quarta-feira, 6 de abril de 2011

Motos x Motoqueiros



As motos é um transporte rápido e econômico, mas é uma arma mortal para quem não sabe usá-lo. A falta de prudências destes condutores que infestam as cidades não os sabe, do perigo que enfrentam diariamente pelas ruas movimentadas. Diariamente, vemos jovens caídos nas ruas pela imprudência. São dezenas de acidentes que acontece a cada instante envolvendo um motoqueiro, infelizmente. Percorro sempre a Região Metropolitana do Recife e encontro estas tristes cenas, a SAMU, o Corpo de Bombeiros recolhendo motoqueiro para o Hospital de Restauração, ou mesmo parado um camburão do Instituto de Medicina Legal – IML, colocando corpos dilacerados pela violência em sacolas brancas/cinzas fechando com um zíper. As imprudências acompanham os motoqueiros, pela velocidade exagerada, o avanço e as escapadas entre os veículos, o avanço do sinal vermelho, a ultrapassagem nas faixas de pedestres, o zingue e zague entre os veículos, atropelamentos de pedestres e tantos outros absurdos cometidos pela maioria dos motoqueiros. O Hospital da Restauração, no seu quarto andar, setor de Traumatologia, parece mais um campo de guerra, pois, ali estes são recolhidos e presos ao leito, dezenas de jovens sofrem a angustia e o desespero para enfrentar vida no mercado de trabalho quando tinham uma vida pela frente para brilhar, estão mutilados, como a falta de um braço ou uma perna. Não quero dizer que o ser humano deficiente não tenha uma vida plena, pelo contrario, muitos desenvolvem trabalhos fenomenais. Conheço vários colegas que estão deficientes pela imprudência no trânsito, conforme eles mesmos afirmam: “Foi um momento de loucura”, outros, “foi uma falta de responsabilidade de minha parte” mais outros afirmam, “não devia ter feito esta ultrapassagem sem segurança”, e ainda mais, “ultrapassei um veiculo em curvas acentuadas, e ganhei este acidente, foi minha culpa e por este desrespeito e pago as conseqüências do meu gesto” e assim por diante, dizem se lamentado. Depois do acontecido acidente vem o arrependimento o que não concerta o fato já consumado.

Tenho três colegas, nossos vizinhos de bairro, que se acidentaram e ficaram mutilados, e que hoje sofrem as conseqüências da sua imprudência. Herculano vinha de uma festa em Jardim Brasil, em uma tarde de domingo. Jovem dos seus vinte e três anos e empolgado pegou a moto e seguiu viagem. Tinha tomado alguns aperitivos e lá para as quatro horas resolveu voltar para casa. Pegou a Avenida Presidente Kennedy, e no rotativo do Complexo de Salgadinho, derrapou na curva, e perdeu a perna esquerda, andando com dificuldade com uma prótese. Josuel, outro amigo, em alta velocidade perdeu o controle de sua mota Honda 250 cilindrado e capotou na Avenida Agamenon Magalhães, em frente ao Shopping Tacaruna, perdendo o braço direito e adquirindo outras seqüelas no andar e no pensar. Passado mais de dois anos ainda freqüenta uma clinica de Fisioterapia e tem problemas mentais adquirido pelo acidente. O Junior, outro companheiro, que foi vitima da sua imprudência. Num domingo a tarde saiu do hotel que trabalhava no bairro da Boa Viagem, com alguns amigos para uma “roda de samba” em Jaboatão. Todos tinham motos. Não tinham bebido, ainda. O comboio seguia pelo bairro de Sucupira, quando muitos ultrapassaram o ônibus e, Junior com uma colega de trabalho na garupa, resolveu também ultrapassar, e deu de cara com um ônibus que vinha em sentido contrário em alta velocidade, tentou desviar não conseguido esbarrou no ônibus e caiu na rua passando o pneu por cima das duas pernas, uma perdendo de imediato e a outra ficou esfacelada. A colega que ia à carona, morreu na hora debaixo de um dos ônibus, deixando três filhos menores de idade. Foi aquele desespero. Foi para o Hospital da Restauração onde os médicos tiveram que amputar a outra perna, ali passando mais de trinta dias entre a vida e a morte.

Estes casos que citamos servem de exemplo para outros motoqueiros, sejam das cidades grandes ou do interior, todos devem observar a leis do trânsito, a fim de não se arrepender mais tarde das conseqüências da sua inconseqüência que não reparara o erro. Fica somente as lembranças e o arrependimento e nada mais. Diz um ditado popular, muito ouvido em Bom Conselho, segundo o meu pai Antonio Taveira Zuza, “o arrependimento é o derradeiro que chega”.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

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