quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A BATALHA DO APOCALIPSE




Como não sou grande apreciador dos livros ficcionais, raramente procuro esse tipo de literatura volitivamente. As poucas leituras que fiz de narrativas épicas podem ser contadas nos dedos da mão. E, por coincidência, todos os que eu li, nos últimos anos, foi sapeando o que filho(as) ou neto estavam lendo. A BATALHA DO APOCALIPSE, de Eduardo Spohr, não fugiu a essa regra.

Para iniciar a leitura do referido livro tive, inicialmente, que vencer o preconceito sobre histórias baseadas na mitologia judaico-cristã. E posteriormente, pensando nos conselhos que a Lucinha Peixoto tem me dado, com o objetivo de me afastar “um pouco do fogo do inferno” é que resolvi ir em frente (na leitura do livro).

Procurando ser coerente com minha filosofia de viver sempre no aqui e no agora, em tudo que faço, não perco nenhuma oportunidade seja: assistindo um filme ou novela, jogando tênis, conversando com os amigos ou lendo um livro, procuro extrair algo útil para o meu viver ou para ampliar minhas compreensões. Assim, na leitura desse livro, mesmo com preconceitos em relação à mitologia judaico-cristã (como muito sabem, sou um não religioso), procurei nas entrelinhas dessa ficção encontrar algo que pudesse ser somado aos meus conceitos metafísicos. Em duas passagens o Arcanjo Gabriel manifesta algo, que em essência foi somado as minhas compreensões sobre Deus.

“... Deus nunca esteve tão vivo. Por bilhões de anos, o Senhor moldou o universo, e um dia seu trabalho acabou. Orgulhoso por sua obra, o Altíssimo desejou a onipresença. Queria estar em todos os lugares, ver todas as coisas e provar as belezas do mundo... Cansado de admirar sua cria, Yahweh queria tocá-la, viver entre ela, amá-la. Assim, dispersou seu espírito, e dessa energia divina nasceu a alma humana, abençoada com o livre-arbítrio e agraciada pela seiva do amor. Com isso, a energia do Criador prosperou, sobreviveu e se multiplicou sobre a superfície da terra. Pois saiba, ó valoroso guerreiro, que em cada coração mor­tal bate a potência do Pai, e essa graça é infinita, indestrutível e imortal...”

“... Não é fácil admitir que estamos sozinhos, que nosso sucesso depende ape­nas de nossos próprios esforços e de ninguém mais. Entenda agora, general, a obviedade do paraíso. O poder de Deus reside no amor incondicional. Quando amamos verdadeiramente, alcançamos o divino... É na ternura que reside o espírito de Deus, e por meio dela o acessamos...”

Esta escrevinhação não tem por objetivo sumariar, nem mesmo comentar a narrativa do jovem ficcionista brasileiro, Eduardo Sphor, até porque me sinto incompetente para tal. Quero considerá-la, apenas um simples convite de leitura. E, antes que alguém se sinta ofendido em suas crenças, quando da leitura do livro ora apresentado, é que antecipo o prelúdio da narrativa para aqueles que possam entender como “nociva” a leitura desse livro.

PRELÚDIO:

“O Manuscrito Sagrado dos Malakins

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Armados com espadas místicas e coragem divina, Querubins leais a Jeová travaram uma sangrenta batalha contra o arcanjo São Miguel e os anjos que o seguiam. Deus, o Senhor Supremo de Todas as Coisas, continuava imerso no profundo sono que caíra após ter concluído o trabalho da Criação – o descanso do Sétimo Dia. Enquanto Ele permanecia ausente, os arcanjos ditavam as ordens, impondo seus desígnios no Céu e na Terra. Sentados no topo de seus tronos de luz, cada um deles almejava alcançar a divindade.

Concentrando todo o poder debaixo de suas asas, os poderosos arcanjos, onipotentes e intocáveis, utilizavam a Palavra de Deus para fazer jus à sua própria vontade. Revoltados com o amor do Criador para com os seres humanos, e movidos por um ciúme intenso, decidiram ir contra as leis do Altíssimo e destruir todo homem que caminhava sobre a Terra, acabando assim com parte da Criação do Divino. Impulsionado por essa fúria, Miguel, o Príncipe dos Anjos, enviou à Haled diversas calamidades mas, como insetos persistentes, os mortais resistiram. Os tiranos alados desejavam um regresso à aurora dos tempos, quando só os animais povoavam o mundo. Eles nunca aceitariam venerar uma criatura feita do barro, uma vez que tinham sido gerados a partir do próprio esplendor e glória do Senhor.

Decidido a eliminar de vez a humanidade, Miguel ordenou que os Ishim, a casta angélica que controla as forças da natureza, arquitetassem a Destruição Final. Submissos, eles derreteram as calotas polares e a Terra foi inundada por um volumoso dilúvio. Não obstante, os mortais novamente subsistiram.

Diante de tanta morte e devastação, uma conjuração teve início. Em sua inocência política os líderes dessa conjuração foram traídos por outro arcanjo, Lúcifer, a Estrela da Manhã, único que conhecia o plano dos revoltosos para libertar o Paraíso da opressão a que era submetido. Quando o Arcanjo Sombrio denunciou as idéias revolucionárias, os rebeldes foram derrotados, expulsos do Céu, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o fim dos tempos. Enquanto a luz do Sétimo Dia brilhar, enquanto Deus continuar adormecido, os anjos renegados serão perseguidos e mortos pelos agentes celestiais.

Com o poder e prestígio que conseguiu por ter delatado os insurgentes, Lúcifer arquitetou a sua própria revolução. Movido por interesses nem um pouco justos, o Arcanjo Sombrio pretendia tomar o principado de Miguel e ascender acima mesmo do Criador, coroando-se em Tsafon, o Monte da Congregação, e tornado-se assim igual a Deus. O Filho do Alvorecer não queria apenas vencer seu irmão, mas desejava tornar-se ele próprio Deus – subjugar não apenas o monarca, mas também Yahweh.

Muitos anjos, revoltados com a política celeste, não conheciam as motivações egoístas de Lúcifer, e se juntaram a ele. Ao descobrir a traição, o Príncipe dos Anjos declarou nova guerra, e uma segunda batalha estalou. Por seus atos e ambições macabros, a Estrela da Manhã e seus seguidores foram lançados ao Sheol, um poço obscuro de trevas e sofrimento, um lugar terrível, um cárcere permanente. Lá, o Arcanjo Sombrio governa, e espera o momento certo para iniciar
sua vingança. Hoje, os mortais conhecem essa dimensão pelo nome de Inferno. Muitos milênios se seguiram às duas guerras angélicas, e então os humanos reinventaram o período das grandes catástrofes, com suas próprias armas modernas.

Na Fortaleza de Sion, a Roda do Tempo está prestes a terminar o seu
giro. No alvorecer do milênio, a humanidade caminha lentamente para o Apocalipse. Em nível regional, a marginalidade, a violência e o crime organizado são mais fortes do que a polícia e o governo. A pobreza e a miséria são crescentes. No plano internacional, há guerras por todo o globo, pessoas matando umas às outras e conflitos onde os mais prejudicados são os membros da indefesa população civil. Milhares de crianças morrem a cada dia, vítimas do ódio e do orgulho de líderes sem rosto, que lutam em prol de ideais hipócritas e egoístas. Não há justiça. O mundo chora. As pessoas sofrem. A civilização dá os seus últimos gritos desesperados em busca da salvação. Mas é provável que ninguém mais a ouça.

No Céu e no Inferno, o Armagedon marca o início de uma nova era. Quando o ciclo for completado, Deus despertará de seu sono e todas as sentenças serão revistas. O Tecido da Realidade cairá. Antigos inimigos se enfrentarão, e não haverá fronteiras entre as dimensões paralelas. E esse será o Dia do Ajuste de Contas.
O crepúsculo do Sétimo Dia se aproxima, e a noite cairá em breve.”

Para aquelas que gostam de literatura fantástica, o livro está disponível na biblioteca do Blog da CIT. O custo para leitura deve ser pago diretamente ao Blog da CIT, em sua nova moeda EF$ (Emoções Fantásticas). Quem não gostar (do livro) terá garantido o seu dinheiro de volta.

Boas Leituras!


Roberto Lira - rjtlira@yahho.com.br

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