sexta-feira, 29 de abril de 2011

Oposição? Que oposição???



Neste dia de casamento real, tão bem parafraseado (e continua), pela Lucinha Peixoto em homenagem aos seus parentes de Brogodó, eu entrego meu espírito ao jornalista Sandro Vaia. Através do seu texto “A nuvem negra da oposição”, ele compõe um retrato do que é a atualidade da política no Brasil. Seria uma temeridade eu dizer que um jornalista de tal relevo, mesmo sem querer e sem culpa, repete algumas coisas que venho dizendo, sem enfatizar a distância que nos separa em termos de escrita. Mas, o leiam, e eu volto com o meu ramerrame no final.

““Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo, ela já mudou”.

A frase, atribuída ao lendário político mineiro Magalhães Pinto, pode ajudar a definir o cenário em que se move a oposição política brasileira neste momento.

A diferença é que, cada vez que você olha, a nuvem da oposição está cada vez mais negra.

Pode-se dizer também, já que estamos no terreno dos ditos populares, que tudo isso é uma releitura do velho provérbio que diz: “em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. O pão que falta, neste caso, é aquele que move as ambições, os sonhos e as aspirações dos políticos: o poder.

O PSDB, apesar dos esforços de seu guru espiritual Fernando Henrique Cardoso, que tentou abrir novas veredas por onde o partido poderia tentar reencontrar o seu “tônus vital”, se debate numa crise de autoextermínio fratricida, por onde se esvai não apenas a unidade de propósitos, mas também, de certa forma, a compostura pessoal e partidária.

O DEM, ex-PFL, vitimado por uma desastrada tentativa de “aggiornamento”, perdeu a sua identidade originalmente liberal-conservadora e não encontrou nenhuma outra para colocar no lugar. Resultado: o partido, que tentou livrar-se do estigma de ser “de direita” (que virou um verdadeiro palavrão pós-ditadura), não conseguiu vestir outro figurino e sangra, agonizante, em praça pública.

Para não ser de direita, nem de esquerda nem de centro, há um ator novo no pedaço, o PSD de Gilberto Kassab, que pelo menos tem a virtude da novidade e a latente promessa de transformar-se num abrigo de descontentes e consequentemente numa caixinha de surpresas, cujo rumo o tempo se encarregará de definir.

O resultado, trágico para a democracia brasileira, é que a oposição soma neste momento menos de 100 cadeiras no Congresso Nacional, está sem rumo e sem direção, e não consegue sequer articular um discurso coerente que dê eco e voz aos quase 44 milhões de brasileiros que investiram nela seus desejos e as suas aspirações.

O governo está atrapalhado, entre outras coisas, com a ameaça inflacionária, com a valorização do real, com o perigo da desindustrialização, com o fiasco administrativo na preparação dos grandes eventos esportivos, e a oposição não tem nem uma palavra, nem uma diretriz, nem sequer uma alternativa a oferecer a nenhuma dessas questões.

O governo, cujo núcleo duro é dirigido pelo PT e cujo entorno é sustentado por uma balofa e oportunista base fisiológica, não tem contraponto.

Há uma evidente e perigosa hipertrofia de poder, um desequilíbrio no sistema de “checks and balances” que constitui a essência de democracia.

O governo não tem nada com isso. Toda a culpa é da oposição, que não consegue sequer superar seus choques de personalismo nem as suas mesquinharias, quanto mais se dedicar a um projeto de País.”

Ou seja, nossa oposição está num mato sem cachorros, sem gatos, espingarda, sem luar e sem violão. O Zé Serra que arranjou os 44 milhões de votos de que fala o jornalista, ao invés de tentar assumir o papel de líder de oposição fica dizendo coisas que deveria ter dito durante a campanha, agora acusando a Dilma de não querer mais os discos voadores para fiscalizar nossas fronteiras.

O Aécio fica com a vida de bar em bar, dirigindo sem carteira de habilitação e sorvendo um whisky 12 anos, porque mais novo só quem toma é o Lula. Ainda mais se recusa a usar o bafômetro, com medo que ele acusasse seu “bafo de onça”. Fica fazendo discursos de conciliação como o fez sempre o Tancredo, noutros tempos, onde conciliação ainda era possível.

Os outros líderes que fizeram oposição ao PT, sucumbiram todos diante da avalanche lulista, que agora pousa de defensor e protetor dos postes desamparados, para curtir a abstinência de poder. Debandada geral para o PSD. Funde-se aqui e funde-se lá, partidos de todas as espécies e variedades. Até a Lucinha Peixoto quer fundar o seu, lá pelas terras de Papacaça (gostei mais da UDN). A confusão é geral.

Parafraseando o Zé Carlos, o Vovô FHC, quer entrar no páreo cooptando a classe média, mostrando que ela é um pobre sofredora. Mostrando a ela que é melhor ser pobre do que de classe média no Brasil, porque vai direto para a UPA, sem ter que pagar um plano de saúde, onde os médicos fazem greve. Poderia até ser um caminho se tivesse avisado aos “russos”. Agora quem está seguindo por esta via é o PT. Já começou até a privatizar a Copa do Mundo. Meu Deus, aonde estamos nós e para onde vamos nós. Seria melhor chamar logo o Hugo Chaves.

Zezinho de Caetés

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