quarta-feira, 9 de março de 2011

Lula, a Herança Maldita e a Micronésia


Ainda durante o carnaval, enquanto curava minha ressaca do Galo da Madrugada, ampliada pela decepção em não encontrar lá o meu conterrâneo Lula, resolvi esquecê-lo por um tempo. E realmente o esqueci por uma hora, mais ou menos, até ir à internete e percorrer alguns blogs.

Encontrei uma postagem no Blog do Josias de Souza, com o título “Sob Lula, Brasil abriu 79 representações no exterior. Como me interesso um pouco por Política Externa brasileira, desde a época em que ela era feita por um Itamarati cônscio de suas responsabilidades com nossa terra, resolvi ler.

Confesso que fiquei pensando que era brincadeira de carnaval. Infelizmente, não era. O desejo de Lula, ou, penso mesmo que ele nem sabia e quem mandava era o Amorim e o Garcia mesmo, de tornar o Brasil um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, nos levou ao ridículo em termos de política externa.

Ainda não estou elogiando a Dilmam, mas vou terminar fazendo por pena da coitada. Dentro da herança maldita deixada por Lula, ficou até a Micronésia (foto acima). Leiam, e eu me retiro para as cinzas a que um dia todos iremos voltar.

“A herança que Lula deixou para Dilma Rousseff incluiu uma tarefa entre prosaica e insólita: incrementar as relações diplomáticas do Brasil com a Micronésia.

Você talvez não saiba, mas o país existe. Acredite. É um arquipélago assentado na Oceania. Tem cerca de 700 km2.

Trata-se de um paraíso. Banhado pelo pacífico, oferece paisagens como a da foto lá do alto, tirada em Pohnpei, um dos quatro Estados Federados da Micronésia.

Em 22 de dezembro, dez dias antes de deixar o governo, Lula baixou o decreto 7401, criando a embaixada brasileira em Palikir, capital da Micronésia.

Pela lógica, dois fatores determinam a instalação de representações no exterior: 1) o interesse econômico; 2) a presença de grande comunidade de brasileiros no país.

A novíssima embaixada na Micronésia, por ilógica, foge aos padrões. Difícil achar brasileiros entre seus cerca de 110 mil habitantes.

Dono de um PIB miúdo –pouco mais de US$ 200 milhões— o país tampouco oferece grandes perspectias de parceria comercial.

A força de trabalho da Micronésia soma 20 mil pessoas. Dedicam-se ao atendimento de turistas, à pesca e à agricultura (coco, banana, mandioca, batata doce e castanha).

Essa foi a 79ª representação criada por Lula no estrangeiro –57 embaixadas e 22 consulados. Média de 10 por ano. Quase uma por mês.

Sob FHC, o Itamaraty fora mais comedido. Nos oito anos da Era tucana, inauguraram-se 16 novas representações –12 embaixadas e quatro consulados.

O expansionismo diplomático do Brasil de Lula pautou-se pela flexibilização ideológica e pelo desejo de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

A maleabilidade política resultou em vexame. Abriram-se embaixadas em países notáveis pelo desrespeito aos direitos humanos e pelo desapreço aos valores democráticos.

Entre eles, por exemplo, Guiné Equatorial, Sudão, Mianmar e, veja você, até a Coréia do Norte do companheiro-ditador Kim Jong-Il.

Quanto ao sonho da cadeira permanente no principal conselho da ONU, resultou irrealizado a despeito da proliferação de novos parceiros diplomáticos.

Restou o legado das quase oito dezenas de novas representações. Coisa para Dilma Rousseff administrar.

A fúria inauguratória de Lula levou o Brasil a países pequenos e de relevância diplomática duvidosa.

O grosso das novas embaixadas e consulados foi instalado em nações ex-comunistas, países africanos pobres e ilhas do Pacífico e do Caribe.

Além dos neoparceiros já mencionados, a lista inclui: Albânia, Croácia, Azerbaijão, Casaquistão, Zâmbia, Tanzânia, Benin, Togo, Sri Lanka...

Guiné, Botsuana, Congo, Dominica, Bahamas, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, Dominica e um interminável etc..

Antes de abrir a embaixada na Micronésia, Lula editou o decreto 7376. Datado de 1º de dezembro de 2010, criou a embaixada brasileira em Tarawa, capital do Kiribati.

Vinte dias antes, em 11 de novembro, o Kiribati havia sido pendurado nas manchetes em posição algo desesperadora.

Pequeno arquipélago do Pacífico, o país anunciou ao mundo que pode ter de deslocar toda sua população –cerca de 100 mil pessoas— para outra localidade.

Por quê? O aquecimento global faz com que o mar avance sobre o território de Kiribati, encobrindo-o aos poucos.

“Para algumas comunidades, já é tarde demais. Não há como protegê-las”, disse o presidente de Kiribati, Andote Tong.

Gestor de uma ilha vulcânica condenada ao desaparecimento, Tong guindou ao topo de suas prioridades a obtenção de terras onde possa acomodar seu povo.

Parece piada, mas, no mês da despedida, Lula mandou instalar uma embaixada em solo que convive com o risco de ser engolfado pelas águas.

A representação de Kiribati foi ao bololô da política externa de Lula como uma espécie de cereja. Chama-se Samuel Pinheiro Guimarães o ideólogo da estratégia.

Coisa implementada com o apoio do ex-chanceler Celso Amorim e sob aplausos do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Samuel ocupou a secretaria-geral do Itamaraty até 2009. Na fase final do governo Lula, chefiou a Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Os dados que recheiam essa notícia foram recolhidos nos arquivos do Senado. Cabe aos senadores aprovar a criação de novas embaixadas e consulados. Aprovou-se tudo o que Lula propôs.”

Zezinho de Caetés – jad67@citltda.com

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(*) Foto do Blog do Josias de Souza.

Um comentário:

antonio candido de souza disse...

Faltou uma representação diplomática na Baixa da Égua para onde ele deveria ter seguido após deixar o govêrno.