quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Salário Mínimo e o Estelionatário




A conversa da vez aqui no Blog da CIT é o salário mínimo. Até o Diretor Presidente, saiu de sua redoma de vidro, mas ainda ficou em cima do muro, para ver a TV Senado, enquanto se decidia o valor do novo salário mínimo. Eu nem me dei a este trabalho. Só faltei colocar uma faixa na minha janela: “Eu já sabia!”.

Com o rolo compressor do governo num congresso amorfo e desinteressado em trabalhar, queríamos o que? Que fossem ouvidas as preces do Itamar Franco, ou as teimosias do Jarbas? Tudo já estava dominado, desde antes. Se há uma característica forte do governo Dilma, é como diz um filho meu, “é não entrar em bola dividida”. A mulher não se arrisca a quebrar as canelas de jeito nenhum. Quando parte para o jogo, já sabe onde vai chutar forte, e ai daquele jogador do mesmo time que fizer gol contra, ou do time adversário que entrar na área. Desculpem, está seguindo o exemplo, do apedeuta-ex-mor, ao fazer parábolas futebolísticas. Deve ser porque soube hoje que o Náutico já começou mal na Copa do Brasil.

Eu ganho mais do que o salário mínimo, para trabalhar como uma escrava para a CIT. Eu estava doida para que a proposta do Zé Serra fosse aprovada, por que o DP teria que subir meu salário para eu ganhar o mínimo. Quando falei isto a ele, ele ficou nervoso e disse:

- Lucinha, se eu tivesse que aumentar seu salário agora eu teria, que colocar você na informalidade. Adeus carteira assinada, férias, cursos, 13°, etc. etc. Ou senão teria que te mandar embora.

Eu, que não sou besta nem nada, que já havia falado tanto do salário mínimo do poste, agora faço coro com o Zezinho: Ela não poderia dar mais, mesmo. Ele, tentou me explicar com as seguintes palavras, em resumo:

- Num sistema de mercado do tipo do nosso, onde há ainda uma grande intervenção do Estado, até mesmo para gerir a instituição do salário mínimo, forçar a dar um salário mínimo maior, sem base no desempenho da economia, e principalmente, com grandes gastos do setor público, é uma ilusão. Hoje o governo dá, e amanhã a inflação come.

Ele está certo, pelo menos pela minha experiência de quase mínimo-assalariada. Pode ver que quando o mínimo aumenta, vou no supermercado e os preços já comeram o aumento. Parece que neste sistema, o trabalhador não tem vez, mesmo.

Oxente, mas isto não era o PT que dizia há 10 anos atrás? Como dizia o Sartre: “O inferno são os outros”. Fica muito difícil de entender, para quem está fora do jogo político de ocasião. Eu já tenho minhas dúvidas se estou pronta para enfrentar este jogo, mesmo começando por uma cidade pequena, como Bom Conselho. Começar de baixo, de vereadora e subir a rampa do planalto lá por 2030. Quando vejo, que não é preciso nada disso, e basta se fingir de poste e arranjar um carregador matreiro, minhas dúvidas só aumentam.

A Dilma está fazendo coisas que são importantes, para desfazer o rolo em que o apedeuta-ex-mor nos meteu. O estelionato eleitoral de que o Zé Serra falou, só agora, esperando, que o Brasil mudasse sozinho, não foi praticado por Dilma. Ela só foi cúmplice do Lula. Vejam o que diz o Alon em seu Blog, falando da herança deixado por ele para o poste.

“Ontem concluiu-se o debate sobre o salário mínimo. Algumas perguntas ficaram sem resposta.

Uma já foi feita aqui, mas não custa repetir. Se o governo não pode pagar agora um centavo além dos R$ 545, por que poderá, responsavelmente, pagar R$ 620 daqui a menos de um ano? Um reajuste de 14%. Oito pontos percentuais acima da inflação.

A receita crescerá tanto assim daqui até lá?

Outra pergunta. Se a herança de Luiz Inácio Lula da Silva é melhor do que a deixada por Fernando Henrique Cardoso, por que Lula pôde dar aumento real ao salário mínimo em 2003 e Dilma Rousseff não pode dar em 2011?

Isso e o corte orçamentário bem maior do que oito anos atrás autorizam a desconfiar de que algo na herança econômica de Lula não é tão cor de rosa assim.

Verdade que o primeiro governo do PT aplicou de cara um aperto monetário bem mais violento do que o atual, mas sempre é bom notar que a inflação é um assunto ainda aberto agora, pois o chamado mercado não parece botar muita fé na austeridade deste governo.”

E pelo que mostrou o Zezinho em seu texto recente (aqui) a estória de austeridade está cheirando a estória de “trancoso”. É um tal de toma daqui e tira de lá que parece até brincadeira. A Petrobrás vende petróleo que ainda não existe, o Tesouro paga e a Petrobras, empresta ao governo, e com o dinheiro inexistente, o governo finge que tem de sobra para pagar as dívidas. Nunca vi uma quizumba destas.

Imagine vocês minhas amigas e meus amigos, brasileiros e brasileiras, se acontecesse isto na sua casa. Alguém aparece na sua porta e pergunta:

- Quer comprar banana?

- Mostre as bananas.

-Ainda estão no pé, mas dentro de um ano eu as trarei.

- Está certo, tome o dinheiro e quando as bananas estiverem prontas me entregue.

- Não tem problema pode ficar com o dinheiro, basta me dar uns papéis.

- Esta bem, obrigada, isto vai aumentar minha receita. Agora já posso comprar as uvas, espero que eles não estejam verdes.

Irei vivendo do dinheiro que tenho, os credores confiam porque pensam que é dinheiro novo, e assim vou alimentando minha família até que se saiba que a bananeira morreu. O papel da oposição familiar, por exemplo um marido esperto, seria expulsar o próximo vendedor. Mas, lá em casa, como no Brasil, a oposição é fraquíssima.

E o verdadeiro estelionatário está ai à solta, sendo reverenciado por todos, inclusive pelo Paulo Paim. Como dizia aquele personagem do Jô Soares, que era um exilado em Paris, e que acordava de um coma: “Vocês não querem que eu volte!”.

No entanto, o pior de tudo, é que “o cara” é tão inteligente, apesar de quase analfabeto, que tudo está acontecendo e ele nem parece existir. Pensando bem, sabe que ele está certo. Carregou um poste por tanto tempo, colocou ele no lugar, e agora ainda ter que aguentar a culpa? “Nem morto!”. Se a oposição fizer marola ele não volta em 2014. Mas, na oposição eu só vi marola no topete do Itamar.

Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

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