quarta-feira, 2 de março de 2011

O Bolsa Cachaça e o Fala Dudu






Ao ler hoje a AGD vi o Zé Carlos falar em “bolsa óculos” e “bolsa fraldão”, ao comentar o resultado das enquetes. Ele até cita meu nome numa votação, por vídeo conferência, sobre quem chamar para escrever para terceira idade. Se não fosse pelo o senso de humor que sei que ele tem, iria ficar intrigada da Marli, pois iria dar uns catiripapos nele (Zé Carlos, brincadeirinha gente, eu sou de paz), quando ele sugeriu o Emir Sader (lembro do Jodeval). Vi também no Deu nos Blogs um texto do Altamir Pinheiro, o meu “guerrilheiro” favorito, mas, a isto eu volto em seguida.

Aqui meu assunto são as “bolsas” que ainda se encontram na ordem do dia, fazendo parte do que chamam “jeito petista” de governar. Rodar a bolsinha sempre foi uma honrosa profissão como qualquer outra, mas o PT quer esbagaçá-la, também. Depois do aumento do Bolsa Família, dado pela Rainha Dilma, que agora está rodando a bolsinha em cima do PDT, por ter tido o topete de votar contra o mínimo dos mínimos, surgiram as defesas de sua atitude, por aqueles que não querem levar uma “bolsada” na cabeça.

Imaginem que, no meu sacrossanto lar, meu neto já nos braços de morfeu, meu marido cochilando, dizendo que está vendo o Jornal Nacional, eu vendo também, e esperando Insensato Coração (está boa, Roberto!), o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), em entrevista afirma, mais ou menos o seguinte, em minhas palavras, treinando a minha memória:

“Gente, mesmo que o pobre pegue o dinheiro para comprar cachaça, não tem problema, isto é um jeito de ajudar a economia. O cidadão pega seu dinheiro no banco compra pão para sua família, compra gêneros de primeira necessidade. A oposição diz que ele usa o dinheiro para comprar cachaça. Mesmo sem incentivar, vamos dizer que o indivíduo compre uma cachaça por mês, são 11 ou 12 milhões de garrafas de cachaça. Isso ajuda toda a economia.”

Foi quase assim, além de defender este dinheiro que chega ao bolso do pobre, sem intermediação política. Foi criada então o “bolsa cachaça”, como no passado já tinha sido criada a “bolsa vaselina”, que foi cantada em versos pelo poeta Miguezim da Princesa (mandei a poesia para o Zé Carlos, pois se ele publicou o Feliz Ano Novo, e gosta de publicar poesia, pode também publicar o Miguezim).

Eu não sou tão contra à intervenção do setor público em nossas vidas como o Zezinho de Caetés, mas tudo tem um limite. Como quero entrar na política deveria me manter calada, pois hoje, quem é contra a este tipo de política social, não se elege nem para inspetor de quarteirão. E não sou contra. Apenas não concordo da forma como este auxílio é utilizado, escravizando o pobre a ele, sem nenhum incentivo para que ele saia desta vida de mendigo oficial. E fica muito longe daquilo que o líder do governo propugna de “não intermediação política”. Isto não é verdade. O Bolsa Família sempre se associou eleitoralmente a Lula e aos dos níveis mais baixo de governo, que conseguiam aparecer como seus donos. O que os nordestinos estão tomando de “sopão” é um espanto. E quem é o dono do sopão, é o dono dos votos.

Agora querem criar o “bolsa cachaça”, que sempre foi tomada sem intermediação nenhuma. Não da 51, que o Lula toma, pois é cara. O pobre vai mesmo é de “zinebra gatinho”, como falavam em minha infância, e eu só sei que era um tipo de pinga. E com a saúde como está agora, sem eira nem beira neste estado, apesar das UPAs, breve teremos a “bolsa cirrose” que ajudará as vítimas do “bolsa cachaça”, e terminará, provavelmente com o “bolsa funeral”, para aqueles que não tem direito ao auxílio funeral.

Falando em saúde, hoje vi um texto do Blog Chumbo Grosso (AGD, Deu nos Blogs), no qual o Altamir se rende ao mutismo governamental em relação ao caso D. Moura. Eu dei todo o apoio e até a Gazeta Digital, também apoiou, a nossa campanha “Fala Dudu”, por eu achar justo que o povo da cidade vizinha mereceria mais consideração do governador, pelo menos para dizer um sim ou um não. Não quis me imiscuir na política interna de Garanhuns, a não ser até o ponto que pertencemos à mesma região do Estado, e portanto, sofremos da mesma forma os eflúvios governamentais. Mas é uma lástima que a imprensa bloguística tenha se calado em massa diante do fato. Não temos outra alternativa do que suspender, pelo menos para fora, esta brilhante campanha, para não continuar malhando em ferro frio. Intimamente, ainda balbuciamos: “Fala Dudu”.

Talvez tenha sido culpada por suavizar a campanha do Blog Chumbo Grosso: “Vamos vaiar o Dudu”, e assim ninguém quis ouvir. Se isto aconteceu, me perdoe, “guerrilheiro”. Temos é que vaiar mesmo.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com


P.S.: Já depois de escrito o texto acima encontrei o filme da entrevista do Candido Vaccarezza, líder do PT, na Câmara, onde ele mostra as virtudes da cachaça comprada com o dinheiro do bolsa família. Vejam e corrijam minhas palavras acima se estiverem erradas.





LP

3 comentários:

Ilha de Pala disse...

Conterrânea Lucinha, bons acompanhamento das novelas!

Em vez de estar assistindo, como você e sua velha espada, a Insensato Coração sou eu o coração insensato por levar adiante essa idéia de jerico de administrar um blog. O Ilha de Pala tomou conta dos poucos neurônios que ainda funcionam. Penso que ele (o Ilha) tem medo que os coitadinhos dos neurônios sejam apossados pelo alemão (o Alzheimer). Só estou tendo tempo para dar umas treinadinhas no tênis e depois sentar o traseiro em frente ao teclado e sofrer para escrevinhar umas poucas bobagens para serem compartilhadas pelos palaneses. Gostei do seu Bolsa Cachaça. Quanto à Bolsa Cachaça proposta pelo Vaccarezza preferia uma Bolsa Vinho ou até mesmo uma Bolsa Chop. Para qualquer uma dessas bolsas eu me alistaria prazerosamente e, ao receber a grana da viúva, poder comprar meus vinhosinhos/chopinhos e assim ajudar a economia do Brasil.
FALA SÉRIO O VACCAREZZA!

Roberto Lira

Altamir Pinheiro disse...

A MUNIÇÃO AINDA NÃO SE ESGOTOU POR COMPLETO. ESTÁ FALTANDO O TIRO DE MISERICÓRDIA. CHUMBO GROSSO NELES!!!

Anônimo disse...

O Guerrilheiro ainda tem muita bala na agulha. Vem chumbo venenoso por aí!