quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dilma. Esperando Godot.




Há dias em que a leitura matinal dos Blogs é compensadora. Ontem foi um deles. Como o Blog da CIT não tem sites recomendados, e o Diretor Presidente insiste em manter o estilo antigo, com exceção para os comentários, sempre começo pela AGD e percorro a lista dele. Claro que influí nesta lista e não faço segredos para ninguém, por exemplo, se eles não tivessem colocado nela o Blog do Roberto Lira (Ilha de Pala), eu não leria mais o Blog. Descupem, isto é uma das minhas costumeiras jocosidades, mas, precisávamos um blog assim, que tratasse de assuntos menos terrenos do que a política. Mesmo tendo uma fé inquebrantável em Deus, sinto saudade do Cleómenes Oliveira, o nosso “ateu cristão”. Se estiver em algum lugar, que tenha internet amigo, acesse o blog do Roberto Lira que você vai gostar.

Nossa, vou ter que mudar de parágrafo, para começar a dizer o que comecei dizendo sobre minhas leituras dos blogs. Encontrei, no Blog do Alon, um texto chamado “O custo do estilo”, que é primoroso, ao fazer uma singela análise do governo da presidenta. Vejam abaixo o primeiro trecho (veja o artigo completo).

“A profusão de avaliações sobre o estilo de Dilma Rousseff na Presidência da República deve-se também à escassez de novidades no conteúdo. Não havendo muito a avaliar nos atos, avalia-se então o estilo.

Essa observação não deve ser lida como crítica. É apenas constatação. Nem seria justo fazer um balanço crítico com tão pouco tempo de governo. Especialmente de um governo aparentemente tão concentrado em promover a arrumação.

Os políticos não se dão trégua, mas quem olha de fora pode esperar um pouco mais. Respeitar, sei lá, a protocolar paz de cem dias. É protocolar e não custa nada.

Há porém um ruído, para o governo, nessa vacuidade. De duas uma: ou tudo está tão bem que basta tocar adiante, ou existem tantos e tamanhos abacaxis que é melhor descascar em silêncio, para não corroer o cacife político do padrinho-antecessor.

Afinal, a cada desafio corresponde pelo menos uma inação de quem esteve na cadeira até outro dia. Foi assim quando a ausência de defesa civil eficaz cobrou sua conta em mortos na região serrana do Rio de Janeiro. Também é assim nos remédios grátis. Ou no propalado combate ao "fisiologismo".

Até o ponto em que alguém vai parar e fazer a pergunta óbvia. Mas como é que havia tantas encrencas no governo se tudo parecia tão bem? E talvez alguém conclua que a oposição andou dizendo algumas verdades.

Em resumo, para ganhar tempo e musculatura Dilma está entrando no cheque especial do mentor.

Não afirmo que é intencional, não tenho elementos para concluir assim. Mas é um processo objetivo, ainda que resultante das múltiplas subjetividades de quem observa, analisa e deduz. Sua excelência, o cidadão.

Um sintoma é Dilma ser aplaudida bem mais efusivamente pelos adversários do que pelos aliados. E na teoria parece esperto. Cria-se uma polaridade Dilma-Lula. Se ela estiver bem, pedirá votos daqui a quatro anos para continuar. Se estiver mal, quem vai pedir o voto será ele.

Mas do jeito que vão as coisas há o risco de ele em 2014 não ser igual ao que ele era em 2010.

Falta também combinar com os russos. Mesmo que os russos hoje estejam mais dispostos a brigar entre si do que com os inimigos de fora. Lá na frente estarão unidos. A guerra política na oposição é real, mas é pelo comando da oposição.”

Como é bom quando lemos uma texto que gostaríamos de ter escrito e não temos informação ou capacidade para tanto, mas, concordamos plenamente. Eu já escrevi outro dia sobre o problema dos remédios, fazendo um comentário no Blog do Roberto Almeida (veja aqui) , do qual soube que temos pelo menos uma afinidade: somos torcedores do Náutico (coitado de nós), e reproduzo abaixo, o que penso ter relação com o parágrafo que trata dos remédios grátis no artigo acima:

“Eu não vi nem ouvi o Café com a Presidenta. E agora com esta notícia dada neste Blog vejo que não perdi nada. Desde quando o Zé Serra era Ministro da Saúde, os remédios usados no café para fins propagandísticos do fracasso Dilma, já eram distribuídos. Não sei qual a base legal, mas isto já era feito. Foi no governo do PT, digo, do apedeuta-ex-mor que começaram a cobrar, e em 2006 ele assinou uma lei (Nº 11.347 de 27.09.2006) que previa a gratuidade. Deram café requentado à presidenta e ela se aproveita e serve o mesmo aos não informados brasileiros e brasileiras.

Eu já estava até acreditando nas notícias sobre a firmeza do poste, sua sinceridade, determinação e outros elogios criados pela imprensa. Com esta, agora estou convicta que tudo não passa de um blefe. Deus tenha pena de nós. Até 2014 tomando café requentado e propaganda mentirosa usando os pobre diabéticos e hipertensos como massa de manobra, é demais.

Não é com propaganda enganosa que vai se erradicar a miséria no Brasil. Segundo o blog do Roberto Almeida, são 40 milhões de doentes com estes problemas. É uma massa e tanto para manobrar. É o jeito petista de governar. No próximo café ela deve anunciar que mudou o nome de Terra de Santa Cruz para Brasil, seguindo as tendências laicas do Estado Brasileiro.

É demais para minha pele. Meus sais por favor!”

Fora as jocosidades finais, o resto é sério. Até agora, um mês e meio depois da posse, a Dilma, as únicas atitudes relevantes que tomou, foi ir ao Rio na tragédia e anunciar remédio grátis. Ambas sem poder explicar os motivos, porque o fazendo ela se atritaria com o apedeuta-ex-mor que agora está no Senegal, dizendo que é melhor ser ex-presidente, do que presidente, também pudera! Com a herança que ele deixou pendurada no poste, eu também gostaria de estar bem longe. Vai prá China, Lula!

O Blog do Alon, além dessas atitudes lista o “propalado” combate ao fisiologismo. E bota “propalado” nisso. Isto talvez se refira ao caso onde ela recusou a ameaça de um pretendente “fisiológico”, dizendo: “Faça o que você quiser”. E imediatamente, deve ter ligado para Sarney, dizendo “pronto, pode dizer ao Fernando que o cargo é dele”. Todos sabem que o Sarney não é mais “fisiológico”, é “paleontológico”, e estes tem primazia no governo do poste. Este foi o maior ato de coragem, pelo menos, foi propalado pela imprensa, de nossa presidenta. Agora eu pergunto: Devemos esperar a protocolar paz dos cem dias, para dizer que ela fatalmente será nossa “deficiente-mor”, sem nenhuma ofensa aos que tem outros tipos de deficiência?

Penso que nem o PT aguentará os 100 dias. Vem aí o salário mínimo, que ela diz que “prende e arrebenta”, quem quiser mais de R$ 545,00. Eu como cidadã, até concordo com ela, pois a babá do meu neto talvez vá prá rua, ou entrará na informalidade, se a proposta da oposição de R$ 600,00, for aprovada. Como política, quero ver de longe como vai ser o término da fase “paz e amor” com os sindicalistas. Vamos ver se ela consegue tomar atitudes concretas, além de ficar esperando Godot para resolver, como foi com o aumento dos juros. O Zezinho, que entende um pouco disto, já me falou. Vai subir de novo. Se não subir, adeus estabilidade, e ai, o Alon está certo, nem Lula em 2014 resolverá. Quem sabe a Marina?

P.S. Este artigo já estava no prelo quando li outro comentário do José Fernandes Ccsta, que diz ser o Zé Fernandes. Custou a acreditar, mas, agora que descobri que ele também tem um blog, embora só tenha uma postagem, peço que o use, para dar suas aulas magistrais de português oco, ao invés de estar chateando o Roberto Almeida com nossas querelas. Enquanto isto, eu estou esperando, além de Godot, o Ccsta, em seu blog, é claro.
L.P.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Legenda na charge do Nani por Jameson Pinheiro.

Um comentário:

Ilha de Pala disse...

Conterrânea Lucinha, boas tardes!!!

Lucinha, mesmo você sendo uma cristã convicta tem sido sempre generosa quando faz referências a este velho não religioso, ou melhor, a este não religioso velho, que ora lhe escreve. Obrigado! Obrigado por tentar fazer com que o blog “Ilha de Pala” seja lido por nossos conterrâneos, quem sabe os daí, os de lá e os d’alhures. Porém, sou consciente que minhas manifestações não são bem recebidas nem compreendidas pelos nossos conterrâneos religiosos. Mas sei, também, que sempre há algumas exceções. São aqueles(as) que mesmo religiosos não são dogmáticos, estão abertos a conviver com pontos de vistas de natureza espiritual diferente daqueles que professam. Nos meus diálogos com o Cleómenes, ele comentava que nossos diálogos eram lidos por umas três ou quatro pessoas lá na terrinha. Acho que não chegava a tantos, penso que ele tentava era me incentivar a continuar dialogando. De fato, posso dizer que Você e o Zé Carlos lêem o que escrevo e mesmo quando não concordam com minhas manifestações, sabem conviver com elas, sabem que elas não são uma agressão a crença de ninguém, é apenas um ponto de vista, uma opção que fiz conscientemente. Quanto aos que moram na terrinha, não tenho esperança de que venham a ser compartilhadores no blog “Ilha de Pala”. Mas, ficaria muito feliz se alguma alma generosa que mora lá, e também as que moram alhures, independente da opção religiosa compartilhasse suas idéias e reflexões, e mesmo suas utopias, nesse blog que começa sua existência e, por não se sentir condicionado nem condicionador, aceita em suas páginas qualquer que seja o ponto de vista manifestado civilizadamente, é claro.
Lucinha, você às vezes se diz prolixa. Prolixo sou eu, que só ia lhe agradecer a generosidade e olha o tanto que escrevi. Quem sabe agora com a responsabilidade de administrar um blog eu aprenda a ser conciso.
Um grande abraço!
Roberto Lira.