segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Senador Jarbas e a Oposição





Vi o senador Jarbas Vasconcelos falando no Senado, durante a sessão que fixou o Salário Mínimo em R$ 545,00. Peguei no YouTube (e mostro no fim deste artigo) uma parte do seu depoimento. Pelo menos neste trecho, ele é policamente impecável. Aliás com o foi na disputa para o governo do Estado. Um PMDB autêntico, talvez o único atualmente, pois o outro que eu considerava ainda desta forma, o Pedro Simon, pecou por pensamentos, palavras e obras, nesta questão de sua aposentadoria como governador. Se há um ditado que diz: “Macaco velho não ponhe a mão em cumbuca”, o Pedro Simon o mudou para: “Macaco velho sempre ponhe a mão na aposentaria”, e agora não consegue mais tirá-la.

Mas, voltemos ao Jarbas e seu discurso. Ele pergunta se o PT tem condições morais de pedir à oposição que vote, naquela sessão, como quer o governo, por um salário mínimo menor. E responde que não. Fazendo de conta que os partidos brasileiros, são iguais às pessoas que tem valores, eu diria que concordo com o senador. Não tem nenhuma moral. Da mesma forma que o seu partido o PMDB não tem, quando votou unido pela mesma causa. Diremos que os valores morais partidários são formados por um estatuto, como os valores nacionais são formados por sua constituição. Ambos PT e PMDB traíram seus valores e portanto não tem condição moral.

Não sei em detalhes sobre todos os estatutos e diretrizes dos partidos brasileiros, e aqui no Brasil, há tantos que não consigo saber nem o que certas siglas significam (o que é PTC?), e portanto fica difícil dizer quais tem condições morais e quais não tem, neste caso.

Para mim a maior imoralidade, quem está cometendo é o executivo, quando quer ferir a Constituição Federal tirando as prerrogativas do Congresso para fixar o salário mínimo. Por motivos já ditos aqui, eu não sou a favor do salário mínimo, por achá-lo um instrumento danoso ao trabalhador, no sistema em que vivemos. O tal instituto sempre foi um instrumento de populismo explícito para eleger pessoas que levam a fama e que não se responsabilizam por suas consequências. Principalmente, quando ele começa a ser tratado como parte da política social. Salário é a remuneração do trabalho e deveria ter mais a ver com produtividade do que com distribuição de renda. E não pensem que eu vá dizer que isto é um papel para o Bolsa Família da forma como está, tem mais a ver com educação básica. Lembrem sempre que o que o salário mínimo dá com uma mão, a inflação e o desemprego tiram com a outra.

Outro fato que não deve ser esquecido, é bem lembrado pelo senador. Desde 1997 que o salário mínimo vem tendo ganhos reais, e logo agora depois do governo do sindicalista Lula, um poste que ele ajudou a carregar gastando barbaridades, propõe quebrar esta tendência. Seria cômico se não fosse trágico. E, pasmem, grande parte dos ditos opositores, saíram da proposta (também, horrorosa) do Zé Serra, para outras que propunham valores intermediários. É incompetência política levada às últimas consequências, por parte das oposições. A não ser que alguns jornais estejam certos de que grande parte dos componentes da oposição vai mudar para o partido do Kassab (o PDB, que já estão chamando de Partido da Bosta), para em seguida se unirem ao cordão dos puxa-sacos da Dilma, esquecendo que agora a presidenta não tem nem saco. Assim, tudo pode acontecer. Até começar novo hábito na política brasileira, ao invés do “puxa-saquismo”, teremos o “puxa-saísmo”. E haja saia para a presidenta vestir e os "puxa-saias" puxarem.

Já no final, o senador diz o tradicional “senhor presidente” quando, quem estava na presidência era a Marta Suplicy. Imaginem o que ele não sentiu com este tratamento, se exige que os senadores tratem a Dilma de presidenta. Cortou o microfone do senador, logo quando ele estava falando, do que todos viram no ano passado, mas, não enxergaram, a criação de uma Ilha da Fantasia pelo meu conterrâneo, na qual só havia marolinhas, e que hoje está se configurando como o maior estelionato eleitoral da história deste país.

Jarbas pode ter seus defeitos, e os tem, mas está na oposição. Menos mal.




Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

A Reforma Política e o Fala Dudu





Ontem, logo pela manhã, mesmo antes de ir à missa, li uma postagem no Blog do Alexandre Marinho, cujo título era: “A Advertência de Eduardo Campos”. Era apenas um comentário sobre uma frase do Conde Eduardo que saiu na coluna da Marisa Gibson no Diário de Pernambuco de ontem. Ela dizia:

“ADVERTÊNCIA

Para o governador Eduardo Campos (PSB), a reforma política não pode ser pensada para a próxima eleição. ´Se for assim, quem for votar vai estar pensando no próprio mandato e não no interesse do país. O certo é fixar regras que comecem a valer daqui a oito ou dez anos`.”

Então eu fiz uma comentário à postagem, que até o momento que escrevo (19:10 de ontem), não havia sido publicado. Óbvio que será publicado, pois, jamais o Alexandre Marinho agirá, num caso como este, como o seu colega blogueiro de Garanhuns, o Ronaldo César, que andou retirando umas postagens para evitar meus comentários. Não tenho nem dúvidas quanto a isto. Se reproduzo aqui abaixo o comentário que enviei é apenas porque me deu vontade de escrever mais sobre o tema da reforma política e ele é um bom começo

[Comentário no Blog de Alexandre Marinho]

Estou tão feliz pela volta do Alexandre Marinho, que ao ver esta postagem, fiquei com os dedos coçando, porque já a tinha lido (sobre o assunto) no DP. O Conde Eduardo mostra que é um líder e que está fazendo tudo para se afastar cada vez mais da Dilma, para os seus vôos nacionais. Estas propostas são de uma praticidade gritante. Eu as apoiaria todas na câmara de vereadores de Bom Conselho, mesmo não sendo do PSB. Mas, uma proposta desta natureza não pode ser feita sob Dilma, como dona do congresso que temos. O caseiro, o Sarney, não deixa, o marido da Marcela não quer, e a dona está dando de ombros para esta tal de reforma política. Se o Dudu insistir muito, vai cair do poste.

A reforma que vai sair é o financiamento público de campanha, já para as próximas eleições presidenciais, e mais alguns penduricalhos menos importantes. Ora, hoje já temos financiamento público, basta ver o que se gasta com fundos partidários e meios de comunicação para político fazer propaganda enganosa. Ficando só o financiamento público, vão ser necessários muitos Delúbios e Marcos Valérios para pegar dinheiro por debaixo do pano das empreiteiras. Seria a institucionalização do mensalão fantasiado de de caixa dois para manter as aparências da seriedade das coisas no Brasil.

Li também hoje no DP alguém dizendo que (não me lembro quem, pois Alexandre não sei sua idade, mas quando você, como eu, chegar perto da terceira, vai ver que memória boa é luxo) que no Brasil há leis suficientes para se fazer alguns pequenos acertos e termos um mínimo de representatividade do povo em nossos governantes, o que falta é o seu cumprimento. Ou seja, o problema é a impunidade, quando convém aos governantes. Uma simples lei deveria dizer: Art. 1º - Quem mijou fora do caco, paga o pato. Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.

Se esta lei já tivesse em vigor o Conde Eduardo já teria dado uma satisfação aos pernambucanos sobre o que aconteceu no D. Moura. Um verdadeiro líder faria isto, mesmo do camarote do Galo da Madrugada, enquanto o Lula sorvesse seus goles de 51. Enquanto não fizer isto deveremos manter nossa campanha: “Fala Dudu”.

Lucinha Peixoto (Blog da CIT)

[Fim de Comentário]

Para um pouco com minha campanha, que não é mais minha, mas de Pernambuco, porque até agora não sabemos o que realmente aconteceu como o caso do D. Moura. Entretanto, o tema da reforma política, apesar de ter relação, não é igual à campanha. Apesar do Dudu não ter falado ainda sobre este caso, suas ideias de fazer a reforma para vigorar daqui a 8 ou 10 anos, que são louváveis não tem chance de ter repercussão no Congresso, a não ser que a Rainha enviasse algum projeto neste sentido. E isto não irá acontecer. Ora, se tudo continuar como está, o Sarney, daqui há 10 anos, ainda será o presidente do Congresso, porque o Lula será o presidente. E vocês já imaginaram o Lula sem o Sarney, sem o Temer, sem o Collor, sem o Renan. Nesta época, sem o Zé Dirceu, talvez já na Casa Civil outra vez, pois já deve ter sido inocentado do mensalão, e o Delúbio no Ministério da Fazenda, financiando o projeto do PROUNI 2, coordenado pelo ministro da Educação Francisco Everardo Oliveira Silva. Então, para que fazer marola?

Talvez as ideias do Conde, fossem melhor aproveitadas, se se entrosassem com aquelas mencionadas ontem também, pela Dora Kramer (Estadão.com), num texto intitulado “Informar é preciso”. Onde ela diz, entre outras coisas:

“Uma sugestão singela para as excelências senatoriais que depois de amanhã fazem a primeira reunião da comissão que discutirá a reforma política: que tal ouvir o que pensam os eleitores a respeito, conhecer seus anseios e a partir daí estruturar um sistema de comunicação capaz de integrar representantes e representados num esforço conjunto de aperfeiçoamento?”

É muito difícil desvincular este parágrafo do sentido geral de uma reforma política que procure cada vez mais aprimorar um sistema democrático representativo, como tenta ser o nosso. Isto é quase uma tautologia. O sistema será tanto melhor quanto ele refletir a vontade do povo, que seja lá o que signifique, não é a mesma coisa que este congresso mostra em suas ações. Agora, com a quase hegemonia da situação, tudo se passa no Brasil como se os brasileiros não tivessem dados quase 50 milhões de votos ao adversário da Rainha. Isto não é culpa dela, e sim da falta de uma oposição digna de nome. E a ideia é esta, na cabeça dos que estão hoje no poder. “Em time que está ganhando não se mexe”. Se a sociedade brasileira quer isto ou não, é pouco importante. Vamos dar a ela alguns brioches.

O texto da Dora Kramer dá mais ênfase à desinformação do povo sobre reforma política. Na mosca. Ora, se eu quero entrar para o política ainda não domino o jargão de voto distrital, voto proporcional, lista fechada, coligação, financiamento pública de campanha, etc. como é que se quer que se faça uma reforma política adequada sem a participação dos mais interessados que são, não os representantes eleitos de forma errada, mas seus representados? Então vamos informar ao povo. A articulista continua com afirmações e perguntas que tem a maior importância para o momento atual.

“E assim a desinformação grassa também em relação a temas como escolha por lista fechada, financiamento público de campanha - já existente nas verbas do fundo partidário e no horário "gratuito" no rádio e na televisão - e a distorção federativa da representação da Câmara.

E o que seria esse ponto de nome tão pomposo? Simples: por obra do regime ditatorial, o general Ernesto Geisel promoveu uma mudança no critério de formação das bancadas, estabelecendo um mínimo (8) e um máximo (70) de deputados por Estado.

A ideia era fortalecer a representação de Estados mais dependentes do governo federal. Pois a ditadura acabou e hoje há Estados sub-representados e outros super-representados. Exemplo: São Paulo tem um deputado para cada 585 mil habitantes, enquanto em Roraima um parlamentar representa 51 mil cidadãos. Nos Estados Unidos a representação é alterada conforme a variação populacional.

E a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, o Brasil sabe qual é? No plebiscito de 1993 venceu a desinformação, porque se convenceu a Nação de que o parlamentarismo significa apenas que deputados mandam e desmandam no País.

Aquela parte sobre a efetiva corresponsabilidade com o bom andamento do governo que pode cair mediante voto de desconfiança foi relegada ao limbo do desconhecimento.

Assim vamos de novo entrando na discussão sobre reforma política em situação de desequilíbrio total: os políticos sabendo demais e a população sabendo de menos.”

O caso do Parlamentarismo x Presidencialismo, para mim é exemplar. Em 1993 eu era uma simples dona de casa, que apesar de não ser analfabeta nas letras, em termos de política eu era apenas uma inocente útil. Votei pelo Presidencialismo, porque achava que teríamos que ter um “cara” para aparecer. Hoje já tivemos vários “caras” e deu no que deu. Na realidade eu votei no meu marido, a quem eu perguntava sempre nestas horas. Hoje, ainda não chego a ser uma Lula da política, embora não seja tão apedeuta quanto ele na leitura, e votaria diferente.

No fundo no fundo só para concluir este texto, já que o assunto é muito vasto, a ideia de que é preciso informar ao povo sobre o que é reforma política se coaduna bem, não para votar uma reforma agora, mas para votá-la daqui há 10 anos. E se o povo for bem informado, talvez não haja nem necessidade de reforma. Por enquanto: “Fala Dudu”, e já é o bastante.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Um Carnaval Católico?




Recebemos ontem a seguinte mensagem do conterrâneo José Póvoas, junto com uma foto anexa que encabeça este texto:

“Eu estou achando que parei no tempo. Sou do tempo em que as igrejas católicas, faziam retiros espirituais durante os dias de folia. Aqui no Rio, a paróquia Santa Teresinha em Botafogo, vai fazer diferente. Vai realizar o "CARNAVAL DA FRATERNIDADE" . Idéia dos Padres, Làzaro e Abìlio. Os sacerdotes garantiram que esse serà o primeiro ano de muitos carnavais que ainda virão. ESTÁ CERTO? OU PAREI NO TEMPO? JPóvoas....”

Todos aqui na CIT são católicos, mas a única praticante sou eu. Por isso me pedem para dar uma minha opinião a respeito do conteúdo desta mensagem. Não me furtarei a fazê-lo pois devo estar fazendo um bem aos amigos católicos e esclarecendo aqueles que não os são.

Caro Póvoas, penso que você parou no tempo. Pelo menos, atualmente, ainda retiros são feitos, mas não tem a obrigatoriedade de antigamente. Não é por causa da nossa Igreja, que continua quase a mesma, mas pelos seus fiéis que estão cada dia mais esclarecidos, e também por causa de alguns sacerdotes, que ao ver que se Jesus morreu por nós, não fez isto para sermos infelizes e sim felizes na fé em sua palavra.

Eu pelo menos não conheço nenhum trecho do evangelho que diga ser uma festa um pecado. Pelo contrário, nas Bodas de Canaã, que foi uma festa de casamento, Jesus participou ativamente, ao ponto de transformar a água em vinho, para não ver o anfitrião passar vergonha e atendo um pedido de sua mãe a Virgem Maria. Penso, se ele fez isto foi para alegrar os convidados e não é possível imaginar que Ele, depois do milagre, ou mesmo antes, não se tenha deliciado com umas taças, pois ele mesmo disse que o vinho era de boa qualidade, e não era igual aquele vinho de jurubeba, que era fabricado lá em Bom Conselho pelo pai de Romilson.

O carnaval é uma festa. Rola muito mais do que vinho, eu sei. Mas enquanto a Igreja, ao invés de se achegar aos fiéis, ficar apenas proibindo alegorias no sambódromo, seus sacerdotes não poderão guiar o povo para um festa ordeira e cristã.

Sempre soube que o carnaval foi uma festa pagã e que durava muito mais do que 3 dias na antiguidade. Foi com o propósito de coibi-la que a própria Igreja criou a quaresma, que é um período de penitência. Então, se assim foi, nossa própria Santa Madre Igreja admitiu que a festa poderia existir, antes da quaresma. Penso ser este o sinal verde para que os Padres envolvidos no Carnaval da Fraternidade, terem tido a ótima ideia de criar um carnaval católico, como já existem milhares de carnavais evangélicos.

É claro que não será o mesmo carnaval do Bola Preta, da Banda de Ipanema, nem do Elefante de Olinda, mas, tenho certeza, muitos católicos que não tinham outra opção a não ser estes blocos, irão agora para o Carnaval da Fraternidade. Esta ideia, pode ficar certo, meu caro Póvoas, vou levá-la à paróquia de Casa Forte, a qual frequento, e dentro em breve teremos a desfilar pela Praça daquele bairro, naquela paisagem bela de Burle Marx, um Carnaval Católico.

Espero que os foliões não ataquem as sacristias procurando o vinho de missa do Padre Edvaldo, mas que cada um leve seu botijão de 5 litros de Olho de Boi, e brinque com calma e em paz. Tentaremos evitar outras bebidas alcoólicas e outras drogas pelos seus efeitos morais perversos. Mas, vinho, não será problema, quando seguida a devida moderação. Isto porque se beber vinho fosse pecado, o padre só celebraria as missas até o meio. Espero que o Padre Nelson leia este texto e teremos um carnaval de Jesus, Maria e José, lá na Praça Pedro II. E atrás desta folia só não vai quem é ateu!

Ora, você dirá, e o retiro espiritual? Como é que fica? Eu lhe diria amigo Póvoas, eu e você tenho certeza vamos fazê-lo. O que não podemos é obrigar os outros a serem tão santos como nós.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Salário Mínimo e o Estelionatário




A conversa da vez aqui no Blog da CIT é o salário mínimo. Até o Diretor Presidente, saiu de sua redoma de vidro, mas ainda ficou em cima do muro, para ver a TV Senado, enquanto se decidia o valor do novo salário mínimo. Eu nem me dei a este trabalho. Só faltei colocar uma faixa na minha janela: “Eu já sabia!”.

Com o rolo compressor do governo num congresso amorfo e desinteressado em trabalhar, queríamos o que? Que fossem ouvidas as preces do Itamar Franco, ou as teimosias do Jarbas? Tudo já estava dominado, desde antes. Se há uma característica forte do governo Dilma, é como diz um filho meu, “é não entrar em bola dividida”. A mulher não se arrisca a quebrar as canelas de jeito nenhum. Quando parte para o jogo, já sabe onde vai chutar forte, e ai daquele jogador do mesmo time que fizer gol contra, ou do time adversário que entrar na área. Desculpem, está seguindo o exemplo, do apedeuta-ex-mor, ao fazer parábolas futebolísticas. Deve ser porque soube hoje que o Náutico já começou mal na Copa do Brasil.

Eu ganho mais do que o salário mínimo, para trabalhar como uma escrava para a CIT. Eu estava doida para que a proposta do Zé Serra fosse aprovada, por que o DP teria que subir meu salário para eu ganhar o mínimo. Quando falei isto a ele, ele ficou nervoso e disse:

- Lucinha, se eu tivesse que aumentar seu salário agora eu teria, que colocar você na informalidade. Adeus carteira assinada, férias, cursos, 13°, etc. etc. Ou senão teria que te mandar embora.

Eu, que não sou besta nem nada, que já havia falado tanto do salário mínimo do poste, agora faço coro com o Zezinho: Ela não poderia dar mais, mesmo. Ele, tentou me explicar com as seguintes palavras, em resumo:

- Num sistema de mercado do tipo do nosso, onde há ainda uma grande intervenção do Estado, até mesmo para gerir a instituição do salário mínimo, forçar a dar um salário mínimo maior, sem base no desempenho da economia, e principalmente, com grandes gastos do setor público, é uma ilusão. Hoje o governo dá, e amanhã a inflação come.

Ele está certo, pelo menos pela minha experiência de quase mínimo-assalariada. Pode ver que quando o mínimo aumenta, vou no supermercado e os preços já comeram o aumento. Parece que neste sistema, o trabalhador não tem vez, mesmo.

Oxente, mas isto não era o PT que dizia há 10 anos atrás? Como dizia o Sartre: “O inferno são os outros”. Fica muito difícil de entender, para quem está fora do jogo político de ocasião. Eu já tenho minhas dúvidas se estou pronta para enfrentar este jogo, mesmo começando por uma cidade pequena, como Bom Conselho. Começar de baixo, de vereadora e subir a rampa do planalto lá por 2030. Quando vejo, que não é preciso nada disso, e basta se fingir de poste e arranjar um carregador matreiro, minhas dúvidas só aumentam.

A Dilma está fazendo coisas que são importantes, para desfazer o rolo em que o apedeuta-ex-mor nos meteu. O estelionato eleitoral de que o Zé Serra falou, só agora, esperando, que o Brasil mudasse sozinho, não foi praticado por Dilma. Ela só foi cúmplice do Lula. Vejam o que diz o Alon em seu Blog, falando da herança deixado por ele para o poste.

“Ontem concluiu-se o debate sobre o salário mínimo. Algumas perguntas ficaram sem resposta.

Uma já foi feita aqui, mas não custa repetir. Se o governo não pode pagar agora um centavo além dos R$ 545, por que poderá, responsavelmente, pagar R$ 620 daqui a menos de um ano? Um reajuste de 14%. Oito pontos percentuais acima da inflação.

A receita crescerá tanto assim daqui até lá?

Outra pergunta. Se a herança de Luiz Inácio Lula da Silva é melhor do que a deixada por Fernando Henrique Cardoso, por que Lula pôde dar aumento real ao salário mínimo em 2003 e Dilma Rousseff não pode dar em 2011?

Isso e o corte orçamentário bem maior do que oito anos atrás autorizam a desconfiar de que algo na herança econômica de Lula não é tão cor de rosa assim.

Verdade que o primeiro governo do PT aplicou de cara um aperto monetário bem mais violento do que o atual, mas sempre é bom notar que a inflação é um assunto ainda aberto agora, pois o chamado mercado não parece botar muita fé na austeridade deste governo.”

E pelo que mostrou o Zezinho em seu texto recente (aqui) a estória de austeridade está cheirando a estória de “trancoso”. É um tal de toma daqui e tira de lá que parece até brincadeira. A Petrobrás vende petróleo que ainda não existe, o Tesouro paga e a Petrobras, empresta ao governo, e com o dinheiro inexistente, o governo finge que tem de sobra para pagar as dívidas. Nunca vi uma quizumba destas.

Imagine vocês minhas amigas e meus amigos, brasileiros e brasileiras, se acontecesse isto na sua casa. Alguém aparece na sua porta e pergunta:

- Quer comprar banana?

- Mostre as bananas.

-Ainda estão no pé, mas dentro de um ano eu as trarei.

- Está certo, tome o dinheiro e quando as bananas estiverem prontas me entregue.

- Não tem problema pode ficar com o dinheiro, basta me dar uns papéis.

- Esta bem, obrigada, isto vai aumentar minha receita. Agora já posso comprar as uvas, espero que eles não estejam verdes.

Irei vivendo do dinheiro que tenho, os credores confiam porque pensam que é dinheiro novo, e assim vou alimentando minha família até que se saiba que a bananeira morreu. O papel da oposição familiar, por exemplo um marido esperto, seria expulsar o próximo vendedor. Mas, lá em casa, como no Brasil, a oposição é fraquíssima.

E o verdadeiro estelionatário está ai à solta, sendo reverenciado por todos, inclusive pelo Paulo Paim. Como dizia aquele personagem do Jô Soares, que era um exilado em Paris, e que acordava de um coma: “Vocês não querem que eu volte!”.

No entanto, o pior de tudo, é que “o cara” é tão inteligente, apesar de quase analfabeto, que tudo está acontecendo e ele nem parece existir. Pensando bem, sabe que ele está certo. Carregou um poste por tanto tempo, colocou ele no lugar, e agora ainda ter que aguentar a culpa? “Nem morto!”. Se a oposição fizer marola ele não volta em 2014. Mas, na oposição eu só vi marola no topete do Itamar.

Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

A Salada do Salário (Mínimo)




Ontem fiquei de frente da TV, algumas horas, à tarde, acompanhando a sessão plenária onde se votava o valor do novo salário mínimo. Como já foi usada muitas vezes, à imagem do ET que viesse ao Brasil, na década de 90 em alguma sessão do congresso com a mesma finalidade, e voltasse só ontem e visse o que eu vi, ela me veio à cabeça. O ET só poderia manter sua sanidade mental se concluísse que seria apenas um “replay”, da sessão passada. Tomaria seu disco voador e voltaria para o espaço, certo de que não havia nada de novo na programação da TV Senado.

Todavia, eu tiraria as mesmas conclusões do ET, se eu não soubesse que os personagens estavam trocados, e o programa era novo. Os autores que faziam os vilões passaram a mocinhos e vice-versa. Se ele soubesse, certamente, ele faria o que prometeu o João Figueiredo, indagado sobre o que faria se ganhasse o salário mínimo: “Daria um tiro no coco”.

Eu, para não fazer isto, desliguei a TV e fui ler os Blogs de Bom Conselho, mas sobre isto eu falo depois. Hoje ao acordar e ver o resultado da maluca sessão no Senado, e percorrer outros blogs encontrei uma postagem no Blog do Josias da Souza, que diz melhor do eu, o que se passou nela. O original pode ser visto aqui . Eu apenas inverti a ordem do vídeo do Cazuza (o título da postagem é “Sobre salário mínimo, Cazuza e o general Figueiredo”) e o coloquei no final da matéria, mas não deixem de vê-lo. Realmente, o Brasil é um museu de grandes novidades, e o tempo não para. Leiam, e eu vou me embora prá Pasárgada, mesmo sem ser amigo do Rei.

Senador de primeiro mandato, Raldolfe Rodrigues (PSOL-AP), 38 anos, recorreu a Cazuza para resumir a sessão da noite passada, no Senado. “Eu vejo o futuro repetir o passado”, discursou Raldolfe, da tribuna. “Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para”.

A estrofe anterior da peça que Cazuza fez com Arnaldo Brandão incluía versos mais ásperos: “Tua piscina tá cheia de ratos. Tuas ideias não correspondem aos fatos”. Raldolfe, porém, preferiu pular esse pedaço da música. Ateve-se à referência temporal –o futuro ecoando o passado num museu de novidades.

A aprovação do salário mínimo de R$ 545, de fato, resultou num enredo em que se misturaram o déjà vu e o vice-versa. Para justificar o mínimo maior ou o menor, esgrimiram-se os mesmos velhos argumentos. Com uma diferença: inverteram-se os papéis.

Petistas e agregados argumentaram: um salário mínimo menos constrangedor desarrumaria as contas públicas, alimentaria a inflação, comprometeria a Previdência e provavelmente desmancharia o penteado de Dilma Rousseff.

Sob vaias de uma galeria ornada pela ausência da CUT, acusaram: quem prega um salário mínimo maior o faz por demagogia e oportunismo político. Sérios e sensatos são os que defendem o reajuste possível, mesmo reconhecendo que é pouco. Em 2012, será melhor.

Na trincheira oposta, a neoesquerda irresponsável: DEM e PSDB. Um agarrado ao mínimo de R$ 560. Outro, aferrado aos R$ 600. Raldolfe, adepto dos R$ 700, leu um discurso feito em 11 de maio de 2000, na Câmara. Corria o governo FHC. O ex-PT era vivo.

Discutia-se o reajuste do mínimo de então. O ex-petismo se batia por R$ 175. Raldonfe reavivou o discurso sem mencionar o nome do autor, hoje um senador pós-PT. É mentira dizer que a Previdência não suporta o aumento do mínimo, dizia o orador.

Se o governo baixasse a taxa de juros em 1% ou 2%, pagaria o mínimo maior, afirmava. Hoje, é José Agripino Maia (DEM-RN) quem entoa essa pregação: se o Copom deixar de aumentar os juros em 0,25 ponto percentual, o governo poupa R$ 4 bilhões, disse.

Com esse dinheiro, daria para cobrir o extra de R$ 15 embutido no mínimo de R$ 560. “O trabalhador merece decência”, arrematou Agripino, para entusiasmo das galerias. E Raldolfe: “Os que antes defendiam o contrário agora defendem o reajuste. Os que defendidam o reajuste hoje defendem o contrário”. O tempo não para.

Ex-companheiro de Randolfe no movimento sindical, Lindberg Farias (PT-RJ), outro senador novato, foi um dos mais efusivos defensores das teses do neo-PT. A certa altura disse que PSDB e DEM comprometem com seu oportunismo a principal bandeira da Era Itamar-FHC: a estabilidade econômica.

No papel de sub-Agripino, Lindberg desceu da tribuna sob os apupos agenciados pela Força Sindical. Uma central nascida sob Fernando Collor (PTB-AL), o presidente que Lindberg ajudara a derrubar e hoje é seu “aliado” no museu de novidades do Senado.

Terminada a votação, ficou entendido que, assim como o país de FHC, o Brasil de Dilma não suportaria um mínimo acima de certo ridículo. A viabilidade da futura quinta economia do mundo ainda depende do martírio perpétuo de uma parte da sua população –algo como 47 milhões brasileiros.

A certa altura, Itamar Franco (PPS-MG) borrifou ironia na direção do relator Romero Jucá. Insinuou o óbvio: os R$ 545 não cobrem o mínimo da Constituição. Evocou o general João Figueiredo. "Uma vez perguntaram para um presidente o que faria com um salário mínimo, sabe o que ele respondeu?"

Jucá sabia: "Que daria um tiro na cabeça". Em verdade, Figueiredo soou em timbre mais chucro: “Eu dava um tiro no coco”, disse, em resposta a um menino de 10 anos. Na época de Figueiredo, a ditadura baixava o salário mínimo por meio de decreto-lei, sem a necessidade votações no Congresso.

Sob Dilma, vai-se reviver essa fase. O projeto enviado à sanção presidencial delega à presidente a atribuição de fixar o mínimo por decreto até 2015. Versados nas artes do Direito, o oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO) e o governista Pedro Taques (PDT-MT) uniram-se na condenação ao procedimento.

“É inconstitucional”, disse Taques. “O Congresso está se agachando para o Executivo”, ecoou Demóstenes. “E quem agacha muito mostra o que não deve”. Reza a Constituição, realçaram ambos, que o mínimo só pode ser fixado por lei.

Aécio Neves (PSDB) lembrou: a exigência foi inscrita no texto constitucional, em 1988, com o decisivo apoio de Paulo Paim (PT-RS). À época um ativo crítico do decreto-lei, herança da ditadura, Paim é agora ferrenho defensor dos futuros decretos de Dilma. Importam as regras, não a forma, diz ele.

“Cada senador custa R$ 41 milhões por ano”, contabilizou Demóstenes. “O Orçamento anual do Senado é de R$ 3,3 bilhões. Vamos vir pra cá pra não trabalhar? Onde vamos parar? Vamos transformar o Brasil em Venezuela?”

Munida de ferramenta análoga à que era usada pela ditadra que combateu, Dilmacomo que reforçará Cazuza: “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades. O tempo não para”.”





Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trem bate em poste e descarrila




Já disse que entre minhas incursões intelectuais, mesmo dentro de minha formação de línguas neo-latinas, algumas foram para fora deste campo, tanto pela leitura diversificada, a que hoje somos até forçados a fazer, quanto pelo interesse que tenho, estudei um pouco de Economia. Primeiro foi para aprender porque não adianta pensar que o governo tem dinheiro, e segundo para mostrar que se ele pensa que tem e pode gastá-lo à vontade, estamos fritos.

Por estes não grandes conhecimentos, gosto de ler artigos que versem sobre o tema, principalmente de jornalistas econômicos, que tem por obrigação decifrar o “economês” pelo menos para aqueles, que tiveram alguma iniciação básica na área. Gosto muito da Miriam Leitão, porque, ela além de ser bastante clara quando escreve, tem o bom senso de não ser petista. Os meus professores nesta área sempre diziam, que o PT foi formado por sindicalistas, que queriam passar de uma ditadura militar para um regime socialista a lá Cuba/Fidel. Ainda existem remanescentes desta linha como Plínio de Arruda Sampaio, a Heloísa Helena e outros. No restante, todos, o meu conterrâneo Lula deu um jeito, e os transformou em bons e comportados neoliberais a lá FHC. Vicentinho foi o último dos moicanos, mas não resistiu ao governo da Dilma.

Hoje não li só a Miriam Leitão, que apenas me aguçou a curiosidade para ler um economista, que tem todos os títulos possíveis na profissão, o Rogério Werneck. Este doutor em Economia pela Universidade de Harvard, escreveu um texto intitulado: “A DETERIORAÇÃO DO REGIME FISCAL NO SEGUNDO MANDATO DE LULA E SEUS DESDOBRAMENTOS”. O que me surpreendeu, no texto, foi a clareza quase jornalística do autor, mesmo com toda sua bagagem de modelos, que os PhDs absorvem.

Não o transcreverei todo aqui mas, quem quiser pode lê-lo aqui . Apenas o citarei quando necessário para, pela sua grande autoridade, me dar algum credibilidade, em minha análise sobre o que está por vir se nossas oposições, se é que ela existe, não se cuidarem. Um artigo da Miriam Leitão que também pode ser lido aqui , cujo título estimulou o que dei a este texto, no caso dela é “Um trem para o passado”, o qual transcrevemos abaixo. Antes uma pequena introdução minha.

Todo o início da história, começa com o pretenso rumo de austeridade fiscal que toma o governo da Dilma Roussef. A mulher chegou danada, dizendo logo que vai economizar nas despesas da casa, pois não tem mais de onde tirar dinheiro. Ora, todos ficamos satisfeitos com isto, pois sabemos no que dar se endividar muito e depois ficar pedindo dinheiro aos parentes. Todos que não acompanharam bem o governo do Lula, pensam que só foi no último ano, para ajudar no carregamento do poste, que o governo começou a gastar mais do que o que podia. Ledo engano. Muito antes tudo isto já vinha sendo programado pelo PT, e a crise de 2008, foi apenas um pretexto para colocar em prática, ideias sobejamente conhecidas. Leiam o Rogério:

“A grande novidade dos três primeiros anos do mandato inicial do Presidente Lula foi a constatação de que o governo decidira, de fato, abandonar o discurso econômico do PT e adotar uma política macroeconômica que, em linhas gerais, dava seguimento ao que vinha sendo feito no governo anterior. O que havia de mais promissor nessa constatação era o fato de que, aos trancos e barrancos, o País havia deixado para trás o risco de ruptura e conseguido assegurar, no plano da política econômica, ampliação substancial do que os anglo-saxões denominam common ground, o campo de idéias comuns compartilhadas por governo e oposição.
Na verdade, contudo, esse avanço logo se mostraria mais reversível do que chegaram a imaginar os mais otimistas.”

Todos se lembram que a manutenção do que o economista chama de common ground deve-se em grande parte a um dos “porquinhos” da Dilma o Antonio Palloci e o ainda hoje ministro, embora em outra pasta o Paulo Bernardo. Eles propuseram certas medidas, que se colocadas em prática, tolheriam um pouco o crescimento dos gastos públicos, que já vinham do governo anterior. Mas, o desfecho deste embate todos já conhecem: “A proposta acabou torpedeada por uma coalizão comandada pela então Ministra Dilma Rousseff, coadjuvada por Guido Mantega, então presidente do BNDES. Classificada como rudimentar pela ministra chefe da Casa Civil, a idéia foi deixada de lado quando Antonio Palocci teve de ser substituído por Guido Mantega no início de 2006.”

Com a subida do Mantega e as ideias de Dilma sobre a implantação do PAC, visando transformar o Lula num novo Juscelino, embora mais aperfeiçoado, pois agora teríamos 50 anos em 4, qualquer menção à ideia de controlar gastos públicos foi para o brejo. Chegou-se mesmo a se concluir, incentivado pelo crescimento da arrecadação, que controle de gastos públicos era coisa de neoliberal enrustido, que estavam encastelados no Banco Central. As bases do plano real teriam ido para as cucuias, e foram em parte, se não houvesse a resistência deste órgão ao tentar manter o pais nos trilhos inflacionários civilizados, e com as moedas estrangeiras flutuando.

Ai chegou a crise de 2008, e para demonstrar que ela aqui seria uma “marolinha”, foi dada liberdade para gastar. Era o velho Keynes, lutando ao lado dos petistas e socialistas, que diziam: “agora ele vai!” se referindo ao sistema de mercado. Não só foi no Brasil que a gastança foi legitimada. Até hoje se gasta por causa da crise. Aqui no Brasil, além de aumentarem os gastos, não quiseram mais as receitas. Impostos foram diminuídos e o custeio da máquina foi aos píncaros. Lembram da febre de concursos e das nomeações patrocinadas, que até hoje inchem a máquina público, muitas vezes nos setores não apropriados? Lembram que nunca se produziu tanto carro neste país, mesmo que depois não se possa andar nas cidades? Por que estavam fazendo isto? Ora, era a crise! Veio 2009 e o Brasil viu a “marolinha” passar e em 2010, a produção crescer, e o governo a gastar: Chué, chué, e as eleições a correr, chué, chué, e todos felizes, como se fosse para sempre.

O ano passado foi o máximo de gastança. Nunca, na história deste país se gastou tanto para deslocar um poste de um ministério para um palácio. Tudo isto foi feito com o beneplácito quase explícito da oposição, inclusive do seu principal candidata, o Serrote, que ao invés de denunciar a farra, quis se esconder atrás da popularidade do Lula. Como diz o Reynaldo Azevedo, perdeu perdendo, quando podia ter perdido, ganhando. Agora desperta de sua letargia e tenta recuperar o leite derramado dizendo a verdade, mas, quando se perde a credibilidade, fica difícil.

Mais do que isto, com influência maléfica sobre o sistema econômico foi a crença que se abateu sobre o povo de que a gastança era o certo e o errado era o FHC. As conversas sobre derrubada do fator previdenciário, reajustamento de aposentadoria, aumentos ao funcionalismo público, afrouxamento, da política de juros, a chamada “contabilidade criativa” para enganar trouxas, as promessas mirabolantes da candidata para todos os setores, fizeram com que ela mesma, fosse enganada (ou não) e entrasse carregada no Palácio do Planalto, para logo em seguida alardear o que todos, pelo menos os que não rezavam por sua cartilha, já sabiam: O estelionato eleitoral. Leiam a Mirian Leitão e eu volto em seguida.

“O governo anunciou corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, mas circulam notícias de que ele vai transferir para BNDES mais R$ 55 bilhões. Faz mais um cruzamento de ações dentro das estatais: ações da Eletrobras e da Petrobras foram dadas para capitalizar o BNDES, para o banco emprestar mais, e para ajudar a Caixa Econômica, que entrou numa enrascada panamericana.

A lista das trapalhadas, truques contábeis, ou ´orçamento paralelo`, como bem definiu no seu brilhante artigo o professor Rogério Werneck, parece interminável. Elas me suscitam duas dúvidas. Primeiro, o governo sabe o risco que o país corre? Segundo, onde está a oposição?

O petismo entrou no trem da estabilidade monetária na última estação. Não viu o que aconteceu antes. O PSDB não pode alegar desconhecimento: conhece cada parada do caminho. Ele sabe quanto custou descruzar ações de empresas estatais, desfazer o novelo de dívidas cruzadas e caloteadas entre entes do setor público, o risco de um orçamento paralelo. O PSDB abriu os armários onde estavam os esqueletos e os tirou de lá. Sabe o quanto a inflação baixa depende do saneamento básico das contas públicas. Ele é passageiro desse trem desde a primeira estação.

Uma das frases animadoras do começo do governo Lula foi a do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele prometeu que o governo não erraria erros velhos. Hoje, já se sabe que sim, eles souberam cometer erros novos, mas voltaram, infelizmente, aos velhos. Esse descuido fiscal é velhíssimo. Foi com ele que o Brasil construiu as bases daquela superinflação crônica.

O governo Dilma poderia iniciar um novo tempo, mas neste ponto nem parece ter havido mudança de governo. Há uma desconfortável continuidade. E isso se viu na última semana, nessa nova troca de ações e no silêncio eloquente em relação à desastrada operação da Caixa Econômica Federal.

Saiu o balanço do banco PanAmericano e ele não deixa dúvidas: a CEF fez o pior negócio da sua vida quando criou o CaixaPar e decidiu entrar nesse banco furado. Deu R$ 780 milhões, em 2009, por metade de umbanco que hoje revela ter fechado 2010 com um patrimônio de R$ 178 milhões. Ela deu R$ 8,76 em cada R$ 1 de patrimônio que comprou. Vamos esquecer que o banco revelou também um rombo de R$ 4,3 bilhões, sendo que R$ 3,8 bilhões foram cobertos com aquele maravilhoso empréstimo dos bancões que controlam o Fundo Garantidor de Crédito. Os bancos emprestaram primeiro sem juros, depois aceitaram quitar a divida por 15% do seu valor e liberaram as garantias dadas pelo tomador. Foi realmente um momento lindo: bancos bonzinhos. Nunca antes, jamais com o devedor comum. É bem verdade que fizeram bondade com o chapéu alheio, já que todo o custo de capitalização do fundo é repassado pelos bancos ao distinto público. Mas esse banco sem fundo que a Caixa comprou, e nem viu a qualidade dos ativos, precisará de mais dinheiro para operar. Aí é que entra o Tesouro. Dá para a Caixa, a titulo de capitalização, ações das empresas da Petrobras e da Eletrobras.

Ao BNDES, o governo parece não ter limites nas suas concessões. Primeiro,fez sucessivos ´empréstimos` que ultrapassam R$ 200 bilhões. E a palavra empréstimos está entre aspas porque essa foi a fórmula criativa para não dizer que o dinheiro era aporte de capital. Se o fizesse, teria que entrar na conta da dívida líquida porque ele lançou títulos no mercado para dar o dinheiro ao BNDES. Há rumores de que fará novo ´empréstimo` de R$ 55 bilhões.

No ano passado, o BNDES adiantou ao Tesouro um dinheiro que o governo teria a receber da Eletrobrás. Foi a compra de dividendos futuros. Foi uma das várias operações feitas pelo Ministério da Fazenda para aumentar o superávit primário. Em outro momento, o BNDES foi usado na capitalização da Petrobras. Ajuda essencial. O governo transferiu dinheiro para o banco que comprou ações na capitalização. A Petrobras devolveu o dinheiro e ele entrou nas contas como superávit primário. Foi um momento mágico. Pena que não foi suficiente para se atingir a meta de superávit primário no ano em que a arrecadação cresceu de forma estonteante.

Agora, o governo capitalizou o BNDES com R$ 6,6 bilhões de ações da Petrobras e Eletrobras. Assim, o banco poderá emprestar mais, porque o que se empresta tem que ser um múltiplo dos ativos. E para quem o banco empresta? Há boas operações, há operações arriscadas e há as péssimas. Uma arriscada vai ter um capítulo final nos próximos dias quando os credores disserem o que acontecerá com o frigorífico Independência. O banco comprou ações e emprestou dinheiro para o frigorífico que pode ir simplesmente à falência. Em algumas péssimas, o BNDES empresta para o próprio governo, ou para empreendimentos que o governo controla direta ou indiretamente, como o trem-bala e a hidrelétrica de Belo Monte. No trem-bala, haverá uma estatal e investidores privados. O empréstimo será dado com a garantia do Tesouro. Já o Tesouro terá como garantia as receitas do empreendimento, que, se fracassar, não terá receitas suficientes.

Enfim, mesmo sendo passageiro da última estação da estabilização da economia, o governo já viajou o suficiente para saber que o que anda fazendo pode descarrilar esse trem. Fico então apenas com a última dúvida: onde está a oposição brasileira? Na democracia, a oposição tem o fundamental papel de apontar os erros e os riscos e ter um projeto alternativo.”

Mas a oposição apareceu mais fortemente com o Serrote, como disse acima, que numa entrevista esta semana ao Globo declarou, depois de ser perguntado o que ele achava de novo no início do governo Dilma:

“O destaque é o estelionato eleitoral. Há quatro meses falavam em investir num monte de coisas, milhões de casas, milhões de creches, de quadras esportivas, de estradas, de ferrovias. A realidade é que está tudo parado, a herança maldita deixada por Lula é gigantesca em razão do descontrole dos gastos, dos maiores juros do mundo, da desindustrialização. A montagem do governo foi um festival de barganhas e, antes de terminar o segundo mês, ainda tivemos o bloqueio a um salário mínimo melhor, o escândalo de Furnas e a não apuração dos escândalos da Casa Civil. Não é à toa que a presidente fala pouco e nunca de improviso. O atual governo optou por fingir que nada disso é com ele.”

Este seria o discurso certo e verdadeiro para um candidato que tivesse perdido, ganhando, e não de alguém que, agora defende um salário mínimo de R$ 600,00, que ao invés de diminuir a desigualdade, poderia colocar em risco os pequenos avanços sociais que o Brasil teve atualmente. Infelizmente, pelo grau de informação do eleitorado brasileiro, o estelionato é quase inevitável, e agora, nossa oposição (se é que existe alguma) comporta-se como a velhinha, que sobre a ameaça de ser estuprada, vendo que isto era inevitável, decidiu relaxar e gozar. Quem sabe se o Serrote perdeu por causa dos R$ 600,00? Deveria ter proposto o mínimo constitucional, que segundo os cálculos estaria em R$ 2500,00. Mas, 2014 vem aí.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

BODEGA DE SEU CHICO




Seu Chico era um homem bem de vida e com a vida. Conhecido no povoado como um benfeitor ajudava os pobres no que eles precisavam fiando algumas compras em cadernetas que era acertado pelos moradores no final de cada mês quando recebiam seus salários na Prefeitura ou quando mesmo apurava algum dinheiro na feira livre aos sábados. Tinha um armazém, que as pessoas chamavam de bodega de seu Chico. Vendia-se de tudo um pouco. Era conhecido como benfeitor no povoado Ligeirinho. Todo final de tarde ali naquele recinto se reunia os homens da cidade e aqueles que vinham dos roçados, para tomar alguns aperitivos e jogar conversas fora, como dizia Napoleão, “falar um pouco da vida alheia, que não era pecado e sim um desabafo”. Ali, enquanto bebericavam, as senhoras iam fazer às pequenas compras, o pão, a manteiga, o arroz, o açúcar, o feijão, a carne de charque e, elas olhavam aqueles homens ali sentados em tamboretes ou vezes em cima de saco de farinha, de feijão, que se encontravam encostados na parede a contar anedotas e causos conhecidos nas redondezas.

Seu Chico entretido em despachar os fregueses no balcão da madeira corrediça, com uma balança antiga, com alguns pesos ao lado, ouvia alguns comentários dos seus fregueses de fim de tarde.

O seu Olavo era um dos que falava mais alto e dizia:

- Cícero tu viste a sacanagem que fizeram com a gente?
- Não! respondeu
- Pois, é meu velho, os homens de Brasília, aumentaram os seus pequenos salários em mais de 60%, o que é uma vergonha, não é? Olhando para os demais que ouvia.

Porfírio, que acabava de tomar um trago da aguardente Galo Preto, cuspiu e disse:

- Brasília é o lugar que se encontra mais ladrão e ladrão de gravata. Se a policia gritar pega o ladrão, não fica um.
- Todos riram.

Josué sentado no tamborete alto, com o copo na mão assegurou: mais isto é culpa nossa que votamos nestes canalhas, que se beneficia sempre, alterando a voz para que todos pudessem ouvir.

- Cícero disse: é mais tu vota toda vez, não é?
- A eu voto porque sou obrigado. Sempre disse e repito nas próximas eleições eu não vou votar mais em ninguém, certo? E disse, olhando para o pedreiro.
- Olavo você ouviu o que foi que o nosso prefeito prometeu? Prometeu melhorar a nossa escola, dar um posto de saúde, calçar o centro deste bendito povoado e de algumas ruas, colocarem água nas casas e aumentar a luz elétrica pra bandas do Alto do Cuscuz, e o que aconteceu?

Nada! Então tu tiras por aqui respondeu: Cadê o dinheiro que chegou à Prefeitura? Ninguém sabe e ninguém viu. Tudo esta do mesmo jeito ou pior ainda.

- Porfírio que acabava de chegar e acendendo um cigarro e baforando para o alto.

Todos calçam o mesmo sapato, é farinha do mesmo saco. Eu votei em branco e vou continuar assim, pois não me fio a nenhum destes camaradas, que somente se aproxima do povo na época da votação. Vem abraçando a todos, pega crianças no colo, abraço e beija, senta-se em tamborete, entra em casas de taipas, toma café requentado, come rapadura e farinha, tudo isto para ganhar votos dos bestas, eu não fio neste pessoal eles prá lá e eu prá cá.

Todos concordaram.

Pedindo mais uma rodada ao Seu Chico que despachava no balcão e de vez em quando interferia pedindo que eles falassem mais baixo.

Chegou seu Biu da Cocada, que atravessava o povoado vendendo as suas cocadas pretas e branquinhas pelas ruas de porta a porta. Sabiam de tudo. Era o mais informado das coisas que aconteciam em Ligeirinho. Muitos não acreditavam no que ele contava, mas muitas dos fatos eram verdades. Gostava de engrandecer e fazer gestos enquanto dava a noticias.

Vocês sabem da maior?

Todos ficaram esperando a noticia.

A filha de Seu João da Bica que mora no final da Rua do Cajueiro, fugiu com o namorado da Cidade.

Todos dizem que ela já estava embuchada. Perdeu a virgindade tão logo começou a namorar com tal sujeitinho Álvaro filho de um comerciante. Neste dias ele a deixa. Pobre se ajuntando com rico dá em que?

Já pensaram.

O vozerio começou a tomar conta da bodega Seu Chico.

Todos comentavam o assunto.

Cada um fazia a sua avaliação. Uns falavam que aquela “agarração” no terraço escuro não sairia bem. Outros já tinham alertado a Seu João sobre chumbrega, mais o que ele fez?

Nada.

Tai o resultado, um embuchamento.

Seu Biu lá no seu canto somente ouvia os comentários, tomando a sua dose de aguardente e cuspindo no chão.

Seu Chico olhou para o relógio da parede. Conferiu com o horário com o seu de algibeira preso ao cinto por uma corrente de ouro, e disse:

Meus amigos por hoje só. Vou fechar a minha bodega. Está na hora. Apontando para o relógio que marcava sete meia da noite.

As luzes do povoado já tinham acendido e a noite clara pela lua cheia lá no alto, no céu azulado com estrelas piscando.

Todos se levantaram, pagaram a conta e seguiram cada um para suas casas, se preparando para o outro dia.


José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Violência contra a Mulher e o Blog do Ronaldo César




Hoje voltei ao Blog do Ronaldo César. Agora faço isto todos os dias na esperança dele me dá minha postagem de volta. Ainda bem que eu a copiei e colei (leia aqui) na minha postagem dedicada a ele. Nada mais limpo. Ele não aguentou o contraditório e correu com a postagem e meu comentário. Que coisa feia!

Entretanto, devo reconhecer que me detive por uns 15 minutos em seu Blog numa postagem que trazia um filme postado no YouTube em 19.02.2011 veiculado pelo Jornal da Band, e cujos fatos relatados são de 2009.

Durante este tempo eu tive vontade de gritar, de atirar pedras, de vomitar, e de outras ações indicadoras de revolta e frustração por ser um mulher. Eu não aconselho a todos ver o filme que reproduzimos abaixo, pois mesmo no YouTube ele está restrito a quem tem mais de 18 anos. Alguns do nosso blog ficaram ainda em dúvida se o colocariam no ar, assim como o fez o Ronaldo César. Consultei meus colegas, e a frase que mais me desestimulou a não publicá-lo aqui no Blog da CIT, foi da Eliúde Villela que disse: “O que pode acontecer de mais grave é você ir para a delegacia e acontecer o mesmo com você. Mas, você deve encontrar lá o Ronaldo César”, que teve coragem primeiro. Como eu estou doida para encontrar com ele, para mostrar que nunca disse que blogueiro ganhar dinheiro é errado, e que o errado é só pensar nisso, resolvi publicá-lo.

Porém, o que mais me chocou foi a violência pela qual pode passar uma pessoa do nosso gênero numa delegacia. É terrível a situação de uma mulher, escrivã, alfabetizada, de posse de suas faculdades mentais, submetida à sanha de homens embevecidos pela sua pretensa autoridade, como o que o filme mostra.

Em pleno século XXI, alguém é obrigada a ficar despido, na frente de pessoas do sexo oposto, porque pode, dentro de suas vestes, trazer alguma coisa que o incrimine. Soube que um procedimento semelhante, só que através de máquinas de Raio X, está sendo usado em aeroportos de países as voltas com o terrorismo, o que já me chocou bastante. Imaginem vocês, uma mulher ser submetida, por homens, à força, a um ritual de tortura moral, como o que se praticou, contra a escrivã. É lamentável.

Mais lamentável ainda é que quase 2 anos se passaram para que a monstruosidade fosse mostrada pela imprensa. Vejam o que diz o texto que vem junto com o vídeo no YouTube, para se inteirarem melhor do pode fazer a polícia, e quanto este inquérito poderia ter tido outro rumo se ele tivesse sido mostrado pela imprensa, antes.

Governo PSDB. Abuso policial. Escrivã é deixada nua e revistada à força. Sábado, 19 de fevereiro de 2011 Última atualização, 19/02/2011 - 20h50. O defensor da escrivã apresentou uma denúncia contra os policiais à Corregedoria. Mas ambos foram absolvidos no curso de uma sindicância administrativa. Os pares que os julgaram entenderam que eles usaram "meios moderados" para a obtenção da prova. As cenas são de junho de 2009 e foram divulgadas com exclusividade nesta sexta-feira, no "Jornal da Band". A escrivã, acusada de receber propina, é despida na frente de colegas. Ser revistada por uma pessoa do sexo feminino é direito garantido por lei à mulher. A Corregedora ressalta que as gravações não foram mantidas em sigilo e faziam parte dos processos. Mas um despacho da própria Corregedoria, de janeiro de 2010, mostra que o delegado que presidia o inquérito decidiu que o áudio da filmagem não era de interesse para a investigação. As imagens também não constam no processo judicial contra a policial expulsa. A ex-escrivã responde a processo criminal por concussão, que é a corrupção praticada por funcionário público. Já o processo por abuso de autoridade contra os delegados Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves foi arquivado. Tanto o Ministério Público, quanto a Justiça, consideraram legal a ação dos policiais da Corregedoria. O video revela, ainda, que o flagrante pode ser sido armado. Ao mostrar o dinheiro para a camera, um dos delegados diz claramente que "tá tudo aqui. Notas xerocopiadas". Se isso restar comprovado, de acordo com uma fonte do Ministério Público, o flagrante será necessariamente anulado. "Isso equivale a induzir ao comentimento do crime, o que é proibido pela legislação".”

E tem gente que acha que a imprensa deve esperar até o julgamento final para mostrar um coisa destas. É a imprensa Pôncio Pilatos. Lavando as mãos e deixando a justiça para as autoridades, sem levar em conta os seus erros humanos. Será que algum blog publicaria este vídeo, se a ele tivesse acesso em junho de 2009? Eu não tenho blog, mas meu voto aqui no Blog da CIT, seria a favor de sua publicação. E o Ronaldo César, teria publicado, ou esperaria a justiça correr?

Logo abaixo, parece que o RC já está arrependido de ter censurado o Altamir Pinheiro, na postagem que ele diz tê-lo dado espaço em seu blog, quando na realidade apenas disse por que não publicaria, seus comentários (espero que seja encontrado aqui). Agora mostra os 3 erros da Emília. 1. Buscar desqualificar as fontes. 2. Envolver interesses políticos. 3. Confundir a acusação com críticas ao Hospital. Eu não vou entrar no mérito da questão pois não estou por dentro dos detalhes do caso. Minha obrigação, como blogueira responsável, seria publicar as fontes, a Emília, os comentários, o promotor, os blogueiros e outros, e estou pronta para fazê-lo. Mas, dar opinião já é algo a mais que o RC agora o faz, corretamente. “Opinião ainda que tardia!” ou seria melhor em latim? “Opinio quae sera tamem!”.

Vejam a violência:




Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

Deixa prá lá




Neste último fim de semana, entre uma e outra ida à internet, encontrei no Blog do Maurício Ricardo a charge abaixo. Ri, como boa noveleira e resolvi publicá-la aqui para proporcionar aos meus leitores uma sessão de relaxamento espiritual.

Eu, como minha mãe, “descanso carregando pedras”. Mas, desta vez joguei as pedras todos em blogueiros que se fingem de jornalistas para ganhar dinheiro. Fiquei com algumas ainda, mas gostaria de não usá-las. Deixa prá lá.

Hoje é dia de missa e de confissão. Não me sinto muito carregada de pecados. Os que cometi, no último mês, foram todos perdoados, com penitências antecipadas, como a de ouvir dizer que o Vicentinho agora é um neoliberal extremado. Sofri tanto com isto, que todos os meus pecados caíram pela metade. Eu que pensei que quem tem a língua presa não pudesse entrar no PSDB. Deixa prá lá.

Pior. Soube que o PMDB, até que enfim, uniu-se em torno de uma causa. Já não era sem tempo. Os lutadores pelo restabelecimento da democracia no Brasil agora estão unidos. Todos votarem a favor de um salário mínimo menor. E dizem que no senado esta união já está em andamento. O Pedro Simon desistiu de sua aposentadoria como governador e desistiu de fazer oposição ao governo da Dilma. Parece até alguém que conheci um dia, viu rabo de saia, é a favor. E ainda diz que é franciscano. Deixa prá lá.

Não, o Jarbas não. Seria impossível ele ser contra um salário mínimo de R$ 600,00. Porém, se até o Aécio é, por que não ele? “Perdão meu Jesus, perdão meu senhor, perdão Deus clemente, perdoais senhor.” Estou mais leve agora ao me lembrar de seu Gabriel, na Serafina. Deixa prá lá.

Então, diante de tantas agruras, quando me ajoelhei aos pés do Padre Edvaldo, minha caixa de pecados já estava vazia. Mesmo assim, sua rigidez ainda o levou a me indicar uma penitência, e aí eu acho que ele exagerou. Ter que esperar o fim de todo o inquérito para falar do caso do D. Moura de Garanhuns. Será que poderei cumpri-la? De qualquer forma me aconselharei com o Ronaldo César, que disse que não me conhecia, mesmo assim, fez uma postagem só prá mim em seu blog, e a retirou do ar, para não publicar um comentário que fiz. Penso que ele só falará sobre o caso com a sentença transitada em julgado (não sei bem o que é isto, mas, vi em algum lugar). Não sei como ele aguenta. Deixa prá lá.
Já de volta da missa vi uma postagem no blog do Roberto Almeida sobre seus valores familiares. Eu tive vontade de voltar ao meu confessor e dizer mais um pecado: De vez em quando eu discordo do Roberto. Não irei, mas, rezarei aqui um "eu pecador", e tentarei me redimir dizendo: parabéns Roberto pelos seus valores. E pendindo perdão a Deus mais uma vez, eu digo, com o poeta: "Ah! se todos os blogueiros fossem iguais a você!!!. Mas, deixa prá lá.

Vejam a charge e comecem bem a semana.




Lucinha Peixoto - lucinhapeixoto@citltda.com

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Novas Regras para a Presidenta




Poucos minutos atrás, lendo os Blogs, fui ver um filme que a A Gazeta Digital publica, sobre a semana que passou. O Zé Carlos parece que está aprendendo e mostrando que foi formado, modéstia à parte, aqui na CIT Ltda, que ainda tenta proporcionar aos seus clientes, risos e emoções. Tá certo, hoje, mais emoções do que risos. Mas, o filme me fez rir no final, apesar de que alguma tristeza me bateu ao ver a figura do Vicentinho, com a língua presa e tudo, enfrentar aquela situação.

Todavia, o assunto que me fez sentar mesmo foi a coluna do Sebastião Nery, no Diário de Pernambuco de hoje. Espero que o Zezinho não o tenha encontrado antes (encontrou nada! Aquilo, no sábado, dorme até meio-dia), e o comentado também. Vou citar apenas os trechos relevantes, para mim, no momento:

“Marta

A elegante, simpática e desbocada senadora Marta Suplicy resolveu inaugurar-se no Senado corrigindo o cochilante presidente José Sarney, porque ele chamou a presidente Dilma Roussef de ´presidente`. - Não é ´presidente` não, senador. É ´presidenta`. Sarney deu-lhe uma resposta cordial mas irônica: - Senadora, prefiro a formula francesa: - ´Madame le President`. A senadora pensa que a língua é botox, que cada um embute como quer. Como diria dona Marta, não sei quem inventou essa babaquice de ´presidenta`. Deve ser baianada do João Santana, para Lula conseguir falar. Queria ver o que faria a senadora no Rio, encontrando-se com anova chefe de polícia civil, a charmosa e competente delegada Marta Rocha. Iria chama-la de ´competenta chefa de polícia`? Podia receber voz de prisão.

Dilma

Indignados, leitores mandam pencas de exemplos, toda vez que a Presidência da Republica anuncia na TV ou nos jornais a presença da ´presidenta Dilma`. A lingua é um dos símbolos da unidade nacional. O que a Dilma está permitindo que seus puxa-sacos repitam é uma agressão. Se o país todo fala ´a presidente`, por que querer ser exclusiva e ´diferenta`? Já não bastam a retumbância física e o cabelo em espiral? As ´gerentes` dos programas do governo ela chama de ´gerentas`? As ´serventes` de seu cafezinho são ´serventas`? E as ´estudantes` da Universidade de Brasília ou da escolinha da Ceilandia são ´estudantas`? As jovens das baladas do Lago Sul de Brasilia são ´adolescentes` ou ´adolescentas`? Quando a presidente vai ao médico é uma ´paciente` ou uma ´pacienta`? Ela prefere ser chamada de ´elegante` ou ´eleganta`? Ora, presidente Dilma, não deixe que, só para rimar, a chamem de anta.

´Presidenta`

O filólogo e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), José Bones, pôs na internet esta frase absurda e palaciana: - ´A presidenta se comporta como uma adolescenta, pouco pacienta, imaginando ter virado eleganta depois que se tornou nossa representanta. Esperamos vê-la sorridenta numa capela ardenta, pois nossa dirigenta não tem o direito de violentar o pobre português só para ficar contenta. Pior é que a Voz do Brasil já fala presidenta. Caramba! Além de estropiarem o país estão a estropiar nosso idioma, desrespeitando seus fundamentos etimológicos. Infelizmente ela não é nossa ´ouvinta`.”

Eu já tratei do tema aqui, e hoje já é uma regra em muitos lugares minha sugestão de que, havendo formalmente a palavra “presidenta” nos dicionários, não sei porque não se acatar o desejo do poste, de chamá-la por este substantivo. Mas, também devemos respeitar as normas e costumes de nossa nossa língua, que em todos os países que a falam, isto é, nunca na história destes países, apareceu uma “presidenta”. Ora, se a Dilma quer marcar território político propondo chamá-la de presidente, vamos fazê-lo e manter a denominação normal para outras presidentes. Por exemplo, diremos que a Cristina Kirchner, presidente da Argentina recebeu a Dilma Roussef presidenta do Brasil. Então ninguém irá confundir as duas. E assim por diante.

Vamos além e propomos que, quando nos referirmos á presidenta (vejam como é prático, ninguém vai pensar que me refiro à Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, ou a Mireya Moscoso Rodrígez, ex-presidente do Panamá, ou a Benazir Bhutto, ex do Paquistão), é chamá-la, como fez o filólogo José Bonés, citado acima, pelos femininos de todas as palavras, que normalmente chamamos no masculino. Por exemplo, quando nos refirmos ao novo retrato, na galeria dos presidentes, no qual a presidenta se encontra rindo, basta dizer: “Ela está sorridenta”. Quantas mulheres teriam a audácia de serem sorridentas? Claro. Não haverá ambiguidade.

Eu só fico em dúvida é se, quando eu quiser me referir à fêmea do elefante, eu a deva chamar de elefanta, pois já ouvi isto muitas vezes. Por exemplo, aquela cantora está parecendo uma elefanta! Será que alguém poderia pensar que eu me referia à presidenta? Já "estudanta", eu não teria dúvida. Seria ela. É, realmente, estas terminações em “anta” podem dar muita confusão. Mas, serão apenas um exceção para confirmar as minhas regras (não tripudiem com trocadilhos).


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um ImBLOGlio?




Estou acompanhando o imbróglio (ou imBLOGlio?) formado pelas denúncias sobre o Hospital D. Moura em Garanhuns. Não sei em que pé as coisas estão agora, depois que li os textos do Ronaldo César e Lucinha Peixoto, onde eles trocam juras de amor eternas. Só em relação ao texto da Lucinha, onde sou citado por ter criado o “pastoril”, eu queria dizer, para não ser processado por apropriação indébita, que a ideia de escrever em cores, uma para cada interlocutor, foi imitado do Reynaldo Azevedo. Se há alguma originalidade, é apenas o nome de “pastoril”. Quando precisar de mais cores, será um “reisado”, ou um “bumba-meu-boi”.

Pelo jeito a justiça formal já está operando nas redondezas ouvindo ambas 120 partes, para concluir e seguir em frente. Este seguir em frente, para Lucinha pode ser 10 anos, e ela está sendo pessimista, que se possa esperar tanto tempo, ou, dentro de outra ótica, alguém pode estar sendo otimista, se disser que o processo pode terminar logo. Vejam o texto que eu encontrei no site Congresso em Foco, escrito por Sylvio Costa (que não é o deputado pernambucano), que o criou e dirige, com o título, bem sugestivo para o momento atual de guerra blogueira é: “Cuidado, jornalista: criticar pode dar cadeia”. Leiam, enquanto eu arrumo as malas para voltar a Caetés e aconselhar meu conterrâneo Rafael Brasil, passando antes por Garanhuns e falando com o Altamir Pinheiro. Talvez dê um salto em Bom Conselho para falar com Mr. M.

“!!!!!!!!!!!!!

Pra entrar no clima, só abrindo com pontos de exclamação. Treze, pra afastar assombração. O velho Aurélio aqui ao lado, deliciosamente jurássico em suas amareladas páginas de papel, esclarece:

“exclamação. Ato de exclamar; voz, grito ou brado de prazer, alegria, raiva, tristeza, dor”

Tirando o prazer e a alegria, tudo a ver. Vontade de gritar. De tristeza, dor, raiva e, principalmente, de espanto. A história é uma aula de Brasil.

Você acha que é ofensa alguém dizer de uma autoridade pública, eleita pelo voto, que ela “paga o preço por seu despreparo”? Ou que anda “empazinada de ansiolíticos e com vida em boa parte reclusa”? E se, sem citar nomes, o sujeito fala que o “sumo pontífice e sacerdotisa da Seita Songamonguista do Reino Azul-turquesa” devem “ajustar seus rituais”? Ofensa?

A juíza Welma Maria Ferreira de Menezes, do Juizado Especial Criminal de Mossoró (Rio Grande do Norte), entendeu que as três afirmações eram ofensivas, sim. E, por causa delas, condenou a cadeia, em três processos diferentes, o blogueiro Carlos Santos, 47 anos de idade e 26 de atuação profissional como jornalista. As punições foram iguais: um mês e dez dias de detenção, em cada uma das ações penais, com permissão para cumprir a pena fazendo doações (no valor de R$ 2.040,00 por processo) a entidades filantrópicas.

Sentença 1 - "Empazinada de ansiolíticos e com vida em boa parte reclusa"

Sentença 2 - "A 'prefeita de direito' paga o preço por seu despreparo"

Sentença 3 - "Sumo pontífice e sacerdotisa da Seita Songamonguista do Reino Azul-turqueza, ajustem seus rituais"

Mossoró é o Brasil

Com cerca de 250 mil habitantes e uma das mais prósperas cidades do Nordeste, Mossoró é o segundo município do estado – só perde para Natal – em população e força econômica. Esta, derivada em especial do petróleo, da extração de sal, da produção de frutas, do comércio e do turismo. Uma cidade situada a meia distância (entre 260 e 270 km) da capital potiguar e de Fortaleza e que se orgulha de ter importantes edificações históricas e uma indústria de comunicação expressiva: quatro jornais locais, dez emissoras de rádio e duas de TV aberta. Uma cidade que... vai que é tua, Brasil... é administrada há 63 anos pela mesma família. Desde 1948, portanto. A família Rosado, a mesma da prefeita Fátima Rosado (DEM) e do seu irmão e chefe de gabinete, Gustavo Rosado (PV). E também da deputada federal Sandra Rosado (PSB), que lidera a oposição a Fátima. E, ainda, da governadora e ex-senadora Rosalba Ciarlini (DEM), que se elegeu prefeita em 2000 disputando contra a Fátima, mas a ela se aliou nas duas eleições seguintes (2004 e 2008), e a quem Carlos Santos exime de responsabilidade em relação ao calvário que enfrenta.

O chefe de gabinete, Fátima e seu marido, o médico e deputado estadual Leonardo Nogueira (DEM), elegeram Carlos Santos como alvo de nove interpelações e 27 ações judiciais (cíveis e criminais). Uma foi arquivada, as outras 26 estão em andamento. Somente no dia 23 de abril do ano passado o trio deu entrada em 11 processos contra o jornalista blogueiro. Que é um fenômeno da internet local. Embora precária, quase heroicamente, Carlos consegue sobreviver com a publicidade que seu blog amealha. E o faz por causa da boa audiência, superior à de qualquer portal mantido na internet pelos tradicionais grupos de comunicação de Mossoró.

Seu sucesso lhe custa caro. Além dos processos judiciais, foi uma das principais vítimas de uma página apócrifa criada na internet, e retirada do ar pela Justiça em razão do sem-número de leviandades desferidas contra diversas personalidades da cidade. Ao contrário dos responsáveis pela tal página, ainda anônimos e impunes, Carlos Santos dá a cara a tapa. Assina o que escreve, tem endereço conhecido e longa trajetória na imprensa do município. “Tenho relações respeitosas com praticamente todos os políticos importantes do estado, meu problema é com o Gustavo e a Fátima”, resume.

Ivanaldo Fernandes, gerente de comunicação social da Prefeitura de Mossoró, diz que a prefeita Fátima Rosado não teve outra alternativa: “O Carlos Santos tem um blog que é muito acessado, ele é muito capaz, escreve muito bem, mas passou do limite. A crítica a prefeita aceita. Mas o achincalhe, não. Por isso, ela recorreu à Justiça, que é o instrumento disponível para resolver essas questões numa democracia”.

Realmente, o jornalista blogueiro às vezes pega pesado. É, no mínimo, de gosto duvidoso, uma afirmação sua sobre a prefeita, cuja incompetência ele não cansa de apontar. Carlos chegou a decretar que Fátima Rosado “não tem condições de gerenciar um fogão Jacaré, modelo camping de duas bocas, num piquenique escolar”. Mas, de mau gosto ou não, ele não tem o direito de manifestar sua opinião? Ou de dizer, como disse, que Leonardo, o marido da prefeita, tem um “olhar bovino”? São motivos fortes o bastante para meter alguém no xilindró? Ah, sim. Deixemos por um instante as indagações conceituais, sobre o antigo dilema dos limites de liberdade de informação e direito à privacidade, para esclarecer a história do sumo pontífice.

Na nota publicada no blog, Carlos Santos escreveu: “Alunos da Faculdade Mater Christi (Mossoró) solicitam, fervorosamente, que o sumo pontífice e a sacerdotisa que comanda a Seita Songomonguista do Reino Azul-turquesa ajustem seus rituais”. A mensagem cifrada fazia referência aos ruidosos encontros que Fátima (a sacerdotisa) e Leonardo (o sumo pontífice) fizeram em sua residência durante a campanha eleitoral do ano passado, na qual ele se reelegeu deputado estadual. “A casa da prefeita fica ao lado da faculdade, e o barulho que eles estavam fazendo, nessas reuniões, estava atrapalhando as aulas. Eram encontros para motivar as pessoas que iam às ruas pedir votos. Então eles gritavam, batiam palmas, e sempre terminava com foguetório”.

Marcos Araújo, advogado de Carlos Santos, entrará com recurso contra todas as condenações (duas delas sequer haviam sido publicadas oficialmente até ontem) e pedirá um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal em favor do seu cliente, que ele defende de graça. Marcos fala que, além do inconformismo contra “a perseguição que o Carlos sofre”, tem interesse acadêmico pelo assunto. Seu mestrado em Direito Constitucional tratou exatamente do conflito entre o interesse da sociedade em informar e ser informada e os eventuais danos à imagem de pessoas.

Um dos aspectos que mais lhe incomodam é verificar como alguns veículos de Mossoró se associam à campanha contra Carlos Santos. “A cada ação que era formalizada contra ele”, conta o advogado, “o jornal dava destaque. O Carlos é um rapaz sério, que atira em todos os grupos. Ele é muito independente, e os independentes são problemáticos. Ele chegou a ter um jornal com um sócio. Como o jornal começou a se aproximar da prefeita, ele virou blogueiro. O uso da mídia na política é muito grande, e no Nordeste é maior ainda. Não tem um grupo de comunicação que não seja de um grupo político. E o Carlos acabou conquistando muita audiência por ser a única voz crítica à administração municipal”.

De acordo com o advogado, um dos processos surgiu porque Carlos relatou que a prefeita havia sido vaiada em um evento: “O problema é que, como é contra a prefeita, ninguém se dispôs a atestar. Ele é processado por expressar sua opinião. Por dizer que a prefeita é incompetente. Que ela é a prefeita de direito e quem é mesmo o prefeito é o irmão, e é um fato. A cidade toda sabe disso. Ele é o chefe de gabinete, mas é ele que vai a Brasília, que recebe o governador em exercício, reúne o secretariado. Juntei várias notícias de jornais mostrando isso, mas a juíza não aceitou”.

O Brasil é Mossoró

Juridicamente, enfatiza o advogado Marcos Araújo, Mossoró está na contramão da jurisprudência do STF. “Conforme voto do ministro Celso de Mello, incorporado ao acórdão do julgamento que derrubou a Lei de Imprensa, o agente público está sujeito a crítica. Havendo excesso nessa crítica, cabe no máximo a conversão da ofensa em indenização, jamais uma ação penal”. Pior: no caso em questão, o Ministério Público Estadual avalizou as ações criminais propostas por Gustavo/Fátima/Leonardo.

Há sinais, porém, de que, politicamente, Mossoró é um retrato do que rola no Brasil hoje. Desde 13 de novembro de 2009 os blogueiros Enock Cavalcanti e Adriana Vanhoni estão proibidos de emitir opinião sobre as mais de 140 ações em andamento na Justiça contra o presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Riva (PP). O jornal O Estado de S. Paulo é proibido desde 31 de julho de 2009 de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica (veja aqui a íntegra do inquérito), que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Generaliza-se o hábito de políticos usarem a Justiça como instrumento para intimidar jornalistas e blogueiros, constrangendo assim a liberdade de informação assegurada na Constituição. A coisa bagunçou de tal modo que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se sente à vontade para adotar uma curiosa estratégia. Patrono de indicações para Furnas Centrais Elétricas que se converteram em fatos no mínimo estranhos, ele se recusa a dar entrevistas ao jornal O Globo, que levantou a lebre, furtando-se à obrigação básica de todo representante eleito de contribuir para esclarecer assuntos de interesse público. “Procuramos o deputado antes de publicar todas as matérias que fizemos. No começo, ele chegou a responder por e-mail, através da assessoria. Depois, nem isso”, conta Chico Otávio, repórter responsável pela cobertura. Curiosamente, o mesmo Eduardo Cunha que preferiu não se manifestar sapecou lá no Twitter, no último dia 4: “Incrivel tambem uma materia so com a versao do ataque.Vai fundo Chico Otavio e prepara o bolso.Vai trabalhar a vida toda para pagar a conta” (reprodução literal).”

E o Agreste Meridional é o Brasil ou é Mossoró. Pelo que eu li acima, um pouco de ambos. Não estou informado de como anda o caso do HRDM, encaminhado ao Ministério Público. Não sei se as partes já foram todas ouvidas ou não, nem sei o teor dos depoimentos, com exceção daquele de Altamir Pinheiro que permitiu sua publicação pela A Gazeta Digital (da qual me orgulho de dar uma forcinha no seu início). Seria ótimo saber de todos os depoimentos e de todas as nuances deste caso, que tem de tudo para ser exemplar. Denúncias de pessoas, publicação por blogs, denúncias por blogs, problemas administrativos em órgãos públicos, política partidária, atos ilícitos, chegando até a envolver o partido do qual o governador do Estado (chamado por Lucinha de Conde Eduardo, eu acho que ele parece mais um Duque, sem ser "de Caxias"), e outras coisas mais.

Vamos acompanhar e torcer para que tudo não se volte contra os divulgadores de opinião, afinal de contas, portador não merece pancada. E quando se trata de pessoas públicas, numa democracia, a crítica é um direito e um dever do cidadão. Antes de entrar na discussão de se os termos, as frases usadas são ofensivas ou não deve-se primeiro pensar, que um cargo político ou na administração pública torna quem o exerce uma confluência de críticas, também. E não só de elogios.

Dizer hoje que Dilma foi um poste carregado por Lula, e que até hoje não deu a luz, parece-me bastante razoável. Se me processarem porque pensam que agora, aumentando o salário mínimo para R$ 545,00, o poste está se iluminando, e eu menti, podem até fazê-lo, mas irei ao juiz e explicarei a ele, como o fez Galileu Galilei perante um tribunal da Inquisição, só que ao contrário. Reza a lenda que, ao sair do tribunal após sua condenação, disse uma frase célebre: “Eppur si muove!”, ou seja, "contudo, ela se move", referindo-se à Terra, eu diria ao sair: “Eppur non si muove!”, ou seja, “contudo, ele não se move”, referindo-me ao poste. Eu aguentaria só uma multa de um salário mínimo, e graças ao poste.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ao RONALDO CÉSAR




Para um bom esclarecimento dos fatos, vou começar transcrevendo meu comentário, feito no Blog do Ronaldo César (RC) e que pode ser visto aqui no original, ou leia transcrição abaixo:

“Eu, raramente estou lendo este Blog do Ronaldo César. Muito menos me aventuro a fazer qualquer comentário nele, e ele deve dar graças a Deus. Não dá tempo. Pois quando acabamos de ler as propagandas, nossa vista já está cansada. Hoje vi esta postagem sobre o caso do Dom Moura e vou arriscar fazer um. Mais por dois comentários que fizeram do que pelo texto em si, que como diz o primeiro comentário, não diz muita coisa. Será o Ronaldo César do PSDB? Pelo menos, em relação ao texto concordo com o senhor Frederico Jorge Caldas, parece que sim.

O Ronaldo César (RC) diz que existem blogs informativos e de opinião. Eu concordo, como acho que o dele tenta ser apenas informativo, visando exclusivamente o lucro. Nada contra. Pelo jeito ele estava torcendo para que as coisas não chegassem a este ponto. Tudo devia ficar como antes no quartel de abrantes. Ora, se o Altamir já falava e ninguém dava atenção foi preciso que alguém, não necessariamente melhor jornalista do que o Altamir, colocasse as coisas ruins no ar. O Roberto Almeida cumpriu sua obrigação como jornalista e, tenho certeza, o povo de Garanhuns vai sair ganhando. Alguns perderão, mas isto é a vida... Mas, o Ronaldo César, certamente, não perderá nada.

Um outro comentário é da Telma, quem, de vez em quando discorda de mim. Hoje eu vou discordar dela primeiro. Os blogueiros devem se unir em torno da verdade dos fatos e não sob quaisquer pretextos. Eu sou blogueira a algum tempo, de um blog com “sotaque local”, como diz o RC, e só me uno neste caso. Se amanhã, tudo for esclarecido e a Dr. Emília, realmente, não tiver nada com isso, parabéns para ela. Agora se eu fosse ela, nunca mais cruzaria a porta do PSB. Quando até o RC consegue emitir uma opinião dizendo que este partido está capengando na cidade, é por que a coisa está feia.

Lucinha Peixoto (Blog da CIT)”

Após este comentário, não gentilmente publicado pelo Ronaldo César (RC), ele me honra com uma postagem, a mim dedicada (leia aqui). Quando vi na A Gazeta Digital, sua publicação (página, Deu nos Blogs), quase desmaio de emoção. Ainda não sabia se era de um boa ou má emoção, mas o que importa? Viver é ter emoções, e quanto mais fortes, mais vida...

Leiam esta postagem, a qual comento, fazendo igual a Zezinho de Caetés, que inventou um tal de “pastoril”, que é muito útil. Não sei porque o Zezinho não entra na política de Caetés. Quem sabe ele mudaria de pseudônimo para Zezinho da Luz? O cara é uma inteligência. Então vamos ao pastoril do RC. Onde estiver de vermelho, foi o RC que escreveu. Em azul, sou eu.

A Lucinha Peixoto

Eu havia resolvido deixar de fazer posts respondendo a comentários de alguns leitores quando eles tentam denegrir a imagem deste blog e a minha pessoa, preferiria não publicar, como aliás, temos feito, mas não posso também deixar de fazer algumas observações devido a um posicionamento de cautela no caso do Hospital Dom Moura.

Tenho certeza de que o RC não está se referindo ao meu comentário quando escreve sobre “denegrir o blog”, e muito menos a pessoa dele. Basta ler. Então não foi por este comentário que o RC voltou a responder comentários.

O fato de dar crédito ao trabalho dos profissionais de imprensa Roberto Almeida e Pereira Filho, não quer dizer obrigatoriamente que os acusados pelas denúncias já sejam culpados, pois começa agora o trabalho do Ministério Público. É esta a observação feita no post anterior, e criticada.

Eu não critiquei o RC pelo óbvio. Ou seja, nunca disse que quaisquer das partes sejam culpadas, no sentido que ele fala, da entrada do Ministério Público no caso. Caro RC, por este caminho ainda temos uma longa jornada. Os advogados que me ajudem, mas penso ter ainda juiz, várias instâncias, e querelas jurídicas de toda ordem. Já pensou se os jornalistas deste país estivessem ainda esperando a sentença no caso do mensalão, para se manifestar, inclusive emitindo opiniões sobre o caso. Tenho certeza que hoje o presidente do Brasil, seria o Zé Dirceu. Deus salve a imprensa.

Do ponto de vista político e administrativo, os culpados aparecem muito antes, e neste caso eu não sei o suficiente para julgar, nem como blogueira, pois estou muito longe dos fatos, e também, não conheço bem a política na cidade de Garanhuns. Isto é um função do jornalismo local, e o Roberto e o Altamir e outros que você cita, cumpriram sua obrigação. Se há uma crítica que faço ao RC, é ele dizer que isto já se falava há muito tempo, pelo Altamir, e como ninguém deu bola e muito menos ele, ninguém deveria ter dado bola. (“Bem, é bom dizer que o burburinho sobre irregularidades é antiga, e poderia ter sido evitada (sic) que se chegasse a esse ponto. O blogger Altamir Pinheiro já fazia as acusações em novembro do ano passado. Porém somente agora ganhou esta repercussão.”Postagem anterior do RC).

Caro RC, ser informativo, jornalisticamente, é uma coisa, ser inativo é outra. O que o Altamir e o Roberto, e outros fizeram, foi serem informativos, quanto ao “burburinho”, serviram ao povo e geraram outro “burburinho”, enquanto outros blogs, ficaram esperando o “burburinho” passar, e o seu, só “deu fé” disto, dias depois. O que posso dizer é que eles serviram mais ao povo de Garanhuns do que você com sua cautela.

Outra coisa, eu não entendo porque incomoda tanto algumas pessoas o fato de que possamos ganhar dinheiro com blogs. E a Lucinha critica isso já no começo de suas palavras. Ora, todo mundo trabalha e ganha seu dinheiro, para quem mexe com comunicação a remuneração vem de contratos publicitários. Naturalmente. Qualquer que seja, TV, jornal, rádio e outros meios de comunicação. Não estamos roubando nem forçando as pessoas a acessarem nossos blogs, e em especial este, o qual temos mantido há quase dois anos de dedicação. E pelos resultados sempre satisfatórios (nunca tivemos tantos acessos como atualmente) acho que as pessoas gostam de estar aqui com a gente.

Muitas pessoas gostam. Eu não gosto do formato do seu blog. Dizer isto, e dizer que sou contra a se ganhar dinheiro com blogs, é uma argumentação, no mínimo capciosa. Existem blogs que tem muito mais acessos do que o do BC, sem serem tão poluídos visualmente igual ao dele. Um bom designer resolveria isto. A mania de colocar penduricalhos para fazer propaganda já está fora de moda há muito tempo. Alguém já tentou chegar até ao arquivo do Blog do RC? Tentem, e verão o que estou dizendo. Se o o blog é informativo como ele diz e tem tanta audiência, já está na hora de ganhar dinheiro sem forçar tanto o leitor a este monte de propaganda, dando-lhe um melhor visual. Pois se não o fizer você perderá clientes, e seu objetivo maior não será atingido. Eu desejo que o RC ganhe muito dinheiro e que seja feliz, mas lembre de suas obrigações jornalísticas, que vão além dele.

Dispomos o blog de graça no computador de qualquer pessoa que queira a informação sob nossa ótica. Será que ainda assim, a pessoa ainda tem o prazer da crítica depreciativa? Não entendo. Tem todo o direito de não acessar. Os sites que não gosto também não acesso, mas nem por isso vou denegrir ou criticar o trabalho de ninguém.

Criticar sim, denegrir não. Entramos na semântica e estou sem vontade de levantar e pegar o dicionário. Mas quem quiser que o faço e entenda o que eu digo. O que queria o RC? Que todos os seus leitores se ajoelhassem aos seus pés e agradecessem o seu desprendimento em fornecer a eles informação gratuita? Pelo o escrito, parece que sim. Eu sinto muito mas não tenho a ótica do RC, para fazer isto. Leio seu Blog de quando em vez, e sei que isto não é de graça, nem para mim nem para ninguém. Eu gosto muito de novelas de TV, mas, jamais, agradecerei à Rede Globo pelo seu desprendimento de oferecê-las a mim de graça. Deus sabe quantos palavrões (não tão pesados quanto os do "guerrilheiro") eu falo contra as propagandas, e mesmo contra o conteúdo das novelas. Eu sei que estou pagando por isso no preço dos produtos, assim como os leitores do RC também estão. Zezinho está me soprando aqui uma frase não sei de quem: “Não há almoço grátis”, e muito o menos o Blog do RC. Eu não critico a Rede Globo por ganhar dinheiro, mas tudo tem um limite social e visual que cada um de nós é que deve decidir, mas nunca deixar de criticar, pela sua pseudo gratuidade.

Mas tem mais. As pessoas querem que emitamos juízo a respeito do caso Dom Moura. Mas quem tem esse poder no momento é o Ministério Público e mais na frente a própria justiça. Não é questão de escolher lado. É claro que Roberto Almeida tem credibilidade e confio em suas palavras, mas são acusações que precisam ser referendadas na justiça, e ele foi apenas o porta-voz de algumas denúncias, através do seu blog. Aliás, nem chegou a citar nomes. Agora cabe ao promotor levar adiante a investigação.

Mais um vez o RC confunde as coisas. O jornalista não necessita formular juízos de valor sobre caso nenhum, a não ser que queira. Ele tem é que noticiar o que soube e que acredita que podem serem fatos, que provoquem outros fatos e que de uma forma ou de outra afetam a sociedade. O Altamir fez isso, o Roberto fez isso, e quando fizeram acreditavam que “onde há fumaça há fogo”, mesmo que eles possam se queimar. Isto é que se chama coragem jornalística, e não irresponsabilidade. Se a justiça vai decidir isto daqui a 10 anos pouco importa. Geraram fatos políticos e administrativos que afetam a sociedade como qualquer outra informação. Sei que este tipo de comportamento pode, algumas vezes, levar a perda de algum patrocinador, e se ganhar menos dinheiro, mas isto são os ossos do ofício, pelo menos de quem é blogueiro com o espírito de jornalista, e não só de empresário. Embora, volte a repetir, não tenho nada contra. Mas, cada um no seu quadrado, e eu gosto mais do outro quadrado, onde não está o Blog do RC.

Mas há ainda que ser provado, e é este o sentido da justiça. Isto não é ficar em cima do muro, é a lógica do direito, para qualquer cidadão. Ou já devem todos aqui serem considerados culpados de algo que ainda está na ouvida do Ministério Público?

O que o RC propõe é que esperemos a decisão da justiça para darmos nossa opinião. Isto não é ficar em cima do muro. É ficar vagando pelo espaço sideral de uma justiça onde não existam pessoas reais, fatos reais, jornalistas, políticos, administradores, e outros que nos lembram que vivemos na terra. E melhor será, se nessa espera etérea o RC continue a ganhar seu dinheiro, como bom empresário que é. Ele tem todo direito de agir desta forma mas, não diga que alguém que o critique por isto está denegrindo o seu trabalho. Ele que fique lá com seus milhões que eu fico com os meus tostões.

Afirmei que considerei um erro do PSB buscar desqualificar aqueles que levantaram as suspeitas, pois o correto agora seria atacar as acusações, e acho que levar para o campo político/partidário é desviar o foco das questões administrativas.

Não acho inteligente bater de frente com profissionais de imprensa com grande repercussão e credibilidade como Roberto Almeida e Pereira Filho.

Eu já não tenho este problema. Só tenho a perder os meus tostões. E baterei de frente com qualquer um de quem discorde, ou se souber que eles não estão sendo bons profissionais da imprensa, o que neste caso não se aplica, porque, pelo menos o Roberto e o Altamir foram exemplares. Já o mesmo não posso dizer do RC, no seu blog. Espero que ele não bata tão forte em mim porque não estou sendo tão inteligente, e o meu peso é muito pequeno para resistir a uma batida frontal. Mas, quem falou mesmo em “morrer pela causa e viver sem razão”?

Sempre defendi a união dos blogueiros para defesa e garantia de direitos, pois estamos sempre propensos a dificuldades jurídicas. Neste caso, tanto Roberto Almeida quanto Altamir Pinheiro foram ameaçados e isto é um alerta à necessidade de discutir esta categoria.

E que aqui se comece uma discussão da categoria. As dificuldades jurídicas, todos temos. Eu prezo mais a dificuldade das centenas de pessoas que foram demitidas do Dom Moura, por motivos políticos, e dizer isto como fez o Altamir, do que esperar 10 anos para mostrar que o Conde Eduardo errou em admitir este procedimento por parte de seus subordinados. A esta época ela já pode ser presidente da República, e só pode ser julgado pelo Congresso ou pelo Supremo, aí são mais 10 anos. Eu já morri, o RC talvez não, é muito jovem, mas já estará rico. E começar um “corporativismo blogueiro” para evitar a justiça é demais. Já chega nosso Congresso.

Quanto a Lucinha Peixoto, obrigado por voltar ao nosso blog. Como sei que adora o contraditório e as discussões prolixas...

De nada, caro RC. Quem não adora o contraditório corre o risco de ficar na mesma. Já a prolixidade é um vício que me persegue desde a infância. Mas, estou lutando contra, escrevendo no Twitter, siga-me.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com