quinta-feira, 24 de março de 2011

O Conselho da Devassidão



Eu vi o texto a seguir, retirado do Blog de Josias de Souza (23.03), com o título “Senado faz Conselho de Ética com réus e suspeitos”, na coluna da A Gazeta Digital, “Deu nos Blogs”. Não resisto a alguns comentários que faço em seguida à sua leitura.

“Sem alarde, o Senado começou a compor um “novo” Conselho de Ética. Quatro partidos já fizeram suas indicações.

A lista inclui senadores cujas biografias, por ecléticas, ornam mais com a condição de investigados do que com a de investigadores de desvios éticos.

O PMDB acomodou no conselho que tem a missão de julgar as afrontas à ética e ao decoro parlamentar quatro nomes.

Um deles é Romero Jucá (RR). Líder de FHC, de Lula e, agora, de Dilma Rousseff, Jucá responde a três inquéritos no STF.

Sob Lula, a despeito do histórico conturbado, Jucá tornou-se ministro da Previdência.

Pendurado nas manchetes em posição incômoda, viu-se compelido a deixar a pasta em 2005.

A notícia mais amena apresentava Jucá como titular de empréstimos no Banco da Banco da Amazônia que tinham como garantia fazendas fantasmas.

Outro indicado do PMDB para o Conselho de Ética é –espanto, escárnio, estupefação!— Renan Calheiros (AL).

Em 2007, foi acusado de receber dinheiro de um diretor de empreiteira para sustentar o filho que tivera com uma ex-amante.

Ao tentar justificar-se, virou suspeito de simular negócios com gado para lavar dinheiro.

Foi acusado também de usar laranjas para comprar rádios e um jornal. Renunciou à presidência do Senado.

Levado a “julgamento” no plenário do Senado, perderia o mandato se 41 de seus colegas o considerassem culpado.

Livrou-se da cassação por um voto: 35 senadors o consideraram inocente, 40 tacharam-no de culpado. Seis abstiveram-se.

Os outros dois representantes do PMDB no "novo" Conselho de “Ética” são Gilvam Borges (AP) e João Alberto (MA).

Foram ao colegiado não pelos pendores éticos, mas pela fidelidade canina que devotam ao tetrapresidente do Senado, José Saney (AP).

O mesmo Sarney que, acossado por denúncias, celebrou o arquivamento de uma dezena de representações no Conselho de “Ética”.

Dono de uma vaga no colegiado, o PTB preencheu a cadeira com seu líder no Senado, Gim Argello (DF).

Suplente de Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato para fugir de uma cassação dada como certa, Gim coleciona 38 processos por crimes eleitorais.

É investigado por corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos e apropriação indébita.

No ano passado, guindado à posição de relator do Orçamento da União, Gim renunciou ao posto depois de virar protagonista de um escândalo novo.

Descobriu-se que acomodara no Orçameto da pasta do Turismo emendas que destinavam verbas a entidades fantasmas.

O PSDB levou ao Conselho de “Ética” dois titulares: os senadores Mário Couto (PA) e Paulo Bauer (SC). O PP indicou Ciro Nogueira (PI).

Pelo regimento, o conselho precisa ter 15 membros efetivos. Ou seja: os outros partidos terão de indicar mais sete senadores.

Considerando-se as indicações já efetivadas, pode-se intuir que o Senado empossado em 2011 é capaz de tudo, menos de se autoinvestigar. Punições? Esqueça.”

A pergunta óbvia é: E esperavam o quê? Que junto com o maior estelionato eleitoral da história deste pais, fosse eleito um Congresso de adoradores da ética? Ora, não se esperava outra coisa, e cada legislatura tem o Conselho de Ética que merece, e qualquer país democrático, onde os votantes estão a anos luz de distância de exercerem a cidadania plena, também. A frase: “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”, está cada dia mais próxima de ser uma verdade em relação aos legislativos brasileiros. No plano federal, o Congresso hoje, é apenas um mendigo a viver das sobras do executivo, que de tão fraco (o Congresso) já passou suas funções para serem exercidas pelo Judiciário. Este, assoberbadíssimo, não consegue cumprir nem as funções que lhes são próprias, enquanto as Medidas Provisórias fazem deste pais uma democracia de uma perna só, o executivo.

Qual a diferença entre o executivo hoje e aquele da ditadura militar? Tem judiciário, congresso e tudo funciona. A diferença é a farda. Hoje no Senado se usa o Fardão do acadêmico, que tem os maribondos de fogo, Sarney. O judiciário não mudou nada, pois mesmo a Constituição, da qual seria o guardião, ele não tem estrutura para proteger, contra as investidas dos presidentes de plantão. Queriam o que? Um Conselho de Ética composto por vestais? Claro que queríamos, e iremos lutar por isto, sob pena de perdermos o pouquinho de liberdade que já temos, para divulgar estes fatos.

Se isto fosse um fato isolado em Brasília, ainda seria um problema sério, mas não tanto quanto, quando verificamos seus desdobramentos na interferência cada vez maior do Estado em nossa vida econômica e social. Hoje somos viciados em Estado para resolver tudo, ou seja voltamos à década de 70. Desde o vício dos pobres, com o Bolsa Família, até a Bolsa dos Bancos, que levam a atitudes como a que vi ontem nos jornais, de um dono de banco se reunir com o Ministro da Fazenda, para acertarem a demissão de um presidente de uma empresa privada, como é a Vale do Rio Doce.

Para onde vamos com um tipo de legislador como os nossos, quando o nosso tetra-presidente do Senado, mantém o bigode de molho, em todos os imbróglios públicos deste pais? Talvez, ao invés de substituir os membros do Conselho de Ética, devêssemos criar logo o Conselho da Devassidão, tendo como objetivo principal, o julgamento de parlamentares que tivessem uma conduta ética exemplar. Este, além de trabalhar pouco, condenaria muitos menos, ainda. Pois, quase todos aqueles que não quiseram se locupletar nem concordar com o estelionato, ficaram em casa, derrotados nas eleições passadas.

E agora com o fim da aplicação da Lei da Ficha Limpa para 2010, fortes candidatos a este Conselho, já estão chegando. Jáder Barbalho será um membro certo.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

P.S.: Em texto anterior eu comentava sobre as razões de Lula não ter ido ao Itamarati na visita de Obama (aqui). Leia abaixo o que o Sebastião Nery pensa a respeito (Diário de Pernambuco 24.03):

"Lula

Lula não chegou a tanto. Mas cometeu uma grossura intolerável. Não com Obama, mas com Dilma. Se o governo dos Estados Unidos ou Obama o tivesse convidado para almoçar na embaixada ou no hotel, Lula poderia até recusar o convite, alegando alguma razão política, embora tenha passado um mandato inteiro usando nos discursos, nos comícios, na propaganda oficial, a exagerada puxada de Obama: ´Esse é o cara`. Não é.

Mas o almoço de Dilma era outra coisa. A presidente da República quis dar uma demonstração de maturidade política do país e do nível civilizado de seu governo, convidando os ex-presidentes vivos (Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula) para almoçarem com ela e com Obama. Todos foram, menos Lula. Nunca me enganou. É um grosso.

Candidato

Um dirigente do PT tentou me explicar a execrável atitude:

1) Lula não tolera estar em lugar algum sem ser o mais importante.

2) Lula só pensa nele. Aproveitou a oportunidade para dizer a Dilma e ao país que ele é ele, Dilma é outra coisa. Eque já é candidato em 2014."

ZC

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