quarta-feira, 27 de abril de 2011

O anonimato, "peruas" e "perus"



Por motivos bastantes claros eu sempre volto a este tema porque sou um pseudonimista contumaz. Como diz o professor José Fernandes, sou também um anônimo, pois não tenho registrado em cartório meu pseudônimo. Eu até poderia fazê-lo, para ficar com mais liberdade de escrever, sem as ameaças legais que pairam sobre nós, previstas em nossa Constituição. Entretanto, como sou um “anônimo do bem”, espero sempre ter como me defender em casos de maior sensibilidade por parte daqueles que eu menciono ou, algumas vezes, faço sobre eles juízos de valor. Dia desses, fiquei mais tranquilo, pois soube que a Marta Suplicy perdeu a causa, num processo onde pedia indenização por ter sido chamada de “perua”. Vejam alguns trechos de como o Josias de Souza descreveu o caso, em seu blog:

"Veja-se o caso de Marta Suplicy. Rica e bem-nascida, ela não é uma petista de mostruário. Foge do modelo militante prêt-à-porter.

..........

Ela havia sido criada para viver num mundo de donzelas burguesas, matriarcas austeras e machos opressivos.

Traçaram-lhe um destino de horizontes acanhados: entregaria seus olhos azuis a um marido de boa cepa, teria filhos e administraria o lar.

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Invadia os lares, no matinal "TV Mulher", falando em masturbação, orgasmo e homossexualismo. Fez-se misturando ousadia e ideias.

Súbito, Marta decidiu encrencar com uma notícia de revista. Abespinhou-se por ter sido tachada no texto de “perua”. Foi à Justiça. Exigiu indenização.

Pois bem. Marta acaba de perder o processo no STJ, última instância do Judiciário para as causas infraconstitucionais.

O tribunal considerou "incabível" um recurso especial da senadora, que já havia sido derrotada na Justiça Federal de São Paulo.

O desembargador convocado Vasco Della Giustina achou que o Tribunal de Justiça de São Paulo dera ao processo um tratamento adequado.

Para ele, o recurso de Marta, chamado tecnicamente de "agravo de instrumento", visava apenas revolver os autos. Algo que não é atribuição do STJ.

Assim, prevaleceu a sentença do tribunal paulista. Uma sentença que anota o seguinte:

“Não se entrevê [...] carga ofensiva suficiente no emprego da referida expressão (perua) a ensejar o reconhecimento de lesão moral indenizável...”

“...A expressão ‘perua’, no contexto da matéria, foi nitidamente empregada para destacar o estilo pessoal da apelada [Marta]...”

Um estilo “...marcado [...] pela elegância no vestir. Note-se, a propósito, que a veiculação trata a recorrida como a ‘esfuziante ex-prefeita’...”

Algo que reforça “...a ideia de que a expressão [perua] foi utilizada para fins de simplesmente ressaltar o estilo pessoal da autora, nada mais”.

Ou seja: ficou entendido que chamar Marta Suplicy de perua não constitui crime, não ofende a honra da senadora e, portanto, não é passível de indenização.

......."

E o que isto tem a ver com anonimato? Tudo, homens de pouca visão! Vejam, se neste blog agora, eu chamar a Marta Suplicy de “perua”, ninguém poderá dizer que me transformei em um “anônimo do mal”, e ter que pagar indenização. E eu já aproveito o ensejo e digo, que o diálogo entre o espelho e a rainha má da Branca de Neve poderia ter sido:

- Espelho, espelho meu! Existe alguém mais perua do que eu!?

- Existe sim, minha ama, a Marta Suplicy ainda não morreu!

Eu vou mais além e me aventuro a dizer, com a proteção da justiça, que o diálogo poderia ser também o seguinte:

- Espelho, espelho meu! Existe alguém mais antipática do que eu!?

- Exista sim, minha rainha, a Dilma ainda não morreu!

Não poderia dizer que a presidenta faz o estilo “perua”, como a Marta. Aí talvez fosse um caso de indenização, pois a presidenta, nas poucas vezes que apareceu em público, em termos de vestuário, está muito longe da “peruagem” habitual. É sóbria tanto no vestir com no falar (aliás, não é uma boa “concatenadora” de palavras), e não fica fazendo evoluções como a Marta. Mas, aí eu já estou deixando a questão do anonomimato para enveredar pelo mundo do colunismo social, que não é a minha praia.

Voltando ao assunto, o pseudo e o não pseudo anonimato, tema que voltarei ainda noutros textos, eu apenas terminaria dizendo que o masculino de “perua” é “peru”. E agora quando eu falar de “peru”, as conotações mais genitais que esta palavra tem, não serão aceitas aqui. “Peru” é apenas um homem que possui as mesmas características da “perua” Marta Suplicy. Gosta de aparecer e só ele está certo. Se for um “metrosexual” é mais “peru” ainda. E se for de esquerda, é a cópia fiel da “perua”. Quando é de direita, é mais parecido com um “pavão”, que todos sabemos o que é, mas não chega nem aos pés da “perua”. Se for machão, não é “peru” é “faisão”, e repete todo tempo: “Eu sou o bom, sou o bom, sou o bom...

Entretanto, o diálogo da Branca de Neve, não serve mais para o “peru”. O melhor seria a fábula da A Raposa e as Uvas, do Esopo:

Um “Peru”, morto de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e mais importante, maduras.
Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher seu alimento.
Ele então usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu.
Desolado, cansado, faminto, frustrado com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencido.
Por fim deu meia volta e foi embora. Saiu consolando a si mesmo, desapontado, dizendo:

"Na verdade, olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio..."

Aumentando um pouca a moral tradicional desta história que é: “É fácil desprezar aquilo que não se pode obter”, eu diria que todos nós já fomos “perus” alguma dia, o que não justifica continuar na “peruagem”.

O ruim disto tudo, é que se me chamarem de “peru” anônimo, não posso recorrer ao judiciário, será uma causa perdida.

Diretor Presidente

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