terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um país atrasado de políticos sem pudor




Eu já tratei aqui, sucintamente, do aumento que foi dado aos salários dos nossos parlamentares, por eles mesmos. E continua a farra. Daqui a pouco chega às câmaras municipais. Seria até injusto que assim não fosse feito, apesar de concordar com a Lucinha o salário mínimo para os vereadores seria uma boa pedida. Não sei em Bom Conselho, mas pelo que leio dos da minha terra e do ex-Lula, meu conterrâneo, talvez o Bolsa Família fosse mais adequado.

Encontrei o texto a seguir no jornal de domingo, de autoria do Clóvis Cavalcanti, que apesar de ser mais “verde” do que o Partido Verde, vez por outra trata de outros assuntos, como estes relativos ao aumento de salário. O título do artigo é o mesmo que eu dei a este. Leiam e me peguem lá embaixo:

“A desmedida euforia que o desempenho econômico suscita - muitas vezes, de forma inconsistente - não pode impedir que se perceba que o Brasil continua mostrando ser um país atrasado. Exemplo disso foi a decisão recente dos congressistas brasileiros, de elevar seus rendimentos muito acima de valores civilizados. De fato, não tem nenhum cabimento adotar cifras de aumento de salários de quem quer que seja no nível de 70% ou mais. Uma justificativa para tanto seria a inflação; outra, ganhos de produtividade dos políticos. Nenhuma dessas cláusulas, porém, se aplica no caso. O que houve foi uma ação desrespeitosa de princípios de justiça, um avanço de interesse privados contra qualquer pretensão de seguirmos padrões republicanos. A sociedade se revolta, especialmente quando vê a necessidade de medidas de austeridade no gasto público.

Barack Obama, quando assumiu a presidência dos EUA, em 2008, adotou medida de cortes salariais nos altos escalões administrativos do país. Deu um exemplo de decência. O Brasil, seguindo sua saga de país sem civilidade, adota o caminho da indecência, sem que ninguém, dentro das esferas de poder, manifeste a repulsa que isso deveria ocasionar. A respeito, pelo menos dois deputados federais (que eu saiba), Raul Jungmann e Luíza Erundina, manifestaram repúdio à decisão do Parlamento. No Senado, ocorreu protesto da sociedade civil no que era para ser uma solenidade de entrega de comenda. O ato, no dia 21.12, transformou-se em enorme constrangimento para os parlamentares presentes. O bispo de Limoeiro do Norte, no Ceará, Dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara que lhe estava sendo conferida. Razão da recusa: protesto contra o reajuste concedido aos parlamentares.

Ao discursar, o bispo falou da realidade dos brasileiros menos favorecidos, obrigados a enfrentar filas nos hospitais da rede pública e foi taxativo: "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la". O público presente à sessão, presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), aplaudiu a decisão. Sensatamente, o bispo disse ainda que o reajuste dos parlamentares deveria ser na mesma proporção do aumento do salário mínimo e das aposentadorias. País atrasado, o Brasil não é guiado por princípios que respeitem tal entendimento.”

E muitas vezes nos falam que queremos imitar os americanos em tudo. Talvez até isto seja verdade, pois quem não quer ser capitalista atualmente, só me vem a mente a Coreia do Norte, pois Cuba lançou a agricultura capitalista, para não morrerem todos de fome. Embora, que aqui, muitas vezes só se imita o que não presta. Enquanto o presidente de lá corta na própria carne nos momentos difíceis, aqui nosso presidente, hoje ex, faz chacota, sentindo que não vá ganhar o aumento. Como diz o Clóvis a saga de incivilidade do Brasil é inacabável, principalmente, quando se trata das coisas públicas.

Ontem li, na A GAZETA DIGITAL, Lucinha Peixoto referindo-se a uma festa que envolve os bom-conselhenses de fora e de dentro há dez anos, corre o risco de ser suspensa porque há duas famílias com problemas médicos. Ela é contra o cancelamento ou adiamento, por um motivo muito simples: haverá um prejuízo grande. Basta imaginar um pouco e verificar, que quanto maior a festa, e quanto mais gente estiver mobilizada para ela, maior será este prejuízo. Temos um problema que ocorre muitas vezes no país como um todo: “quem arcará com os prejuízos?” Quem pagará a mudança de Lula para São Paulo? Quem está pagando a internação do vice-presidente José Alencar? Quem pagará ao comerciante que comprou cerveja para festa que não vai haver? Quem receberá de volta a roupa que o Diretor Presidente não vai usar? Estas e outras questões, quando bem respondidas e com respaldo em leis, fazem do capitalismo um sistema bastante civilizado. O que verdadeiramente, não é o nosso caso.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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