sábado, 15 de janeiro de 2011

A Boneca da Dilma




Já apareceu a boneca da Dilma. Eu a achei mais bonitinha do que a original. Havia também um boneco do Lula, e de todas as outras pessoas famosas, sejam políticas ou não. Dizem que o mais difícil de fazer foi o boneco do finado Michel Jackson, pois todo dia ele mudava de cor.

A Dilma, além de já ter sua própria boneca, já tem sua foto oficial. Como Lucinha está sob fogo cerrado por ter defendido a publicação de um conto do Rubem Fonseca, eu devo avisar aos servidores públicos, em cujas repartições deverá haver um retrato da presidenta, que moderem sua linguagem. O Andarilho anda à espreita. Qualquer deslize e ele baixa outra vez. Ainda bem, que nem toda cidade, como Caetés, terra do Zezinho, por exemplo, não tenham nenhum ectoplasma errante a dar pitaco sobre sua terra.

Os que dão pitaco nos blogs de lá são pessoas mais do que conhecidas de todos como o Rafael Brasil, que produz postagem que merecem repercurssão. A ele peço permissão para transcrever um trecho de uma sua postagem que vi hoje:

“Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Hollanda, em suas obras, Sobrados e Mucambos e Raízes do Brasil, respectivamente, destacam o caótico processo de urbanização brasileira. Ruas e casas construídas anarquicamente, ruas estreitas, sem algum planejamento, esgotos e porcarias mil, nos rios, córregos e nas ruas. No século XIX, dizia-se que o Rio de Janeiro era bonito de longe. De perto era de uma fedentina só. Cadáveres de negros insepultos nas praias, e os penicos cheios de excrementos, devidamente jogados nas ruas. Daí as constantes doenças e epidemias que assolavam constantemente a então capital do Brasil.. Imagine nas outras cidades. Sérgio Buarque destaca o caráter imediatista da colonização portuguesa, aonde o planejamento simplesmente não existia, ao contrário do império espanhol na América Latina aonde cidades inteiras eram planejadas, inclusive para companhar as características do clima europeu. Cientes de estarem expandindo um processo civilizatório em caráter permanente, os espanhóis se preocupavam mais na administração criando também universidades. Coisa que os portugueses nem de longe pensavam. Ademais, os portugueses eram acusados de fazerem uma colonização denominada sarcasticamente de”caranguejo”, pois praticamente só colonizaram o litoral. A interiorização do Brasil foi obra e graça dos próprios brasileiros pobres, escravizadores de índios, como os paulistas.

URBANIZAÇÃO CAÓTICA

Com o processo de urbanização, sobretudo na segunda metade do século XX, com o processo de industrialização alavacada por Vargas, e expandida nos anos subsequentes, sobretudo na ditadura militar, rapidamente o país passa a ser urbano. Hoje mais de 85% dos brasileiros vivem em cidades, inclusive as pequenas. Neste sentido, não só Caetés cresceu, mas quase todas as cidades pequenas deste imenso país, principalmente depois dos programas sociais do governo. Até Neves, distrito de Jucati cresceu a olhos vistos. A vila do Araçá, e de Ponto Alegre em Caetés, também, incluindo as vilas do Tará e Santo Antônio do Tará no município de Venturosa. Aqui em Caetés dizem que foi Zé da Luz quem promoveu o crescimento. Parece piada, não?”

O título da postagem é “Sem Planejamento” (veja aqui o texto completo), e é um retrato do Brasil, e o Rio de Janeiro é apenas um exemplo maior, do que se passa em nosso país. Mas, não se restringe ao litoral. Em todo país, onde há um morro, onde há um mangue, onde há um igarapé, onde há uma beira de rio, em nossas cidades tem gente morando e pronta para morrer a qualquer instante. E a cada dia o perigo se torna maior, pelos inúmeros alertas da ciência para as mudanças climáticas.

No passado animais e homens já foram vítimas de catástrofes naturais e algumas espécies desapareceram de repente da face da terra. Politicamente, nos preparamos, durante a guerra fria para catástrofes provocadas por um possível embate nuclear, que seria artificial, e nunca houve, pelo menos, numa escala planetária. Para as catástrofes naturais estamos apenas tateando o terreno. E aqui no Brasil, da forma com se deu a urbanização, aceleradíssima no século passado, e agora voltando-se para as cidades menores, tanto pelo fluxo daquelas pessoas que não aguentam mais as cidades grandes, com daquelas que saem do campo, tangidas pelas benesses da aposentadoria e dos programas sociais, o problema tem que ser enfrentado.

Segundo dizem os especialistas na área, o custo de prevenir é muito maior do que o de remediar, quando veem as catástrofes. E agora, vamos descer do Brasil para nossa terra, Bom Conselho, a qual visitei a pouco, e infelizmente não pude ir para Encontro de Papacaceiros, que, este ano, até agora não sabemos se está havendo ou não, ou se está bom ou não.

Quando me refiro a nossa cidade, lembro do estouro do Açude da Nação, que dá razão aos especialistas, pois se houvesse havido a necessária prevenção, não estaríamos esperando tanto tempo para termos nosso açude de volta. Neste, caso a catástrofe passou, mas, em caso de catástrofe, sempre devemos ser pessimistas: elas sempre voltam. Agora eu elevo minha vista para um problema que ainda não aconteceu, e não vou dizer aqui que, Deus queira que não aconteça, pois não devemos deixar todos os problemas para Ele. Olho para a Serra de Santa Terezinha e o seu padrão de ocupação, morro acima. Não sei se há determinação do poder público de evitar o pior no futuro. É o que me chama a atenção no texto do Rafael Brasil, citado acima, quando fala da inexistência de planejamento.

Eu não sei se existe um Plano Diretor para o uso do solo da cidade, ou, se existe o que ele determina para aquela área. Entretanto, se caírem chuvas torrenciais, num solo onde antes tínhamos árvores e mata e agora temos calçamentos e casas, as conseqüências podem ser muito diferentes. Depois nossas autoridades não venha dizer que a culpa é dos céus. Atualmente, os céus não tem mais nem culpa pelas chuvas, pois foi a intervenção humana que vem modificando o clima neste planeta, inclusive o de Bom Conselho.

Penso que todo povo deve ter suas crenças, mas confiar demais nelas, nem os santos perdoam. Se nosso setor público faz descaso destas possibilidades de tragédia, só nos resta dizer: “Valei-nos Santa Terezinha!” E a Santa, provavelmente, nos responderá: “Isto é um problema para a Boneca da Dilma”.


Diretor Presidente
– diretorpresidente@citltda.com

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