domingo, 23 de janeiro de 2011

CAMPO SANTO





Recentemente estive em Garanhuns e aproveitei o tempo para visitar os meus pais Antonio Taveira Zuza e Nedi Taveira Belo, na morada eterna.

Comprei um molho de flores brancas na Ceasa e fui à companhia da minha esposa fazer esta visita sentimental, que inclusive também ela visitaria os seus pais. Chegamos por volta das 10h30min, no Campo Santo São Miguel sob um forte sol, estacionando aonde quatro crianças vieram desabaladas carreira em direção ao automóvel, dizendo:

Vô vou tomar conta do seu carro. Vou olhar. Sentaram-se no meio fio e ficaram os quatros a discutirem quem iria receber a recompensa desta guarda.

Entrei, no Cemitério São Miguel, segui diretamente para o tumulo dos meus inesquecíveis pais, e dos meus queridos sogros, visinhos até no cemitério. O tumulo branco cercado de algumas flores, aguada recentemente pela zeladora. Coloquei água no jarro e ali colocamos as flores, e nos pusemos a rezar algumas orações para aqueles que deram a sua vida para eu viver. Viveram para o aconselhamento aos seus filhos, dando-lhes educação, afeto e muito amor. Ali estava os restos de um corpo que até bem pouco tempo se fazia presente em nossa vida, hoje, ali esta somente a lembrança através das placas pregadas no mausoléu.

Fiquei ali algum tempo meditando. Olhei as quatros placas, ali cravadas, a dos meus pais, a da minha Tia Carlinda Silveira Belo que tanto nos fez carinho quando da meninice em Bom Conselho, morando na Rua do Caborje, nas noites sentada em um sofá contando historia da carochinha para que fossemos dormir. Não se casou, ficou solteira toda a vida. Veio morar em Garanhuns, na casa da sua irmã Inácia na Rua Sargento Silvano Macedo, onde faleceu em 1992. Não gostava muito do meu pai, pois, ele muitas das vezes chamava “nomes”, como “peste” e “bubônica”, nas suas horas de descontentamento e ela saia imediatamente atordoada quando ouvia estes nomes. A outra, do meu querido sobrinho Tiago Correia, morrendo de um acidente automobilístico na estrada que ia para cidade de Caetés, quando ia realizar um trabalho da difusora e capotou, com o nosso veículo, vindo a falecer, no auge dos seus 23 anos de idade, com mais ou menos cinco meses no Hospital Monte Sinai e no Hospital Português em Recife. Quanta saudade deste seres humanos que conviveram conosco.

Desci um pouco, na mesma alameda, ali estava o tumulo que abrigava os meus queridos sogros, Maria Correia da Silva e José Cordeiro da Silva, conhecido em toda região do agreste como Zé Gago, pessoas queridas que marcaram muito a minha vida.

Olhei para o relógio marcava 11h30min. Sai devargazinho pelas alamedas sombreada pelas arvores cercadas por túmulos, e encontrei o de Carlos Alberto, o “Beto” na intimidade das pensões em Recife. Formou-se em Agronomia. Morreu cedo. Adiante o tumulo em mármore do meu Avô Chico Zuza, Tio Plínio e de sua filha Serafina, com fotografias estampadas guardadas em capelinha de vidro; ao lado o tumulo do meu amigo irmão Ednaldo Rodrigues. Amigão, morava na minha rua em Garanhuns e fizemos uma grande amizade que somente se desfez com a sua morte em Recife. Dei uma olhadela, no tumulo de Agnaldo de Barros e Silva, meu patrão na década dos anos 60 quando trabalhei na Loja São Jorge de sua propriedade. Ainda, guardo um grande favor desta pessoa amigo, que me forneceu alguns documentos para que me aposentasse. Mais na frente, o de um grande contador, Manoel Teles, que me ensinou um pouco de contabilidade quando trabalhei na Loja Jóia Magazine, por dois anos. Era um profissional exigente no trabalho. Sai olhando os demais túmulos, cada um com a sua epigrafe e já na saída, parei em frente ao tumulo da Congregação das Damas Cristãs, onde se encontra sepultado o corpo virgem da minha Tia Irmã Dionísia, que dedicou a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja, de acordo com o seu desejo, servir nos mais humildes trabalho do convento, trabalhando na lavanderia, na cozinha, no dormitório. Morreu aos 96 anos, bem cuidada com carinho e amor dedicado pelas suas irmãs da Congregação no Colégio Santa Sofia em Garanhuns, dedicando ao seu apostolado 78 anos de vida religiosa. Antes de sair do Cemitério, olhei para o lado e observei alguns túmulos de algumas autoridades do Município que fizeram algo pela sua terra. Vi, então, o tumulo do grande cantor Augusto Calheiros, representado por um violão, todo branco, com o seguinte epitáfio


AUGUSTO CALHEIROS
“Se eu morrer nesta terra vejam
no peito a ferida, queiram levar para o norte,
os restos mortais da minha vida”


Abaixo a Prefeitura Municipal de Garanhuns, homenageia o Augusto Calheiros:


“Esta feita a tua vontade Calheiros, aqui repousais
eternamente na tua Garanhuns Hospitaleira”
Homenagem póstuma da Prefeitura Municipal
* 05/03/1891
+ 11/01/1956



Lembrei-me na saída do Campo Santo São Miguel, da seguinte musica do Calheiros, cantada muitas das vezes por minha mãe Nedi, em Bom Conselho, quando cuidava da nossa casa na minha querida Rua do Caborje, 120, onde nasci.

Adeus meu Norte querido / Garanhuns e Boa Vista / terra onde me criei / Recife cidade da esperança / guardo sempre na lembrança / que um dia voltarei / Mas quem espera / quem espera sempre alcança / guardo sempre na lembrança / do meu Garanhuns voltar / lá no alto e das serras / lá do Alto do Magano / dá vontade de chorar / .....



José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*)O Blog da CIT relembra com Zetinho:

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

COM MUITO RESPEITO E VOTOS DE PESAR AOS SEUS FAMILIARES E AMIGOS QUE SE FORAM, CONGRATULO-ME COM ESSE CIDADÃO(ZETINHO), PELA LEMBRANÇA QUE NOS PROPOCIONA AO SE REFERIR AO GRANDE SERESTEIRO DO PARQUE RUBER VAN DER LINDEN(PAU POMBO), NA DÉCADA DE 30, DO SÉCULO PASSADO. AUGUSTO CALHEIROS, ALAGOANO DE PILAR, ADOTOU GARANHUNS COMO A SUA CIDADE NATAL. CANTOR DE VOZ ESTRIDENTE, PORÉM AVELUDADA, FICOU CONHECIDO COMO A “PATATIVA DO NORTE”. ERA UM GRANDE SERESTEIRO, E BOÊMIO INVETERADO. APESAR DE EXERCER A FUNÇÃO DE CARCEREIRO NA CADEIA PÚBLICA DE GARANHUNS COM PATENTE DE POLICIAL, A ARMA QUE USAVA SEMPRE FOI O SEU INSEPARÁVEL VIOLÃO.