sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Tragédia do Rio e o Cachorrinho




Continuo escrevendo sobre minhas viagens mas não tem nada ainda publicável. Foram me dar “muita corda”, como se diz, dizendo que estava escrevendo bem e coisa e tal, e agora eu virei uma perfeccionista. Também, com a função de secretária de dois blogs, o tempo me é curto para realizar tudo que quero, entre um e outro pedido de Lucinha, que pensa que agora é gaúcha. Odeio quando ela, no Skype diz: “Entendes, tchê!?”

Hoje me deu vontade de escrever sobre um fato triste que vi na TV. Na tragédia do Rio, uma senhora aparece tentando salvar um cachorrinho junto com ela enquanto segurava um corda. Quando foi sendo puxada, não conseguiu manter o animal debaixo do braço e o pobrezinho caiu dentro daquela enxurrada forte ao ponto de levar até carros. Para mim aquele momento é representativo de toda a tragédia. Vi o episódio retratado em um desenho do Chico Caruso num blog que não me lembro de quem e salvei a imagem que ilustra este texto.

Todos já comentaram o fato, cujas imagens correram o mundo. A mulher foi entrevistada e chorava ao pensar no seu animalzinho. Os que salvaram ela também falaram sobre o fato e a dor que o envolve. Porém, do meu ponto de vista ficou faltando falar mais do cachorrinho. Será que ele morreu? Será que ele não foi encontrado alguns quilômetros depois como aconteceu com um menino, e foi salvo por alguma alma caridosa?

Eu fico me colocando na posição do cachorrinho. Estou lá dormindo, em meu chão, tendo roído meu ossinho diário, ou não, e de repente, começa a entrar água em casa. Quero correr e me ver livre daquilo, sou um exímio nadador. Minha dona não deixa porque gosta muito de mim e eu quero fugir porque cachorro não entende os sentimentos humanos. Ela me pega me agarra quase me sufoca e o que vejo? Alguém lá em cima jogando uma corda para nos ajudar. Nem sei se é para me ajudar mesmo pois minhas patas não pegam corda. Minha dona leva-me com ela, estou eu lá em cima, em seus braços, vendo que ela iria cair por causa do meu peso, eu a empurro e caio na água fria e rápida. Saio a trancos e barrancos sem mais nada ver e vou descendo rebolando mais do que pitomba em boca de velho. Meu pensamento é só um: será que hoje roí o meu último osso?

Depois daquele turbilhão, consegui abrir os olhos e me vejo deitado em terra firme cercado por um bando de crianças. Um com um vara cutucava meu traseiro, e outro gritava, levanta! Um mais esperto e corajoso botou a mão na minha barriga e disse, ele está respirando. Mãe, mãe o cachorro tá vivo! E eu lá me fingindo de morto. Achei que naquela situação era o melhor a fazer, descobri porque em algumas situações os humanos também se fingem de morto. Veio a mãe e constatou, eu estava vivo. Aí não teve jeito tive que abrir os olhos e notar o ar de felicidade dos garotos por terem salvo alguém. Estou sendo bem tratado até agora mas ainda não apareceu nenhum repórter para me entrevistar, e eu dizer quanto sinto por não ter salvo também a minha dona. Será que ela morreu? Estou com saudade dela, e assim que puder usarei meu faro para voltar à minha casa. Será que ainda tem casa?

Mas ninguém procurou o cachorrinho ou pelo menos ele não apareceu nos telejornais. Eu gostaria de saber quando ele poderá voltar para sua casa e penso que todos as vítimas também. Pelo jeito o FGTS só sai daqui a uma semana e dizem que a ajuda não tem coordenação nenhuma. Oh! Vida de cachorro!

O pior dos mundos seria uma demora daquela mulher se reencontrar com o pobre animal, pois todos sabemos que cachorros e povo brasileiro tem memória curta. Corre-se o risco dele não reconhecer mais sua dona, que tanto amava. Situação retratado pelo mesmo Chico Caruso na imagem a seguir:




Eliúde Villelaeliude.villela@citltda.com

2 comentários:

José Fernandes Ccsta disse...

Olá, Eliúde: até que enfim apareceste! Como te disse algumas vezes, sinto falta das tuas crônicas. E para recuperares o tempo que ficaste fora desse espaço, hoje vieste com uma crônica poética. - Pelo visto, gostas de cachorros. Tanto que, na crônica, fantasiaste-te do próprio cachorro. - Pelo sim, pelo não, vou mandar-te um "imeio", à parte. Poderia mandar-te dois. Mas mandarei só um "imeio". - NÃO pense que vou falar de cachorro, NÃO. - Aceite um abraço desse abelhudo que te considera escritora. Porque tu és escritora! - É ISSO. /.

Altamir Pinheiro disse...

SE JÁ NÃO BASTASSE A EXUBERÂNCIA DE UMA LUCINHA, AGORA NOS APARECE ESSA ELIÚDE. NA VERDADE, ESSE BLOG É UMA PROLIFERAÇÃO EXCESSIVA DE TEXTOS MAGNÍFICOS REPLETO DE CRONISTAS QUE TRATAM MUITO BEM DA SENHORA CANETA...