domingo, 10 de abril de 2011

As mulheres e as cotas



Eu hoje, já de manhazinha estava no laptop escrevendo um comentário para o Blog do Roberto Almeida, sobre as atitudes dos jornalistas regionais em relação a fatos relevantes para a sociedade e que são tomados por eles como coisas banais ao ponto de ninguém tocar no assunto. (Vejam aqui)

Fui à missa e voltei, na esperança de arranjar um tempinho para escrever sobre o caso, mas, infelizmente, quem lida com estes monstros digitais, não pode se comprometer muito com o tempo. O meu computador imitouo do Saulo e me tirou uma boa parte da manhã, até que minha filha chegou e me emprestou o dela.

Nunca é a mesma coisa. Estão lá minhas anotações, e elas se foram, assim como se foram as “noivas” de Ana Luna junto com o computador do Saulo. O que fazer? O melhor que podemos, dentro das circunstâncias, ou como diziam, se aparece um limão não faça caretas, faça uma limonada e tire seu proveito.

Poucos dias atrás escrevi sobre preconceito e falei que era contra as cotas raciais e outras que estão a invadir nosso espaço. Voltarei ao tema. Por enquanto apenas transcrevo um texto, com o qual concordo inteiramente. A novidade agora é a cota para mulheres na política. Meu Deus, não têm mais o que inventar. Por hoje leiam o artigo da Mary Zaidan cujo título é “Discriminação e privilégio”, publicado no Blog do Noblat:

“Discriminação e privilégio são opostos que se atraem. E com tamanha força que se tornam inseparáveis. Como ovo e galinha, nunca se saberá qual vem primeiro, muito menos qual entre os dois exerce supremacia sobre o outro. Se a discriminação endossa preconceitos e nega paridade entre iguais, o privilégio age em favor de uns sempre discriminando outros. Portanto, não há como fugir: privilegiar é discriminar e vice-versa.

Mas o Brasil insiste em não enxergar isso. Reincide e institucionaliza erros. Da máxima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem o senador José Sarney não é “uma pessoa comum”, o que, implicitamente, lhe dá permissão para infringir leis, aos foros especiais que transformam políticos com mandato e ocupantes do primeiro escalão em seres quase intocáveis, tudo conspira em favor dos privilégios. Até mesmo quando se quer combater a discriminação.

Iniciadas sob a égide do então presidente Fernando Henrique Cardoso e acatadas em universidades federais com velocidade vertiginosa durante o governo Lula, as cotas raciais são o exemplo mais bem acabado disso. Em nome de atender aos que se declaram negros, criam-se privilégios que discriminam aqueles que não são negros nem se dizem pardos. Jovens de outros matizes, brancos ou amarelos, pagam a conta. Como tiro que escapa pela culatra, se a cor da pele continuar a valer mais do que o mérito, o risco é de se estimular o preconceito. Não pela cor em si, mas pelo privilégio que ela confere.

Com as mulheres não é diferente. De lutadoras aguerridas pela igualdade, parte delas passou a correr atrás de privilégios. Na quinta-feira conseguiram mais um: a aprovação na Comissão da Reforma Política do Senado da ampliação da cota obrigatória de candidatas mulheres dos já injustificáveis 30% para absurdos 50%.

Isso depois dos resultados pífios da tal cota. Instituída em 1988, não mostrou a que veio: em 1990, 25 deputadas, outras 33 em 1994, e 42 em 2002. Em 2010, mesmo com uma candidata vencedora à presidência da República, só 45 deputadas foram eleitas, uma a menos do que em 2006. Fora o aperto dos partidos que, para registrar suas chapas, caçam mulheres a laço. Enfiam nas listas nomes que nada representam, mas que têm o direito de lá estar apenas pelo gênero.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre a constitucionalidade das cotas raciais, julgamento previsto ainda para este semestre. Quiçá será instado também a se pronunciar sobre as regalias eleitorais femininas. A cada um de nós cabe avaliar se queremos conviver e estimular uma sociedade moldada em discriminações e privilégios.”

Hoje parabenizei a Niedja pelo seu aniversário, na A Gazeta Digital. A primeira blogueira de Bom Conselho, depois que a prefeita parou com seu blog. Será que vão propor um sistema de cotas para mulheres blogueiras em Bom Conselho? Vade retro!

Lucinha Peixoto


2 comentários:

Cláudio Andre disse...

NIÉJA CAMBOIM NÃO É A PRIMEIRA BLOGUEIRA DE BOM CONELHO, VÁ AO BLOG DO CLAUDIO ANDRE, VERAS A RELAÇÃO COMPLETA DOS BLOGS DE BOM CONSELHO.

Lucinha Peixoto disse...

Prezado Cláudio André, doravante chamado Poeta,

Obrigada, por ler-me e comentar meu artigo, mesmo não no que ele tem de essencial. Mesmo assim, desde que vi seu comentário, fui ao seu blog, procurar a relação de Blogs de Bom Conselho. Ou ela não está lá ou está bem escondida, pois não a encontrei. Mesmo assim, você pode ter razão quanto ao caso de Niedja. Mas, se não for a primeira, deve ser a segundo, já que o Blog da Prefeita está de recesso desde o carnaval. Só está funcionando a filial que é o Blog do Felipe Alapenha.

Confesso a você que a cada página que passava eu ficava com medo de ver alguma jumentinha em atividade. Mas, respirei e fui passando. É pena que não tenha encontrado a relação de blogs, porque, vamos combinar Poeta, é muito difícil rodar pelo seu blog. E ainda por cima tive que parar numa postagem que um tal de Bob dizia tanta besteira sobre a tragédia do Rio, que pedi a misericórdia de Deus para ele. Pior ainda, você concorda com aquele desvairado. Eu imagino como está o jornalismo alagoano se o Bob é um referência para ele, com você diz.

Que você use suas jumentinhas para dá mais audiência a seu blog, tudo bem. Mas, usar Deus e uma tragédia desta para fazê-lo, não era do seu feitio. Fique certo Poeta, que não cai uma folha de mato que não seja pela vontade de Deus. E isto independe de quantas hóstias eu tomei hoje na missa. Você está muito confuso em termos religiosos. Fale com o Padre Nelson ou mesmo com o Diácono Di que eles lhe darão uns esclarecimentos. Enquanto eles não fazem, use o seu livre arbítrio que Deus lhe deu assim como deu ao assassino de Realengo, para interpretar melhor o que seja Deus, e não cometer tantos pecados. Deus não poderia ter evitado a tragédia, a não ser que os homens acreditassem em Jesus e em seus ensinamentos, ou mesmo de outros dos seus enviados que tantas religiões fundaram. Você me parece que foi seminarista e se arrependeu. Basta ver sua vontade de criticar a religião sem uma base necessária para fazê-lo. Peço perdão a Deus para você, Poeta.

É por essas e outras que os leitores do seu blog, em sua maioria, segundo você, mais da metade dos votantes da enquete, acham que seu blog não vale nada. Eu já não acho assim, mas tenho minhas críticas. Fique certo, que os blogs como a música, como a literatura, a arte, e mesmo outras coisas, nem sempre devem ser avaliado pelo número de pessoas que os usa, como você diz em relação ao Encontro, que não fui por sua causa, a qualidade é que conta. Por isso mesmo eu tenho um pé atrás com os chamados governos do povo, que ao invés de serem populares são populistas, e por isso eu prefiro a democracia representativa. Embora, ache também, que a nossa merece uma profunda reforma para que ela seja mesmo representativa.

Os blogs hoje tem um papel muito importante em nosso aperfeiçoamento democrático. E o seu com a audiência “monstra” que você diz que tem, pode muito bem cooperar, com isto, e não ser só usado para “faturar”.

Hoje já exerci por demais minha prolixidade. Que Deus te proteja, Poeta. Não deixe de ir ao Padre Nelson. Obrigada mais uma vez pelo comentário.

Lucinha Peixoto

P.S.: Todos pedem uma foto recente minha. Vão ficar esperando até eu aparecer ao vivo, talvez com você como meu locutar oficial e com a Marcix, minha sósia do UvaPassa, cantando Cadê o Voto (e não cadê o Xico). E quanto ao Zé Carlos, você errou mais uma vez, ele não é o “cabelo de nuvens”, ele tem a cabeça nas nuvens, pois vive em cima do muro mais alto, politicamente, embora não só queira faturar. Ele, às vezes parece que não quer é nada.

LP