terça-feira, 19 de abril de 2011

A GAZETA 285 - Um apedeuta em Coimbra




Ontem o Zé Carlos nos trouxe a A Gazeta 285. Aqui ela é lida pela hierarquia. Primeiro o Diretor Presidente, depois eu, e depois o resto, que fica olhando feito cachorro pidão. Aproveitei o encontro para um papo bom sobre Bom Conselho e adjacências, quando soube que pelo meu prestígio na cidade vizinha de Garanhuns eu deveria me candidatar lá e não em nossa cidade. É isso mesmo, Jesus também não teve vez em Nazaré. Estou meditando sobre o fato ainda.

Logo de chofre vi uma fotografia do Encontro dos Blogueiros. Quando vi a Niedja solitária na frente do pelotão fiquei tão triste. Olhei logo para os outros cantos da foto para ver se encontrava algum animal de grande porte. Não vi nenhum. Talvez meu receio fosse mesmo infundado. Mesmo assim perguntei quem era o Poeta. Quando ele me mostrou eu fiquei até um pouco deprimida, pois agora sei que fui injusta com ele. Pela cara vi logo que ele deve ter sido seminarista, e quando isto acontece, mesmo depois deixando a batina, o homem continua bom e com grande personalidade.

Porém não é hora aqui de comentar fotos e sim de comentar as coisas que acontecem no miolo, cerne, centro, dentro da imprensa escrita da cidade, tão bem comandada pelo amigo Luis Clério, que na foto mencionada acima seria, com Zé Carlos, os “cabelos de nuvens”, se não fosse uma leve calvície. Este âmago é o seu Editorial. Sempre faço isso porque, depois que o Jodeval abandonou o seu excelente (mas politicamente enganado) blog, é só no editorial que procuro saber sobre a evolução do seu pensamento.

Neste editorial ele trata da morte do José Alencar. Que para mim foi um bom homem, cooptado por Lula, para servir de estribo para a Carta aos Brasileiros. Sem o Zé Alencar, quem acreditaria em Lula? Talvez, na época, nem o próprio Jodeval. Fala do Lula, o doutor honoris causa de Coimbra, para o meu desespero, que continuo vendo-o como o ex-apedeuta-mor. Não é só com um canudo que se faz um doutor. A não ser na Universidade de Coimbra, que foi um ícone da cultura e da história administrativa brasileira, e hoje é apenas um fiel depositário de estudantes brasileiros monoglotas.

É verdade o que o Jodeval diz, que “até a criação das Faculdades de Direito de Olinda e São Paulo, em 1827, toda a elite dirigente brasileira era formada em Coimbra. Até na época dos nossos bacharéis famosos, como o filho do Zé Cupertino, que quando chegava a Bom Conselho ele mandava soltar foguetes em homenagem ao “meu fio doutor formado”, a tradição de Coimbra continuou. Fomos a república dos bacharéis e a Universidade de Coimbra mandou muitos para cá, como hoje, mandamos muitos advogados, médicos, dentistas e outros profissionais para lá.

Atualmente, só vai estudar em Coimbra que tem preguiça de aprender outra língua. Mesmo assim o título de Lula foi obtido pelos favores obtidos por aquela universidade, para abrigar este tipo de estudante, com um custo enorme para nossos órgãos de fomento científico. Ora, num caso desse, Lula só poderia mesmo ser motivo de atração. Era um acontecimento inusitado. Foi a primeira vez que um capelo foi colocado na cabeça de um apedeuta renitente. Pois o pior não é ser apedeuta, o pior mesmo é gostar de sê-lo. E como gosta este rapaz. E se sente o máximo com isto. Pois isto o faz o grande símbolo da mobilidade social deste país, e que seria ótimo se ele desse valor à educação formal, mais do que o que dá. Suas aparições em solenidades do tipo, como recebimento de títulos, presença na ABL, suas emoções extemporâneas, só levam os jovens brasileiros a duvidar de que o estudo ainda é a solução para vencer na vida. E não me venham com esta de criação de cursos e universidades natimortas, como muitas que hoje vemos no nosso interior, por falta de pessoal qualificado.

Talvez eles, os jovens devessem se mirar mais no exemplo de José Alencar, pois foi necessário aprender muito para alcançar o que ele alcançou como empresário exemplar. Para ser presidente, foi provado, basta só ser esperto, politicamente. E isto Lula foi, e como foi! Hoje está rico, como palestrante nas empresas que o BNDES ou outro órgão publicou ajudou. E ganha uma fortuna, pois ele deixou o poste em Brasília, mas quando tem necessidades, o usa.

Eu não estava mais em Bom Conselho quando o Manoel Luna foi prefeito e não posso falar muito dele como fala o Jodeval e o Zé Carlos, que é Deus no céu e o homem na terra. Pelo que soube, ele estudou já na idade adulta, mesmo que não fosse só para, mas pelo menos para dá exemplo aos jovens bom-conselhenses. Só por isso eu já diria que melhor do que o Lula ele foi, e concordaria com o Jodeval que ele deve ser lembrado em Bom Conselho. O Lula, só nos livros de história, quando ela for contada sem a politicagem costumeira.

Lucinha Peixoto

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