sexta-feira, 18 de março de 2011

O Liberalismo e a Bolsa-Vaselina



Ontem, li com um prazer inenarrável, o artigo da Lucinha Peixoto, no qual ela falava do Emir Sader, e seu colega de ideias, o Jodeval Duarte. É uma pena que ela não seja uma liberal como eu, e que, quando usa a palavra neoliberal ainda coloca nela um certo ranço preconceituoso criado pelos PILA,s e outros para não permitir que se veja o óbvio. Que, tanto em termos políticos quanto em termos econômicos, o liberalismo, talvez não seja a solução ideal, para nossa felicidade suprema, ainda é o que mais nos aproxima dela.

O que Lucinha chama de Marula, produz o adjetivo “marulista”, que talvez seja um termo mais apropriado do que PILA (Perfeito Idiota Latino-Americano), pois pode ser aplicado “urbi et orbis”. O marulista é aquele indivíduo que acredita que a interferência do Estado na economia acabará a miséria, quando é o contrário que ocorreu, pelo menos com o exemplo do socialismo real. Hoje o fato mais notório é a pobreza e miséria de alguns países que tiveram o Estado como ente supremo do desenvolvimento. Hoje, alguns marulistas ainda se gabam ao dizer que em alguns destes países a educação e saúde do povo é assegurada através de medidas adotadas pelo estado. O que é fato, o povo nestes países são prisioneiros que sabem ler, escrever, tem direito a algumas vacinas, cada vez mais escassas, e comem uma vez por dia, exceto os seus líderes, como em todo processo de escravidão. Alguns sonham com o exemplo chinês, que para produzir, abriu suas portas ao capital estrangeiro, e para exportar trata sua mão de obra como escrava.

Mas, o que me fez escrever hoje foi o artigo que vi, penso que anteontem, no Blog do Josias de Souza, a que ele deu o título de “Ministra Ana tornou-se jóquei de um pangaré manco”. Leiam e eu espero vocês lá embaixo:

“No terceiro ato da peça ‘Henrique IV’, Shakespeare acomodou nos lábios do personagem Hotspur a seguinte fala:

“Nada me irrita tanto quanto um verso de pé quebrado. É como o trote forçado de um cavalo manco”.

A cantara Maria Bethânia, cuja voz encanta pelo trote firme, empurrou um pangaré manco para dentro do programa de incentivos fiscais da pasta da Cultura.

Valendo-se da Lei de Audivisual, Bethânia pediu e obteve autorização para captar no mercado R$ 1,3 milhão. Dinheiro a ser usado na abertura de um blog.

“O Mundo Precisa de Poesia”, eis o nome do blog que Bethânia pretende lançar. Veiculará 365 poemas recitados pela cantora.

Uma poesia por dia, em vídeos dirigidos pelo cineasta Andrucha Waddington. Tudo custeado pela Viúva, veneranda e desprotegida senhora.

As empresas que se dispuserem a entregar R$ 1,3 milhão a Bethânia descontarão o mimo integralmente do Imposto de Renda devido à Receita Federal.

Divulgada pela repórter Mônica Bergamo, a novidade devolveu a ministra Ana de Hollanda (Cultura) ao seu habitat preferido: o universo da polêmica.

Depois de deferir o pedido da irmã de Caetano Veloso, a irmã de Chico Buarque viu-se compelida a divulgar uma nota explicativa.

Na administração pública, como se sabe, tudo o que precisa de explicação é, em geral, inexplicável.

O ministério da irmã-ministra informa que o projeto da irmã-recitadora foi aprovado pela CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura).

Trata-se de órgão que congrega representantes do governo, artistas, empresários, e gente da “sociedade civil”.

Há três anos, Bethânia já havia emplacado outro projeto. Pedira autorização para captar R$ 1,8 milhão. O dinheiro financiaria uma turnê da cantora.

O CNIC indeferiu. Mas o antecessor da ministra Ana, Juca Ferreira, ignorou o parecer da comissão. E autorizou a captação.

A nova ministra preferiu aprovar o blog de R$ 1,3 milhão. Ao fazê-lo, tornou-se jóquei voluntária do pangaré manco da amiga, tingido de zebra.

Cavalga pelas pradarias da web com um semblante de piada. O blog de Bethânia ainda não foi ao ar. Mas já está disponível uma versão caricata. Veja aqui.

Se o contribuinte não for excluído dessa garupa, acaba vingando o conselho debochado feito por Lobão no twitter:

"Sugeriria fazermos uma campanha tipo: devolve essa porra, Bethânia"”

Está certo que “O Mundo Precisa de Poesia”, e dou todo ponto à A Gazeta Digital, quando as publica, mas a este preço, tenham dó. Eu tenho certeza que o Zé Carlos, administrador da AGD, não recebe nenhum dinheiro público para colocar o Blog na rua e mostrar belas poesias. Por que então eu teria que concordar em doar à Maria Betânia R$ 1,3 milhão, com a mesma finalidade. A este preço, eu juro, começarei a cometer meus versos e os divulgarei aqui no Blog da CIT. Lucinha pode até fazer o que ela mais gosta, que são paródias de letras, usando poesias consagradas. Todos nós montaríamos no pangaré manco, mesmo irritando o personagem do Shakespeare cita acima.

Eu nunca vi poesias tão caras. No primeiro ano, cada uma custará mais de R$ 3.500,00. Nem o Camões nem o Fernando Pessoa, nem mesmo o Carlos Drummond de Andrade, cobrariam tanto. E o pior, ninguém sabe de quem serão as poesias. Certamente, a Bethania escolherá algumas do seu irmão Caetano, ou do conterrâneo Gil, ou até mesmo de sua mãe, que pode ter cometido alguns versos que estão guardados em algum caderninho no fundo baú.

Realmente, temos bons poetas, e que merecem serem lidos, e outros devem ser incentivados a produzi-los, e os blogs são hoje uma forma de comunicação eficaz inclusive para a poesia. No caso em questão, o problema é o preço. E não me venham com aquele comercial de cartão de crédito, que poesia não tem preço, pois não cola. Os folhetos de Cordel, lídimos representantes de nossa cultura popular dão aos seus autores muito menos dinheiro, por muito mais cultura. Muitos deles estão produzindo cultura e passando fome. E a cultura é uma área, como infraestrutura, justiça, contratos, leis e mesmo alguns ramos da educação, onde se pode justificar as ações do Estado. Mas gastar tanto num blog, sem saber o que nele vai sair, é demais para meu amor à poesia.

Mesmo sabendo que iria ser colocada no Blog da Bethania, a poesia abaixo, que pode até não ser muito erudita, mas remete aos absurdos da intervenção estatal na economia, eu não daria a ela (a Bethania) todos estes milhões (O poema foi feito pelo poeta popular Miguezim da Princesa, na ocasião em que o Ministério da Saúde resolveu distribuir “gel lubrificante” para evitar certas dores e é chamado de Bolsa-Vaselina). Espero que a Lucinha, a maior adepta da Papacagay, não se ofenda: “camisinha”, tudo bem, mas, “gel”!?

“Sem ter mais o que doar,

O Governo da Nação

Resolveu, virando os olhos,

Gastar mais de R$ 1 milhão,

Doando para os viados

Bolsa-lubrificação.

I

Quem tem o seu pode dar

Da forma como quiser

Seja feio, seja bonito,

Seja homem ou mulher,

E tem de agüentar o tranco

Da forma como vier.

III

O Governo Federal,

Que em tudo quer se meter,

Decretou que o coito anal

Tem mas não pode doer

E o Bolsa-Vaselina

Surgiu para socorrer.

IV

Quinze milhões de sachês:

A farra está animada!

Vai ter festa a noite inteira,

Até mesmo na Esplanada,

Sem ninguém sequer sentir

A hora da estocada.

V

Coitada da prega-mãe,

Vai perder o seu valor,

Pois é ela quem avisa

Na hora que aumenta a dor

E protege as outras pregas

De algum violentador.

VI

O governo quer tirar

Do gay a satisfação,

Como mulher sem prazer

(Fonte de reprodução),

Porque tanta vaselina

Vai tirar a “sensação”.

VII

- É para reduzir danos!

- Defende logo um petista.

Porque na hora do coito

Dá um escuro na vista

E a dor é tão profunda

Que eu sinto dó do artista.

VIII

- Mas tu já desse, bichim?

- pergunta Zé de Orlando.

O governista sai bravo,

Dando coice e espumando,

Pega o “rabo de cavalo”

E sai no dedo enrolando.

IX

O Brasil é mesmo assim:

Prostituta tem prazer,

Vagabundo tira férias,

Se trabalha sem comer

E quem dá o ás-de-copas,

Dá mas não pode doer.

X

O governo resolveu

Dar bolsa pra todo mundo

E criar um grande exército

De milhões de vagabundos

Só faltava esta bolsa

De vaselinar os fundos.”

Simplesmente, brilhante. Sugiro aqui que seja publicada na A Gazeta Digital, e que tente uma verba no Ministério da Cultura. Quem sabe, enquanto a ministra está enrolada com o que fazer com o Emir Sader, ela não assina sem lê.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

2 comentários:

Altamir Pinheiro disse...

UMA DAS FRASES MAIS BEM CUNHADA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE FOI PRONUNCIADA PELO ESTADISTA WINSTON CHURCHILL: “O CAPITALISMO É A DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL DAS BENESSES. JÁ O COMUNISMO É A DISTRIBUIÇÃO POR IGUAL DA MISÉRIA.”

P.S.: - O BOLSA-ESMOLA QUE O DIGA...

Blog Chumbo Grosso disse...

ESSA SENHORA CANTORA COM O SEU BLOG DE POESIAS, CONSEGUIU UMA VERBA JUNTO AOS IMUNDOS DO PT, TALVEZ, MUITO MAIOR QUE O PREFEITO DE SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO PARA COMBATER A DENGUE OU ENTÃO PARA FAZER ESGOTO NA CIDADE PARA DEBELAR O PRÓPRIO MOSQUITO DESSA ENDEMIA E PORQUE NÃO DIZER EPIDEMIA QUE ASSOLA AS CIDADES DO INTERIOR. ESSE É O MODO PETISTA DOS SEBOSOS GOVERNAR...