sexta-feira, 6 de maio de 2011

As águas de maio



Eu esperava hoje já estar escrevendo sobre outro assunto menos molhado do que as cheias do Recife. Mas ao ler o texto do Zé Carlos (que está aprendendo a ser jocoso), e seu recado na AGD, vi que seria impossível evitar as águas que nos rodeiam. Eu também vivi as cheias aqui no Recife e passei por poucas e boas. Passei a pior de todas que foi a segunda cheia. Pensei que não sobreviveria.

Lendo os blogs hoje, e depois de ter visto também o Secretário da águas dizer na TV que cheia era conversa da oposição, ou coisa parecida, que o Eduardo já ligou para Dilma que prometeu 5 barragens. Temos a transposição do rio São Francisco, a Transnordestina, Minha Casa Minha Vida, a Refinaria do Chaves, e tantos outros projetos tocados com verbas federais, todos quase parados e vem o Conde Eduardo pormeter mais 5 barragens, meio a meio com a União, quando Dilma diz que está cortando verbas até da merenda escolar. E as vítimas de um ano atrás, inclusive o meu, o seu e de todos os bom-conselhenses, o Açude da Nação que continuam do mesmo jeito? Talvez o Conde tenha decidido, até que enfim, vender a BR-232, com o Zé Carlos propõe.

Desfaçatez tem limites. Hoje vi na AGD, o Poeta dizendo que o Açude da Nação poderia estourar outra vez. Desta vez não suportei. Correndo o risco de encontrar mais jumentinhas e cabritinhas defenestradas, fui ver a postagem "in loco", no seu blog. Ora, meu Deus, eu sabia e a foto publicada por ele comprova que não há açude novo nenhum, apenas colocaram uns caminhões de terra para a cidade não ficar cortada ao meio. Se aquilo não estourou foi porque ainda não choveu e se já tivesse estourado só teria uma consequência e boa, pelo pequeno volume dágua que acumula: Fazer o trabalho, que deveria ser da prefeitura, de acabar com as muriçocas.

Mesmo assim, como não deixar de elogiar o instinto jornalístico do Poeta? Se ele colocasse os fatos reais, a manchete seria: “A terra que colocaram no açude pode descer com o rio”. Mas quem iria lê-lo? Só os viciados como a Maria José que comentou um dos meus artigos dizendo que era viciada no Blog do Poeta. Eu até a respondi, como sempre faço com quem acho que merece uma resposta, pois ela está doida para me ver frente à frente com o Poeta.

Com aqueles comentários eu entendi tudo. O Poeta está viciando o povo de Bom Conselho em seu blog. E o vício, como todos sabemos é um pecado, e há deles, que é mortal, é inferno direto. Como boa católica e praticante que sou, estou de olho, para quando, e se, nos encontrarmos não me surpreender com nenhuma cabritinha desonrada. Mas, estou pronta para o encontro.

Voltando às águas recifenses, como o Zé Carlos até filmou e dourou a pílula com uma música belíssima do Acioli Neto, ontem à noite aqui foi um verdadeiro caos. Eu nunca vi coisa igual. Moro numa rua movimentada e que passa ônibus. Quero dizer, passava. Porque ontem, pelo número de pessoas que havia nas paradas, parece que eles só passaram pela manhã de ontem e pela manhã de hoje. Havia os desistentes que andavam pela rua, sem ter esperança de que um dia chegariam em casa. E não só foi por causa dos boatos, que existiram, mas, também pelo transbordamento dos canais. O comércio fechou em alguns pontos, não só por boatos, mas por fatos. Exemplo, o canal do Shopping Plaza, parecia mais o canal do Panamá, só faltavam as comportas e os navios.

Hoje meu neto não foi nem a escola. Telefonaram dizendo que não haveria atividades por culpa das águas e o medo de cheias. Eu já estou cheia disto. Imagine o pobrezinho dele que crescerá aqui sem nunca ter ido ao Ginásio São Geraldo e ver, durante o inverno o irmão de Neco da barraca tentar subir aquela ladeira molhada, numa bicicleta. Chovia, chovia e chovia, mas tínhamos esperanças que o sol um dia nasceria (que coisa mais cafona, mas, deixa aí) enquanto meu neto não tem esta esperança. O meu marido anda tão irritado que agora já diz que está acompanhando Insensato Coração aos amigos. Antes, como o Roberto Almeida, Beto Guerra e outros, dizia que só via o Jornal Nacional e depois dele, ficavam na sala só para darem um cochilo. Agora não, com a chuva já não tem porque mentir. Semana passado me surpreendi com ele dizendo:

- Malu, eu acho que vou para o Chile. O Raul foi e parece que deu certo.

De chofre não entendi nem o que ele estava falando. Depois é que notei que ele se referia ao Antonio Fagundes. Vou aconselhá-lo a assistir Cordel Encantado. Quem sabe ele não queira ir prá Brogodó e me levar com ele? Para fazer jus ao título eu diria com Tom Jobim, mesmo com o mês errado: “É pau é pedra, é o fim do caminho...”.

Lucinha Peixoto

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