quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Escrever e sonhar





Agora, com a falta que Eliúde faz, por está servindo a este Blog e a AGD, tenho menos tempo de escrever e ler os blogs diariamente. No entanto, esta semana fui a eles. E logo de pronto me deparei com o Blog Nani Humor (aqui), onde vi coisas espetaculares em “charges”, extremamente sérias, porque quando você olha para elas, é capaz de morrer de rir. Há também alguns textos, prosa, poesia, piadas, que nos levam ao máximo da “arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros”, como o Leon Eliachar define o humorismo.

Já disse e repeti aqui muitas vezes que o Blog da CIT nasceu de um ataque de riso, quando a Lucinha Peixoto, virou para Zé Carlos e disse: “Estes teus filmizinhos estão muito chatos. Avião prá baixo, avião prá cima e nada! Vamos escrever, criar um blog e podemos fazer os outros, se não pensar, mas pelo menos rir. Não vale mostrar minha foto...”. Rimos todos, mas convencemos o ex-diretor-presidente para ir rumo ao ócio remunerado. E, graças a Deus estamos escrevendo até hoje, e os nossos, quase 80.000 acessos nos provaram que a Lucinha, mais uma vez, estava certa. Vejam o seguinte texto do Blog do Nani:

“Adib Jatene, um sábio, disse que o maior problema do pobre é que ele só tem amigo pobre. É verdade. Quando o pobre vai construir sua casa conta com ajuda de amigos e vizinhos, vem parente que é um pedreiro meia-colher, que diz que entende alguma coisa de obra, e faz a planta, outro amigo faz a gambiarra da eletricidade e por aí vai. O rico contrata um arquiteto, que analisa o terreno, faz a planta e tudo é feito da maneira correta. Um dia a casa do pobre cai. O filho do pobre fica doente e, em vez de levá-lo ao médico, compra direto um remédio na farmácia, escuta a dica de uma vizinha, leva num curandeiro e o doente pode até melhorar, mas muitas vezes piora e morre. O do rico vai ao médico logo que dá um espirro ou fica abatido. E por aí vai. No meio miserável a pobreza (monetária e intelectual) fica circulando e a pessoa não sai do lugar, não avança. Isso mostra a falta que faz a educação. Aumentar a renda é importante para sair da pobreza, mas também é fundamental melhorar a instrução e adquirir cultura para evitar as tragédias do cotidiano.”

Jamais seríamos capaz de produzir um desenho, um filme, ou outra coisa para refletir sobre este artigo. Mas, escrevendo, podemos fazê-lo.

Ele nos remete ao que tanto foi falado pelos novos governantes a respeito da erradicação da miséria. Que a presidenta diz ser sua obsessão. Como o pessoal aqui está se tornando filósofo, não custa nada perguntar: o que é miséria? É aquela de São Francisco de Assis, ou dos monges tibetanos, ou mesmo de Buda? É aquela do Fabiano matando o papagaio para não morrer de fome, enquanto a Baleia ficava desconfiada de que sua hora estava chegando nas Vidas Secas de Graciliano Ramos? É aquela daquele monte de gente a fumar pedras de crack na certeza de que vão morrer? É aquela do pai de Eliúde que ao chegar em São Paulo, pegava ônibus pela cor e não pelas letras do painel, como ainda ocorre hoje com uma parcela importante de nossa população? Ou ainda é aquela, pela qual passamos todos nós, ao constatar que no Brasil temos analfabetos e que muitos ainda passam fome, e que, se tornaram massa de manobra eleitoral?

Tudo é miséria e tem que ser erradicada. Mas, não há formas de erradicá-las todas, a não ser nos sonhos revolucionários, que estão cada dia mais démodé. Desde o império este é o objetivo de governos, partidos e instituições no país. Poderíamos já está muito melhores do que estamos na consecução desta meta, se, ao invés de tentarmos colocar o ovo em pé, déssemos ênfase ao tratamento de nossas crianças. Já discutimos e discutimos isto aqui e alhures. Todo o esforço tem que ser voltado para as crianças. Se tudo não puder ser dado a elas, pelos menos duas coisas devem ser dadas: saúde e educação. Erradicaríamos um tipo de miséria em 15 ou 20 anos. Outros tipos dela, como nossa vergonha da miséria, perdurariam, mais seriam mais fáceis de carregar.

Isto deveria começar com o planejamento familiar, passando pelos cuidados com a gestante, assistência aos recém nascidos, escola para todos, até não serem mais crianças. A partir daí, teríamos pessoas prontas para lutar por eles mesmos, pois eles já teriam recebidos a educação e a cultura necessárias para produzir uma forte nação. Teríamos quebrado o círculo vicioso de que trata o texto do Nani. Todos saberiam construir suas casas, todos ajudantes saberiam usar uma colher de pedreiro, e se os filhos ficarem doentes, não irão à farmácia, e sim ao posto médico da escola. O menino rico e o menino pobre não morrerão prematuramente, pois todos só espirrarão. Pois todos serão educados e terão saúde.

O bom do blog é isso, começamos a escrever e começamos a sonhar, e chega por hoje antes que eu acorde.


Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

Um comentário:

Ilha de Pala disse...

Acorda não, Diretor Presidente!

Este é apenas o início no ciclo do sono. Aprofunda esse sono e alcance a fase REM, nesta é mais comum a manifestação de sonhos e embora o sono seja mais superficial é mais difícil a pessoa acordar.

Seu sonho talvez seja um sonho possível, mas não se satisfaça com esse sonho. Sonhe GRANDE, Diretor Presidente. Aldous Huxley, em “A Ilha”, descreve um sonho verdadeiramente grande. Você não é o único a sonhar com um mundo melhor, eu também sonho com isso e existem muitos outros que sonham os nossos sonhos.

Acorda não, Diretor Presidente!

Se muitos persistirem nesse sonho o país, ou melhor, o mundo mudará: ‘todos serão educados e terão saúde’.

Ai que soninho,zzzzzzzzzzzzzz.

Roberto Lira