segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Sexo nas Novelas




Último dia 13, o Blog do Roberto Almeida publicou um texto com o título acima (aqui). Como já disse, as postagens deste blog clamam por meus comentários. O meu grande problema, ao exercer este meu direito de cidadã, é a minha prolixidade. Desta vez encontrei um anônimo quase a altura dela, e eu cometi um comentário ao comentário. Não poderia ser curto, mas, exagerei e o Blogger (não o Roberto) não aceitou. Resolvi publicá-lo aqui pois é importante para que os brasileiros não continuem com o complexo de vira-latas, de que em nossa época, acabou a cultura, porque tem gente, elitista que não gosta de novelas, e outros mais radicais que não gostam de TV.

“Anônimo, para mim, merece todo o respeito. O que importa é o escrito e não quem escreveu. Se eu me identifico, é uma escolha minha. Quando quero ficar anônima vou ao Disque Denúncia, tão útil para nossa polícia. Minha opção é diferente. E anônimo prolixo como eu, merece resposta, mesmo que eu não saiba a que comentário ele se refere, se ao meu ou se ao de Ccsta. Vou supor que foi dirigido ao meu, no intuito de manter a minha rosa protegida.

E começo pelo fim. Caro anônimo, apesar da TV ser uma concessão pública, pela nossa Constituição detalhista, ela não impede que se lucre com a atividade. Pois se o fizesse, só teríamos as TVs públicas, que são traço todo tempo por qualquer medidor de audiência, apesar de mostrarem, a “boa cultura”, como índios, cavalos-marinhos, pastoris, etc. o tempo todo. Vivemos num sistema capitalista, cada vez mais capitalista com o apoio de todos os presidentes do adolescente regime democrático no Brasil desde Fernando Collor, passando por todos até Lula, que foi o que mais o defendeu contra a sanha estatizante do PT. O Lula é um apedeuta, hoje ex-mor, mas não é burro.

Voltando ao começo onde o anônimo diz que é um acadêmico, e não sei o que ele quer dizer com isso, se é porque pertence à ABL, ou aos Acadêmicos do Tucuruvi, mas não importa. Ele pergunta se as novelas são feitas para nos inteirar de nossa realidade ou se as mídias apenas seguem os seus interesses. Eu diria, academicamente, que fazem as duas coisas como qualquer meio de comunicação em qualquer época e local, como o Granma cubano ou L’osservatore Romano do Vaticano, ou a TV Brasil do Lula. A diferença é para onde vai o lucro, se para o PC Cubano ou para o Banco do Vaticano ou para o PT, que hoje é a empresa mais lucrativa deste capitalismo tupiniquim (perdoai-me meu Deus, pois ainda não tenho o Confession, veja no link do meu nome acima). A única diferença é a audiência. Quase ninguém os vê.

Meu caro anônimo, não sei seu estado civil, se tem filhos ou não, nem aonde o senhor ou senhora mora. Mas, dizer que o problema da virgindade e outros problemas levantados pelas novelas são inventados pelos novelistas, é demais. Talvez, a realidade de nossa região, destacando minha terra Bom Conselho e a terra do Roberto, Capoeiras e até a do Zezinho, Caetés, e ainda a terra do Alexandre Marinho, seja um pouquinho diferente da de Florianópolis onde o fato é descrito pelo novelista, digo que, o senhor não perde por esperar, se é que ainda estamos esperando. Nesta época de mídia eletrônica, a TV é apenas um átimo da influência que o jovem sofre todos os dias, em termos culturais. E não me venha dizer que “funk” não é cultura popular, porque nasceu nos Estados Unidos. A Quadrilha é francesa, seu anônimo, e o pastoril, cavalhada, e até o movimento armorial, veio com o D. Sebastião. Ou o senhor pretende ficar apenas com o Saci Pererê, ou com a Cuca, que eu, no tempo de menina não ligava muito para eles, até, já com certa idade, ver a série televisiva do Sítio do Pica-Pau Amarelo?

Que as TV sejam patrocinadas é um fato na maioria dos países. Recentemente, estive na Inglaterra a serviço da empresa onde trabalho, e vi um exemplo bom de TV estatal, ou pública: a BBC. Não vi nenhum diferença na programação em relação às nossas TV, pelo menos na BBC 1, enquanto a BBC 2 é aquela que talvez passe pela mente do acadêmico anônimo. Programas de alto nível cultural, com teatro, esportes, aulas, cursos, aparições reais, etc. Enquanto a BBC 1 tem novelas que são mais realistas a respeito da vida inglesa, com programas humorísticos, novelas (inclusive brasileiras), notícias (inclusive contra a rainha e governo). Só não parecia que estava vendo a TV Globo, porque esta nossa empresa tem um padrão de qualidade muito melhor. Qual a diferença? Enquanto, aqui pagamos para ver os comerciais, lá os ingleses pagam uma taxa anual para ver a TV pública deles.

Pensem na TV Brasil, capitaneada pela Teresa Cruvinel, e pelo nosso governo. Qual sua audiência? Qual sua programação? Eu nem sei bem. Por que? Porque prefiro pagar assistindo comerciais de empresas, do que comerciais do Planalto, de bigode e tudo.

A certa altura o anônimo pergunta: Será que Gilberto Braga e seus asseclas tem consciência social, ou consciência econômica? Mais uma vez não sei o que ele quer dizer com isso, mas se for para dizer que é necessário isto para se criar cultura popular, ele está navegando na maionese, com dizem meus filhos hoje, e também não sei porque. Ele e outros tratam cultura popular como aquele que foi criada no meio do povo e pelo povo. Isto é a maior besteira. Por longo tempo a ópera foi considerada um atividade popular na Itália e mesmo na Europa. Nem todos os compositores eram do povo, nem sempre a chamada elite, a apreciava. Dizer que Mozart tinha consciência social e econômica é uma blasfêmia. Talvez se a tivesse não teríamos suas obras.

Meu caro Roberto, olhei prá cima e já barrei o anônimo em prolixidade, embora não fosse esta a minha intenção, embora tenha que manter meu lugar. Se você achar grande demais não publique a nota. A amizade será a mesma. Se faltou alguma coisa usarei o nosso próprio blog, desculpe.

Lucinha Peixoto (Blog da CIT)”

Já que estou aqui no espaço a mim reservado, não custa nada humilhar mais ainda o anônimo em termos de prolixidade, nunca moralmente. Pois ele pergunta se as “telenovelas surgiram em meios populares, são escritas por eles, tratam de temas que são populares?” Eu diria que não, não e não. Ele faz esta pergunta antes daquela que respondi acima, a respeito da consciência social e econômica dos autores de novelas. A novela é um gênero popular novo, como é toda a tecnologia de comunicação moderna. No final das contas, o povo interfere na sua produção de maneira brutal, através da audiência. Em última instância, não foi o povo que decidiu qual seria o acorde final da Missa de Réquiem do Mozart, e talvez por isso ela não é tão popular, mas seria loucura dizer que o Mozart não quisesse ser ouvido. Se fosse assim ele comporia uma música de “pagode”. Hoje, com os meios que se tem de medir a audiência, é o povo que diz por onde deve ir a trama, e por isso ainda é o mais popular dos gêneros de arte popular da atualidade.

Paro por aqui porque estou me estendendo até para os padrões do Blog da CIT.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

Um comentário:

Blog do Roberto Almeida disse...

É muito interessante uma discussão sobre as novelas brasileiras. Ignorar a importância dos folhetins é a mesma coisa que desprezar a força do futebol e da Igreja Católica. E já que se falou em "acadêmicos", nas universidades brasileiras existem teses e mais teses de mestrados sobre a TV e as telenovelas. Uma prova de que nem todos os intelectuais estão alienados da realidade.