que puder usarei meu faro para voltar à minha casa. Será que ainda tem casa?

Mas ninguém procurou o cachorrinho ou pelo menos ele não apareceu nos telejornais. Eu gostaria de saber quando ele poderá voltar para sua casa e penso que todos as vítimas também. Pelo jeito o FGTS só sai daqui a uma semana e dizem que a ajuda não tem coordenação nenhuma. Oh! Vida de cachorro!

O pior dos mundos seria uma demora daquela mulher se reencontrar com o pobre animal, pois todos sabemos que cachorros e povo brasileiro tem memória curta. Corre-se o risco dele não reconhecer mais sua dona, que tanto amava. Situação retratado pelo mesmo Chico Caruso na imagem a seguir:




Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

O Antes e o Depois




Hoje estou fazendo as malas para voltar ao Recife e ficar mais perto do meu Bom Conselho querido. Entre um nó e outro de minha bagagem eu vi o vídeo e o texto a seguir, dos jornalistas Edna Simão e Tiago Décimo do Estado de São Paulo (Estadão.com), do dia 20 de janeiro. Coloco-os na ordem que deveriam estar, como aquelas propagandas de dieta de emagrecimento onde há o Antes e o Depois. Aqui, ao contrário da propaganda, a mentira é o Antes. Vejam.

O Antes



O Depois

“FEIRA DE SANTANA, Bahia - Apenas seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda tornou-se uma espécie de assentamento urbano com comércio ilegal de apartamentos e abandono dos imóveis por falta de pagamento das prestações de R$ 50, colocando em xeque o programa xodó da presidente Dilma Rousseff.

O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi o primeiro empreendimento para famílias com renda de até R$ 1.395 entregue no País e recebeu duas visitas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na campanha presidencial, Dilma levou ao ar no horário eleitoral gratuito o condomínio como exemplo bem-sucedido de política pública para os mais pobres.

De lá para cá, desligadas as câmeras da campanha, o "condomínio" apresenta personagens com dramas reais. O presidente da Associação de Moradores do Residencial Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, 27 anos, diz que o calote tem aumentado no empreendimento porque boa parte dos moradores tem como renda apenas o benefício do Bolsa Família.

De acordo com ele e com entrevistas realizadas pelo Estado, das 440 unidades do residencial distribuídas em 22 blocos, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito, escolhidos pela Prefeitura de Feira de Santana em parceria com a Caixa Econômica Federal. Eram pessoas que tiveram as casas condenadas depois da enchente que atingiu o bairro periférico de Feira X, a cerca de dez quilômetros dali, em 2007.

"Houve quem vendesse a unidade a R$ 500, antes de receber as chaves", conta Marques. Em média, cada apartamento tem 37 m², dois quartos, cozinha e banheiro. "Hoje, os valores estão por volta de R$ 15 mil." Como rege a lei da oferta e da procura e há demanda para as unidades, os preços dos apartamentos estão subindo.

Contas

Para Anália Barbosa dos Santos, de 62 anos, a entrega das chaves do apartamento 2, do bloco 16, depois da visita presidencial e da então candidata parecia encerrar uma vida de necessidades. Agora, ela pensa em se mudar. "Tenho dificuldades para pagar todas as contas que chegam", conta a idosa, que sonha comprar uma casa no bairro de origem com o dinheiro da venda.

A inadimplência já preocupa a Caixa. Isso porque, a entrega do empreendimento é recente e há o temor de que essa situação se repita em outros locais.

Com a "expulsão" dos beneficiários originais, o residencial que era para ser destinado, principalmente, aos inscritos no Bolsa Família que moravam em áreas de risco está sendo "colonizado" por famílias com renda familiar superior.

Mãe solteira de três crianças, Cristiane Lopes, 30 anos, deixou de pagar, há quatro meses, as parcelas da casa própria à Caixa. Desempregada, ela conta apenas com a renda de R$ 134 do Bolsa Família para manter a casa. "Paguei as duas primeiras parcelas com R$ 100 que ganhei da minha tia. Depois não consegui pagar mais", lamentou Cristiane. Ela já recebeu cartas da Caixa cobrando o débito e teme perder o imóvel por inadimplência.

Lançado por Lula em 2009, o Minha Casa, Minha Vida foi um dos principais trunfos de Dilma na campanha. Na ocasião, ela prometeu entregar 2 milhões de moradias para famílias com renda de até R$ 4.650 até 2014.

O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional no País, que é de quase 6 milhões de moradias - concentrado entre as famílias que recebem até um salário mínimo. Mas quando foi lançado, o Minha Casa, Minha Vida também serviu de estímulo econômico em momento em que o País sentia os efeitos da maior crise financeira dos últimos 80 anos.

De abril de 2009 a dezembro de 2010, a Caixa assinou 1 milhão de contratos, como era esperado. O número de imóveis entregues, no entanto, não chegou a 300 mil unidades. A expectativa é de que as entregas se acelerassem no decorrer de 2010. Isso porque, um empreendimento demora, em média, 18 meses para ser construído.”


.......

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iála la iá iá iá
Porque eu tô voltando

Ouçam a música no vídeo e desconsiderem o macho no final. Não é eu.



Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ÁGUAS DE MARÇO




ERA UMA VEZ UM LINDO PAÍS ONDE SEUS HABITANTES VIVIAM EM LUGARES LIMPOS, CAMPOS A PERDER DE VISTA, ÁRVORES LINDAS E FRONDOSAS. AR PURO. BEBIAM ÁGUA EM POTES.
ERAM FELIZES.
O TEMPO FOI PASSANDO... PASSANDO E...........
2010. NOTÍCIAS DO PAÍS:
UM ANO DE RECORDES CLIMÁTICOS!
DADOS INDICAM QUE ESTE DEVE SER O ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA IMAGENS DE SATÉLITE REVELAM EVENTOS EXTREMOS....
APÓS PROTESTOS DA PREFEITURA DO RECIFE, LICITAÇÃO QUE COLOCAVA À VENDA 225 HECTARES DE MANGUEZAL É CANCELADO. ÁREA SE TORNARÁ PARQUE MUNICIPAL.....
XINGU ENGOLIDO PELO ARCO DO DESMATAMENTO. O RIO XINGÚ, UM DOS PRINCIPAIS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA, TEM SOFRIDO FORTES PRESSÕES EM NASCENTES QUE DEVERIAM SER PROTEGIDAS...
HÁ MILHARES DE NOTÍCIAS SOBRE NOSSO MEIO AMBIENTE.
MEIO AMBIENTE, SIMPLESMENTE FALANDO É O CONJUNTO DE FORÇAS E CONDIÇÕES QUE CERCAM E INFLUENCIAM OS SERES VIVOS.
TORNOU-SE UM PROBLEMA.
SEM TESES NEM ESTUDOS PROFUNDOS, ALGO ESTÁ NO AR, ACONTECENDO....
JÁ OUVI VÁRIAS VEZES A PERGUNTA:
“O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO?”
TSUNAMI NO OCEANO ÍNDICO, FURACÕES NO CARIBE, TERREMOTOS NA CHINA E NO PAQUISTÃO.
SECA NA AMAZÔNIA. VERDADE?
EM UM DOS MAIORES MANANCIAIS DO PLANETA!!!!
VIOLÊNCIA!
DE TODAS AS FORMAS.
DESDE A VIOLÊNCIA ECONÔMICA ATÉ AS MAIS SIMPLES....
O MUNDO SENTE SEDE.
SEDE QUE EXCEDE O DIREITO A BEBER.
BEBER A FELICIDADE.
BEBER LÁGRIMAS DE ALEGRIA
SEDE QUE CEDE E NÃO REGA.
EU TENHO SEDE NO PAÍS ONDE VIVO.
SEDE DE ANDAR CALMA PELAS RUAS.
VER FAMÍLIAS SE RESPEITANDO.
CASAIS SE AMANDO.
FILHOS QUE SABEM O VALOR DOS PAIS.
VALORES.
TENHO SEDE DE VALORES. HUMANOS: NA ESCOLA, PROFESSOR E ALUNO, EM CASA, NA SOCIEDADE... EDUCAÇÃO!
A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL ALMEJADA PELA HUMANIDADE PASSA SEM DÚVIDA POR UMA MUDANÇA NO PROCESSO EDUCACIONAL.
NESSE REDEMOINHO DE FATOS, CONSTATO DE FATO QUE ESTOU MEIO PERDIDA.
OUTRO JANEIRO CHEGOU.
AINDA OUÇO OS FOGOS.
NEM MANDEI PARA A LAVANDERIA A ROUPA DA FESTA......
AS TAÇAS TILINTAM PARA UM NOVO ANO CHEIO DE ESPERANÇAS.
DE NOVO. E SEMPRE. E TANTO.
NOS ROSTOS DA EXPECTATIVA, A CONSTERNAÇÃO.
PESSOAS DESLIZANDO COMO NUM GRANDE TOBOGÃ.
ESPERANÇA VIRA EX.
AS ÁGUAS NEM SÃO DE MARÇO E FAZEM JANEIROS TRISTES.
PERCEBO UMA ESPÉCIE DE SILÊNCIO.
DOS MORTOS. DOS VIVOS.
DOS QUE DEVERIAM FAZER E NADA FAZEM.
QUE OS QUE FICARAM CONSIGAM SUPERAR, POIS ESQUECER, JAMAIS.
ESTAMOS MAIS TRISTES SIM.
DE QUEM É A CULPA, MESMO?


ANA Maria Miranda LUNA - anammluna@yahoo.com.br

SAUDADES E EMOÇÕES...




Estou na idade da saudade e da emoção. As recordações me trazem fortes emoções, através da musica, da fotografia, dos amigos de infância, da adolescência e da fase adulta, dos lugares maravilhosos, tais como Cuiabá, Rio de Janeiro, Salvador, João Pessoa, dos passeios pelos sítios, praias, pelas dunas do Rio Grande do Norte (Natal) e de Sergipe (Aracaju) pelo Rio Capibaribe (Recife), por Olinda, pelo seu casario e suas tortuosas ruas, o Alto da Sé, onde avistamos o mar na sua exuberância do verde musgo com alguns barquinhos branquinhos navegando silenciosamente, e lá ao fundo o velho Recife, com o seu ancoradouro, tudo isto mexe com a minha sensibilidade.

A idade fornece este estagio que acomete, principalmente, aos idosos, quando começa a refletir sobre a beleza da vida que é nos concedida por Deus.

Hoje, fiquei sensibilizado e emocionado com o grande garanhunense sanfoneiro Dominguinhos, tocando no NE TV da Rede Globo a musica de Luiz Gonzaga,

“Maria Joana prá onde você vai / volte prá casa / não está vendo eu lhe chamar / quando voltar não volte com desespero / passe o pente no cabelo não deixar a trança voar” o que me levou imediatamente para a minha Rua do Caborje em Bom Conselho da minha infância querida.

Lembrei, e fiquei emocionado com as lembranças destas cantorias nas festas de São João e São Pedro “Olhe pró céu meu amor / veja como ele esta lindo / olhe aquele balão / que vai ao céu subindo...“em seguida cantou esta musica que eu não sei se é de sua autoria - Estou de volta pró meu aconchego / trazendo uma mala bastante saudades / Querendo um sorriso sincero / Um abraço para aliviar meu cansaço / é toda essa minha vontade / Que bom estar contigo de novo / Roçando teu corpo e beijando você / Prá mim tu és estrela mais linda / Teus olhos nos prende fascina / A paz que eu gosto de ter / É duro ficar sem você vez em quando / parece que falta um pedaço de mim / Um abraço em logo repensar / Parece que vem mergulhar em felicidade sem fim” que nos revela uma infância vivida em toda intensidade na rua sem calçamento do meu Bom Conselho; dos arredores da Matriz da Sagrada Família, da Praça Pedro II do trevolim, da barca e da pequena roda gigante todos estes brinquedos instalados na Praça Lívio Machado, em frente ao bangalô de Luizinha Correntão e da Prefeitura.

De Garanhuns, que me adotou como filho em 1957, também tenho muitas recordações, principalmente, quando ali estou. Saudades dos natais na Avenida Santo Antonio, moças e rapazes passeando de mãos dadas pelo meio da rua, sorrindo e olhando para os lados principalmente as moças se estavam sendo observada pelos rapazes a maioria escorada nas frentes das lojas, São Jorge, Sempre Viva, Café Gloria, Relojoaria Omega. A calçada com algumas mesas em frente a Padaria e Café Iris, onde as famílias tomavam sentadas o Guaraná Caçula da Antártica e a Coca Cola, exalando o perfume do eucalipto que era espalhada as folhas em toda extensão da avenida. As bancas de jogo, encostadas ao meio fio da Avenida, com o bacará, a roleta e o bozó. Barracas com tiro ao alvo com espingardas de ar comprimido. Barracas de bingos toda iluminada e com os prêmios pendurados por barbante enquanto o locutor chamava as pedras sorteados que iam sendo marcadas na cartela com caroço de feijão ou de milho.

O auto falante instalado ao longo da Avenida Santo Antonio, com musicas da época de ouro do rádio e de vez em quando interrompida pelo locutor que anunciava um chamado e transmitia a mensagem

“Alô, alô. Você morena que está vestida de branco com um laço de fita azul na cabeça, ouça esta melodia que um grande admirador lhe dedica esta musica”

“Quero beijar tuas mãos minha querida / vem pra junto de mim vem, por favor, / és o maior enlevo da minha vida / és o reflorir e a minha flor / sinto nesta ansiedade / que me invade, que me faz sofrer / a luz do divinal querer / eterna gloria de viver / se tu me quiseres tanto quanto que vivo para te adorar/ será um mundo de esplendor / o nosso amor [Veja vídeo abaixo].Terminando a musica, o locutor volta com a sua voz estridente a anunciar um novo chamado

“Alô, Alô, este rapaz que se encontra encostado na parede da Loja S. Moraes, vestido com uma camisa listrada de azul e calça branca, ouça esta linda musica, na voz de Anísio Silva que alguém lhe oferece com todo amor.

Olha nos meus olhos e compreenderás que ainda te quero / com toda ternura que sinto em minha alma, ainda te espero / foste em minha vida a ilusão perdida, a doce mentira / sublime esperança que só por vingança prá longe partira / Onde estais agora, meu coração chora, quero estar contigo / Quero dar-te um beijo, matar o meu desejo, estar perto de ti / Seguir os meus passos contigo em meus braços feliz nesta hora / pelo nosso amor, pela minha dor, onde estais agora?

Assim a noite ia passando com uma alegria contagiante das famílias. Muitos namoros e noivados aconteceram através desta brincadeira do anúncio nas noites natalinas de Garanhuns. O carnaval, outra fonte de saudades e emoções, quando desfilei na Escola de Samba Gigantes do Samba, em 1960 comandada pelo Celino cujos ensaios se davam na sua residência no bairro de Brasília. O desfile, pelas ruas e avenidas de Garanhuns. Os bailes e as matines no Sport Clube de Garanhuns, no Sete de Setembro, na Rua do Recife e na Associação Garanhuense de Atletismo - AGA na Avenida Rui Barbosa, quando às cinco horas da manhã saímos cantando

“É de fazer chorar / quando o dia amanhece / que eu vejo frevo acabar / Ó quarta feira ingrata / chegou tão depressa / só prá contrariar / Quem é de fato / bom pernambucano / espera um ano / e se mete na brincadeira / esquece tudo quando cai no frevo / e no melhor da festa / chega a quarta feira.

Parávamos em uma padaria e comprava pão doce saímos a comer pela rua até chegar a casa, para dormir até o meio dia.

Ainda guardo com carinho a foto que tiramos na escadaria da Prefeitura da Escola Gigante do Samba. Olhando esta fotografia, nestes últimos dias, vi que muitos já não estão entre nós.

No Recife, a saudade não tem limite. Os bairros, as ruas e avenidas, as praças, os bares tudo enfim são recordações que não tem fim. As recordações quando visitamos alguns lugares que foram nossa fonte de trabalho e brincadeiras já não existem mais, foram substituídas por outros edifícios, modificando assim o panorama vivido. Os amigos e os lugares de encontro já não existem mais, e muitos destes amigos já partiram para a eternidade.

Vou ficando aqui com as minhas saudades e recordações, pois, sou sentimental demais, como a musica de Altemar Dutra que muitas das vezes ouvi cantar e na mesa de bar de Zé Pequeno, em Olinda

Por hoje, basta!


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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Um presente do Blog da CIT aos leitores do Zetinho:

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Presidente Lula e outros assuntos




Até o momento que escrevo, a Priscilla Quirino, graças a Deus, chegou à conclusão que houve um erro na condução do Encontro de Papacaceiros este ano, por parte de sua família. Espero que no próximo ano, no 12º Encontro de Papacaceiros, o Zé Quirino se apresente para participar dos festejos, sem o egoísmo que o caracterizou este ano. Pela sua experiência, ele será útil. Já a Priscilla, uma bonita e mimada menina, que deveria pensar um pouco antes de sair dizendo o que não deve, não fará falta.

Hoje eu estou deixando Bom Conselho de lado, não por muito tempo, para comentar um vídeo que vi no Blog do Coronel, e que reproduzo abaixo, junto com a “coturnada” dada por quem escreve a postagem.

Ela é insuportavelmente chapa-branca e baba-ovo. É uma das maiores tragédias jornalísticas do Brasil. O vídeo abaixo (espero que não tirem do ar) é uma "pérola" e deveria ser usado como modelo de não jornalismo nas melhores faculdades do Brasil. Com vocês, ela, com total síndrome de abstinência de Lula, Cristiana Lôbo, da Globo News. Ao final do seu comentário comete um ato falho e solta um " a presidente Lula". Imperdível.”



Não vou me aventurar aqui em discutir o que é e o que não é jornalismo. Para minha pouca compreensão, um jornalista é alguém que aprende a ver o mundo e descrevê-lo sem muitas firulas. Quanto menos firulas melhor. Eu adoro firulas e sempre seria uma péssima jornalista se tentasse. A moça acima, a do vídeo, a Cristiana Lobo, merece a “coturnada” do Coronel. Nunca vi uma apologia tão grande a algo como aquela exposta, em forma de notícia, como seu depoimento sobre as diferenças entre Dilma e Lula. A coisa é tão artificial, para não dizer superficial, ao ponto de dizer a frase mais representativa deste governo: “a presidente Lula”. Só faltou mesmo dizer “a presidenta Lula”.

Contam que eles já tiveram um encontro furtivo para trocarem gentilezas e cortesias. Que nada! A Lula, digo o Dilma, digo a Dilma foi pedir a benção ao padrinho, e ambos em crise de abstinência, ela do Lula e ele do poder, devem ter tido o seguinte diálogo:

- Lula, meu amigo de fé, meu irmão, camarada! Me colocastes numa fria danada e agora já entrei na molhada do Rio de Janeiro. Imagine, eu estava dando os retoques nos meus cabelos, para ir a outra reunião ministerial (agora eu sei porque tirastes o Pallocci), quando vem o “saca-trapo” (aquele que tu gostavas de dar esporro logo de manhã) e me disse a respeito do Rio de Janeiro. Fiquei fula da vida, pois disseram que as mortes já tinha chegado a 500 e subindo. Tive que ir lá, meu amigo e pisar na lama. Que fedor!

- Dilminha, você foi porque quis. Eu não fui no ano passado e minha popularidade subiu. Este povo, Dilma, gosta é de discurso e metáforas de futebol. Bastaria você comparar a tragédia do Rio, com aquela que houve 60 anos atrás quando o Brasil perdeu a copa para o Uruguai, no Maracanã. Garanto com os vitimados ainda achariam que ficaram no lucro. Você está muito calada e não fez como eu lhe disse: Veja futebol, aprenda as regras e acompanhe o campeonato brasileiro. Torça pelo Coríntians e pelo Náutico, e não tem erro, é 87% na cabeça.

- Mas Lula, não é só a tragédia do Rio de Janeiro. Tem a tragédia no ministério. O Michel Temer disse que se eu não nomear mais ministros do PMDB, toda vez que eu aparecer em público, ele coloca a Marcela perto de mim. Tu já pensastes na humilhação!?

- É companheira, a Marisa também não gostou. Mas, não tem jeito, não tem botox no mundo que possa competir com a Marcela. O que é que o Temer tem que não eu não tenho?

- Eu também pergunto, o que é que a Marcela tem que eu não tenho?

- Menos companheira Dilma. Se você não sabe, está precisando é de um espelho ou de uma bengala. Mas, o que você quer, além destas cortesias?

- Nada Lula, eram só cortesias mesmo, como a Cristiana Lobo vai falar amanhã, na Globo News.

Isto é que é jornalismo. O fato e nada mais. Tão imparcial quanto o Blog Gustavo Pereira, de Bom Conselho (não disse que era por pouco tempo?), que "mata o boi e manda tirar o couro", ao invés de "matar a cobra e mostrar o pau". Meu Deus, eu que nunca tive coragem nem de matar uma galinha, quando vi aquelas fotos dos bois sendo descascados, fiquei enjoada mesmo. Nobre prefeita, mande fazer um matadouro em Lagoa de São José. Não pelos protestos dos vereadores, mas para evitar que eles usem aquelas fotos outra vez. Argh!!!

Estou quase terminando o curso. Voltarei em breve para o meu neto e outros parentes. E, se a providência divina me permitir, estarei lá em Bom Conselho pelo Carnaval, para organizar melhor a Papacagay. Quem não participou do 11º Encontro de Papacaceiros, pode ir a Bom Conselho, pois a Papacagay sairá. Eu espero e peço a Quirino: não marque sua festa para o Carnaval, e se o fizer, inclua os meus amigos GLS, como eles foram incluídos no Encontro que passou. Já mandaram me dizer que foi a glória!


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Economia Mundial e a Economia Brasileira.





Armínio Fraga Neto é um economista brasileiro. Foi presidente do Banco Central do Brasil de 1 de março de 1999 a 17 de janeiro de 2003 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Sofreu as crises daquele período, economicamente, tumultuado do seu segundo período, tendo uma larga experiência, quando se trata dos fenômenos monetários de uma economia.

Os Bancos Centrais modernos, nada mais são, em última instância, do que os guardiões das moedas de cada país. Os processos de valorização e desvalorização de nossa moeda são o seu tema de trabalho. O Brasil, de minha geração, conheceu muitas moedas. Real, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, até chegar ao real, no governo de FHC, e aqueles que nasceram ou começaram a entender do mundo mais recentemente, passaram a ter uma moeda que é digna de se poupar no cofrinho em forma de porco.

A experiência do Armínio Fraga se ampliou com sua passagem para a iniciativa privada, e sempre é uma referência quando são abordados os fenômenos macroeconômicos no Brasil. O vídeo que apresentamos a seguir é uma entrevista dele à jornalista econômica Miriam Leitão, na Globo News, e que primeiro foi postado em seu Blog onde ela abre a entrevista dizendo:

“O Brasil está crescendo, mas a indústria reclama. O dólar está baixo, mas o país bate recorde de exportação. A economia teve o maior crescimento em 25 anos, mas o governo terminou o ano com déficit público e queda do superávit primário. A conjuntura econômica não está nada fácil de entender.”

E toda ela gira em torno da situação atual e das perspectivas para a economia brasileira e mundial.

Não é um tema para os muito leigos. Eu me julgo um pouco leigo e gostei da entrevista, apesar de não entender todas as suas nuances. Como aqui, neste blog já se falou até da existência ou não de Deus, o que é um assunto mais complicado, e teve leitores, por que não publicar uma entrevista como esta?

Queremos agradecer a Lucinha Peixoto, que tem o privilégio de mandar filmes para o YouTube com mais de 10 minutos. O filme a seguir tem mais de 20 minutos, mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Divirtam-se se puderem.








P.S.: Por um problema técnico, o texto acima não foi publicado, ontem (17.01.2011). Já hoje, obviamente, li que o Banco Central deve aumentar as taxas de juros. Se isto não ocorrer, podem crer, é porque a autonomia deste banco foi para o "brejo". Seria uma pena, pois começaríamos a perder uma das grandes coisas que o Plano Real nos deixou: Nossa moeda.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"Passione 3" - O Fiasco.




Esta é a terceira vez que escrevo sobre a novela global Passione. Então, os novelafóbicos não continuem a leitura. Se as vidas de Saulo, da Mirna, do Totó, do Fred, da Clara, nada representam para vocês, por favor sigam seus rumos, lendo outras postagens ou outros blogs. Prometi e estou cumprindo minha promessa de fazer, ao seu fim, uma análise profunda desta trama, usando meus conhecimentos de Psicologia, obtidos da mesma forma que o apedeuta-mor obteve os seus para governar um país como este. Ambos temos nossas limitações reconhecidas, mas, não é por não ter tido um acesso a um diploma de nível superior, que devemos ficar inutilizados.

Minha teoria fundamental sobre esta novela é que o autor, procurou fazer um paralelo entre os personagens e a história contemporânea do Brasil. Basta um pouco de observação e um pouco de imaginação para ver que o personagem da Clara foi inspirado nas chamadas esquerdas brasileiras, mas com um viés petista. Vejam sua trajetória. Quando criança era uma menina simples e boa, sendo usada pela avó para, através de favores sexuais, obter lucros financeiros. Aqui é apenas uma hipótese, mas tenho certeza que a avó, não foi inspirada em Chapeuzinho Vermelho, mas no moderno sindicalismo brasileiro. Basta trocar o termo “sexuais” por “eleitorais”, e a semelhança torna-se realidades.

A Clara, depois do primeiro encontro com o “tio”, parece ter gostado da atividade, igualzinho ao que aconteceu com o PT, no governo. A Clara começou a querer cada vez mais, e o PT também. Aquela menina pura e inocente, que criticava tanto as outras, quando em atividade, se tornava uma pessoa totalmente diferente, igualzinho ao PT. Até quando ela encontrou um “pato” para resolver todos os seus problemas e satisfazer todos os seus desejos, a esta altura, mesquinhos e egoístas, era o Totó.

Senhores e senhoras, o Totó é a representação pura e fiel do povo brasileiro. Vivia esperando alguém que realizasse os seus sonhos de felicidade, e a Clara lhe prometeu isto. Por um bom tempo ele ficou alegre e feliz acreditando no seu amor e em suas histórias. Mesmo que a Clara houvesse cometido alguns deslizes que o deixou desconfiado, ele continuou acreditando. Isto durou alguns meses para o Totó e alguns anos para o povo brasileiro com o PT.

Até chegar uma crise, e as eleições, tudo ia bem, então o Totó descobriu que a Clara não era muita católica. E tentou romper com ela. Igual ao povo brasileiro com o PT e Dilma. Entretanto, a astúcia e habilidade de Clara fez o Totó cair outra vez na enganação dela. A Clara fingindo-se de boazinha mata o Totó. Na vida real o PT tentar matar o povo brasileiro com o Bolsa Família, mas igual na novela, o povo fingiu acreditar na Clara e Dilma venceu as eleições, e o povo brasileiro ficou a mercê de Clara outra vez.

O restante do roteiro é apenas uma previsão do que acontecerá. Aí está o fiasco. Depois de cometer todas as atrocidades contra o Totó, e pasmem, matar o Saulo, a Clara, depois que descobriu que Totó estava vivo, vai para a cadeia e será punida pela vergonha da esmola que não matou o cidadão, Totó, ou o povo brasileiro, o Bolsa Família. Entretanto, termina seus dias em Porto de Galinhas, tomando conta de um pernambucano, e curtindo as mordomias do nosso Sol, fingindo está no Caribe.

Todos sabemos que a Clara está com os dias contados, mesmo sendo eleita presidenta do Brasil. O Totó dará o troco em 2014. Ou seja, aproveitando o escrito na A GAZETA 269, pelo Cícero Ranzi, que é Ranzi mas pode haver ranço (sem ser ranzinza), o povo brasileiro mostrará que tem votos de valor, e não votos com valor.

Ainda teria muitos dados para comprovar minha tese chave. O Sílvio de Abreu escreveu sobre política, mas é um neófito neste campo. Se alguém tem algo contra esta análise, veja daqui alguns anos o Vale a Pena Ver de Novo, e me contradiga, e se souber quem é o pernambucano de quem a Clara está cuidando, bota a boca no mundo. Teria ele um "Insensato Coração"? Veremos a partir de amanhã.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Arte na foto de Jameson Pinheiro.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Boneca da Dilma




Já apareceu a boneca da Dilma. Eu a achei mais bonitinha do que a original. Havia também um boneco do Lula, e de todas as outras pessoas famosas, sejam políticas ou não. Dizem que o mais difícil de fazer foi o boneco do finado Michel Jackson, pois todo dia ele mudava de cor.

A Dilma, além de já ter sua própria boneca, já tem sua foto oficial. Como Lucinha está sob fogo cerrado por ter defendido a publicação de um conto do Rubem Fonseca, eu devo avisar aos servidores públicos, em cujas repartições deverá haver um retrato da presidenta, que moderem sua linguagem. O Andarilho anda à espreita. Qualquer deslize e ele baixa outra vez. Ainda bem, que nem toda cidade, como Caetés, terra do Zezinho, por exemplo, não tenham nenhum ectoplasma errante a dar pitaco sobre sua terra.

Os que dão pitaco nos blogs de lá são pessoas mais do que conhecidas de todos como o Rafael Brasil, que produz postagem que merecem repercurssão. A ele peço permissão para transcrever um trecho de uma sua postagem que vi hoje:

“Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Hollanda, em suas obras, Sobrados e Mucambos e Raízes do Brasil, respectivamente, destacam o caótico processo de urbanização brasileira. Ruas e casas construídas anarquicamente, ruas estreitas, sem algum planejamento, esgotos e porcarias mil, nos rios, córregos e nas ruas. No século XIX, dizia-se que o Rio de Janeiro era bonito de longe. De perto era de uma fedentina só. Cadáveres de negros insepultos nas praias, e os penicos cheios de excrementos, devidamente jogados nas ruas. Daí as constantes doenças e epidemias que assolavam constantemente a então capital do Brasil.. Imagine nas outras cidades. Sérgio Buarque destaca o caráter imediatista da colonização portuguesa, aonde o planejamento simplesmente não existia, ao contrário do império espanhol na América Latina aonde cidades inteiras eram planejadas, inclusive para companhar as características do clima europeu. Cientes de estarem expandindo um processo civilizatório em caráter permanente, os espanhóis se preocupavam mais na administração criando também universidades. Coisa que os portugueses nem de longe pensavam. Ademais, os portugueses eram acusados de fazerem uma colonização denominada sarcasticamente de”caranguejo”, pois praticamente só colonizaram o litoral. A interiorização do Brasil foi obra e graça dos próprios brasileiros pobres, escravizadores de índios, como os paulistas.

URBANIZAÇÃO CAÓTICA

Com o processo de urbanização, sobretudo na segunda metade do século XX, com o processo de industrialização alavacada por Vargas, e expandida nos anos subsequentes, sobretudo na ditadura militar, rapidamente o país passa a ser urbano. Hoje mais de 85% dos brasileiros vivem em cidades, inclusive as pequenas. Neste sentido, não só Caetés cresceu, mas quase todas as cidades pequenas deste imenso país, principalmente depois dos programas sociais do governo. Até Neves, distrito de Jucati cresceu a olhos vistos. A vila do Araçá, e de Ponto Alegre em Caetés, também, incluindo as vilas do Tará e Santo Antônio do Tará no município de Venturosa. Aqui em Caetés dizem que foi Zé da Luz quem promoveu o crescimento. Parece piada, não?”

O título da postagem é “Sem Planejamento” (veja aqui o texto completo), e é um retrato do Brasil, e o Rio de Janeiro é apenas um exemplo maior, do que se passa em nosso país. Mas, não se restringe ao litoral. Em todo país, onde há um morro, onde há um mangue, onde há um igarapé, onde há uma beira de rio, em nossas cidades tem gente morando e pronta para morrer a qualquer instante. E a cada dia o perigo se torna maior, pelos inúmeros alertas da ciência para as mudanças climáticas.

No passado animais e homens já foram vítimas de catástrofes naturais e algumas espécies desapareceram de repente da face da terra. Politicamente, nos preparamos, durante a guerra fria para catástrofes provocadas por um possível embate nuclear, que seria artificial, e nunca houve, pelo menos, numa escala planetária. Para as catástrofes naturais estamos apenas tateando o terreno. E aqui no Brasil, da forma com se deu a urbanização, aceleradíssima no século passado, e agora voltando-se para as cidades menores, tanto pelo fluxo daquelas pessoas que não aguentam mais as cidades grandes, com daquelas que saem do campo, tangidas pelas benesses da aposentadoria e dos programas sociais, o problema tem que ser enfrentado.

Segundo dizem os especialistas na área, o custo de prevenir é muito maior do que o de remediar, quando veem as catástrofes. E agora, vamos descer do Brasil para nossa terra, Bom Conselho, a qual visitei a pouco, e infelizmente não pude ir para Encontro de Papacaceiros, que, este ano, até agora não sabemos se está havendo ou não, ou se está bom ou não.

Quando me refiro a nossa cidade, lembro do estouro do Açude da Nação, que dá razão aos especialistas, pois se houvesse havido a necessária prevenção, não estaríamos esperando tanto tempo para termos nosso açude de volta. Neste, caso a catástrofe passou, mas, em caso de catástrofe, sempre devemos ser pessimistas: elas sempre voltam. Agora eu elevo minha vista para um problema que ainda não aconteceu, e não vou dizer aqui que, Deus queira que não aconteça, pois não devemos deixar todos os problemas para Ele. Olho para a Serra de Santa Terezinha e o seu padrão de ocupação, morro acima. Não sei se há determinação do poder público de evitar o pior no futuro. É o que me chama a atenção no texto do Rafael Brasil, citado acima, quando fala da inexistência de planejamento.

Eu não sei se existe um Plano Diretor para o uso do solo da cidade, ou, se existe o que ele determina para aquela área. Entretanto, se caírem chuvas torrenciais, num solo onde antes tínhamos árvores e mata e agora temos calçamentos e casas, as conseqüências podem ser muito diferentes. Depois nossas autoridades não venha dizer que a culpa é dos céus. Atualmente, os céus não tem mais nem culpa pelas chuvas, pois foi a intervenção humana que vem modificando o clima neste planeta, inclusive o de Bom Conselho.

Penso que todo povo deve ter suas crenças, mas confiar demais nelas, nem os santos perdoam. Se nosso setor público faz descaso destas possibilidades de tragédia, só nos resta dizer: “Valei-nos Santa Terezinha!” E a Santa, provavelmente, nos responderá: “Isto é um problema para a Boneca da Dilma”.


Diretor Presidente
– diretorpresidente@citltda.com

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Em casa que não tem pão...




Eu nunca vi uma situação para ser descrita com tanta propriedade pelo provérbio: “Em casa que não tem pão, todas reclamam e ninguém tem razão”. É o que eu senti com as notícias vindas do Rio de Janeiro, da tragédia que se abateu sobre as chamadas cidades serranas.

Eu poderia até dizer, se fosse um cínico, a la Diógenes, que a procura cada vez maior de bens supérfluos, pode trazer a infelicidade. Mas, não sou um cínico. Sei que uma grande parte das pessoas sobem os morros tanto das favelas quanto dos condomínios e granjas das serras do Rio, por falta de orientação do poder público.

Ora, dirão os defensores dos crentes em milagres e tragédias naturais: “Choveu demais!” Isto é apenas uma meia verdade para o que ocorreu. Eu diria, talvez até concordando com a presidenta Dilma Roussef, que saiu do seu retiro voluntário em Brasília para a lama do Rio: “Choveu e enrolaram muito!” .

O Brasil está se formando espacialmente há 500 anos, com a atuação cada vez maior do homem neste espaço. Como caranguejos invadimos o litoral e subimos os morros. O Rio é um dos grandes exemplos deste tipo de ocupação e ao mesmo tempo o exemplo da “enrolação” dos governantes em relação ao fenômeno. Já foi capital do Brasil, sua topografia faz sua capital a Cidade Maravilhosa, e grande parte do seu povo, os mais ricos pelo menos, não tendo mais para onde subir, foram subir em outras cidades, na serra. Quem não tinha uma casa na serra não havia sido aquinhoado pelas benesses da fortuna.

Assim como a dengue, mais uma vez se comprova que esta é uma tragédia democrática. Tanto ricos como pobres estão expostos da mesma forma. A diferença é a mesma em ambas as doenças, o pobre sofre mais do que o rico, quando se tenta remediar.

Mas, quando se trata de tragédias a conta é tão grande para pagar que descobrimos que não temos pão suficiente para todos. O discurso do Brasil Potência se esvai rapidamente quando se tenta superar as consequências destas tragédias. E ainda mais, o pouco de pão que temos, representado para verbas voltadas às catástrofes, não foi toda aplicada, ou a aplicamos mal, beneficiando os apaniguados de sempre.

Agora não adianta chorar sobre a água derramada em forma de lágrimas do povo fluminense, que ontem foram do povo do Sul, do Norte do Nordeste e do Centro-Oeste, e ainda serão um dia. Talvez Brasília esteja precisando de um pouco de chuva para acordar nosso governantes sobre nossa falta de pão, ao invés de prometerem brioches para todos.


Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Delírios Petistas




Ontem recebi um e-mail do meu contendor José Fernandes Costa, não para continuar a defender a Revolução de Caetés, mas para mostrar um artigo de um senhor chamado Rui Martins, que se encontra gozando das delícias da civilização européia. O nome do artigo é: “Já é um começo de golpe”. Não sei se o professor é contra ou a favor das ideias nele emitidas. Penso ser a favor, pois quem cala consente.

Ao contrário de outras vezes nas quais cito todo o texto, este do Rui Martins é tão delirante, que merece que eu faça um pastoril com ele, afinal de conta estamos ainda próximo do Natal que passou, e as lapinhas foram queimadas há poucos dias. Então no texto abaixo, onde há azul fui eu quem escreveu e onde há vermelho foi ele. A Diana ficou de fora.

Se você faz parte dos 87% que apoiavam o governo Lula, fique alerta – no mais escondido covil de serpentes e escorpiões trama-se um golpe institucional contra o governo de Dilma, mesmo se esse governo começou com 62% de aprovação popular.

Golpe institucional? O que vem a ser isto? Uma tungada de força no estado de direito em prol de um grupo que não está no governo? Quem? Quando? Como? A falida e amedrontada oposição partidária? Zé Serra, Marina, Plínio ou Eimaiel? Os governadores? Quais? O de Minas, São Paulo ou do Rio Grande do Norte?

Desta vez, ao contrário do golpe de 1964 não se trama nos quartéis com o apoio declarado dos Estados Unidos. A trama é bem mais sutil – não se acena com a paranóia do perigo vermelho, mas com base em pretensos arrazoados jurídicos se quer desmoralizar e desautorizar o ex-presidente Lula e se colocar no ridículo a presidenta Dilma, que será destituída do poder de decisão.

Pela primeira vez na história deste país um golpe será feito a base de arrazoados jurídicos, com a sutileza que os militares em 64 não tiveram, e sem ajuda americana. A Dilma Roussef não será destituída do cargo, mas do seu poder de decisão. Mas isto todos nós já sabíamos. O poder de decisão seria do Lula e do Zé Dirceu e do PT, e não da Dilma. Prá que dar golpe com este objetivo, e já estava nas regras do jogo?

O golpe não parece financiado só por dólares americanos, como no passado, mas igualmente por euros vindos da Itália. Aparentemente trata-se da extradição ou não extradição de um antigo militante italiano, Cesare Battisti, condenado num processo italiano fajuto à prisão perpétua, mas a verdade submersa do iceberg é bem outra.
Quem leu as revelações do Wikileaks quanto as opiniões dos EUA sobre Lula, considerado suspeito, e Celso Amorim, considerado antiamericano, e que acompanhou a campanha contra a eleição de Dilma, sabe muito bem haver interesses de grupos internacionais em provocar uma crise institucional no Brasil.

Isto é a Teoria de Conspiração levada aos píncaros da glória. Chega a ser paranóia. Saem os dólares entram os euros, e a Democracia Italiana, e sua justiça são fajutas, por terem condenado um assassino a prisão perpétuo, enquanto aqui no Brasil nós inventamos a Bolsa Guerrilha, que já beneficiou centenas de esquerdistas neste Brasil a fora. O caso Cesare Battisti é apenas uma das besteiras feitas pelo meu conterrâneo Lula, ao apagar da luzes do seu governo. Sofreremos as conseqüências disto, mas dizer que isto nos levará a um golpe, quem o diz deveria ser tratado como um problema psiquiátrico e não como jornalista.

Será também a maneira de grupos econômicos estrangeiros impedirem a atual emergência do país como potência mundial. A Itália neofascista de Berlusconi com seu desejo de recuperar um antigo militante esquerdista é apenas uma providencial pretexto para os grupos políticos e econômicos internacionais incomodados com o Brasil líder do G-20 e vitorioso contra os EUA na OMC.

Delírios, delírios e delírios. O Brasil como uma potência mundial. Ah! como me ufano do meu país. E por que me ufano do meu país? Líder do G-20 e vitorioso contra os EUA na OMC. O Lula não se levantou para cumprimentar o George Bush, presidente americano. Foi chamado de o “cara” pelo presidente Obama. Vai sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo etc. etc. Quanta bobagem junta. Tantas que preocupam a comunidade internacional, levando a comprar até o Supremo Tribunal Federal e outras instituições que se comprometem a golpear o governo Dilma. Mesmo o Conde Affonso Celso que escreveu a maior patriotada amorosa brasileira disse: “Mas cumpre igualmente que não seja um amor irrefletido e cego, e sim raciocinado, robustecido pela observação, assente em sólidas e convincentes razões.” (Affonso Celso – Porque me Ufano do Meu País).

O que se quer agora, com o caso Battisti, é subverter as instituições brasileiras, mergulhar-se o país numa confusão entre o poder do Executivo e o poder do Judiciário, anular-se uma decisão do ex-presidente Lula para se abrir o caminho a que governança do Brasil seja sujeita à aprovação do STF. Para isso conta-se, como em 1964, com os vendilhões da nossa soberania e com os golpistas da grande imprensa.

Se o caso Battisti, foi o maior fiasco de fim de festa do governo de Lula, agora sua revogação seria um ato de subversão. Agora estamos ameaçados de golpe pela instituição máxima em relação à lei deste país. Se o Supremo Tribunal revogar sua própria decisão de delegar ao Lula poderes para extraditar ou não o criminoso italiano, talvez seja um tribunal esquizofrênico, mais ainda estaria cumprindo suas tarefas. Embora eu pense que STF é doente pela nomeação e aprovação de seus ministros serem de responsabilidade do presidente da república. Quando o presidente é doente. Em minha opinião, o STF é uma instituição tão importante para o Estado de Direito, que deveria ter seus membros também escolhidos pelo escrutínio popular. Talvez não estivéssemos sofrendo agora a vergonha de nos tornarmos o lugar mais seguro para escapar da leis de outros países. Desde ladrão de trens pagadores a carrascos nazistas, passando por criminosos comuns, manteremos nossas tradições históricas de servimos de cadeias para marginais e degredados.

Simples e prático, para se evitar que a presidente Dilma governe, vai se tentar lhe por um cabresto e toda decisão sua que desagrade grupos internacionais deverá ser anulada pelo STF. Por exemplo, a questão da exploração petrolífera do pré-sal poderá ser uma das próximas ações confiadas ao STF.

Será que o Rui Martins está falando do “bilhete premiado” da Dilma? O pré-sal, a ilusão do século. Ah! Se isto fosse verdade?! Hoje já se briga pelo dinheiro do pré-sal, fazendo dívidas que podem não serem pagas, porque o bilhete pode ser falso. Não há garantia nenhuma que seja economicamente viável a exploração das reservas do petróleo, àquela profundidade. Lidamos com uma loteria de para onde vai este planeta daqui a 20 anos.

Se Dilma quiser renacionalizar as comunicações, já que a telefonia é questão estratégica, o STF poderá dizer Não e também optar pela privatização da Petrobras. Delírio? Não, os neoliberais inimigos de Lula e da política nacionalista, derrotados nas eleições, poderão subrepticiamente retirar, pouco a pouco, os poderes da presidenta e do Legislativo, para que fique apenas com o STF o governo ou o desgoverno do Brasil.

Aqui o Rui chega ao ápice da loucura ou ao fundo do poço da sensatez. O Brasil governado pelo STF. Já tivemos os militares várias vezes, ditadores civis, juntas civis e militares, sindicalistas e agora teremos o STF. A que chega a falta de ideias e o excesso de letras. Embora, pensando por outro ângulo, renacionalizar as comunicações seria uma coisa ótima para os rábulas como o Tarso Genro, pois ele poderia manter Battisti no Brasil e não haveria nenhum blogueiro independente para dar a notícia, e o telefone voltaria a ser um bem de luxo.

O próprio advogado de Cesare Battisti, acostumado com leis e recursos, nunca viu uma decisão presidencial ser posta em dúvida por um ministro do STF, e por isso falou em « golpe » tal como havíamos alertado.

Desde que a decisão não seja um crime que só prejudica nosso país em suas necessárias relações com outros países. No Brasil mesmo o impeachment é passível de recorrer ao supremo, se o processo contiver falhas graves, mas com a maioria parlamentar alardeada pela presidenta, e seria impossível. Então, quem está pregando o golpe é o senhor Rui, pois parece está pedindo o fechamento do STF. Nem Chaves conseguiu tanto.

Por sua vez, o atual governador do Rio Grande do Sul, que aceitou o pedido de refúgio de Battisti quando ministro da Justiça, não aguentou a decisão do ministro Cezar Peluso do STF de colocar em, questão a validade da decisão do presidente Lula e declarou como « ilegal » e « ditatorial » o ato do ministro Peluso, do qual decorre um « prejuízo institucional grave » para o país e um « abalo à soberania nacional ».

Aqui, de tanta besteira junta, eu pulo para o próximo parágrafo.

Faz dois anos, Tarso Genro concedeu refúgio a Battisti, que deveria estar em liberdade desde essa época. Mas o ato liberatório foi sustado pelo ministro Gilmar Mendes, que submeteu a questão ao STF, o que já consistia um ato arbitrario. Embora os ministros tenham decidido por 5 a 4 pela extradição, competia ao presidente a decisão final, o que foi reconhecido, depois de uma tentativa de reabertura do julgamento.

Então o supremo que quer dar o golpe, ao invés de decidir, coloca a decisão nas mãos do presidente, o homem está doido mesmo.

O presidente Lula justificando seu ato, dentro do permitido pelo Tratado mútuo de Extradição entre Brasil e Itália, com base num documento da Advocacía Geral da União, negou a extradição e a própria Itália entendeu o ato como definitivo. Ora, a decisão do ministro Cezar Peluso de pôr em dúvida a decisão do presidente Lula e reabrir a questão vai além de sua competência e fere uma decisão soberana.

Diante da calamitosa decisão do presidente, de no finzinho do seu governo (talvez tenha sido durante a festa do final de ano, prá ninguém ver), de não extraditar o assassino italiano, o STF recobrou a lucidez, depois de alguns “tarjas pretas”, e , para o bem do Brasil, pode rever sua decisão. Quem sabe neste momento os ministros tenha pena deste pobre país, que nasceu com degredados e isto tem que acabar.

É tentativa ou já é golpe, no entender do advogado Luiz Roberto Barroso, é ilegal e ditatorial segundo o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, opiniões que vão no mesmo sentido de Dalmo Dallari e de outros juristas.

Uma decisão do STF, o poder que julga se a lei é legal, por ver se ela se coaduna com a lei maior que é a Constituição, só na cabeça de golpistas, que se sentem mal num Estado de Direito Democrático. Um país, cujo presidente passar por cima de decisões do STF é que é golpista.

O que iremos viver, quando o ministro Gilmar Mendes se dignar a colocar na agenda do STF o « julgamento da decisão do presidente Lula », se a maioria, por um voto que seja, decidir anular a decisão de Lula ? Será que a presidenta Dilma aceitará essa intromissão do STF no poder do Executivo ? Em todo caso, será o caos.

Se a Dilma cumprir o que prometeu em sua campanha, discurso de posse e na formação do seu governo até agora, o que ocorrerá simplesmente é o envia de um assassino para a prisão. E os eu comportamento até hoje, é como se dissesse, esqueçam o que eu fiz, ditadura não presta, e democracia é melhor.

É hora de reagir, antes que seja tarde demais.

Nisto eu concordo com o Rui. Não contra o que ele quer reagir, mas reagir no sentido de desmistificar este discurso de PILA extremado, quando o Brasil precisa é de manter sua democracia funcionando, para o bem do seu povo.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com