terça-feira, 26 de abril de 2011

Contribuindo com o Jornalismo, mesmo sem notícias



Recebi a mensagem abaixo, já a alguns dias. Respondi a Caroline que estava um pouco sem tempo para responder as questões que ela me fazia, mas achava extremamente interessante sua pesquisa sobre ciberfobia e iria respondê-las depois.

Aproveito hoje, Sexta-Feira da Paixão, com o meu feijão de coco e bacalhau já na panela prontos para serem devorados, mesmo sabendo que poderei estar incorrendo em pecado mortal, se considerasse, estas respostas um trabalho. Também não são um prazer, pois estaria caindo também em pecado, pela falta de respeito que isto representaria para os dias. Encará-las-ei como um dever de minha parte “jornalista”. Leiam a mensagem da Carol e vejam as respostas mais abaixo.

Andes de cumprir o meu dever, quero dizer que fiquei extremamente alegre, por nosso blog ir até o Rio Grande do Sul, onde estive no fim do ano passado. No Brasil, só não é melhor do que Pernambuco.

----------

Olá!

Meu nome é Caroline, eu sou estudante de jornalismo da UFRGS. Estou fazendo uma matéria sobre ciberfobia e, procurando na internet, encontrei seu post [ leia aqui ] sobre o assunto.

Estou justamente procurando ex-ciberfóbicos (ou ciberfóbicos)! Será que você poderia me responder algumas perguntas? Esta matéria é para a revista Três por Quatro, que faz parte da disciplina de Jornalismo Impresso III.

As perguntas são:

1) Qual era o seu sentimento e conhecimento em relação ao computador e à internet?

2) O que provocou sua aproximação a esta tecnologia? Teve incentivo de alguém?

3) Como foi a adaptação?

4) Agora você tem blog, está nas redes sociais. Como foi essa evolução?

5) Como é sentir-se a parte deste mundo e depois estar incluído nele?

6) Algo ainda causa desconforto, principalmente em relação à internet?

É isso!

Desde já, agradeço.

Um abraço,

Caroline Berbick

-------

Minhas Respostas:


1) Qual era o seu sentimento e conhecimento em relação ao computador e à internet?

Conhecimento nenhum. Sentimento, pavor. Às minhas filhas dizia que tivessem cuidado com aquela coisa e que talvez elas não aprendessem, como achava difícil os meninos aprenderem a fazerem contas usando as “maquininhas” de calcular. Até hoje eles sabem fazer todas as operações no papel. Já meu neto tenho certeza, sem uma calculadora ele não vai somar nem 45 + 25, que será no número do novo partido que resultará da fusão do PSDB com o DEM, o PSDEMB.

2) O que provocou sua aproximação a esta tecnologia? Teve incentivo de alguém?

Tive o incentivo dos meus filhos. Foi através deles que consegui me aproximar do bicho e descobrir que ele não mordia, embora hoje saiba que pode provocar crises existenciais, sociais e políticas que podem serem terríveis.

3) Como foi a adaptação?

Segura, lenta e gradual. Igual a abertura política que vivemos no século passado. Apesar de ter curso de datilografia, o que tenho certeza a Carol nunca teve, teclar numa computador, se comunicar com ele não é a mesma coisa. Existiam, antigamente uns processadores de texto, que não tinha nem os acentos da língua portuguesa, como até hoje os endereços de internet recusam a tê-los. Ainda vamos nos sites do “...domingaodofuastao” ou “...ministeriodaeducacao”, e outros de cacófatos horrorosos. Então a adaptação foi lenta, mesmo porque, já estou um pouco perto da boa idade (mas, não exagere na interpretação Carol), e tudo tem que ser gradual. Agora já estou muito segura.

4) Agora você tem blog, está nas redes sociais. Como foi essa evolução?

Esta é uma longo história, mas tenho todo o prazer em contar. Eu comecei trabalhando numa empresa de um conterrâneo que pensava em se especializar em computação gráfica. Eu era mais uma secretária de luxo, mas dava minhas ideias e trabalhava muito. Isto já foi quase que um desafio, para curar, o que não sabia na época meus achaques ciberfóbicos. Venci-os, e depois que o Diretor da Empresa, viu que, depois de uma certa idade, computação gráfica seria demais para os seus neurônios, eu vi que isto era verdade, e junto com meus companheiros (desculpe o ar de jogador de futebol) partimos para o Blog da CIT. Era algo voltado para nossa cidade (Bom Conselho em Pernambuco), mas, como é próprio dos blogs ganhou o mundo. Eu fui nesta onda, e hoje, já dou até ideias para criar outros blogs dirigidos para o município, como a A GAZETA DIGITAL, no qual participo algumas vezes.

As redes sociais foram, e ainda estão sendo um desafio. Mesmo que o Blog da CIT não seja só meu, ele me dá um trabalho danado, não larguei minhas panelas e agora cuido de um neto. Às redes sociais dedico hoje a sobra do meu tempo. Por isso não estou tão presente. Minha maior dificuldade é o Twitter que nos obriga a escrever mensagens de 140 toques. É uma tortura. Mas estou resistindo.

5) Como é sentir-se a parte deste mundo e depois estar incluído nele?

Uso meu treino no Twitter e o linguajar dos meus filhos, para responder a esta questão: “É um tremendo barato!”

6) Algo ainda causa desconforto, principalmente em relação à internet?

Quanto a mim, é a lerdeza de minha conexão. Sou classe média mas não sou aquinhoada o suficiente para colocar uma conexão rápida em casa e na empresa que trabalho a coisa está mais preta ainda. Penso que um grande investimento em educação neste país seria prover internet rápida para todos, e fazer com que as escolas levem todos os estudantes a este meio, na mais tenra idade possível. Sei quanto isto é custoso, pelos problemas que temos ainda a enfrentar neste país. Mas, entre um Programa Fome Zero e um de Analfabetismo Digital Zero, ficaria com o segundo. Pelo menos porque ele não correria o risco de se transformar num instrumento eleitoreiro, pois quem navega é mais capaz de distinguir o que bom e o que é ruim prá ele.

-----------

Prezada Caroline Berbick,

Espero que tenha ajudado na sua pesquisa. Peço permissão para você me deixar publicar minhas respostas no meu Blog da CIT, para o qual peço sua divulgação com os seus. Estou à sua disposição. Um abraço

Lucinha Peixoto

P.S.: A Caroline, além de me dá permissão para publicação me prometeu mandar uma cópia de sua pesquisa. Quando chegar teremos o prazer de publicá-la.

LP

Nenhum comentário: