sexta-feira, 29 de abril de 2011

Casamento em Seráfia - Cap. II



Meu neto acordou e tive que deixar este prazer de escrever sobre o casamento do século, para mudar a fralda dele. Hoje já ri á vontade com o fraldão do Zé Carlos na A Gazeta Digital (veja aqui). Continuo, já falando do vestido da Doralice.

Simplesmente deslumbrante. Sóbrio, severo, sem transparências chamativas, uma tiara linda e com um rabo, que faz jus a pessoas que vão se tornar nobres. Quando vejo as brasileiras com aqueles rabos imensos, que ainda estão no assento do carro quando ela já está no altar acho sempre que é coisa de plebeu. Ia dizer coisa de pobre, mas poderia haver algum petista próximo para me censurar, pois eles dizem que pobre em Brogodó agora é minoria. Dizem que agora somos iguais a Seráfia. Me engana que eu gosto. Pelo menos no rabo dos vestidos não são mesmos.

Voltando, dizem que por tradição as noivas serafianas, pelo menos no meio nobre, tem que casar com vestidos de costureiros serafianos e os tecidos idem. Em Brogodó, os plebeus só casam com costureiros de fora, e tecidos de Seráfia. Ainda bem que a noiva Doralice Peixoto pode agora influenciar a patuleia daqui.

Ao chegar à porta da igreja, onde a esperava um padre, mesmo com meu serafiês (a língua falada naquele reino) nunca tenha sido tão bom, pois só o estudei para ser uma turista metida, fiz leitura labial, e ele perguntou a Dora:

- Minha filha, você está certa do passo que está dando? Está absolutamente convicta de sua decisão? Você ainda sente alguma coisa pelo Jesuino? Veja bem que ser plebeia tem suas vantagens. Você pode ir ver a Banda Calypso, Garota Safada, Basto Peroba, sem ninguém censurar. Já os nobres, só podem ver de Adriana Calcanhoto prá cima. Novelas da Globo, nem pensar, a não ser que seja “Amor e Revolução”, nos capítulos onde aparece o Zé Dirceu, que não são os de tortura, é claro.

A Dora respondeu adequadamente e partiu para sua entrada triunfal naquela incrivelmente linda abadia. Eu, quando estive em Seráfia, havia passado pela frente desta igreja, mas não entrei. Ela, como quase todas de 1000 anos naquela reino, é magnífica. Conheci a sede da religião de Seráfia, onde há uma catedral, onde entrei e fiquei por muito tempo. A Catedral de Canterbury, que chamam por aqui de Cantuária, onde tivemos por um tempo um escritório da CIT Ltda, vizinho a esta magnífica construção religiosa. São parecidas, e me trouxe muitas lembranças do tempo que lá passei. Lá é a sede da religião serafiana. Esta é muito parecida com o catolicismo. Talvez, a única diferença seja que seu chefe é o Rei de Seráfia e não o Papa de Roma. Há outras diferenças, que, do meu ponto de vista a torna mais moderna do que o catolicismo, como por exemplo, lá as mulheres já podem ser padres. E não precisam nem terem barbas.

A ornamentação da abadia estava um primor. Dizem que foi ideia da própria Doralice fazer uma decoração da nave com árvores. Deve ser a influência do PV, que aqui em Pernambuco só defende a defenestração de nossas matas e do nosso litoral de acordo com a política do Conde Eduardo, que estava presente à cerimônia em Seráfia. A TV Globo o mostrou, dizendo que ele era tio do noivo. Esta Globo só faz baixaria mesmo, erra até nas legendas. A TV de Seráfia deu um show de cobertura neste evento. Aquilo sim é que é TV, embora eu ache que as novelas globais são muito melhores, do que as que vi lá alguns capítulos. Tinha uma que estava há 30 anos no ar. Os serafianos são conservadores até nisto. Quando se apegam a uma “soap opera”, só a abandonam na próxima geração.

(Continua. Com as mesmas desculpas de antes e uma a mais. Esqueci de dizer no início do texto anterior que aqueles que não vêem Cordel Encantado, não deveriam ler estes comentários. Porque não têm cultura suficiente para entendê-los)

Lucinha Peixoto

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