segunda-feira, 14 de março de 2011

A Jabuticaba do Lula




Hoje terminei triste minha leitura pelos blogs da vida. Aliás, eu agora vivo muito triste. Principalmente, depois que me decepcionei com o meu conterrâneo, o Luis Inácio. Entretanto, nem tudo é tristeza neste pós-amor. Uma coisa ele fez certa, e só no último ano, para entregar o poste no lugar que havia prometido em 2009, ele começou a errar. Ele aprofundou, corretamente, o choque capitalista no Brasil, começado com o Collor das “carroças”, passando pelo topete do Itamar e a vaidade intelectual do FHC. Foi o maior de todos, o fura bolo e o cata piolho dos “neoliberais” brasileiros.

Todos sabemos que não existem liberais sem amor a bancos. Eles são um motor do capitalismo e já foram tidos como o grande fator de desenvolvimento das nações. Não há capitalismo sem capital financeiro e sem crédito, e com tudo que há de ruim ou bom com ele.

Entretanto, o que foi feito nos últimos 8 anos foi um verdadeiro massacre do setor financeiro sobre o chamado setor real da economia, o que, no artigo do Élio Gaspari, que abaixo transcrevemos, é chamada de economia de produtos. Leiam e entenderão o que quero dizer. O artigo tem como sugestivo título: A Bolsa Copom plantou uma jabuticabeira” e saiu ontem no O Globo.

Todos sabem que a jabuticaba é a mais nacionais das frutas, como é puramente a mais nacional, a taxa de juros (preço do dinheiro, mercadoria dos bancos) mais alta do mundo. Lembro bem que, nos idos de 1970, onde militar ditava as normas no Brasil, quando perguntávamos a um jovem o que ele queria ser quando crescer, e ele tivesse alguma vocação política, ele dizia: Quero ser militar. Hoje ele responderia: Quero ser banqueiro.

Leiam o artigo abaixo e vejam que, chega dar vergonha de responder a um estrangeiro, se perguntado, qual a indústria mais lucrativa deste país. Na Itália, há um certo tempo atrás, um italiano respondia, é a Máfia. Aqui no Brasil, eu responderia são os bancos. Leiam o artigo e vejam que, neste início de semana, quando você passar um cheque, lê seu extrato bancário ou entrar num banco, você estará contribuindo para o pagamento do Bolsa Copom, que é a contrapartida do Bolsa Família, para os ricos, e é muito maior. E ainda se fala que Lula distribuiu muito bem a renda deste país. Oh, coitados...

“O andar de cima nacional precisa pensar na vida. A revista americana “Forbes” divulgou sua lista de bilionários e, nela, há 30 brasileiros e brasileiras com mais de US$ 1 bilhão.

O legendário banqueiro paulista Gastão Vidigal ensinava que instituições financeiras não lidam com produtos, pois “produto é coisa que se pode embrulhar”, como pregos e sabonetes.

Aplicando-se esse critério à lista da “Forbes”, resulta que no Brasil há 13 bilionários na turma dos produtos (Eike Batista, Jorge Paulo Lemann e Ermírio de Moraes, por exemplo), e outros 15 cujo patrimônio derivou principalmente da atividade bancária (Safra, Villela e Moreira Salles).

No grupo da banca, nove dos bilionários pertencem à segunda geração dos fundadores do Itaú-Unibanco e do Bradesco. Alguns deles têm outras atividades profissionais (quando as têm). Dos nove magnatas suíços, só um está no ramo de investimentos.

Na lista dos dez maiores bilionários do mundo, oito lidam com produtos e, entre eles, há apenas um lote de herdeiros, os Walton, do Wal-Mart, empresa que revolucionou os hábitos de consumo americanos.

O peso dos bilionários da banca brasileira é único. Para ficar na área dos Brics, dos 30 maiores magnatas russos, 20 lidam só com produtos; na Índia, 23; e na China, onde a banca é controlada pelo Estado, a turma está quase toda produzindo, ou negociando com imóveis.

Esse é o produto da Bolsa Copom, com seu juros lunares.

A lista em que falta o Brasil

Na mesma semana em que a revista “Forbes” iluminou 30 bilionários brasileiros, o semanário inglês “THE” (“Times Higher Education”) publicou sua lista das cem melhores universidades do mundo. Cadê o Brasil? Micou e não ficou sequer entre as duzentas. Em 2009, a USP fora a 92ª na área da saúde.

Cruzando-se a lista dos bilionários com a das universidades, a coisa fica feia. A China teve incluídas cinco instituições, a Índia e a Rússia têm uma cada. A América Latina, nenhuma.

Nem tudo é ruína. No pequeno mundo dos cursos de formação de executivos, uma avaliação do “Financial Times” deu a Pindorama o 8º lugar com a Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, e o 13º com o Insper, de São Paulo. Ambas são instituições privadas.

Não é o caso de retomar a discussão sobre o futuro das universidades públicas, até porque, com poucas exceções, o estrago da privataria na rede particular garante que ela ficará fora de qualquer lista por mais 50 anos.

Os 30 bilionários brasileiros poderiam refletir em torno da história de um casal americano. Chamavam-se Leland e Jane. Tinham um só filho e, em 1884, ele morreu em Florença, aos 16 anos.

O casal quis preservar sua memória. Podia ser com um museu, uma escola técnica ou uma universidade. Procuraram o presidente de Harvard, a quem conheciam, e aprenderam que uma universidade lhes custaria US$ 5 milhões. Entreolharam-se e viram que tinham esse trocado, pois a fortuna do casal ia a US$ 50 milhões (US$ 1 bilhão em dinheiro de hoje.).

Voltaram para a Califórnia e criaram a Universidade de Stanford, com o sobrenome da família. Ela é hoje a 5ª melhor do mundo, e a localidade de Palo Alto, cujas terras eram de Leland, é o pulmão do progresso tecnológico americano.

Pouca gente se lembra do senador Leland Stanford como um dos “barões ladrões” da Califórnia, nem da estrada de ferro transcontinental que ajudou a abrir como uma monumental rapinagem, pois ela mudou a geografia dos Estados Unidos.

Pelas contas da “Forbes”, os 30 bilionários brasileiros têm um ervanário de US$ 130,5 bilhões.”

Zezinho de Caetés – jad67@citltda.com

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