terça-feira, 5 de abril de 2011

O caso Bolsonaro, os gays enrustidos e a Papacagay



Foram tantos os artigos que li sobre o caso Bolsonaro nestes últimos dias, que, tenho certeza, nas próximas eleições ele terá o dobro dos votos que teve nesta última. Os argumentos vão do “contra levíssimo”, como os do Reinaldo Azevedo que diz:

“Eu acho que Bolsonaro precisa se instruir muito a respeito de uma penca de coisas. Poderia ter menos opiniões e dedicar um pouco mais de tempo à leitura. Sobre a homossexualidade em particular, diz um monte de bobagens — a maior delas é a que sustenta que, vou resumir, “o ambiente faz o gay”, o que faria supor que um heterossexual poderia ceder a tentações. Muitos homossexuais até gostariam que a prática fosse assim algo irresistível, mas, bem…, não é! Isso o leva a achar que, se um pai der uns petelecos no filho na hora certa, o rapaz (ou a moça) acaba ficando na heterossexualidade mesmo. Essas opiniões o indispõem com um monte de gente. Ele também se opõe a cotas raciais nas universidades — como se fosse o único e como se essa posição, em particular, pertencesse à mesma ordem a que pertence a outra. Que eu saiba, há negros e gays que também são contra cotas, não é mesmo? E certamente há negros que pensam sobre a homossexualidade o mesmo que Bolsonaro.”

Passando pelos contras um pouquinho menos leves, como o do jornalista Guilherme Fiúza:

“Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?

Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares? A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.

É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, prescrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora? Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.

Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias - e isso é raro hoje em dia. De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.”

Seguindo o caminho ainda do “contra leve” para o “contra pesado”, temos o Ricardo Noblat que proclama:

“A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso - e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.”

Seguindo em frente ontem já li na AGD, que está se tornando minha grande fonte de informação, um contra menos leve, no Blog do Alon, que diz:

“É penoso para um político, mas talvez o deputado Bolsonaro devesse estudar a possibilidade de pedir desculpas.”

Isto depois de um brilhante argumento sobre a diferença entre ofensa física e ofensa moral, para mostrar que esta última muitas vezes não choca tanto quanto a primeira, mas ambas tem suas conseqüências. Vejam o texto completo aqui .

Não vou citar os contra mais pesados, pois eles são a maioria, e alguns chegam até ao ponto de se tornarem piores de que o do Bolsonaro, em termos de preconceitos, só que do outro lado.

Como visto em meu artigo anterior ( aqui ) eu faço parte da versão “contra leve”. O Bolsonaro perdeu a oportunidade de ficar calado, ou pelo menos de pensar melhor nas perguntas antes de sair destilando seus preconceitos. Como também acho que sua crucificação apenas dá força aos seus argumentos. Eu vi um argumento “contra pesado”, do Jose Fernandes Ccsta, que diz, num comentário do Blog do Roberdo Almeida (aqui):

“Bolsonaro é um dos piores crápulas do Congresso Nacional. - Ele já extrapolou todos os limites do decoro e da moral. E a moral dele é muito duvidosa. No que depender da Câmara, ele não será punido. - Cabe aos eleitores do Rio de Jeneiro (sic) cassá-lo, caso queiram. - /E quem sabe ele não seja um veado enrustido.”

Este tipo de argumento é o mesmo que leva Bolsonaro a ser eleito todos os anos, e, cada vez, com maior votação. Ora, se existem uns tantos eleitores do Rio de Janeiro, que levam o Bolsonaro a representá-los na Câmara, o que o argumento diz é que eles são crápulas também. O grande problema é que eu poderia fazer um argumento do mesmo tipo, dizendo que existem pessoas, que se escondem atrás do poder para colocar dinheiro nas meias e cuecas, e outros para dizer que nada sabiam, ou dizerem que “pelotas é um pólo exportador de viados” (ver vídeo abaixo). O que resta é apenas o julgamento moral e individual de quem é mais crápula. Quando politizamos a moral e a ética, geramos um “quiprocó” dos diabos.

Para os machões, para os veados enrustidos e mesmo para alguns religiosos de padaria, eu sou uma crápula, por defender o direito que têm as pessoas de seguirem livremente suas orientações sexuais, e, até mesmo se orgulhar dela, propondo atos como a Papacagay. Já os Gays devem me achar uma crápula quando digo que, concordando com o Bolsonaro, que sou contra a política de cotas raciais, ou quaisquer outras que visem beneficiar minorias, impondo-as qualidades ou defeitos não comprovados, o que apenas gera mais preconceitos.

Esta crápula que vos fala tem argumentos bastantes para defender os dois pontos de vistas apresentados, mas não vou fazê-lo agora. Por enquanto reflitam sobre o caso, Bolsonaro. Sempre é bom. Pois em 2012 teremos eleições municipais. Sei que em Bom Conselho já existem gays suficientes para eleger um vereador, mas sei que não votarão todos em mim, se eu levar meu projeto político à frente. Principalmente, aqueles que se beneficiaram da política do “amaciamento” racial, como chamo a política de cotas raciais, porque talvez eles pensem que eu esteja sendo contra os negros, mulatos, ou pardos como eu sou. Não os culpo por isso, é natural “puxar a brasa para nossa sardinha”. Mas vejam o futuro, não descubram tarde que o uso de benefícios discriminatórios (mesmo que se chamem de positivos) podem gerar problemas posteriores.

Eu digo que se tudo der certo com a política de cotas, chegará um dia em que trocar-se-á a lei apenas substituindo a palavra “negro” por “branco” e começará tudo de novo. Se até outubro de 2012 ainda for considerada uma crápula por ser contra a política de cotas e a favor da Papacagay, estou frita, políticamente, mas já valeu a pena só em levantar a dúvida. Aí, para ser eleita mesmo, só procurando os “veados enrustidos

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Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

3 comentários:

Anônimo disse...

Se estamos vivendo uma coisa chamada de democracia, por que crucificar o Dep. Bolsonaro por expressar seus pensamentos. Ninguém é obrigado a aceitar as idéias desses grupo que se acham discriminados e, que só pensam em se dar bem exigindo direitos e benefícios que só aumenta a desigualdade entre os Brasileiros. A Constituição é bem clara quando fala em igualdade entre nós. Sempre haverá preconceito e racismos entre os humanos, o deputado não contribuiu em nada para aumentar o que sempre existirá, apenas respondeu o que muitos brasileiros responderiam ao ser indagado por tal pergunta. Sem falar que o Bolsonaro respondeu uma pergunta pensando que era outra. Fala sério! A impressa brasileira gosta muito de Blá Blá Blá.

Sempre alerta disse...

Que Brasil é esse, onde uma minoria se acham no direito de obter vantagens por se acharem discriminado, será que eles não sabem que isso só aumentará a discriminação. Tem coisas na vida que nunca será visto como uma coisa normal, o que é diferente sempre será diferente para a humanidade. Nós somos humanos, e humanos são falhos. Só Jesus Cristo foi perfeito aqui na terra, o resto é só problema.

Anônimo disse...

O grande problema da intolerância é quando o indivíduo não aceita a si próprio, e vai além disso, prega o ódio aos seus semelhates. Um sujeito como o Bolsonaro não aceita o fata de ser gay. Dessa forma, sente ódio dos seus semelhantes, pois enxergam neles o que mais detesta em si mesmo.
Bolsa mulher, saia de caixinha, se liberte... Freud explica!