quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Ciumeira do Lula




Já está ficando evidente a preocupação do Lula com sua imagem pós-eleição. Em suas aparições, ao invés de nem tocar no nome da sucessora, mantendo um certo distanciamento do cargo em que ficou por 8 anos, ele procura a cada hora fazer comparações entre ele e o poste que instalou no planalto. Até agora ele não deu a luz. Só apagão e cortes. E não pode nem reclamar. Seria um ingrato por que o carregou durante tanto tempo.

Entre os textos bons que comentam sobre esta comparação vi um do Leonardo Attuch, da Isto É, cujo título é “Lula já se deu conta de que o governo Dilma agrada mais que o seu”. Leiam este texto e aguardo vocês lá em baixo, já melhor informados.

“Lula, enfim, reapareceu. Na festa de 31 anos do PT, fez o Brasil se lembrar do tempo em que o presidente da República fazia um discurso por dia, repleto de suor e de exaltação.

Sua frase mais importante? “O sucesso da Dilma é o meu sucesso. O fracasso da Dilma é o meu fracasso.” Em seguida, ele emendou dizendo que os formadores de opinião não entendem nada de psicologia.

Mas qual será o verdadeiro significado psicanalítico da frase de Lula? Terá ele percebido que o governo Dilma poderá ser melhor do que o seu? Ou que a opinião pública aprecia mais o estilo discreto da presidente do que a verborragia lulista? Será que, finalmente, caiu sua ficha?

Parece que sim. No mesmo dia, o Partido dos Trabalhadores divulgou uma resolução política condenando as articulações da direita – será que isso ainda existe? – para desvalorizar as magníficas conquistas de Lula, o presidente de honra do partido. Portanto, o discurso foi bem mais planejado do que improvisado.

Com menos de 45 dias de governo, Lula já tenta se apropriar do provável êxito de sua sucessora. E talvez só agora ele tenha percebido que não elegeu um poste, mas alguém com estilo e com ideias próprias.

O ciúme precoce é até compreensível. Depois de oito anos usufruindo o fausto poder, não é nada simples se acostumar com o anonimato e com a vida de cidadão comum. Mas o fato é que Dilma tem agradado por razões que vão muito além do fato de ter a caneta presidencial.

Sua política externa é bem mais equilibrada do que a de Lula, a gestão fiscal é responsável – note-se o corte de R$ 50 bilhões em despesas – e parece haver uma tolerância menor para indicações políticas nas estatais.

Além disso, a reabertura da discussão sobre a compra dos caças para a Aeronáutica, com foco na transferência de tecnologia para a aviação civil, sinaliza uma postura mais pragmática do que ideológica.

Lula já tem um lugar garantido na história e deveria se esforçar mais e mais para “desencarnar” do poder, sendo, como ele mesmo prometeu, o “melhor ex-presidente da história deste país”. O discurso desta semana revela um incômodo prematuro do ex-presidente.

Na história política, já houve casos de criaturas que se rebelaram contra o criador. Lula talvez seja o primeiro criador que se rebela contra a criatura.”

Voltando. E a revolta tende a crescer, pois o poste, que agora foi ungido por seu marqueteiro, como sendo a encarnação de uma rainha, a Rainha Dilma, que alguns chamam de a Muda, Lula a chama de Surda, por motivos óbvios, não está mais ouvindo seus clamores, e poderá ser a Cega, se não conseguir ver, que “o cara” ainda não desencarnou da presidência, e se ela cochilar, ele joga contra os trabalhadores e contra seus apaniguados, que ainda rodeiam o poder.

Como se não bastasse, vi um quadro pintado por um pernambucano, a quem a Lucinha adora, porque diz que o seu neto tem o mesmo estilo, embora pinte melhor, da Rainha Dilma. Que coisa horrorosa. Coisa de débil mental com pincel. Ele pode até dizer que a modelo não ajuda, mas não justifica aqueles cabelos de Medusa, parecendo a Carmem Miranda, com bananas na cabeça. Se isto tem algum simbolismo, eu não sei, mas o povo não aguenta mais as bananas. Vou pedir ao Jameson para encontrar uma foto do quadro para encabeçar este texto. (Ele encontrou o quadro e fez um duplo, junto com um que o neto da Lucinha pintou, e disse, segundo ela: "é a tia Natacha, vó!")

Ainda mais, o retrato da rainha chegou à galeria de presidentes do palácio, onde ela é a única colorida. Vai ser uma ciumeira geral. Não se espere muito tempo para que o Collor, o Itamar, o Sarney, o Fernando Henrique e, principalmente o Lula pedirem a substituição dos seus retratos por outros coloridos. Se necessário o Sarney até deixa de pintar o bigode para se mostrar igual aos cabelos grisalhos do Collor. Será que o Itamar vai deixar o topete branco mesmo, ou vai perpetrar um acaju básico? Não sei se a Rainha Dilma está de colar e brincos dados pela amiga Erenice, mas se ficarem bem, meu conterrâneo, com a ciumeira que está, pode até furar as orelhas.

Deixei, deliberadamente, o Fernando Henrique para o fim. Ele sempre foi um cara modesto e despojado de vaidades, não as intelectuais, nisto ele parece um pavão emplumado, para a raiva de Lula, que neste aspecto, nem pavão é. É que o vi num programa de TV, que vocês vão pensar logo tratar-se de alguma mesa redonda para discutir o futuro das nações. O assunto era este, mas a mesa não era redonda, e nem existia. Era um banquinho no meio de um palco, cercado por sambistas de todos os lados, sendo entrevistado por Regina Casé, num programa chamado Esquenta. Eu fiquei matutando e pensando: meu Deus, até onde ele chegou!

Mas, como se diz, “quem foi rei nunca perde a majestade”, e que inventaria outra frase de “quem nasce para poste nunca chega a Rainha”, ele saiu-se muito bem, abordando um assunto, a que um dia voltarei: Descriminalização das Drogas. Antes que algum petista sonhe, eu digo que ele não sambou nem um pouquinho, mas, se o tivesse feito, penso que o faria melhor que o Lula. Se meu conterrâneo, que agora anda me lendo, com o tempo ocioso que tem, ficar com muito ciúme, desculpe mas a verdade tem que ser dita.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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