terça-feira, 1 de março de 2011

O Discurso do Rei




Não, meus amigos. Não vou falar do reinado de Dilma. Quero falar de um filme. Sábado passado, aceitei um convite da Eliúde para ir a um cinema. Ela ainda não está na terceira idade e eu tive que pagar uma inteira para ela e uma meia entrada para mim. E não precisei, pelos meus cabelos brancos, nem mostrar documentos para provar que tenho direito a este benefício. A Eliúde nem se importou que eu pagasse. Se fosse a Lucinha...

Quando disse à moça da bilheteria que queria uma e meia, ela perguntou: Estudante? Fiquei sem saber o que responder, pois nunca parei de estudar. Mas o que ela queria dizer era perguntar se eu tinha uma carteirinha. Então respondi seco: “Não, velho mesmo!”. Ela sorriu e fez um gesto como se dissesse não diga isto, o senhor ainda é jovem. Como são corteses as moças do cinema.

Eu escolhi o filme. Pois soube que era inglês, e certa vez eu passei um tempo na terra da Rainha Elizabeth e queria verificar se o meu inglês ainda existia na minha cabeça. Que nada! Se não fossem as legendas ficaria boiando quase o tempo todo. Embora que, do jeito que os ingleses falam, eu entendo melhor dos que quando os americanos abrem a boca. Lembrei do sotaque do meu pai, que quando chegou logo de Portugal, dizia que falava português mas ninguém acreditava, pois não entendiam nada. Lá na Inglaterra dizem que os nobre falam com um ovo na boca. Os portugueses falam com um pau atravessado na garganta. Eu não chegaria a tanto.

Mas, voltemos ao filme. Cinema de arte, em estado puro. Simplesmente brilhante. Não ouvíamos nada no cinema, a não ser as risadas normais pelas peripécias do Rei George VI, que era gago, e do seu terapeuta, que não era médico. Um roteiro que a vida deu de bandeja aos produtores da película.

Num momento delicado da história inglesa, com o Hitler tentando dar um pontapé nos fundilhos dos seus vizinhos, um homem tem que superar uma deficiência (não sei se física ou mental) para conduzir o seu povo, num esforço de guerra, que agora sabemos vitorioso. E aqui no Brasil, tem gente que reclama porque tem a língua presa. O ator principal fez-me quase ficar gago, igual ao Rei. E o ator coadjuvante nos cura desta ameaça.

Lembrei da mulher do Rei, mãe da atual Rainha Elizabeth, por todos conhecida como a Rainha Mãe. A verdadeira passou dos 100 anos de idade, e a vi em várias solenidades, cuidando dos usos e costumes da família real. Talvez seja a única família real, na atualidade, que dá lucro ao seu país. Penso que, se um dia, o Reino Unido for uma República, o turismo cairá a zero. E vi o porquê, quando lá estava. Os ingleses giram em torno de seu Rei ou Rainha, mesmo com a ameaça do Príncipe Charles. O filme mostra muito bem porque George VI foi coroado no lugar do irmão. Ele simplesmente se casou com uma plebeia, que era divorciada. Como, sendo o Rei da Inglaterra o Papa da Igreja Anglicana, ele poderia se casar com uma mulher separada? Acho que, pelos mesmos motivos, a Rainha Elizabeth não abdica em favor do Charles. E agora, com esta onda de revoluções feitas pelas Redes Sociais, por via das dúvidas, a Rainha está no Twitter.

Outra coisa que eu notei foi, em relação ao terapeuta. Como alguém pode ser útil sem certificados, diplomas e rapapés. O filme mostra a independência de um homem do povo em relação à nobreza, quando está em jogo os seus saberes. Ou ele trataria o rei com um homem comum, ou não haveria o tratamento. Nota-se em ambos os conflitos a que isto pode levar, mas no final vence a tese de que, por mais elevado o cargo, a função ou a nobreza que alguém possua num determinado momento histórico, todos não passamos de mortais seres humanos. Lucinha vai adorar o filme, pois repetirá o que já me disse muitas vezes: “Memento homo quia pulvis es, et in pulverem reverteris.” Assim mesmo em latim, e se eu escrevi corretamente, nesta velha língua, já sei que significa: “Lembra-te, ó homem, que és pó, e que em pó te hás de tornar

Eu adorei o filme, e soube hoje que ela papou as estatuetas importantes no concurso do Oscar. Eu também, em outra postagem, disse que gostei do filme: Lula, o Filho do Brasil. Mas, perdoe-me meu conterrâneo, mas esta briga pelo Oscar é de cachorro grande, e os nossos cachorros ainda são muito pequenininhos. Quem sabe no futuro não se produza um filme brasileiro: Lula, o Padrasto do Brasil? Pois a madrasta já temos.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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