quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SAUDADES E EMOÇÕES...




Estou na idade da saudade e da emoção. As recordações me trazem fortes emoções, através da musica, da fotografia, dos amigos de infância, da adolescência e da fase adulta, dos lugares maravilhosos, tais como Cuiabá, Rio de Janeiro, Salvador, João Pessoa, dos passeios pelos sítios, praias, pelas dunas do Rio Grande do Norte (Natal) e de Sergipe (Aracaju) pelo Rio Capibaribe (Recife), por Olinda, pelo seu casario e suas tortuosas ruas, o Alto da Sé, onde avistamos o mar na sua exuberância do verde musgo com alguns barquinhos branquinhos navegando silenciosamente, e lá ao fundo o velho Recife, com o seu ancoradouro, tudo isto mexe com a minha sensibilidade.

A idade fornece este estagio que acomete, principalmente, aos idosos, quando começa a refletir sobre a beleza da vida que é nos concedida por Deus.

Hoje, fiquei sensibilizado e emocionado com o grande garanhunense sanfoneiro Dominguinhos, tocando no NE TV da Rede Globo a musica de Luiz Gonzaga,

“Maria Joana prá onde você vai / volte prá casa / não está vendo eu lhe chamar / quando voltar não volte com desespero / passe o pente no cabelo não deixar a trança voar” o que me levou imediatamente para a minha Rua do Caborje em Bom Conselho da minha infância querida.

Lembrei, e fiquei emocionado com as lembranças destas cantorias nas festas de São João e São Pedro “Olhe pró céu meu amor / veja como ele esta lindo / olhe aquele balão / que vai ao céu subindo...“em seguida cantou esta musica que eu não sei se é de sua autoria - Estou de volta pró meu aconchego / trazendo uma mala bastante saudades / Querendo um sorriso sincero / Um abraço para aliviar meu cansaço / é toda essa minha vontade / Que bom estar contigo de novo / Roçando teu corpo e beijando você / Prá mim tu és estrela mais linda / Teus olhos nos prende fascina / A paz que eu gosto de ter / É duro ficar sem você vez em quando / parece que falta um pedaço de mim / Um abraço em logo repensar / Parece que vem mergulhar em felicidade sem fim” que nos revela uma infância vivida em toda intensidade na rua sem calçamento do meu Bom Conselho; dos arredores da Matriz da Sagrada Família, da Praça Pedro II do trevolim, da barca e da pequena roda gigante todos estes brinquedos instalados na Praça Lívio Machado, em frente ao bangalô de Luizinha Correntão e da Prefeitura.

De Garanhuns, que me adotou como filho em 1957, também tenho muitas recordações, principalmente, quando ali estou. Saudades dos natais na Avenida Santo Antonio, moças e rapazes passeando de mãos dadas pelo meio da rua, sorrindo e olhando para os lados principalmente as moças se estavam sendo observada pelos rapazes a maioria escorada nas frentes das lojas, São Jorge, Sempre Viva, Café Gloria, Relojoaria Omega. A calçada com algumas mesas em frente a Padaria e Café Iris, onde as famílias tomavam sentadas o Guaraná Caçula da Antártica e a Coca Cola, exalando o perfume do eucalipto que era espalhada as folhas em toda extensão da avenida. As bancas de jogo, encostadas ao meio fio da Avenida, com o bacará, a roleta e o bozó. Barracas com tiro ao alvo com espingardas de ar comprimido. Barracas de bingos toda iluminada e com os prêmios pendurados por barbante enquanto o locutor chamava as pedras sorteados que iam sendo marcadas na cartela com caroço de feijão ou de milho.

O auto falante instalado ao longo da Avenida Santo Antonio, com musicas da época de ouro do rádio e de vez em quando interrompida pelo locutor que anunciava um chamado e transmitia a mensagem

“Alô, alô. Você morena que está vestida de branco com um laço de fita azul na cabeça, ouça esta melodia que um grande admirador lhe dedica esta musica”

“Quero beijar tuas mãos minha querida / vem pra junto de mim vem, por favor, / és o maior enlevo da minha vida / és o reflorir e a minha flor / sinto nesta ansiedade / que me invade, que me faz sofrer / a luz do divinal querer / eterna gloria de viver / se tu me quiseres tanto quanto que vivo para te adorar/ será um mundo de esplendor / o nosso amor [Veja vídeo abaixo].Terminando a musica, o locutor volta com a sua voz estridente a anunciar um novo chamado

“Alô, Alô, este rapaz que se encontra encostado na parede da Loja S. Moraes, vestido com uma camisa listrada de azul e calça branca, ouça esta linda musica, na voz de Anísio Silva que alguém lhe oferece com todo amor.

Olha nos meus olhos e compreenderás que ainda te quero / com toda ternura que sinto em minha alma, ainda te espero / foste em minha vida a ilusão perdida, a doce mentira / sublime esperança que só por vingança prá longe partira / Onde estais agora, meu coração chora, quero estar contigo / Quero dar-te um beijo, matar o meu desejo, estar perto de ti / Seguir os meus passos contigo em meus braços feliz nesta hora / pelo nosso amor, pela minha dor, onde estais agora?

Assim a noite ia passando com uma alegria contagiante das famílias. Muitos namoros e noivados aconteceram através desta brincadeira do anúncio nas noites natalinas de Garanhuns. O carnaval, outra fonte de saudades e emoções, quando desfilei na Escola de Samba Gigantes do Samba, em 1960 comandada pelo Celino cujos ensaios se davam na sua residência no bairro de Brasília. O desfile, pelas ruas e avenidas de Garanhuns. Os bailes e as matines no Sport Clube de Garanhuns, no Sete de Setembro, na Rua do Recife e na Associação Garanhuense de Atletismo - AGA na Avenida Rui Barbosa, quando às cinco horas da manhã saímos cantando

“É de fazer chorar / quando o dia amanhece / que eu vejo frevo acabar / Ó quarta feira ingrata / chegou tão depressa / só prá contrariar / Quem é de fato / bom pernambucano / espera um ano / e se mete na brincadeira / esquece tudo quando cai no frevo / e no melhor da festa / chega a quarta feira.

Parávamos em uma padaria e comprava pão doce saímos a comer pela rua até chegar a casa, para dormir até o meio dia.

Ainda guardo com carinho a foto que tiramos na escadaria da Prefeitura da Escola Gigante do Samba. Olhando esta fotografia, nestes últimos dias, vi que muitos já não estão entre nós.

No Recife, a saudade não tem limite. Os bairros, as ruas e avenidas, as praças, os bares tudo enfim são recordações que não tem fim. As recordações quando visitamos alguns lugares que foram nossa fonte de trabalho e brincadeiras já não existem mais, foram substituídas por outros edifícios, modificando assim o panorama vivido. Os amigos e os lugares de encontro já não existem mais, e muitos destes amigos já partiram para a eternidade.

Vou ficando aqui com as minhas saudades e recordações, pois, sou sentimental demais, como a musica de Altemar Dutra que muitas das vezes ouvi cantar e na mesa de bar de Zé Pequeno, em Olinda

Por hoje, basta!


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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Um presente do Blog da CIT aos leitores do Zetinho:

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

E POR FALAR EM SAUDADES E RECORDAÇÕES EIS O QUE DIZIA O LOCUTOR TONY VENTÃO COM SUA VOZ AVELUDADA DO PARQUE ALVORADA, DE FRENTE A ANTIGA FERREIRA COSTA: " Alô, alô, fulana!!! Ouça essa linda página musical que uma pessoa que muito lhe ama e lhe quer, oferece a você.
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