sexta-feira, 8 de abril de 2011

CIBERFOBIA




Eu soube ontem, que da mesma forma que existem os homofóbicos, existem os ciberfóbicos. Os que pertencem ao primeiro grupo são bem caracterizados, como ontem o fez o conterrâneo Carlos Sena na A Gazeta Digital (aqui). Um texto interessante, com algumas palavras que, se O Andarilho não tivesse alcançado a luz, não gostaria, mas sempre mostrando a verve do escritor que é o Carlos. Não quero tratar deste tema aqui, mas só não gostei da imagem, e não sei quem foi que colocou, se o Zé Carlos, a Eliúde ou o próprio Carlos, pois eu sou contra a esta tal de "criminalização", pelo menos da forma como está posta no Congresso.

Quero tratar aqui é da outra espécie de gente, que são os ciberfóbicos. Confesso que nunca nem tinha visto este nome. Mas, a partir de suas raízes é fácil concluir que ele se refere àqueles que não gostam destas coisas cibernéticas, de computadores, internets, robôs e outras coisas que a tecnologia nos traz. Há até os tecnófobos, que vão mais além em seu ódio, ou medo de, a toda forma de novidade tecnológica.

Dizem que, pelo menos aqui no Brasil, A Associação Brasileira de Psicologia e o Conselho Federal de Psicologia ainda não dispõem de pesquisas que mostrem quantos cidadãos são atingidos por este mal, a ciberfobia. Só sabem que ele pode atacar pessoas de qualquer classe social, sexo e idade. Eu que o diga. Eu era uma ciberfóbica até uma certa época. Quando passava perto de um computador, atravessava a rua e passava pelo outro lado do calçada. Quando minhas filhas diziam que perderam algum trabalho da escola por causa dele, e isto era muito comum, com os antigos disquetes, eu ficava imaginando, desde o tamanho dos dentes daquele bicho, até o tempo que ele levava para digerir os trabalhos das meninas.

Chegava ao ponto de procurar no lixeiro as fezes do bruto, para ver se podia recuperar o perdido. Tanto que meus cadernos, onde já escrevia algumas paráfrases e outras coisas, eram guardados a sete chaves. Até que um dia, depois de comprar um impressora que fazia um barulho do cão, minhas filhas, de propósito, digitaram uma de minhas receitas preferidas e me deram de presente.

Então eu fui me chegando ao bicho comedor de trabalhos, passando a mão nele, ainda toda desconfiada, ainda com medo do que um dos meus filhos disse, quando estava com o microcomputador aberto com as vísceras à mostra, que ele poderia dá choque. Sempre ficava olhando se um dos meus filhos não começavam a tremer com um choque elétrico. Não senti nada, olhei para o teclado e, com meu curso feito com distinção e louvor na Escola Pratt de datilografia, em Bom Conselho, e vi que era do mesmo tipo daquelas máquinas onde aprendi a datilografar, que agora, moderna como estou digo, digitar, fui perdendo o medo.

Daí até está teclando todas as minhas receitas e histórias foi um passo. Mesmo assim ainda hoje, ainda sou um pouco ciberfóbica, com algumas novidades. Principalmente, agora que estou nas redes sociais. Entrei em quase todas. Facebook, Orkut, Twitter, e outras que nem me lembro. Algumas vezes ainda sinto calafrios quando oferto rosas pelo Facebook, ou lido com uma fazenda modelo no Orkut. Sei lá se tem alguém me chamando de vaca do outro lado!?

O que me preocupa mesmo é o número de ciberfóbicos em Bom Conselho atualmente. Segundo o Zé Carlos, o amigo Luis Clério é um caso clássico de tecnofobia, apesar de ser o administrador do grande jornal de Bom Conselho. Chegou ao ponto de renunciar um blog que inicialmente foi feito pensando nele e no Jodeval, de quem discordo politicamente, mas reconheço ser uma pessoa muito honesta e séria. Embora, digam que hoje, ele (o Luis Clério) já consegue sentar perto de um computador, embora com todo o cuidado para não tomar choque. O que já acho um avanço muito grande. O Zé Carlos me contou outros casos, mas não me permite publicar os nomes, de ciberfóbicos em primeiro grau.

Por exemplo, conta-se o caso de um rapaz, que além de nunca ter se aproximado de um computador, se recusa a usar celulares. Quando alguém o usa perto dele ele se afasta imediatamente. Um dia abriram uma “lan house” perto de sua casa, e ele chamou a polícia, porque achava que aquilo era mais um caso de contravenção, pensando que os computadores eram aquelas roletas de jogo, que já vi há tanto tempo nas festas de natal em Bom Conselho. Outro, ao ver seu filho jogando um “game” no computador, ao matar o vilão ele o levou imediatamente para o Padre Nelson perdoá-lo. E o padre o fez, por um pequeno óbolo.

Mas o pior caso que o Zé Carlos contou, foi de uma pessoa que além de não usar os meios modernos, diz que aquilo é coisa do demônio e que quem os usa irá diretamente para o inferno. Este o Doutor Daniel recomendou sua internação depois de um surto no qual ele quebrou seu estetoscópio.

Bem, fica aqui meu alerta às autoridades de Bom Conselho para a doença. Pois ela tem um efeito colateral seríssimo. As pessoas atacadas por elas não podem acessar o Blog da CIT. E a estas alturas, com o texto que o Diretor Presidente publicou, formulando a teoria de que a Judith não seria candidata a prefeita, não sei se a prefeitura vai tomar providências para minorar a dor daqueles que sofrem desta doença. Este meu alerta não só por não poderem me ler, mas porque não poderão ler escritores muito melhores como o Felipe Alapenha, o Poeta, Mister M (por falar nisto por onde ele andará?), e tantos outros blogueiros amigos.

Lucinha Peixoto

Um comentário:

Altamir Pinheiro disse...

DESTRINCHAR O COTIDIANO EM MINÚCIAS INTERIORANAS É A COQUELUCHE COMPULSIVA DESSE BLOG. SIMPLESMENTE, ÓTIMO!!!