sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

E a Dilma continua...




Ontem, não tendo nada de melhor para fazer, fiquei vendo a sessão solene do Congresso Nacional em Brasília, de abertura do ano legislativo. Eu fiquei receoso pelo que ia fazer o Tiranossauro Sarney, iria aprontar, naquela situação, e, não deu outra. Ele aprontou. Vocês já ouviram aquela anedota do vereador, que poderia ser muito bem um que conheço em Caetés, que, numa viagem de avião, depois de o comandante terminar sua fala habitual, desejando uma boa viagem para todos, ele não perdeu o hábito, se levantou da cadeira, e começou: “Quero agradecer, em nome de todos os passageiros...” e continuou o discurso até que a aeromoça lhe pedisse para apertar o cinto?

Pois o vereador ontem era representado naquela mesa pelo Sarney. Depois que todos falaram, e muito, ele não se conteve e rasgou o verbo, dizendo coisas do tipo:

“Volto a repetir aqui que o nosso trabalho exige a sedimentação de uma profunda consciência moral de nossas responsabilidades e a obstinada decisão que devemos ter cada um de não cometer erros, de jamais aceitar qualquer arranhão nos procedimentos éticos que vem nortear a nossa conduta - disse Sarney.”

Santo Deus dos esquecidos. Quase não acreditei no que estava ouvindo. Um homem que no mandato passado teve que enfrentar os até hoje pouco explicados "atos secretos", fala isto, sem dó nem pejo, pelos videntes e ouvintes. É coisa de Tiranossauro mesmo. Eu concordo inteiramente com uma síntese feita em editorial do Estado de São Paulo sobre ele?

“A recondução de Sarney à presidência do Senado é uma marca do atraso político que o Brasil não consegue superar. É o tributo que a Nação é obrigada a pagar, em nome de uma concepção falsificada de governabilidade, ao mais legítimo representante das oligarquias retrógradas que dominam e infelicitam as regiões mais pobres do País.”

Entretanto, nem é sobre o Sarney que quero escrever. Pois dentre os passageiros da nave mãe estava nossa presidenta Dilma Roussef, que viu o Tiranossauro chamá-la de “presidente” e nem o admoestou. Ouvi o seu (da Dilma) discurso. Só não dormi porque já havia dormido depois do almoço. Foi mais do mesmo. Falou como se tivesse em campanha ainda, pois repetiu tudo que havia dito e agora, sendo mais aplaudida ainda. Santa governabilidade. Será que só havia ali 300 picaretas? Pelo volume de aplausos, penso que muito mais.

Vejam alguns trechos do discurso de Dilma que ainda é um poste, agora, sem carregador, mas, a procura de um. E pelo jeito não faltará. Farei um pastoril com eles. Tudo que é vermelho a Dilma disse, o que é azul, foi eu que escrevi:

Democracia

O nosso governo, este Parlamento, as instituições do Estado de Direito, a sociedade em geral têm a responsabilidade de ampliar e aprofundar a democracia, começando por aquela que é nossa missão mais básica: erradicar a pobreza extrema do país

Vejam que a missão mais básica ainda é erradicar a pobreza extrema do país. Passaram 8 anos tentando fazer isto através de meios errados, como o bolsa família, que deveria ter uma saída para aqueles nela entraram e não existe. Agora vão lidar com o bocado de gente viciada na esmola oficial, e sem nenhum rumo produtivo. Se o caminho a ser seguido for a universalização do bolsa família, como ele foi usado, eu temo pelo povo pobre nordestino. Vamos ver se ela inova em alguma coisa.

Social

Conclamo as senhoras e os senhores representantes do Poder Legislativo, governadores e prefeitos a se reunirem em torno de um pacto de avanço social neste país

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Alguém seria contra um pacto como este? Claro que não, desde que o social seja o social de cada um. O social da Dilma ela tenta explicitar nos outros itens, mas esta parece ser uma missão menos básica. E como diz o Alon Feuerwerker em seu blogue “[pacto] ...nunca serviu para nada. Governo governa e oposição faz oposição. Uma receita simples e comprovada. Onde vem sendo praticada há mais tempo com regularidade e sem interrupção, tem tido bastante sucesso.” Ah, se tivéssemos uma oposição de verdade!

Ensino

A educação será uma das prioridades centrais do nosso governo. Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados para desenvolver atividades produtivas

Sendo a educação a prioridade central, eu fico sem saber se a extinção da miséria, que é missão mais básica, fica em primeiro ou segundo plano. Eu mesmo prefiro como política social, todos os meninos na escola, com o bucho e as cabeças cheios. Garanto que seus pais, no resto, darão um jeito.

Reformas

Trabalharemos em conjunto com esta Casa para a retomada da agenda da reforma política. A reforma tributária é também tema essencial

Quando tudo é essencial, nada é essencial. E se vocês pensa que houve um detalhamento para colocar prioridades nas coisas, pelo menos eu, não vi. O Sarney remedou a Dilma quanto à necessidade de uma reforma política. Sei não, se ela acontecer como ele poderá ser o presidente do congresso pela quinta vez?

Drogas

Reitero nosso compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e fragiliza as famílias.

Outra especialidade. O crack. É algo que está se tornando terrível para a saúde da sociedade. Mas, não é com discurso nem com políticas isoladas, que seu combate será eficiente. Isto envolve até política externa. Mas, se o meu conterrâneo não teve coragem de peitar o cocaleiro Evo Moraes, e as Farcs, com enfrentar os narcotraficantes?

Saúde

A oferta de saúde pública de qualidade, por meio da consolidação do SUS, terá primazia no nosso mandato. O SUS deve ter como foco o atendimento efetivo das necessidades dos usuários...

Chega dá dó. Há uma frase mais vazia de conteúdo prático do que esta. Apenas outra primazia. As UPA,s que o digam. O Lula prometeu 500, não fez nem 100, e ela prometeu mais 500, quantas fará? Cadê a oposição no Brasil? Brigando, com raríssimas exceções, pela liberação de verbas das emendas parlamentares.

Salário Mínimo

Encaminharei ao Congresso Nacional proposta de política de longo prazo de reajuste do salário mínimo. A manutenção de regras estáveis que permitam ao salário mínimo recuperar o seu poder de compra.

Todos que já tiveram uma noção básica de Economia sabem que o salário mínimo é uma faca de dois gumes. Se por um lado ela aumenta o poder de compra de alguns, ela diminui o de outros pelo desemprego. Além de agravar um dos grandes problemas deixados como herança para o poste pelo seu carregador, o problema do déficit público. Daqui há pouco, a proposta de Lucinha de vereador receber o salário mínimo não vai poder ser cumprida pois as prefeituras nem isto poderão pagar.

Tragédias

Este governo está aberto às senhoras e senhores parlamentares, governadores e prefeitos para, juntos, montarmos um arcabouço das responsabilidades e compromissos de forma a impedir que o drama provocado pelas chuvas se repita com tamanha intensidade.

Esta é nova. Isto é, não estava no discurso de campanha. Ela surgiu de uma tragédia e espero que seja tratada com responsabilidade. Para isto temos que ter uma oposição para cobrar, e espero que ela não espere a próxima tragédia.

Futuro

Temos no futuro próximo a oportunidade única de transformar o Brasil, definitivamente, em uma nação economicamente desenvolvida e socialmente justa.

Sem comentários.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

E O CAMBURÃO QUE NÃO CHEGA?!?!?!