quinta-feira, 31 de março de 2011

Meu Cagador Minha Vida



Mesmo chateada com o Poeta, causador de minha ausência no I Encontro de Blogueiros eu sempre, na minha ronda pelos blogs, leio o dele. Depois que o Zé Carlos descreveu para nós o que se passou neste Encontro, fiquei um pouco mais tranquila, pois, segundo ele não havia nenhuma jumentinha por lá. Não levei em consideração o fato que ele descreveu, de ter tentado entrar num banheiro e a porta estivesse fechada, e ele não poder dizer se lá não havia nem jumentinha, nem seu defenestrador, o que me metia mais medo.

Desta vez, ao ler o Blog do Cláudio André, que justiça seja feita, é o que nos mantém mais perto de Bom Conselho, pois a AGD e o Blog do Felipe (embora estejam se chegando), ainda estão pelo Recife, quase morri de rir com a seguinte notícia que copiei e colei abaixo:

“FALTA DE BANHEIRO FAZ MORADOR CAGAR NUMA LATA EM BOM CONSELHO

Moradores da terceira travessa Boa Esperança no Bairro da Parmalat em Bom Conselho, reclamam da falta de banheiros públicos. Umas unidades foram construidas beneficiando algumas familias, outras não tiveram a mesma sorte. Este blogueiro entrevistou uma das moradoras que relatou que na hora de "derrubar o barro" ou "cagar", o único jeito é usar uma lata. Na casa de uma senhora que tem sete filhos, este tipo de expediente é feito um rodizio. Bom Conselho tem seus pontos de miséria e abandono. Se você quer comprovar o nosso relato, vá ao SUBACO DO URUBU, na periferia do municipio bonconselhense.”

Reli agora e continuo rindo. Penso que o Poeta, por ser poeta, é um sonhador, e suas notícias deixam transparecer isto. Elas envolvem problemas de suma importância, num linguajar que chama à leitura, por todos. Já pensou se esta notícia fosse dada da seguinte forma?

“No Bairro da Parmalata, em Bom Conselho, a falta de saneamento leva as pessoas a satisfazerem suas necessidades em depósitos, antes utilizados para guardar biscoitos. O poder público é o responsável.”

Que chatice, não é? Eu estaria aqui sisuda e sem muito interesse. Mas, quando li que os moradores estão cagando em latas, ou “soltando o barro” em latas, que devem ser grandes para não correr riscos, além de informar, ele faz rir. Tenho certeza que o Cláudio André seria contratado pelo Zé Carlos para trabalhar na AGD, e o Diretor Presidente acharia ótimo que ele escrevesse também para o Blog da CIT, embora este blog odeie notícias.

Mas, demos a devida importância notícias do Cláudio André. Quando ele diz que os moradores reclamam da falta de banheiros públicos, é a dependência exagerada do Estado a causa. Eu não sou como o Zezinho de Caetés, adepta do Estado Mínimo. Creio que o Estado tem muitas funções a realizar e com proveito dentro do nosso sistema social e econômico, mas fazer até cagadores públicos em comunidades, para mim é demais. Brevemente, a prefeitura vai inventar o “Meu Cagador Minha Vida”, e pedir financiamento através, do Minha Casa Minha Vida. Ou seja vão querer estatizar até a “arreação de barro”. Deverão aparecer já os slogans para a propaganda oficial: “Cague para que o governo pague”, ou “Não coloque o barro na lata, vá ao banheiro que a prefeitura cata”, e outras e outras que só os poetas podem assessorar em rimas menos pobres.

Como é de se esperar, a família citada pelo Poeta, que tem sete filhos, e que fazem rodízio no lata, é cliente do Bolsa Família, e portanto, comem todos os dias e vão a escola também. Portanto, se eles não usarem o cagador da escola, vai ser preciso um latão, ou, se o poder público ouvir as súplicas da comunidade, haja cagadores públicos, para evitar filas se coincidir a hora da cagada. Terão que fazer rodízio comunitário.

O bom para os governantes de plantão, ao financiar cagadores, que na maioria das vezes, vem sem o saneamento básico, é poder associar seus nomes ao programa, como é feito com o Bolsa Família, com o Sopão, ou com o Chapéu de Palha. E, tenho certeza, não faltará, pai para o programa “Meu Cagador Minha Vida”, que ficará conhecido como “Cagadão”.

Hoje vi no Blog do Felipe Alapenha, o que ele pensa ser o caminho para ser prefeito em Bom Conselho, nas próximas eleições. Eu só posso dizer: Eu já sabia, e já dissera: O Felipe é um belo escritor. Mas, como se dizia em nossa terra: “Filho de gata é gatinho...”, parece que estou vendo sua mãe escrevendo no Blog da Prefeita. Ele diz que é necessário muito dinheiro para ser prefeito, entre outras coisas, e diz “ou tenha muito dinheiro, ou então converta isso em bastante criatividade.” A sugestão que dou para aqueles interessados é usar a criatividade, quer um exemplo: Basta dizer que é o pai ou a mãe do "Cagadão". Não esquecendo de associar seu nome ao do apedeuta-ex-mor e ao do Conde Eduardo.

Já estou na fila do gargarejo para ler o outro artigo, se a Judith vai ser candidata ou não. Seja qual for a resposta, o Cagadão terá muita influência. Agora vou ler o Poeta.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

José Alencar



Todos choram a morte do José Alencar. E o que mais vi chorar foi o meu conterrâneo Lula. Não poderia ser diferente. Sem José Alencar, tenho absoluta certeza, o Lula não teria sido eleito em 2002, e, provavelmente, não teria chegado a 2010, como presidente.

Transcrevo abaixo apenas uma das opiniões do relacionamento político e suas consequências entre José Alencar e Lula. Não concordo com tudo que foi escrito no Blog do Alon, mas, concordo com o título: “Um exceção”. Leiam e eu volto lá em embaixo:

“José Alencar merece as homenagens. Por ter sido um patriota. Principalmente por ter dedicado toda a vida útil empresarial à indústria. Um caso raro de empresário brasileiro que percorreu integralmente a trilha da construção do sucesso dedicado a produzir coisas tangíveis

José Alencar morreu ontem depois de atravessar os últimos anos em público de mãos dadas com o câncer, ou cânceres. Foi uma opção consciente. Alencar sempre dizia que como vice-presidente não tinha o direito de guardar para si as circunstâncias e efeitos da doença.

Dizia que o câncer do Zé Alencar era assunto privado, mas o do vice-presidente era assunto de todo o Brasil.

Há um debate permanente no jornalismo sobre os limites da exposição de alguém com face pública. Para o meu gosto, valeria aqui a norma dita americana.

Tudo que é da vida do político é assunto de interesse público. O ex-vice-presidente seguiu essa regra. E reforçou, com a atitude, sua imagem e seu capital político, bem como o capital de Luiz Inácio Lula da Silva.

É bastante provável que mesmo sem Alencar na vice Lula tivesse vencido as eleições que venceu. Há também algo de exagero na tese de que Alencar foi decisivo para reduzir as resistências empresariais a Lula em 2002.

Elas arrefeceram após a Carta aos Brasileiros, em que o então candidato disse estar comprometido com as grandes linhas macroeconômicas do governo anterior. E caíram a zero com a condução que Antonio Palocci deu ao Ministério da Fazenda entre 2003 e 2006.

Alencar atravessou o primeiro mandato de Lula arremetendo contra a taxa de juros e contra Palocci. E contra o Banco Central.

Recolheu espaços na cobertura jornalística mas não conseguiu influir de fato na política econômica. O ministro Palocci contou com a confiança irrestrita de Lula até cair. Depois, a função de elo com o mercado foi ocupada por Henrique Meireles.

O ex-vice-presidente falecido ontem nunca deixou de ser um outsider, mesmo dentro do governo. Uma fraqueza que ele transformou em força. Dizendo coisas que talvez Lula quisesse ele próprio declarar, não fossem os limites impostos pela realpolitik.

Como na polêmica das relações entre o Brasil e o Irã. Ali, Alencar expressou a compreensão que ia pela mente de boa parte do governo brasileiro. Disse que uma eventual bomba atômica iraniana seria um elemento de dissuasão. Para evitar que o Irã virasse um Iraque.

Disse porque podia dizer. E ficou por isso mesmo. Teve um efeito nos bastidores, mas publicamente, nada.

Se Lula era a expressão da metamorfose ambulante, vangloriando-se por mudar de posição e discurso conforme a necessidade, Alencar fazia o contraponto. Com o estoicismo e a coerência. O agravamento do câncer apenas potencializou o perfil.

A aceitação de Alencar pelo PT lá atrás não foi pacífica, mas com o tempo, com as crises e diante da lealdade dele ao presidente e ao partido o vice foi aceito como um petista, na prática. Mesmo sendo do PRB, legenda que ajudou a criar quando deixou o PL (hoje PR).

Alencar já vinha sendo homenageado em vida e será mais ainda agora.

Mereceu. Por ter sido um patriota. Não só pelo que fez na política. Mais por ter dedicado toda a sua vida útil empresarial à indústria. Um caso raro de empresário brasileiro que percorreu integralmente a trilha da construção do sucesso dedicado a produzir coisas tangíveis.

Entre nós não é pouca coisa. Num país nascido e desenvolvido sob a marca do anti-industrialismo, da colônia à República, definitivamente não é pouca coisa.”

É muito difícil não concordar com tudo, a este nível de generalidade, mas, quando descemos um pouco aos detalhes e relembramos 2002, sentimos que naquela época, o José Alencar, e não só a Carta aos Brasileiros, incutindo ou apenas expressando as ideias liberais na cabeça do pseudo-socialista (na época) Lula e nas cabeças da caterva petista, levou-o à vitória.

O próprio José Alencar não era um liberal convicto, mesmo sendo um empresário. Suas opiniões sobre taxa de juro (que é um preço) eram estranhas no ninho tanto na época Palocci quanto na época Meirelles. Ele apenas refletia seu interesse de classe, nesta questão. Todo empresário adoraria que a taxa de juros fosse zero, com exceção dos banqueiros. Que também, para ser justo, em certa época também não eram os culpados, pela política econômica adotada.

O que não resta dúvida, é que depois daqueles depoimentos da Regina Duarte, que sumiu da propaganda política, e quejandos, dificilmente o Lula teria sido eleito, se não fosse a firmeza e apoio gerados pela presença do José Alencar em sua chapa. Vou além e digo, mesmo tendo sido eleito, sem ele, o Lula não passaria de 2005 na crise do mensalão, onde a lealdade do vice foi fundamental para sua permanência. Eu tenho minhas dúvidas se, com o vice que hoje tem a Dilma, ela suportaria outro mensalão. Sei lá se suportará a Erenice!

No mais, concordo com a articulista em tudo. Morreu um patriota e um empresário, que por não ter querido ser banqueiro sempre foi contra aos juros altos. Contudo, ele sabia porque estava falando dos juros altos, e sabia que quando o governo mete o pé na porta da economia, tentando resolver os problemas, a partir do Estado, não há como não conviver com taxas de juros vergonhosas como as nossas. Para os bancos, que hoje fazem conluio com o governo para intervir diretamente na iniciativa privada (como está sendo o caso escabroso da Vale do Rio Doce), apesar de todos os banqueiros comparecerem para as últimas homenagens, não deviam ter muita simpatia por quem só lidava com coisas tangíveis, como diz o Alon.

Mas, uma coisa é certa, o Lula vai chorar muito, e estará sendo sincero, pois serão necessárias muitas lágrimas para se comparar ao que ele deve politicamente ao José Alencar. O Brasil ficou mais pobre em termos de homens públicos.

Zezinho de Caetés jad67@citltda.com

P.S.: Vi hoje na Coluna do Sebastião Nery uma frase que reforça tudo de bom que foi dito sobre José Alencar, que transcrevo:

"Os discursos contra os juros, o nacionalismo autêntico de empresário vitorioso, a verdade afirmada, deram-lhe a credibilidade nacional raríssima:

"- Não posso negar o Mensalão. Ficou provado. Foi um sacolão enorme". "


ZC


quarta-feira, 30 de março de 2011

CRI-CRI...


Passada a euforia da festa momesca onde a mesma trouxe alegria para muitos foliões e tristezas para outros tantos, isto devido ao elevado numero de acidentes, agressões com mortes, retomemos o nosso trabalho cotidiano, esquecendo os festejos e as ressacas carnavalescas e voltemos para os nossos afazeres domésticos.

O título deste pequeno artigo é para incomodar, por que o “bicho” o “bicho” incomoda mesmo, e ao mesmo tempo relembrar, cobrar a todos os bom-conselhenses sobre um assunto que vem se arrastando há anos e sem vislumbrar nenhum empenho, no momento, ou uma solução. Fala-se de tudo em minha querida cidade. São festejos por todo lado. Projetos e animação em todos os lugares, mas infelizmente ninguém ousa sequer tocar ou mencionar o projeto de criação da ACADEMIA BOMCONSELHENSE DE LETRAS - ABCL.

É uma tristeza cada dia que passa, lamento muito este esquecimento, mas o CRI-CRI de vez em quando vai atuar fazendo muita gente se “coçar’, como na marchinha do carnaval do passado o PÓ DE MICO.

Acredito que todos já sabem o porquê desta insistência. Notadamente, penso eu e não existe outra forma de pensar, pois acredito piamente que foi engavetado ou esquecido este projeto que o qual seria e é de grande importância para população bom-conselhense, pois, uma ACADEMIA em uma cidade representa e projeta a cultura do povo que nela habita.

E, aí, fica uma pergunta no ar? Onde estão os nossos valores culturais? Como se apresenta neste momento na comunidade? Como guardamos a memória dos nossos valores, se não temos um lugar apropriado para tal serviço. E os nossos escritores, poetas gente portadores de cultura, como está a divulgar o seu trabalho? Tenho percorrido varias livrarias e “sebos” em nossa Capital do Recife, e em outros lugares que visito e sempre vou à busca de algum trabalho dos nossos conterrâneos e nada encontro.

Tenho insistido, sim, e vou continuar insistindo até o despertar da comunidade, para este belíssimo projeto, pois acredito firmemente que esta casa iria valorizar o bom nome de Bom Conselho para outras plagas e que se tornariam fonte de interligação com outras congêneres.

No entanto, é necessário que se “tenha vontade política”, para concretizar não um sonho, mas, sim um trabalho em prol da comunidade, como diz os políticos no auge de suas falações na tribuna e nos comícios antes das eleições. A nossa cidade querida necessita deste avanço em possuir uma casa de cultura onde homens e mulheres possam se comunicar, dialogar, e mostrar os seus trabalhos trazendo benefícios para a cidade, no campo da literatura, da poesia, de pesquisas e tantos outros fatos a fim de que possamos abrigar a juventude do momento e do futuro. As novas gerações precisam reverenciar e conhecer os seus conterrâneos que deixaram plantada o seu ideal e o seu trabalho em prol da comunidade.

A meu ver, a Academia guardaria toda esta memória, mas depende de nós e do nosso querer. Até breve!

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

A Lei da Ficha Limpa e o princípio de "caminhar reclamando"



Semana passada o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre um caso da Lei da Ficha Limpa invalidou a regra para a eleição de 2010. Dos 11 ministros do STF, 6 votaram contra a validade da Lei da Ficha Limpa em 2010. Outros 5 foram a favor. O argumento principal para derrubar a regra foi o princípio da anterioridade. É que a legislação entrou em vigor já no período eleitoral –deveria ter sido sancionada 12 meses antes.

O grande problema, por alguns levantado, é que a “letra da lei” é de tão baixa qualidade do ponto de vista do respeito a nossa Constituição, que dificilmente ela poderá ser aplicada também em pleitos futuros. Ou seja, os fichas sujas, estarão com as fichas todas limpas nas próximas eleições.

Num país onde há uma tradição democrática mais sedimentada dentro das tradições ocidentais de democracia representativa, esta contradições são corriqueiras e resolvidas pela força e estabilidade que tem as instituições. Quando nossos políticos, principalmente aqueles, de formação jurídica, repetem e repetem que decisões do judiciários é para serem cumpridas e não para serem discutidas, são opiniões, que tem um valor positivo, tanto maior quanto é o é estável o sistema institucional vigente.

Em nosso caso, todos lutando por uma Constituição que tem apenas vinte e poucos anos, ameaçada por toda autoridade saudosa dos imperadores, e que ousam agir como coronéis em todas as decisões do judiciário, podem e devem ser constestadas quando necessário e, pelo menos, se cumpridas, que o façamos sob protestos. Quando damos o direito a um poder de agir contra o interesse do povo, sem reclamar, a democracia vigente será apenas um arremedo do que seja direito do povo.

A pergunta que surge é a óbvia. O que fazer para aperfeiçoar nossas instituições, se ao mesmo tempo, as criticamos tanto, e colocamos suas decisões em cheque? Não é uma resposta fácil, pois, se assim fosse, não veríamos tantos argumentos prós e contra a decisão do STF, sobre a discutida lei, mesmo entre os seus membros, basta ver o placar.

Há aqueles que dizem como o Reinaldo Azevedo:

“Algo de muito grave se insinuou ontem no Supremo Tribunal Federal na votação sobre a chamada Lei da Ficha Limpa. Sob o pretexto de se moralizar a vida pública, os direitos individuais acabaram sendo alvos de uma especulação inaceitável. Sob o pretexto de moralizar a vida pública, uma cláusula pétrea da Constituição, que é uma garantia fundamental de todos os brasileiros, foi considerada inimiga da decência. E eu denuncio aqui tais visões distorcidas. O meu parâmetro continua a ser o mesmo: o das sociedades abertas, fundadas nas garantias individuais. O contrário disso é ditadura — nem que seja ditadura de maioria, igualmente repulsiva.”

Este argumento é o mesmo que habita a mente de todos aqueles que dão ênfase ao primado da constituição e das leis que protegem o indivíduo. Eu, pessoalmente, me inclino por ele, e cairia por ele até, se nossa constituição e leis tivessem já suficiente “tradição” para deixar a sociedade evoluir, dentro deste valores individuais, sem o risco de que suas contradições levem toda a sociedade para o “abismo”. Quem lê meus escritos sabe muito bem que sou adepto da ideologia liberal, inclusive no campo político, e que faço o maior esforço de crítica aos que dele se afastam. Entretanto, estamos longe de sermos um país liberal. No máximo, estamos aprendendo a sê-lo. E, muitas vezes, princípios éticos tão genéricos como a defesa da individualidade, podem levar a grandes distorções em seus próprios fundamentos e aplicações no futuro.

Outra opinião sobre o mesmo assunto vem do jornalista Sandro Vaia que escreveu:

“Estranho país este. Todo mundo quer ser herói às custas dos outros.Como o povo não tem amadurecimento ou discernimento para escolher candidatos entre quem tem ficha suja ou não, os guardiães da moralidade alheia querem que os tribunais decidam em quem o povo pode votar ou não.”

É também um argumento que leva a refletir sobre a imaturidade de nossas instituições, agora da capacidade do povo para eleger seus representantes livres dos vícios que a lei visa estancar. Sua maior eficiência, em termos de comportamento social, é maior do que a simples e pura defesa radical dos “princípios e garantias individuais” previstos em nossa constituição. Passa por outras leis, posturas e costumes, que também são culturais e questões de educação e formação da própria sociedade. E aqui voltamos ao nosso ponto de vista de sempre de se levar em conta o que “somos” e o que “pretendemos” ser como povo, e não só pensarmos neste segundo ponto.

Uma opinião sempre sensata, em matérias econômicas é de jornalista Miriam Leitão, que escreve dizendo:

“A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Lei da Ficha Limpa conseguiu a proeza de tornar incertos o passado e o futuro. Por demorar tanto a decidir, na incapacidade do presidente do STF de exercer suas prerrogativas, a decisão vai refazer em parte o resultado da eleição de 2010. Por não decidir sobre outros aspectos da lei, estende a insegurança jurídica para 2012 e além.”

Ela assume e representa aqui aqueles que defendem ou defenderam a aplicação da Lei em questão, tanto no passado quanto no futuro. Ora, afinal de contas, foram milhões de pessoas que a propuseram, dentro da legalidade e constitucionalidade vigentes. Por que a interferência do STF, principalmente, da forma como ele interferiu, de um forma ciclotímica e quase esquizofrênica, aprovando-a, desaprovando-o, titubeando e empatando? Apenas reforça nossos argumentos de imaturidade e ineficiência ainda, no funcionamento de nossas instituições. Isto não se aplica somente ao Judiciário. Os nossos poderes Legislativo e Executivo também interferem no processo de elaboração de leis, com mais ou menos responsabilidade.

Já se conhece aqui no Brasil, e não só aqui, que é muito difícil, numa democracia representativa, se aprovar leis que sejam contra os seus representantes. Os mecanismo de consulta à população existem para que não tenhamos uma “ditadura” dos representantes, pois, quando eles são eleitos, representam todos e não só quem os elegeu. O nosso grande problema é que todos estes mecanismo, eu diria, estão em fase de teste. E o melhor que temos a fazer é criticar tanto de uma lado como de outro, de uma forma positiva.

O lado que acha que, ao ser aprovada a Constituição, ela se torna a Bíblia Política Sagrada, deveria ser a favor da decisão do STF, mas, ao mesmo tempo agir para ela seja modificada, se ela não permite que determinados princípios fundamentais para nossa sociedade, prevaleçam. O outro lado, que acha que o STF errou, deve aceitar sua decisão mas sem as devidas críticas a todos que erraram. Isto é o sistema, do “caminhar reclamando”, e que a imprensa representa tão bem, numa democracia ainda verde como a nossa.

Eu continuo “caminhando e reclamando”. E aqui, sem muitas finalizações nem conclusões, eu clamo pelo envolvimento popular numa Reforma Política que nos aperfeiçoe. Começar com a Ficha Limpa, já seria um avanço.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

terça-feira, 29 de março de 2011

Um novo Blog em Bom Conselho



Hoje recebi um telefonema do Diretor Presidente, logo cedo, perguntando:

- Lucinha já vistes o Blog do Felipe Alapenha? Está uma maravilha. Ele seguiu o layout da AGD. Eu não te disse que temos de mudar este do Blog da CIT?! Ele está ultrapassado!

Antes de responder qualquer coisa, eu parei de ler o artigo do Zé Carlos, na AGD, sobre a palestra do Renato Curvelo e fui direto ao endereço que ele me forneceu.

Realmente, o Blog do Felipe Alapenha está bonito e bem composto, e, para ser justa, ele melhorou muito o layout da AGD, bolado pelo Jameson Pinheiro. Mas, não é de hoje que dizemos a Zé Carlos para eliminar, ou fundir com outras, aquelas páginas mortas, e dá uma enxugada no Blog. Porém deixa isto prá lá, pois o assunto é o Blog do Felipe Alapenha.

Fiquei encantada com o visual e adorei ver aquele menino (desculpe Felipe, em assim tratá-lo, pois tenho idade de ser mãe de sua mãe, e não venham pensando bobagens, pois a Judith é muito nova) bonito que é o Felipe. Se ele se especializar em pediatria, é capaz de consultar a si próprio, e já teria dois clientes certos, meus dois netos. Daqui a pouco tempo será o Doutor Felipe, e, tenho certeza irá para Bom Conselho, substituir, não o seu pai, mas, o Dr. França, o único pediatra que conheci em Bom Conselho.

Diante de tanta beleza, bateu uma tristeza danada, pois ainda tinha esperança de que o Felipe voltaria um dia a escrever neste blog, o que só nos honraria, pois se o Zé Carlos se considera o blogueiro mais velho, depois que o José Fernandes declinou de sê-lo, ele é o nosso mais novo escritor, além do mais novo médico. Mas, pelo menos temos seus escritos em lugar certo e sabido.

Da mesma forma que elogiei a capacidade da prefeita Judith Alapenha, para escrever em seu Blog, deverei elogiar o Felipe em escrever no dele. Será a filial, pois a matriz parou no carnaval. Esperamos que a Judith volte, e que o Blog do Felipe não seja uma filial, produzindo a mesma coisa. Quando li a página “Sobre o Blog”, fiquei temerosa em relação à independência dos dois blogs, matriz e filial, pois dificilmente, mesmo voltando, a prefeita poderá ter uma linha diferente daquela traçada pelo Felipe.

O formato é diferente, é claro, segue mais o da AGD, pois permite em sessões diferentes a contribuição de outros autores. Mantém o mesmo princípio, que eu adoraria que o Blog da CIT adotasse de revelar a todos, com seus CPF,s e RG,s. Mas, aqui, a renitência do Diretor Presidente e do Zezinho de Caetés, são irritantes. Fazer o que?

O que me preocupou sobremaneira foi a declaração de afeição política, a Dilma Roussef, o poste, e ao Conde Eduardo. Porém, pensando bem, pergunto: “Poderia ser diferente?”Claro que não, velha burra!”, eu mesmo respondo. Ao ler hoje o texto do Zé Carlos na AGD, descobri que posso processar a mim mesmo por “injúria”. Não o farei, antes de dizer que é uma pena. Um rapaz tão jovem, e tão politicamente errado. O José Fernandes, se compreende, pois pessoas com sua idade, uma vez Arraes sempre Arraes até morrer. Vejam o Jodeval.

Tem uma página de artigos, onde o primeiro texto é do José Fernandes, meu contendor “figadal” na política. Felizmente, ele encontrou o lugar perfeito para os seus artigos. Eu estava triste, quando ele deixou, ou diminuiu de publicar aqui no Blog da CIT, e transformou-se de articulista de ponta (sem trocadilho) em comentarista do Blog do Roberto Almeida, louvado pelo Eisntein. Agora ele consegue escrever como articulista, outra vez no blog do Felipe.

É uma pena, que o Felipe não tenha aberto os comentários para os artigos. Por falar nisso, caro Felipe, o que os americanos nos dão, a custa de muita propagando, pelo Blogger, não é perfeito. As páginas são feitas para coisas fixas, e você verá, segundo o Zé Carlos, que, quando o seu blog crescer e houver muitos artigos, e notícias publicadas, você terá que apagar as mais antigas porque elas tem uma capacidade limitada, ao contrário da página principal. Mesmo você abrindo os comentários para as páginas, não podemos fazê-lo a artigos individuais. Estes problemas é que devem ser discutidos em outro Encontro de Blogueiros, que eu irei e você também. Isto se o Poeta não me ameaçar outra vez.

No mais eu adorei o Blog, e se Deus quiser serei uma eterna comentarista, e como diz o Roberto Almeida, que segue a mesma linha política que você, uma comentarista do mal, pois quase o matei do coração por falar do seu “cumpade” Ronaldo César, que só pega no que é de César, e não dá a Deus, nem morto.

E agora sem jocosidades, parabéns pelo Blog, Felipe, e seja bem-vindo a este mundo de emoções. Quem sabe estaremos no mesmo palanque no próximo ano? Política é como nuvem... e blá blá blá blá blá blá....

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 28 de março de 2011

Simples considerações sobre o Encontro de Blogueiros e sobre o anonimato



Meus amigos, estou voltando. Depois de minha passagem por Bom Conselho, no I Encontro de Blogueiros, ao qual tive muita vontade de assistir e não pude, devido ao reduzido número de pessoas presentes, o que colocaria em risco minha personalidade pseudonímica, estou de volta. Achei uma pena, e quase uma crueldade comigo, que tão poucas pessoas tivessem acorrido ao local deste importante evento. Tenho certeza que, se eu entrasse naquela sala, o amigo Luiz Clério iria primeiro perguntar, mesmo antes de dá bom dia: “Oxente! Agora tu és blogueiro!?” E a lebre se levantaria faltamente naquela cabecinha desprovida de cabelo, mas, que funciona, que é uma beleza.

Mas, deixemos este passado no passado e embiquemos nosso jumento para outros assuntos de outros passados, que pelo nosso mundo causal, também tem relação com o presente e com o futuro. Já tomei conhecimento do que se passou no Encontro, e soube ter sido a questão do anonimato e da pseudonímia tocada, mas, não plenamente discutida. Seria impossível no tempo que se usou para coisas também importantes. E no caso da mídia eletrônica, isto se torna um tema fundamental, que volto aqui a abordar, esperando que no próximo Encontro ele seja discutido, e que haja uma multidão de participantes, na qual eu poderei me esconder e até discutir, sem chamar muita atenção, pois todos me conhecem em Bom Conselho, mas de atenção mesmo, vivo carente.

Meu endereço hoje para assuntos é mais uma aula do professor José Fernandes, que ele, modestamente, chama de “Simples Considerações” (vejam aqui ).

Para usar uma linguagem conhecida do professor, seu libelo acusatório ao anonimato é brilhante, do ponto de vista do arcabouço jurídico que nos cerca. Aqui, me referirei a anonimato apenas, seguindo sua opinião de que, se não houver registro em cartório, o que é o meu caso, até agora, eu caio na “vala comum do anonimato”.

Mais uma vez, concordo com a opinião do professor, no que se refere à legislação brasileira. O anonimato, constitucionalmente, pode-se configurar como um delito. A questão não é somente esta, mesmo dentro dos códigos de processos penal e civil. Não vou aqui ensinar Padre Nosso a vigário, dizendo ao José Fernandes, que mesmo, entre os maiores crimes, existem alguns, que nenhum juiz condenará seu autor, pois para isto existem os agravantes e atenuantes. Por exemplo, matar é crime? Eu conheci pessoas que, além de não sofrerem nenhuma pena por matar um semelhante, foram, legalmente, condecoradas, e ainda desfilam no Dia da Independência. Já Jesus Cristo, cometeu, de cara limpa, como o diz o professor, o crime, que deve ser previsto em nosso Código Penal, de dar bordoadas e sopapos em alguém, num templo, que poderia ser a Igreja de Bom Conselho rodeada de vendilhões de diversões mundanas, e por esse crime foi crucificado. Pois ele (este delito) constou dos autos, ou pelo menos deveria ter constado, quando do seu julgamento sob Pôncio Pilatos, e que pode ter sido decisivo para sua condenação. O que faria o José Fernandes se fosse seu advogado de defesa naquele júri? Alegaria atenuantes, de que ele deu porradas em nome do seu Pai, pois os mercadores eram todos ladrões. Quem sabe assim, Jesus tivesse morrido com 80 anos? Pela nossa Constituição, o indivíduo só é considerado culpado se ele for julgado em todas as instâncias, até lá, existe o princípio da “presunção de inocência”, o que eu acho um princípio correto, mas será viável deixar o Fernandinho Beira Mar ou o Pimenta Neves, se candidatarem em 2012, porque a Lei da Ficha Limpa está ameaçada de ir “para o espaço”?

Com o anonimato, ocorre o mesmo. A pessoa que pega o telefone e liga para o Disque Denúncia, está cometendo um crime, por ser um anônimo. O indivíduo que explode uma bomba num trem, em pleno horário de pico, está cometendo um crime, por ser anônimo. Deveriam eles ter a mesma pena? O José Fernandes está roxo de saber que a aplicação das leis, como a fabricação de salsichas, tem seus meandros insondáveis que se escondem dentro da imperfeição humana. Se “a lei é dura mas é lei”, no que se refere ao anonimato, ambos são idênticos perante ela.

Todo este argumento se torna mais contundente quando hoje enfrentamos os meios de informação modernos. Não é muito fácil hoje descobrir quem é anônimo e quem não é. Mas, este argumento que o Zé Carlos chama de “economicista”, de fazer avaliação econômica na aplicação da lei, não é tão poderoso na defesa do nosso “anonimato do bem”, quanto aquele que nos proporciona o José Fernandes quando diz: “Se eles, os anônimos, seguissem os exemplos de CRISTO, NÃO haveria IMPEDIMENTO LEGAL para o anonimato.

Longe de mim me comparar a Cristo em todos os aspectos, pois não costumo andar distribuindo bordoadas por aí, mas, sou cristão, e uso os meios modernos de informação para sê-lo, através do anonimato. Sou católico apenas de nascimento e de alguns batizados e casamentos, mas minha formação ainda me deixa com a consciência tranquila em dizer que meu anonimato não é ilegal. Mas, isto são considerações muito mais simples do aquelas produzidas pelo conterrâneo José Fernandes.

Confesso que, quando olhei de soslaio pela porta da sala onde estava sendo o Encontro de Blogueiros realizado, eu procurei logo por um homem com as feições daquela foto que está no SBC, do nosso professor. Mas, não ter entrado, não foi porque o encontrei, foi pelo baixo número de pessoas presentes mesmo. Foi uma pena. Pois não ganhei uma camisa do Encontro. O Zé Carlos ganhou, e agora só vive desfilando com ela pela Beira Rio. Entretanto, não vi também o Jodeval. Então não perdi tanta coisa assim.

Diretor Presidente – diretorpresidente@citltda.com

domingo, 27 de março de 2011

A Semana Obama





---------
(*) Filme produzido pela UOL que pode ser visto também no YouTube.

sábado, 26 de março de 2011

Energia Atômica e as Muriçocas de Bom Conselho



Quase todos já se manifestaram sobre o acidente nuclear no Japão, e, pelo que leio e ouço, já avisei meus filhos a parar de comer aquele peixe cru que eles chamam de comida japonesa, pois pode já vir com radiação.

Ontem vendo um programa na TV Brasil, onde penso ter sido a única tele-espectadora, e mesmo assim porque Insensato Coração terminou mais cedo, por causa do futebol, vi uma exposição de dois “experts” sobre o acidente japonês. O que conclui é que foi uma terrível fatalidade o que ocorreu. Fatalidade, no sentido de acontecimento cruel e inesperado. Segundo os especialistas, quase todas os possíveis “azares” foram previstos e planejados com o jeito japonês. Todos as usinas atômicas suportariam um terromoto até 8,2 na escala, veio de 8,9. Aguentariam tsunamis com ondas de 8 metros, veio um com 14 metros. Nem japonês seria capaz de prever.

Diante do acidente todo o mundo, usuários ou não de energia atômica, passaram a discutir seus programas presentes ou futuros. Ou seja, começaram a “botar as barbas de molho”. O grande drama que vi, para nós que somos “verdes” e que não gostamos muito de energia nuclear, é a situação brasileira, que segundo um dos participantes do programa, se continuarmos no mesmo ritmo de crescimento, em 2025, isto é, ali na esquina, quando meu neto ainda terá menos de 20 anos, o potencial hidrelétrico brasileiro estará esgotado. Ou seja, se quisermos continuar produzindo no mesmo ritmo e qualidade (ou falta dela), teremos que poluir mais ainda este nosso amado planeta. Não teremos como fugir do pré-sal, do petróleo, do carvão e outros poluidores naturais. Conclusão. Se quisermos sobreviver, a única fonte mais limpa de energia é a atômica, com todos os seus riscos.

Diante destes fatos, gerados pelo nosso modelo de desenvolvimento depredador do meio ambiente, que é amado até pelo PV pernambucano, que apoia o Conde Eduardo e por consequência apoia SUAPE e outros programas poluidores, existe um programa nuclear brasileiro que procura continuar levando em conta estes acontecimentos atuais.

Já ouvi falar que existe até um programação de uma usina para Itacuruba, cidade aqui de Pernambuco, que fica às margens do Rio São Francisco. Nunca vi o projeto, nem os detalhes discutidos pois não também não entenderia. Mas, por que em Itacuruba e não em Bom Conselho?

Eu sou a favor da continuação do programa de energia nuclear, sem bomba, pois ainda a acho a mais limpa de todas as fontes, para os padrões de desenvolvimento brasileiros. Dificilmente, poderíamos passar, mesmo não crescendo nada, a base de ventos, água, álcool, ou outro combustível não poluente. Sou contra o petróleo, carvão e outros poluidores já testados. O grande problema com a energia atômica, segundo dizem, não é o risco de acidentes como o japonês, pois azar também tem seus limites, mas sim os resíduos do programa, que são altamente radioativos e todos os governos querem uma solução para a forma e o lugar para guardá-los. Dizem que eles duram centenas de anos, e necessitam ficarem armazenados em compartimentos especiais por um longo tempo para evitar problemas com a radiação.

O que vejo hoje nos Blogs? Que o governo brasileiro vai oferecer dinheiro (royalties) a municípios que toparem receber o lixo atômico produzido nas usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ). Está aí uma grande oportunidade para os municípios que querem se desenvolver, a qualquer custo. Dizem que os depósitos projetados para os rejeitos tóxicos tem um prazo de validade de 500 anos. Vejam bem, se a Prefeita Judith aceitar receber os resíduos, receberá uma boa quantia da União, e transformará nossa cidade em notícia nacional. Receberia garantias de que por 500 anos, o município estaria seguro (se não houver um “recall” dos fabricantes dos depósitos), teria reeleição garantida, e todos os problemas de cidade seriam resolvidos.

Engarrafamento de trânsito? Viadutos. Falta de médicos nos hospitais? Faculdade de medicina. Baixa escolaridade? Ginásio São Geraldo. Faltam empregos? Pleno emprego para todos os habitantes para enxugarem os cilindros do lixo atômico. Açude da Nação estourado? Praia artificial. E por aí vai, todos os benefícios em receber o lixo atômico.

Além disso, se me decidir mesmo a ir em frente com meu projeto de entrada na Casa de Dantas Barreto, nem que seja para impedir as brigas, vou propor também a vinda de uma usina atômica para Bom Conselho. Não só porque é a energia mais limpa, mas, porque, segundo o Zé Carlos nos contou, só há uma forma de conter as muriçocas na cidade: uma bomba atômica. "Contra os insetos, pode, mas, só contra os insetos."

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

sexta-feira, 25 de março de 2011

Aprovar ou não aprovar, "that is the question"



Continuando ainda na minha veia de avó, e ainda curtindo a chegada das coleiras infantis, li um texto, no Diário de Pernambuco, de um médico pediatra, o Dr. Fernando Azevedo, falando sobre o tema, atualmente discutido, de reprovação das crianças na escola, sua pertinência, e valor para a sociedade, em contrapartida da ideia de uma aprovação automática.

Tanto em minha época como na de meus filhos, esta discussão não existia. Era, vacilou, não estudou, pau e repetição de ano. Ficava com dó dos meus colegas e até dos colegas dos meus filhos, quando eles se separavam da turma, por terem “levado pau”. Era uma verdadeira tristeza para a família (quase dizia enlutada) quando chegava a notícia: “Fulano levou pau!”. Isto representava, além de tudo, um custo para eles e para a sociedade. Meus filhos levavam “pau” em casa para não levar na escola. Graças a Deus nenhum foi reprovado. Dei uns cascudos em um que ficou numa tal de “recuperação”, e ele se recuperou bem.

Entretanto, na época de meus netos, a coisa é diferente, e o dilema quase shakespeariano “reprovar ou não reprovar” merece uma reflexão. Antes de começá-lo, leiam a ideia do pediatra, Fernando Azevedo:

“Dois encontros num fim de semana me estimularam a escrever esse artigo. No sábado com um querido amigo de infância e juventude, e do basquete do Náutico. Perguntou-me: - Ainda estás trabalhando? E respondi: - Muito. - ´A maior besteira que eu fiz foi não ter me formado. Há 20 anos não faço nada!` dizia-me ele com certa amargura. No dia seguinte, domingo, encontro-me com um querido Professor de matemática ainda de belo porte nos seus 89 anos, mas infelizmente confuso pelo mal do alemão. Devo a esse homem as minhas sofridas aprovações em seguidas segundas época em matemática nos colégios Osvaldo Cruz e Padre Felix, e lembro-me das palavras sinceras sempre ditas à minha mãe. - ´Dona Lulinha ele não sabe nada`. E não sabendo nada ia continuando aos trancos e barrancos. O meu amigo junto com o irmão que era meu maior parceiro em molecagens infanto-juvenis e mais um primo abandonaram os estudos desestimulados pelas reprovações apesar de inteligentes e capazes. Entraram no mercado de trabalho. Eu fui de expulsão em expulsão (garanto que todas por motivos fúteis) até completar seis colégios no meu currículo, chegando ao fim do científico.

Quando uma moça dizia estar namorando um filho de Dr. Rinaldo Azevedo, perguntavam logo. Qual deles? Eu sofria uma coisa terrível chamada discriminação. Entrando no terceiro ano científico, chegava a hora de decidir minha vida. MEDICINA. Risadas quando tornei pública a decisão. Tranquei-me em casa por um ano, fazendo o Curso Pernambucano pela manhã e estudando a noite no Leão XIII, excelente colégio no curso diurno, e facilitador no curso noturno repleto de adultos, comerciários etc. que queriam voltar aos estudos. Excelente proposta. Entendi que não sabia nada mesmo, mas como querer é poder obtive o sexto lugar entre os aprovados e fui o aluno laureado da turma de 1964 na Faculdade de Ciências Médicas E se fosse reprovado no colégio como meus amigos? O aluno reprovado se desenturmava e era olhado pelos novos colegas como quase um marginal.

Quando leio sobre o tema que tem sido tão discutido ultimamente por grandes estudiosos da pedagogia me decido firmemente pela aprovação automática com enorme convicção, pois entendo que cada criança ou adolescente tem seu tempo de maturação. O meu foi tardio. Ninguém é igual. Em toda coletividade existem os certinhos, orgulho familiar, e os dispersos. Hoje tenho certeza que seria enquadrado entre os TDAH e teria tomado quilos de Ritalina. Não, eu era apenas diferente e só gostava das aulas que me eram agradáveis embora nunca tenha desrespeitado um Professor que ainda hoje trato com reverência e muita estima, mas pulava a janela ou era expulso de sala. Música era outra coisa que me deleitava e desde os seis anos tocava piano e poderia ter sido um grande pianista não fossem os preconceitos da época, que piano era pra moça e violão pra boêmio e cachaceiro. Acompanhei meus filhos na vida escolar e nunca vi no colégio um descobridor de talentos, só a rotina irritante de sabedorias inúteis e competitividade extrema. Criança não tem infância. Agora aprendem mandarim. Os Psiquiatras infantis aumentam sua clientela ao verem crianças sem sorriso.”

Não sei nem o que é TDAH, mas penso não ser coisa boa. No entanto concordo inteiramente com o médico quanto a dar o tempo necessário à criança, pelas suas diferenças. Um revés sempre é ruim do ponto de vista social, mas, do ponto de vista individual pode ser um aviso de que algo não vai bem e precisa ser mudado, quanto aos planos que temos para nossas crianças.

Meu neto parece adorar automóveis. O pai quer que ele chute bem e que se interesse por futebol. A mãe odiaria se ele tivesse a profissão do pai. Quase igual no meu tempo. Só que hoje, na condição de avó, eu quero mesmo é que ele seja feliz. Se o que ele fizer no futuro me deixar infeliz, por exemplo, se tornar um Carlinhos Bala, eu vou aceitar, pela felicidade dele. Como mãe não fui assim, e até hoje não sei dizer se agi certo ou errado, mas, felizmente, deu certo para mim. Como avó eu pergunto: “E para eles?!”

E dentro desta polêmica eu quero mesmo, igual ao pediatra, é que meu neto dê suas risadas. De preferência sendo aprovado, com distinção e louvor na escola, mesmo que ainda queiram fazer a maldade de reprová-lo. Por isso, o meu desejo é que se aprove a lei, decreto ou portaria, proibindo a reprovação de crianças até 12 anos. Mesmo assim, se a mãe do meu neto der uns cascudinhos, de leve, porque ele só quer jogar bola e não quer saber dos livros, juro, eu não darei um pio.

Lucinha Peixoto lucinhapeixoto@citltda.com

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Conselho da Devassidão



Eu vi o texto a seguir, retirado do Blog de Josias de Souza (23.03), com o título “Senado faz Conselho de Ética com réus e suspeitos”, na coluna da A Gazeta Digital, “Deu nos Blogs”. Não resisto a alguns comentários que faço em seguida à sua leitura.

“Sem alarde, o Senado começou a compor um “novo” Conselho de Ética. Quatro partidos já fizeram suas indicações.

A lista inclui senadores cujas biografias, por ecléticas, ornam mais com a condição de investigados do que com a de investigadores de desvios éticos.

O PMDB acomodou no conselho que tem a missão de julgar as afrontas à ética e ao decoro parlamentar quatro nomes.

Um deles é Romero Jucá (RR). Líder de FHC, de Lula e, agora, de Dilma Rousseff, Jucá responde a três inquéritos no STF.

Sob Lula, a despeito do histórico conturbado, Jucá tornou-se ministro da Previdência.

Pendurado nas manchetes em posição incômoda, viu-se compelido a deixar a pasta em 2005.

A notícia mais amena apresentava Jucá como titular de empréstimos no Banco da Banco da Amazônia que tinham como garantia fazendas fantasmas.

Outro indicado do PMDB para o Conselho de Ética é –espanto, escárnio, estupefação!— Renan Calheiros (AL).

Em 2007, foi acusado de receber dinheiro de um diretor de empreiteira para sustentar o filho que tivera com uma ex-amante.

Ao tentar justificar-se, virou suspeito de simular negócios com gado para lavar dinheiro.

Foi acusado também de usar laranjas para comprar rádios e um jornal. Renunciou à presidência do Senado.

Levado a “julgamento” no plenário do Senado, perderia o mandato se 41 de seus colegas o considerassem culpado.

Livrou-se da cassação por um voto: 35 senadors o consideraram inocente, 40 tacharam-no de culpado. Seis abstiveram-se.

Os outros dois representantes do PMDB no "novo" Conselho de “Ética” são Gilvam Borges (AP) e João Alberto (MA).

Foram ao colegiado não pelos pendores éticos, mas pela fidelidade canina que devotam ao tetrapresidente do Senado, José Saney (AP).

O mesmo Sarney que, acossado por denúncias, celebrou o arquivamento de uma dezena de representações no Conselho de “Ética”.

Dono de uma vaga no colegiado, o PTB preencheu a cadeira com seu líder no Senado, Gim Argello (DF).

Suplente de Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato para fugir de uma cassação dada como certa, Gim coleciona 38 processos por crimes eleitorais.

É investigado por corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos e apropriação indébita.

No ano passado, guindado à posição de relator do Orçamento da União, Gim renunciou ao posto depois de virar protagonista de um escândalo novo.

Descobriu-se que acomodara no Orçameto da pasta do Turismo emendas que destinavam verbas a entidades fantasmas.

O PSDB levou ao Conselho de “Ética” dois titulares: os senadores Mário Couto (PA) e Paulo Bauer (SC). O PP indicou Ciro Nogueira (PI).

Pelo regimento, o conselho precisa ter 15 membros efetivos. Ou seja: os outros partidos terão de indicar mais sete senadores.

Considerando-se as indicações já efetivadas, pode-se intuir que o Senado empossado em 2011 é capaz de tudo, menos de se autoinvestigar. Punições? Esqueça.”

A pergunta óbvia é: E esperavam o quê? Que junto com o maior estelionato eleitoral da história deste pais, fosse eleito um Congresso de adoradores da ética? Ora, não se esperava outra coisa, e cada legislatura tem o Conselho de Ética que merece, e qualquer país democrático, onde os votantes estão a anos luz de distância de exercerem a cidadania plena, também. A frase: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”, está cada dia mais próxima de ser uma verdade em relação aos legislativos brasileiros. No plano federal, o Congresso hoje, é apenas um mendigo a viver das sobras do executivo, que de tão fraco (o Congresso) já passou suas funções para serem exercidas pelo Judiciário. Este, assoberbadíssimo, não consegue cumprir nem as funções que lhes são próprias, enquanto as Medidas Provisórias fazem deste pais uma democracia de uma perna só, o executivo.

Qual a diferença entre o executivo hoje e aquele da ditadura militar? Tem judiciário, congresso e tudo funciona. A diferença é a farda. Hoje no Senado se usa o Fardão do acadêmico, que tem os maribondos de fogo, Sarney. O judiciário não mudou nada, pois mesmo a Constituição, da qual seria o guardião, ele não tem estrutura para proteger, contra as investidas dos presidentes de plantão. Queriam o que? Um Conselho de Ética composto por vestais? Claro que queríamos, e iremos lutar por isto, sob pena de perdermos o pouquinho de liberdade que já temos, para divulgar estes fatos.

Se isto fosse um fato isolado em Brasília, ainda seria um problema sério, mas não tanto quanto, quando verificamos seus desdobramentos na interferência cada vez maior do Estado em nossa vida econômica e social. Hoje somos viciados em Estado para resolver tudo, ou seja voltamos à década de 70. Desde o vício dos pobres, com o Bolsa Família, até a Bolsa dos Bancos, que levam a atitudes como a que vi ontem nos jornais, de um dono de banco se reunir com o Ministro da Fazenda, para acertarem a demissão de um presidente de uma empresa privada, como é a Vale do Rio Doce.

Para onde vamos com um tipo de legislador como os nossos, quando o nosso tetra-presidente do Senado, mantém o bigode de molho, em todos os imbróglios públicos deste pais? Talvez, ao invés de substituir os membros do Conselho de Ética, devêssemos criar logo o Conselho da Devassidão, tendo como objetivo principal, o julgamento de parlamentares que tivessem uma conduta ética exemplar. Este, além de trabalhar pouco, condenaria muitos menos, ainda. Pois, quase todos aqueles que não quiseram se locupletar nem concordar com o estelionato, ficaram em casa, derrotados nas eleições passadas.

E agora com o fim da aplicação da Lei da Ficha Limpa para 2010, fortes candidatos a este Conselho, já estão chegando. Jáder Barbalho será um membro certo.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

P.S.: Em texto anterior eu comentava sobre as razões de Lula não ter ido ao Itamarati na visita de Obama (aqui). Leia abaixo o que o Sebastião Nery pensa a respeito (Diário de Pernambuco 24.03):

"Lula

Lula não chegou a tanto. Mas cometeu uma grossura intolerável. Não com Obama, mas com Dilma. Se o governo dos Estados Unidos ou Obama o tivesse convidado para almoçar na embaixada ou no hotel, Lula poderia até recusar o convite, alegando alguma razão política, embora tenha passado um mandato inteiro usando nos discursos, nos comícios, na propaganda oficial, a exagerada puxada de Obama: ´Esse é o cara`. Não é.

Mas o almoço de Dilma era outra coisa. A presidente da República quis dar uma demonstração de maturidade política do país e do nível civilizado de seu governo, convidando os ex-presidentes vivos (Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula) para almoçarem com ela e com Obama. Todos foram, menos Lula. Nunca me enganou. É um grosso.

Candidato

Um dirigente do PT tentou me explicar a execrável atitude:

1) Lula não tolera estar em lugar algum sem ser o mais importante.

2) Lula só pensa nele. Aproveitou a oportunidade para dizer a Dilma e ao país que ele é ele, Dilma é outra coisa. Eque já é candidato em 2014."

ZC

A Coleira de Crianças e Elizabeth Taylor



Não é novidade que sempre leio os blogs diariamente. Agora o faço a partir da A Gazeta Digital. O pessoal está sabendo escolher os blogs, e mais, estão produzindo duas colunas, que para mim, que não tenho muito tempo, estão sendo fundamentais: “Deu nos Blogs” e “Notícias”. Às vezes eu vou na seção de piadas, que o Zé Carlos disse que é de publicidade, parece que é: “Comprando e Sorrindo”, ou alguma coisa assim. Tem umas em que ele exagera. Isto se o meu neto acessasse o Blog.

Hoje, na coluna notícias vi duas, que me chamaram a atenção. A primeira falava de uma coleira para crianças, que está sendo lançada no Brasil. O início da reportagem diz:

“Nos shoppings, praças e supermercados, está virando moda encontrar mães e filhos com uma companheira inseparável: a ‘mochila-coleira’. De acordo com os vendedores, ela é a solução para frear as crianças fujonas e levadas. É um acessório que garante a tranquilidade das mães e o limite dos filhos que, ao menor movimento brusco, podem ter os passos freados por uma alça fixa na mochila e presa à mão do responsável. A novidade é uma nova versão da ‘coleira infantil’ que está há anos no mercado, mas continua trazendo polêmica.”

Eu ainda não a tinha vista, a coleira, amarrada à bolsa. O que penso ser uma evolução daquelas que presenciei na Inglaterra, que também inicialmente estranhei, mas depois vi quanto ela é útil, em certas ocasiões. Lá, a criança é amarrada pela barriga, e encontramos famílias enormes, todas recebendo o “Child Benefit”, que é uma espécie de Bolsa Família deles, e que podem ser confundidas com aqueles passeadores de cachorros, que também vemos por lá.

Semana passada levei meu neto ao Shopping. Ele adora sentar naqueles carrinhos e ficar mexendo na direção, como um pequeno Airton Senna. Ali ele está protegido e não são necessários muitos cuidados em seus movimentos. Entrei numa loja, ele se atracou lá com um brinquedo, já sabendo que avó não nega nada, e terminei comprando-o para ele. Enquanto pagava o presente, num piscar de olhos, o danadinho sumiu.

Só quem já passou por esta situação, começa a dar valor a uma coleirinha básica, macia, carinhosa e nem pensa se a criança vai parecer um cachorrinho ou não. E se parecer, os pobres animais não são tão feios assim. Nestas horas uma coleirinha é fundamental. Pode evitar até enfarte do miocárdio, pois foi quase um início dele que tive no desespero ao chamar meu neto, e correr para fora da loja a sua procura. O danadinho já ia longe com o brinquedo na mão e já olhando outros para atacar a pobre avó desesperada.

Quando o encontrei, se tivesse ali uma camisinha de força eu teria colocado nele, de tão apavorada que estava. Que venham as bolsas coleiras. Serei a primeira a comprar.

Esta notícia não foi triste. Foi só apavorante, a outra que li lá na AGD, me entristeceu bastante. Soube da morte da Elizabeth Taylor. Não pensem besteira pensando que somos contemporâneas. Contemporâneos meus são seus filmes. Até hoje nunca vi uma mulher tão bela, no sentido de uma beleza clássica, grega, de escultura. Tinha 79 anos, e ainda bem que na reportagem não há nenhum foto dela no momento atual. Deixem-me ficar com a sua beleza da eterna Cleópatra, e seu também belo Richard Burton, o eterno Julio César.

A reportagem traz uma filmografia que reproduzo aqui parcialmente, com apenas aqueles filmes a que assisti:

The Flintstones – O Filme (1994)

Ana dos Mil Dias (1969)

A Megera Domada (1967)

O Pecado de Todos Nós (1967)

Os Farsantes (1967)

Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966)

Adeus às Ilusões (1965)

Cleópatra (1963)

Gata em Teto de Zinco Quente (1958)

Assim Caminha a Humanidade (1956)

A Última Vez que Vi Paris (1954)

Ivanhoé – O Vingador do Rei (1952)

Quo Vadis (1951)

Um Lugar ao Sol (1951)

Príncipe Encantado (1948)

A lembrança dos detalhes dos roteiros já se foi há muito tempo. Ficaram, no entanto, as recordações de um cinema, que tinha na beleza dos atores sua maior arma, e isto nos cativava. Sofri um pouco ao saber que o Rocky Hudson era “gay”, mas ainda continuei com a paixão platônica por ele. Hoje vejo que, e concordo, a orientação sexual é apenas um detalhe nas personalidades das pessoas. Ser "espada" ou "bainha" não nos torna mais ou menos bonitos como espécimes que somos, do gênero humano. A Liz Taylor era um desses exemplares que admiramos por sua beleza tanto quanto a invejávamos.

Mesmo sendo do mesmo gênero, me atrevo a julgar nossa beleza dizendo apenas que prefiro a de Elizabeth Taylor, à de Sandra Bullock. Do outro lado do gênero, prefiro a beleza do Richard Burton à de Lázaro Ramos. Devo lembrar ainda que, a Liz era talentosíssima e foi uma mulher lutadora por diversas causas, que só orgulham o nosso gênero.

Peguei o filme seguinte como uma homenagem à atriz. Vejam e relembrem da época em que Bom Conselho tinha cinema.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Sport e o Boi



Já faz algum tempo que não escrevo para o Blog. Falta de tempo, muitas demandas de todos, e ainda mais fui cair na besteira de dizer ao Zé Carlos que toparia compor um grupo de canto, o CajuPassa, para tirar a hegemonia do UvaPassa, em nossa faixa etária.

Eu já disse aqui, que morei muito tempo na Rua da Cadeia, como outros que compõem a CIT, e que conheci a Ana Luna e sua irmã Damiana. Minha adesão ao grupo CajuPassa foi de impulso, quando vi a Ana e suas amigas se apresentando no programa de TV. Algumas músicas do grupo eu já conhecia, mas sua performance no tubo de imagem foi imbatível. Agora querem que eu seja o compositor do grupo, apenas porque eu arranho um violão, como arranhava um surdo nos desfiles do grupo Mestre Laurindo. Estou tentando (sei que é difícil) corresponder às expectativas, mas, os desafios sempre me deram entusiasmo.

Também fiquei contente com a adesão de pessoas tão empolgada na arte do canto, como o Beto Guerra, o Roberto Lira, e agora, como o Zé Carlos nos contou, o Josan Viana, que está entusiasmadíssimo, para compor o grupo. Ainda, segundo o Zé Carlos, temos que reunir o grupo para votar se o aceitamos ou não, pois ele é um jovem, e talvez, o grupo, só aceite gente que está entrando na “andropausa”. Vamos ver.

Porém, não era sobre o CajuPassa que queria escrever. Comecei a digitar para expor uma notícia sobre uma área que sempre admirei e ainda participo, como torcedor, que é o futebol. Hoje ao encontrar-me com o jornal diário, vi a foto que encabeça este texto e a seguinte manchete: “SPORT PAGA BOI A BABALORIXÁ”. Seguia-se o seguinte texto:

A diretoria do Rubro-negro repassou ontem R$ 5mil a Pai Carlos (foto) como pagamento por um boi que o clube “devia” a Exu desde a conquista da Copa do Brasil em 2008. A dívida estaria por trás da má fase no PE2011, que ameaça o hexa.”

Não contive meu riso, quando lembrei daquela piada, que diz, “se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado”. Da forma como foi estruturado o campeonato pernambucano, simplesmente para caçar níqueis, e não para mostrar os melhores times, o Sport ainda tem chances de ganhar o campeonato. Esta história do G4, pode levar a uma grande distorção quanto à qualidade do clubes que estão envolvidos.

Náutico, Santa Cruz, Central, Porto, ainda poderiam se sagrar campeões de forma justa, num torneio bem estruturado, mas, neste formato, o Sport, além de está jogando um péssimo futebol, e por cima velhaco, pode ainda ser hexa. Para isto, a diretoria está apelando para os orixás. Já não basta mudar o técnico, que agora não é mais Hélio dos Anjos, mas Hélio do Boi, para tentar reverter a situação.

E o boi ofertado é de primeira qualidade, pelo valor pago. Resta saber se o Exu, nesta altura do campeonato, ainda aceita o pagamento da dívida, sem juros e correção. Talvez, ele exija mais, pois pela qualidade dos jogadores, ele queira, não um boi só, mas uma boiada.

Uma outra solução, talvez mais barata, se Exu quiser uma boiada, é trazer o Mano Menezes e os convocados para seleção brasileira, exigindo a presença de Ronaldinho Gaúcho, para fazer as comemorações dançando frevo na Ilha. Mas, pensando bem nem isto pode dar resultado porque, sem pagar o boi, não tem hexa, e como disse o Pai Carlos: “Nem o pagamento do boi vai garantir o desejado título, pois o boi não entra em campo nem ganha jogo”.

O problema parece ser outro, que o Pai Carlos, em nome de Exu, pode resolver, e, certamente, cobrará mais alguns bois. Para se certificar que “hexa é luxo”, um presidente do Náutico, mandou enterrar um timbu na Ilha do Retiro, e outro no Arruda. Dizem até, que por medida de precaução, já tem um enterrado no Lacerdão em Caruaru. O problema é descobrir onde estão os ossos do timbu. Isto é um trabalho para o Pai Carlos.

Por enquanto, com o timbu enterrado, fiquemos tranquilos alvi-rubros, “Hexa é Luxo”.


Jameson Pinheirojamesonpinheiro@citltda.com

terça-feira, 22 de março de 2011

BARTÔ, O ATEU



Conheci Bartolomeu em uma tarde festiva na mesa do bar Savoy, no final dos anos 70, na Avenida Guararapes, o coração do Recife, hoje, alquebrado, feio e sujo. Estávamos reunidos bebericando e jogando conversa fora, e através do nosso amigo Nilo freqüentador assíduo, que já o conhecia lá prá bandas do Alto de Santa Terezinha, zona Norte do Recife nos apresentou. Dali prá frente quase todos os sábados lá estava conversando animadamente. O Nilo, em uma ocasião, falou que o Bartô era ateu. Todos nós ficamos admirados com aquela noticia, pois, todos nós acreditávamos em Deus, mesmo não participando das liturgias das igrejas, com freqüência.

Num certo dia que o Bartô apareceu no Savoy, Henrique, grande boêmio, falou para que todos ouvissem:

Bartô você é mesmo ateu? Você não tem nenhuma religião? Como é?

Não acreditas em Deus? Como é isso? Conta-nos

Bartô deu uma risada e disse,

Realmente não acredito em nada. Para mim Deus não existe. Isto tudo em que vivemos é uma mentira, nós chegamos neste lugar sem saber como chegamos, apenas abrimos os olhos depois de certo tempo e vamos voltar fechando os olhos sem saber para onde vamos. Tudo vai se evaporar. Tudo se tornará pó ou cinzas, como queira vocês interpretar. Nada vale, somente é valido este momento que aqui estamos o resto e banal.

E como você apareceu e vive? Este espaço que nós habitamos, este ar que respiramos, a natureza, os animais, e a vida em sim, como apareceu, se não foi um SER superior que a criou? Jamaci perguntou arregalando os olhos em sua direção.

Eu não sei explicar apenas este o meu pensamento e com ele vou até o fim. Mas vamos parar por aqui, não gosto de discutir este tipo de coisa, cada um tem a sua preferência e eu tenho a minha e não gosto que ninguém se intrometa, ok. Ainda, digo mais, mulher, futebol, religião e política não se devem discutir cada um tem a sua opinião e preferência, e vocês fiquem na sua e não me incomode, disse já aborrecido.

Ficamos todos atônitos, olhando um para o outro tentando compreender aquele colega de bar.

Encerramos o assunto, e passamos a jogar “porrinha” disputando garrafas de cervejas e tira gosto. Quem quisesse ver o Bartô danado começasse a falar de religião, ele se retirava irritado e para irritá-lo o Melo muito gaiato, quando chegava o Bartô na mesa, ele falava alto chegou o nosso ateu. Bartô já mostrando irritação, dizia. “aqui não é o meu lugar” e começava a se retirar enquanto os outros colegas de mesa, dizia, “deixa de besteira, Bartô, puxa a cadeira e senta-te, pois esse cara só quer te apoquentar”, apontando para o Melo que ria descaradamente.

Certo dia, uma sexta feira, ás treze horas, Maguari, trabalhando como despachante na Receita Federal chegou ao Savoy espavorido, com suor escorrendo pelo rosto, com a sua pasta na mão. Puxou uma cadeira e pediu ao garçom Careca, uma cerveja bem gelada, dispensando uma que tínhamos pedido há pouco instante. Solveu um copo de uma só vez, limpou a boca na manga da camisa. Olhou para todos nós e falou; Meus amigos não sei como começar, mas tenho uma bomba atômica para contar a todos vocês!

Todos nós ficamos na expectativa, olhando um para o outro aguardando a noticia bomba que o Maguari tinha para falar. Demorou um pouco tomando fôlego e tomou mais um copo de cerveja.

Fale, diga o que ocorreu que lhe deixou desta forma, pois, todos nós estamos curiosos para saber do acontecimento.

Na mesa, se encontrava os companheiros, o Nilo, Jamaci, Maia, Melo, Guilherme, Nelsinho, e Marcio Bessa, Zé Maria e o que escreve este pequeno artigo.

Maguari tomou mais um copo de cerveja e disse: “o que vou lhe falar vocês não vão acreditar”, percorrendo com um olhar todos nós, na expectativa da noticia.

Todos nós já estávamos impacientes aguardando o Maguari falar e, ele disse:

Vocês sabem quem eu encontrei na Basílica da Penha, na missa das 11h30min, recebendo a benção de São Felix?

Ficamos calados.

Pois é, disse Maguari, Bartô, o ateu na fila para receber o óleo na testa.

Naquele mesmo instante, me belisquei, fechei os olhos pensando que estava sonhando, mais era o próprio Bartô, ali em pé, na fila, aguardando a benção que os frades capuchinhos dava aos fieis. Fiquei admirado e o aguardei na saída da igreja.

Assim que ele passou o abordei e disse: Tu sempre apregoaste que é ateu, de que não acreditavas em Deus e em mais ninguém, como é que estais aqui recebendo a benção de São Felix e assistindo a Santa Missa?

Olhou admirado para mim e disse:

Eu nunca fui um ateu convicto, apenas para me vangloriar, dizia “que era ateu”, pois, assim me destacava na roda da mesa do bar, onde todos me olhavam com espanto por esta afirmação. Questionavam. Ficavam perplexos. E, eu ficava empolgado. Apanhei uma doença na urina, mijando sangue, e minha mulher muita devota de São Felix fez uma promessa para a minha cura, e eu prometia ela que cumpriria a promessa. Estou curado, apenas tomando alguns remédios, no entanto a doença desapareceu e desta forma estou cumprindo a promessa, e estou me dando bem com as palavras proferidas pelos padres capuchinhos.

Eu desapareci estes tempos dos nossos encontros no Savoy devido à doença e o tratamento receitado pelo “doutor” que aconselhou que eu não tomasse nenhuma bebida que contivesse álcool. E, completou: “Já viu alguém, como eu, boêmio inveterado, chegar numa mesa de bar e não tomar nada, nem uma “lourinha suada” é demais não é amigo? Brevemente e quem sabe no próximo sábado estarei no Savoy para agüentar as gozações de todos, mas o que fazer? Menti e, toda mentira merece uma “paulada”.

Um abraço. Dê lembranças minhas aos demais companheiros boêmios.

Seguiu pela Praça Dom Vital para apanhar o ônibus para sua casa na Avenida Guararapes.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma desculpa esfarrapada?



Infelizmente, não pude ir ao I Encontro de Blogueiros lá em Bom Conselho. Eu estava comprometido com um churrasco que a Lucinha ofereceu ao pessoal da CIT em sua casa. Estamos esperando o Zé Carlos e o Diretor Presidente para nos contar as novidades e, principalmente, se haviam preparado alguma presepada para a Lucinha se ela tivesse ido.

Hoje, antes de começar este artigo li um texto do Edgar Flexa Ribeiro, que é um educador e sempre escreve para o Blog do Noblat, e hoje seu texto chama-se: “À cata de um biógrafo”. Leiam-no e eu começo a falar das desculpas depois do texto.

“Lula recusou convite para almoçar com Obama.

Collor e Itamar compareceram. Sarney foi. Fernando Henrique também foi. Por que Lula não foi?

É fácil encontrar motivos para fazer ou não fazer alguma coisa que é esperada de nós: dor de dente, compromisso anterior, morte na família e assim por diante. Motivos são só motivos: fugazes, episódicos, voláteis.

Razões são mais profundas e reveladoras, pois descem como raízes no interior de nós mesmos, prendem-se às nossas mais íntimas características, inseguranças e singularidades.

As explicações oferecidas por Lula ao recusar o convite para almoçar com o presidente dos Estados Unidos, na companhia da atual presidente do Brasil e dos outros quatro ex-presidentes, foram muitas e confusas: não queria ofuscar com seu brilho a atual presidente; não foi convidado pessoalmente por Dilma; rolava um churrasco em São Bernardo pelo aniversário de um filho.

A presença de Lula teria certamente contribuído para apresentar a um chefe de Estado estrangeiro o espetáculo – raro na região – de um país onde ex-presidentes contribuem com sua presença física para testemunhar perante o mundo a regularidade democrática da alternância no poder.

Fica em aberto a pergunta: tendo recusado o convite terá Luiz Inácio, o Lula, revelado uma faceta nova de si mesmo? Haverá um traço de insegurança que surge na pessoa de Luiz Inácio, uma vez despido dos apanágios do poder que exerceu na oposição, ou no governo como o personagem Lula?

Afinal, foi Luiz Inácio ou Lula quem não ousou dividir o palco com sua sucessora e seus antecessores? Afinal, quem ofuscaria quem?

Alegou-se como certo que Lula ofusca Dilma. Mas, e se Luiz Inácio, na circunstância, teme o contrário: e se Dilma, no exercício do poder, ofuscar Lula? E se Luiz Inácio não se sentir à vontade diante de seus antecessores, inseguro frente ao Collor com quem debateu na campanha eleitoral que disputaram, e em ver o abominável FHC falando inglês com Obama?

Escrever uma biografia é das mais complexas e difíceis tarefas a que alguém se pode entregar. Há que se encontrar personagem, estudar a trajetória, a época, desembrulhá-lo dos enfeites, intrometer-se em sua intimidade e especular responsavelmente sobre as razões de seus atos e atitudes.

Lula – Luiz Inácio – aguarda um biógrafo à altura de sua complexidade – ou simplicidade.”

Se alguém vier me dizer que eu não fui a Bom Conselho por outro motivo, a não ser o churrasco de Lucinha, eu ficarei ofendido. Mas, um biógrafo meu, o que poderia dizer se nada soubesse de minha vida particular. É a questão que o articulista levanta acima sobre o churrasco do aniversário do filho de Lula, que o impediu de ver o “cara” que o lançou com o “cara”, dando-lhe projeção mundial. O articulista levanta algumas razões, todas elas plausíveis, mas esqueceu da que eu acho, é a verdadeira.

Isto vem desde pequeno lá em Caetés. Quando roubávamos mangas do sítio, quase sempre, quem levava a fama boa era Lula, por nos proporcionar um bom repasto, e, ao mesmo tempo, quem levava a fama ruim eram os outros porque eram acusados de serem ladrões de manga. O Lula não sabia de nada, mesmo que o bucho cheio de manga demonstrasse o contrário. A verdade é que o Lula jamais aguentaria que o Obama cometesse a possível desfeita, depois que ele se revelou "macaca de auditório" do presidente iraniano, de dizer que FHC agora é que é o “cara”. O qualquer um do salão de festas. Se isto acontecesse poderíamos até ter um novo Getúlio, mesmo sem está na presidência, com Lula tentando o suicídio, usando como arma, a ingestão de uma garrafa completa de 51. Pelo menos, se não morresse poderia ficar com grandes sequelas.

Diante disto, mesmo deixando de falar com os seus amigos Collor e Sarney, ele resolveu dar a desculpa do churrasco. Ele não queria mesmo era encontrar o Itamar e FHC, e correr o risco de perder o título de “o cara”. Embora, todos sabemos que isto não iria acontecer, porque ele não entenderia um palavras do que o Obama dissesse, pois todos os tradutores estava rodeando a Dilma, enquanto ela falava com a Michelle Obama. Ele, com razão, preferiu não aparecer.

Eu só posso terminar dizendo que o churrasco na casa de Lucinha estava ótimo, e não senti tanto não ir a Bom Conselho. Mas, estou interessado em saber o que lá ocorreu, pois, com minhas amizades em Bom Conselho, brevemente o Carlos Alberto, proporá algum título de cidadão desta terra maravilhosa, igual ele fez pela a Ana Luna, a quem não conheço, mas o Zé Carlos fala muito bem dela.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com